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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Mestre e Discípulo




Ao falarmos sobre a relação entre mestre e discípulo, é muito importante nos lembrarmos da história de Nansen e Joshu.

Joshu foi para o monastério ainda adolescente e teve seu primeiro kenshô aos 18 anos apenas. Nansen reconheceu o kenshô de Joshu, mas Joshu ficou praticando com Nansen dos 18 até os 54 anos para obter uma realização completa. Só aos 54 anos Nansen reconheceu em Joshu uma pessoa profundamente iluminada. Portanto, não pensem que quando tiverem um kenshô,  já estão iluminados. Vocês só deram uma olhadinha,  levantaram a ponta do véu e viram: "ah! Tem luz do outro lado!", mas não estão iluminados, não estão tomados pela luz, não estão irradiando luminosidade, não acontece que quando vocês entram num lugar, o lugar muda, não é assim.  Vocês são aquelas pessoas que tiveram um kenshô, e chegam em casa, agem errado e a família diz assim: “mas você não é budista?".

Aos 54 anos, Joshu recebeu esse reconhecimento de uma iluminação plena por parte de Nansen. Mas Joshu continuou praticando ao lado do mestre, para se aperfeiçoar. Ele amava Nansen, e Nansen faleceu quando Joshu tinha 57 anos.

Joshu aceitou alunos aos 80 anos, dos 57 até os 80 percorreu templos visitando outros mestres para se aperfeiçoar - só então!  Até os 57 anos ele ficou como auxiliar do Mestre. Joshu começou a ensinar aos 80 e tornou-se o grande mestre Joshu. Ele ensinou até os 116 anos: é um recordista de longevidade, num tempo em que não havia antibióticos. Quando ele estava morrendo, ainda lúcido, os alunos lhe perguntaram: “Mestre, diga-nos alguma coisa!”, e Joshu disse: “Mas eu já disse tudo!” (com essa idade, já estou cansado de falar!), e eles insistiram: “Mas não mestre, deixe-nos mais alguma coisa.”. Joshu assim disse: “A vida é um sonho.”, e expirou.



Portanto, eu gostaria de terminar não com essa advertência, mas com a lembrança da história de Joshu, que é bem significativa para tirar nossas pretensões. Aos 18 anos, primeiro kenshô; aos 54 a iluminação plena.  Somente aos 80 anos aceita ensinar. Quanta gente mal conhece o budismo, lê meio livro e vai para a internet dar respostas sem pé nem cabeça?


[N.E.: trecho de transcrição da palestra realizada por Meihô Genshô Oshô, em novembro de 2016.]