Mostrando postagens com marcador liberdade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador liberdade. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Libertando-se das Angústias


Nós criamos convenções e entramos numa espécie de jogo. E é só um jogo. Você não ficaria chateado se conseguisse olhar o SPC como parte de um jogo, “ah, me colocaram no SPC”, faz parte do jogo, “dentro dessa regra do jogo leva quanto tempo para eu sair ou o que eu preciso fazer para sair?” - só a regra do jogo. Da mesma forma no trânsito: se você descumprir as regras, passar no sinal e for multado, ou emprestar seu carro para outra pessoa que foi multada em seu nome, podem cassar sua carteira. Mas a carteira faz parte também de um jogo inventado muito tempo atrás. Inicialmente não existiam carteiras de motoristas. Inicialmente, o jogo já foi tão diferente que quando os primeiros carros foram lançados na Inglaterra, havia uma outra regra: tinha que ir um homem a cavalo na frente dizendo “vem um carro aí, vem um carro aí” (risos). 

Dessa maneira, se nós conseguirmos olhar todo o conjunto das coisas da vida dentro dessa interpretação, que são jogos criados, você se libera da angústia. É só um jogo, não tem nada, não tem nenhuma realidade subjacente, apenas a que eu acreditar que tenha. Assim como o jogador de xadrez que olha para o tabuleiro e acredita que o cavalo tem seu movimento em "L". É porque ele acredita nisso que o cavalo tem esse movimento. Se ele não acreditar, se ninguém explicar as regras para alguém, o cavalo é só uma figurinha, um cavalo, mais nada.

[Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Liberdade de Não Acreditar



Do ponto de vista do zen, o aluno pode dizer para o professor: “eu não estou acreditando nisso”, e o professor só argumenta, porque é isso que Buda fez. É perfeitamente lícito que o aluno questione uma ideia qualquer do budismo ou do professor. Inclusive, isso existe sob forma ritualizada, chama-se Mondo. Nós nunca realizamos aqui porque não temos uma corporação de monges, mas um dia vamos fazer. O professor fica com o kyosaku na mão, o aluno vem andando e faz a sua pergunta. Logo em seguida ajoelha na frente do professor. O professor responde e bate ritualmente com o kyosaku em seu ombro e ele recua de costas agradecendo. Esse é o ritual do Mondo. O professor não sabe quais são as perguntas. Então você pode fazer a pergunta mais louca que quiser.

Eu me lembro de fazer Mondo com Saikawa Roshi duas vezes. Na primeira vez perguntei: “Eu ouvi falar sobre carma, me diga, de onde veio o primeiro carma?”. E ele respondeu: “Quando você descobrir, me conte”. Na outra vez eu perguntei: “Por que Bodhidharma tinha barba?”. E ele respondeu: “Nem ele sabia”. (risos). Na cerimônia pode-se fazer qualquer pergunta, “por que a lua é redonda?”, pode fazer.

[Trecho de Palestra proferida por Monge Genshô Sensei]

segunda-feira, 5 de março de 2018

Fazer Esforço sem se Esforçar




Pergunta: Gostaria que o senhor falasse sobre o não esforço, porque é muito difícil seguir a prática sem esforço.

Monge Genshô: Acontece que quando você se esforça e tem uma grande missão, você constrói, justamente por causa dessa missão, mesmo que ela seja iluminar-se, grandes problemas e grandes insatisfações. Porque você se esforça tentando chegar a um objetivo, então é uma mente aquisitiva que quer adquirir a iluminação, o despertar, a realização espiritual, essa mente que pensa assim está pensando como se estivesse comprando.

Por causa dessa atitude ela não pode chegar lá. É necessário você fazer as coisas bem feitas, mas sem esse tipo de esforço. Por exemplo, você pode lavar a louça: se você lava a louça para terminar o trabalho, então essa tarefa será um trabalho. Mas se você lava a louça só por lavar e aprecia a água correndo pelas mãos, a louça ficando limpa, se você sentir prazer nisso, na tarefa em si, essa tarefa pode ser muito prazerosa e pode ser um caminho espiritual. Mas se você transformar em esforço, ela não é. É uma forma de tortura, que alguém o convenceu a fazer.

Então como deve ser? Se você fizer as coisas com esforço não conseguirá nada, mas se você não se esforçar aí sim é que não vai a lugar nenhum. Essa é uma declaração Zen, guarde essa frase. Se você guardar essa frase, poderá viver a vida sem se torturar, e isso será libertador. Você tem que ter a capacidade de fazer esforço sem se esforçar.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Lucidez e Liberdade




Se você tem desejos e apegos nessa vida, e persegue essas coisas, vai perseguindo, perseguindo e gerando carma no processo, porque você quer mais uma coisa, quer mais outra, mais outra e, na medida em que você gera carma em movimento, você acumula energia para, uma vez esse corpo falecendo, manifestar-se novamente. E se essa energia tem os desejos típicos do ser humano, como ela tende a se manifestar? Como outro ser humano, para poder satisfazer esses desejos. Nós estamos aqui porque somos viciados no carma que nós temos. 

Então, o verdadeiro castigo é essa repetição: estamos presos e condenados a repetir indefinidamente enquanto não nos livramos da nossa ignorância e do nosso carma que nos levou a nascer assim, como nós somos agora. 

Portanto, qual é o papel do zazen? Fazemos treinamento mental para quê? Para enxergarmos com lucidez os nossos aprisionamentos e podermos primeiro compreendê-los, e depois descartá-los intencionalmente.

Se nós descartarmos esses impulsos, nosso carma vai enfraquecendo ao ponto que nós não estejamos condenados a repetir este tipo de vida que estamos repetindo agora.