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quarta-feira, 14 de maio de 2014
Vivemos representando papéis
Pergunta – A compreensão perfeita do “não-eu” ?
Monge Genshô – Isso. A compreensão da vacuidade, dessas características da existência, “não-eu”, “anatta”, a impermanência, “anittya” e a característica cíclica da vida, “dukkha”. Se tiver uma perfeita compreensão disso, já destruiu o sofrimento. Existem muitos textos sobre esse assunto, você deve ler sobre o Dharma, pois ele não é simples, essa é uma forma da entender e praticar, a outra é sentar para meditar e outra ainda é praticar na sua vida diária, quando lavar a louça, quando estiver conversando com alguém, no dentista, enfim, no seu dia-a-dia. Quando você está em uma discussão e assume um erro, ou dá razão à outra pessoa, seu “eu” enfraquece e isso é muito bom.
Pergunta – Em alguns momentos parece muito fácil de entender, mas no segundo seguinte tudo muda. Essa questão do “EU”. Estar em casa e educar os filhos é algo que exige um “EU” permanente, eu até já fui mais flexível, mas hoje não mais. Não consigo mais ver de outra forma, existe nesse momento um forte “EU” que precisa estar presente para que eu consiga educar meus filhos, caso contrario eles tomam conta.
Monge Genshô – Mas isso é carinho. Qual sua convicção ao fazer isso, não é o desejo de obter o melhor, você não faz isso por amor? Nos mosteiros não é muito diferente.
Essa educação que você pratica é libertadora, mas muito difícil, se você sentar uma criança na mesa e perguntar o que ela quer comer, ela dirá que nada do que tem na mesa é bom o que ela quer é batata frita. Mas não confunda o fato de você ser severa na educação com ter um “EU”. Você tem que usar um “EU” para transitar no mundo. Para que eu fale para vocês preciso de um “EU” de professor do Dharma. Em alguns lugares eu sou Petrucio, em outros, sou Chalegre e aqui sou Monge Genshô. Nesses momentos é que você vê que seu “EU” é uma construção. Não se confunda, você não é esse “EU” de mãe, isso é só um papel que você está exercendo. Vivemos representando papéis e nenhum deles somos nós de verdade. A verdadeira pergunta é “quem somos nós”?
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012
O que o mestre quer
É para se sentar com todos que se vem à Sangha, esta é a razão de sua existência. Mas se o fazemos por causa de uma liderança, a prática não é forte, porque a prática no zen não depende da liderança. A tradição é sentar sozinho durante longo período e visitar o mestre de vez em quando para tirar dúvidas, para mostrar aquilo que pensa que realizou, para expor e receber uma confirmação. Se nossa prática depende dos outros, ela é fraca. Deveríamos ser capazes de sentar sozinhos em nossas casas e nos reunirmos com a Sangha para apoiar os outros praticantes, não vindo, somente, porque naquele dia o professor estará presente. Isso, para o professor, é como se ele visse sua própria fraqueza, porque sua força é fazer praticantes fortes e não pessoas dependentes. Não é isso que o professor quer.
Durante toda a história do budismo, o esforço de todos os mestres foi de criar praticantes melhores que eles e que pudessem sucedê-los. Tantos mestres viram suas linhas, suas escolas, desaparecerem, porque não houve sucessores. Por ter isso ocorrido tantas e tantas vezes, a maior alegria de um mestre é ver grandes e fortes alunos que não dependem dele. Numerosos mestres tiveram apenas um discípulo sucessor, raríssimos tiveram centenas. Somente mestres como Buda tiveram muitos sucessores. Seria interessante nós examinarmos o que é a prática, como ela se estabelece. A prática, na verdade, só tem sentido se é usada na vida diária.
Infelizmente, em nossa vida diária, temos que vestir máscaras e atuar em papéis que não são o papel do praticante. Alguns deles são verdadeiros impeditivos da realização espiritual. Então, a prática da vida diária é um enorme desafio, pois temos, frequentemente, que agir de outra forma. Na Sangha você pode - e deve - aceitar todas as falhas e erros dizendo: “não tem importância, vamos tentar mais uma vez”. Se os alunos estão fazendo bem o ritual, o professor pode mudar algo, porque o melhor é que as coisas nunca funcionem muito bem para que possamos nos aperfeiçoar. Se alguém é a pessoa bem treinada para determinada função, é conveniente tirá-la daquele papel em que ela se sai bem, para que ela passe a fazer algo em que ela não se saia tão bem. Se alguém ficar fazendo uma tarefa para a qual está bem preparado, será ruim para ele, para o seu ego, não lhe fará bem. Na verdade, a Sangha não deve funcionar muito bem, deve servir de caminho de aperfeiçoamento.
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
A prática da vida diária

Nos reunimos como Sangha para praticar. É para se sentar com todos que se vem à Sangha, esta é a razão de sua existência. Mas se o fazemos por causa de uma liderança, a prática não é forte, porque a prática no zen não depende da liderança. A tradição é sentar sozinho durante longo período e visitar o mestre de vez em quando para tirar dúvidas, para mostrar aquilo que pensa que realizou, para expor e receber uma confirmação. Se nossa prática depende dos outros, ela é fraca. Deveríamos ser capazes de sentar sozinhos em nossas casas e nos reunirmos com a Sangha para apoiar os outros praticantes, não vindo, somente, porque naquele dia o professor estará presente. Isso, para o professor, é como se ele visse sua própria fraqueza, porque sua força é fazer praticantes fortes e não pessoas dependentes. Não é isso que o professor quer.
Durante toda a história do budismo, o esforço de todos os mestres foi de criar praticantes melhores que eles e que pudessem sucedê-los. Tantos mestres viram suas linhas, suas escolas, desaparecerem, porque não houve sucessores. Por ter isso ocorrido tantas e tantas vezes, a maior alegria de um mestre é ver grandes e fortes alunos que não dependem dele. Numerosos mestres tiveram apenas um discípulo sucessor, raríssimos tiveram centenas. Somente mestres como Buda tiveram muitos sucessores. Seria interessante nós examinarmos o que é a prática, como ela se estabelece. A prática, na verdade, só tem sentido se é usada na vida diária. Infelizmente, em nossa vida diária, temos que vestir máscaras e atuar em papéis que não são o papel do praticante. Alguns deles são verdadeiros impeditivos da realização espiritual. Então, a prática da vida diária é um enorme desafio, pois temos, frequentemente, que agir de outra forma. Na Sangha você pode - e deve - aceitar todas as falhas e erros dizendo: “não tem importância, vamos tentar mais uma vez”. Se os alunos estão fazendo bem o ritual, o professor pode mudar algo, porque o melhor é que as coisas nunca funcionem muito bem para que possamos nos aperfeiçoar. Se alguém é a pessoa bem treinada para determinada função, é conveniente tirá-la daquele papel em que ela se sai bem, para que ela passe a fazer algo em que ela não se saia tão bem. Se alguém ficar fazendo uma tarefa para a qual está bem preparado, será ruim para ele, para o seu ego, não lhe fará bem. Na verdade, a Sangha não deve funcionar muito bem, deve servir de caminho de aperfeiçoamento.
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