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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A prática da vida diária


Nos reunimos como Sangha para praticar. É para se sentar com todos que se vem à Sangha, esta é a razão de sua existência. Mas se o fazemos por causa de uma liderança, a prática não é forte, porque a prática no zen não depende da liderança. A tradição é sentar sozinho durante longo período e visitar o mestre de vez em quando para tirar dúvidas, para mostrar aquilo que pensa que realizou, para expor e receber uma confirmação. Se nossa prática depende dos outros, ela é fraca. Deveríamos ser capazes de sentar sozinhos em nossas casas e nos reunirmos com a Sangha para apoiar os outros praticantes, não vindo, somente, porque naquele dia o professor estará presente. Isso, para o professor, é como se ele visse sua própria fraqueza, porque sua força é fazer praticantes fortes e não pessoas dependentes. Não é isso que o professor quer.

Durante toda a história do budismo, o esforço de todos os mestres foi de criar praticantes melhores que eles e que pudessem sucedê-los. Tantos mestres viram suas linhas, suas escolas, desaparecerem, porque não houve sucessores. Por ter isso ocorrido tantas e tantas vezes, a maior alegria de um mestre é ver grandes e fortes alunos que não dependem dele. Numerosos mestres tiveram apenas um discípulo sucessor, raríssimos tiveram centenas. Somente mestres como Buda tiveram muitos sucessores. Seria interessante nós examinarmos o que é a prática, como ela se estabelece. A prática, na verdade, só tem sentido se é usada na vida diária. Infelizmente, em nossa vida diária, temos que vestir máscaras e atuar em papéis que não são o papel do praticante. Alguns deles são verdadeiros impeditivos da realização espiritual. Então, a prática da vida diária é um enorme desafio, pois temos, frequentemente, que agir de outra forma. Na Sangha você pode - e deve - aceitar todas as falhas e erros dizendo: “não tem importância, vamos tentar mais uma vez”. Se os alunos estão fazendo bem o ritual, o professor pode mudar algo, porque o melhor é que as coisas nunca funcionem muito bem para que possamos nos aperfeiçoar. Se alguém é a pessoa bem treinada para determinada função, é conveniente tirá-la daquele papel em que ela se sai bem, para que ela passe a fazer algo em que ela não se saia tão bem. Se alguém ficar fazendo uma tarefa para a qual está bem preparado, será ruim para ele, para o seu ego, não lhe fará bem. Na verdade, a Sangha não deve funcionar muito bem, deve servir de caminho de aperfeiçoamento.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Dalai Lama renuncia ao poder político


Parlamento exilado do Tibete aceita retirada do Dalai Lama da vida política
Líder espiritual dos budistas tibetanos decidiu se afastar para dar lugar a dirigente eleito.
Governo da China, que controla o Tibete, classificou decisão de 'ardil'.


O Parlamento do Tibete, que funciona no exílio em Dharamsala, no norte da Índia, aceitou nesta sexta-feira (25) o afastamento político do Dalai Lama mediante uma votação por unanimidade de várias resoluções que visam a modificar a estrutura do movimento, anunciou à France Presse um membro do parlamento.

"Esta é uma decisão difícil de tomar para fazer uma emenda à Constituição e afastar Sua Santidade da política tibetana, mas faremos isso pelo bem dos tibetanos em longo prazo", declarou Karma Yeshi.

Aos 75 anos, o Dalai Lama rejeitou os pedidos do Parlamento tibetano para que reconsiderasse a decisão de abandonar as funções políticas dentro do movimento tibetano.

Ao ser questionado na semana passada sobre uma possível mudança de ideia, o Prêmio Nobel da Paz declarou: "Não. Eu pensei por muitos anos (...), minha decisão a longo prazo é a melhor".

Dalai Lama, durante o 52º aniversário da fracassada insurreição tibetana contra a China, em 10 de março. O líder espiritual dos tibetanos anunciou que renunciava a seu papel político para deixar o posto a um novo dirigente "livremente eleito", uma decisão que o governo da China classificou de "ardil" para enganar a comunidade internacional.

"Meu desejo de transmitir a autoridade não tem nada a ver com uma vontade de renunciar às responsabilidades", declarou o Dalai Lama durante um discurso em Dharamsala, norte da Índia, onde vive exilado.

"É pelo bem a longo prazo dos tibetanos. Não porque me sinta desanimado", completou.

Sem nenhuma responsabilidade política, o Dalai Lama terá mais tempo para dar conferências e viajar por diversos lugares do mundo, como afirmou.

O religioso e Prêmio Nobel da Paz considera que o movimento tibetano está suficientemente maduro para eleger diretamente o novo chefe de Governo tibetano no exílio.

O prêmio Nobel da Paz em 1989 tinha 15 anos quando foi nomeado "chefe de Estado" em 1950, após a chegada das tropas chinesas ao Tibet.

Em 1959 fugiu da China e se refugiou em Dharamsala, após o fracasso de uma revolta contra Pequim.

O Dalai Lama, herdeiro de uma dinastia espiritual fundada no século XIV, acredita que o "caminho do meio" é a melhor solução.

Nascido em 6 de julho de 1935 em uma família camponesa da aldeia de Taksar, no nordeste do Tibet, Lhamo Dhondrub foi eleito como 14ª manifestação do chefe supremo do budismo tibetano, o Dalai Lama, quando tinha apenas 4 anos, em 22 de fevereiro de 1940.

Fonte: G1