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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Tathagata


Tathagatha é um dos nomes de Buda.
Vamos falar pouco sobre as motivações originais de Buda, porque suas motivações originais são as motivações de todos nós. Quando paramos para pensar, aqueles que pensam mais profundamente se perguntam se a vida é só isso. Uma vez vi uma criança perguntar “Por que eu caí nesse mundo?” Se refletirmos um pouco, nos daremos conta de que precisamos de um sentido e de um valor para a vida; se achamos que nossa vida não tem um significado, nos sentimos perdidos e deprimidos. Parece que a depressão é um dos grandes males de nossa era, porque, repentinamente, a pessoa tem a impressão de que sua vida não tem significado e que não faz sentido viver.
Nós não podemos ser somente uma máquina de processamento de alimento, uma fábrica de adubos. Este não pode ser esse o único sentido da existência. Surge, então, a necessidade de divertir-se, de distrair-se ou de entreter-se. Estas expressões são usadas a todo o momento, como se isso desse sentido à vida. Saímos, vamos a festas, bebemos e conversamos, para nos transformarmos em pessoas alegres, e de alguma maneira, nos sentirmos vivos. Isso pode ser embriagador durante algum tempo, mas, depois, vem um grande sentimento de vazio, de solidão; nos sentimos perdidos. Procuramos então amores, para buscar dar significado à vida. De novo, em vez de o significado da vida estar dentro da pessoa, ele está no outro. Como procuramos em outra pessoa o significado da nossa vida, em algum momento, inevitavelmente, haverá sofrimento e infelicidade. O outro não pode ser suficiente, pois ele também tem suas demandas, e também os amores acabam, e na melhor das hipóteses, a morte nos separa.
Todas essas considerações ocorreram a Buda. Embora ele fosse um homem rico, filho de um pequeno rei em um pequeno principado e tivesse tudo como membro da classe dominante: tinha mulheres, comida, palácio, empregados, enfim, tinha todos os confortos que se poderia ter um homem em sua posição. Mesmo tendo tudo isso, Buda se perturbou com o fato de haver velhice, doença e morte. Sabendo disso, ele se questionava sobre o significado de sua existência naquele palácio, com sua esposa, seu filho, nas artes de guerra que havia aprendido. Buda era da classe Kshatriya, uma classe de guerreiros imediatamente abaixo dos Bramanes. Ele não conseguia ver significado na sua existência, em uma vida que terminava, inevitavelmente, em velhice, doença e morte, pois, sendo assim o fim, tudo o que fizermos parece vão.
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Início de nova palestra de Monge Genshô publicada no site www.daissen.org.br na secção "textos", íntegra clique aqui