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terça-feira, 9 de julho de 2013
Uma ambição e um obstáculo
Às vezes as pessoas se perguntam, “qual o sentido da vida?” elas querem respostas para perguntas como, “por que estou aqui?”, “para onde vou?”, “de onde eu vim?”, são perguntas centradas no “eu”. “De onde eu vim?” pressupõe que existia um eu antes que me desse conta. “O que estou fazendo aqui?” tem que haver um propósito para minha existência, um propósito dado por algo superior. “Para onde eu vou?” meu “eu” tem que continuar para sempre, desejo a estabilidade do “eu”, mas nem o “eu” é estável, ele também está em contínua mudança e, como Buda explicou, é tudo uma ilusão, o “eu” é uma construção.
Mas, isso tudo não quer dizer que não vivamos as consequências dos nossos atos, sim vivemos, porque na verdade não somos um “eu”, somos um carma se manifestando e o fruto dessa manifestação, um ser, ele é que diz “eu sou”. Então o “eu” é produto de uma operação mental, só isso, e por isso ele é construído e ilusório. Se temos tal fluxo que vai mudando tudo e mesmo esse “eu” não é sólido, mas carma, tudo o que provocamos, fazemos e tentamos, produz movimento e esse movimento continua gerando novos “eus”, por isso existe renascimento, porque geramos carma.
Se queremos nascer melhor, termos vidas melhores, então basta mudar o carma, mas se queremos escapar desse ciclo precisamos ambicionar mais alto, precisamos ambicionar uma iluminação completa, aí sim, a iluminação completa nos tiraria do ciclo. Mas isso é um trabalho de longo prazo, e veremos que a própria ambição é um obstáculo pois é a ambição de um eu. Quando Buda se iluminou, lembrou-se de quinhentas vidas. Quinhentas manifestações com “eus” diferentes do seu carma, quinhentas vidas como Bodhisatva antes de ser Buda. Por isso não se admirem que quando a gente senta é tão difícil, porque para pararmos essa energia que nos move e podermos ser como Buda precisamos de um longo trabalho, e aí eu lhes pergunto, em que ponto vocês estão dessas vidas? Já são Bodhisatvas?
O que é um Bodhisatva? Alguém que se manifesta nesse mundo porque quer, porque sente compaixão pelos outros seres, então tem que ter uma vida de Bodhisatva. Quando costuramos o Rakusu e fazemos os votos, esses votos chamam-se “Votos de Bodhisatva”.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
O crescimento ilimitado

Aluno – O Seikan San colocou algo no blog dele sobre o self que é muito interessante...
Monge Gensho – Porque é um sistema de crenças. Esse vídeo em questão fala da manipulação das massas através da publicidade com o fim de criar necessidades e desejos. Um dos temas abordados é de como foi feita a publicidade para fazer com que a mulher fumasse, para que ela pudesse fumar principalmente em público, o que na época era um tabu. Dessa forma, muitas coisas foram criadas para convencer as pessoas a consumirem determinados produtos. Uma lógica da economia e funcionamento das empresas está embasada no fato de que precisamos consumir para que a economia cresça, para que haja mais empregos, mais produção, etc. É comum todos ficarem muito felizes ao vermos na imprensa a afirmação de que o país esta crescendo, mas quando acontece de não haver crescimento, é quase uma calamidade pública. Na verdade, deveríamos nos perguntar se um crescimento assim é possível para sempre, mas isso é impossível. Por que está tão embutido em nossas cabeças que temos que crescer sempre? Por que a economia dos países tem que crescer sempre? Por que existem sempre mais pessoas a serem incorporadas a uma sociedade mais afluente? Existem países onde a população é muito pobre, não come o suficiente, então sim.
Em um planeta muito limitado, nos tornamos muito numerosos, muito mais do que o planeta suporta, e temos uma lógica de crescimento econômico infinito, pensamos que é sem fim. Um exemplo típico é o da China, que adotou a civilização do automóvel; basta fazermos alguns cálculos para sabermos que lá não pode haver dois carros por família como é, por exemplo, o padrão nos EUA. Não é possível, não haverá onde os carros circulem. Chega um momento limite naquilo que podemos fazer ou consumir. A indústria convence as pessoas a comprar alimentos de uma determinada forma, a consumir cada vez mais alimentos, e sempre mais calóricos. De repente, todos começaram a ficar gordos, no entanto, identificamos isso como doença. Para amenizar a situação, agora temos uma epidemia de operações para redução de estômago. Isso tudo é muito ilógico. Se olharmos fotografias de mil novecentos e trinta para trás, os brasileiros eram todos magros. O que aconteceu, como mudamos tanto? O consumo de arroz e feijão no ano passado diminuiu no Brasil, estamos comendo mais, mas não é arroz com feijão; o que aumentou foi o consumo de bolacha, cerveja e salgadinhos.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Ali estou eu?

P: Se tenho muitos defeitos, mas não gosto mais tanto deles, poderia destruí-los. Se o fizesse, quem seria eu?
R: O eu é uma construção permanente, nunca é exatamente o mesmo pois é produto de uma operação mental, basta perder a memória que você não saberia responder a pergunta "quem sou ?" ( na verdade, ao responder esta pergunta, as pessoas costumam enfileirar rótulos, como nome ou hábitos, respondê-la verdadeiramente é um ato iluminado) se você altera suas características simplesmente mudou a percepção que tem de si mesmo também.
Usamos o eu como fantasias em um baile de máscaras, quando você retorna para casa tira sua fantasia, e olhando para ela pendurada em um cabide você diz: - Ali estou eu?
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