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segunda-feira, 3 de março de 2008

A Paz No Seu Cotidiano

Trecho de palestra do Lama Padma Samten:

"No que diz respeito ao próprio processo de meditação, quando praticamos meditação silenciosa podemos efetivamente entrar em alguns estados de grande serenidade, de grande tranqüilidade e de paz. Se diz que, quando os praticantes chegam a um certo nível, a experiência cíclica, a experiência do mundo perde o apelo. Porque, quando as pessoas sentam, elas têm tamanha experiência de paz, serenidade e estabilidade que têm vontade de não retornar a suas atividades. Esta experiência de grande felicidade não é considerada uma experiência definitiva porque, quando a pessoa interrompe a meditação e retorna ao mundo das relações, a experiência cessa. Pode surgir na mente da pessoa a idéia de que o mundo está todo errado e que melhor seria ficar em meditação incessantemente, separada do mundo, separada das relações. Esta atitude é considerada um obstáculo, uma interpretação equivocada da experiência. Na verdade, o objetivo da meditação é chegar a uma forma de equilíbrio que não cesse quando retornamos às atividades. Este é o nosso objetivo. Ainda assim, quando praticamos não o fazemos de uma forma perfeita. Pode surgir, então, a experiência de uma grande estabilidade, fruto de estados mentais artificialmente produzidos, sem que haja a verdadeira estabilidade, esta natural e livre de qualquer construção.

Assim vemos que os estados meditativos, por serem construídos, não são a solução para a paz. São estados particulares produzidos na meditação. Quando conseguimos manter a meditação estável, vez após vez isto é muito raro e precioso. Mesmo que a experiência de felicidade e estabilidade seja um estado condicionado surgidos da meditação, mesmo que não seja ainda a paz original, mas uma paz frágil, ainda assim esta paz transitória tem efeitos positivos, efeitos curativos. Esta experiência ainda que seja artificial oferece uma espécie de autonomia para a pessoa: até então a pessoa imaginava que a experiência de felicidade surgia na dependência de situações externas ligadas ao ganhar e perder, mas agora ela a vê surgir de uma condição interna, administrável por ela mesma. "