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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Uma sociedade que tem vergonha


 (continuação de palestra)
Carma é isso, você provoca mudanças, e as mudanças retornam. Por isso tem sentido o trabalho budista. O que nós estamos fazendo? Estamos tentando mudar os homens por dentro. Se nós mudarmos os homens por dentro, a sociedade pode mudar. Um país que recebeu grande influência da escola ZEN budista foi o Japão. O Japão já foi um país muito ruim. Lá pelo Sec. XV, eram guerras civis, feudos contra feudos, assassinatos, crueldade, assaltantes nas estradas, isso era o Japão. Depois de 1.600 houve paz e se instituiu uma educação budista generalizada e isso durou quase 300 anos. Hoje vocês vêem, acontece um tsunami como em Fukushima, e não houveram saques. E as pessoas entravam na fila e pegavam só a sua parte, ou dividiam sua parte com os outros. Os comerciantes abaixaram os preços, e ninguém se preocupou em proteger os bens, porque ninguém saqueou. O país mudou de mentalidade. Mas quem mudou de mentalidade? As pessoas.

Tivemos no Japão ano passado um grande número de assassinatos. Aqui no Brasil temos 140 por dia. Eles tiveram 11 durante o ano, foi muito ruim. O ano inteiro, foram 11 assassinatos, o que é ruim, porque em 2006 foram 4. Então na realidade, as pessoas precisam é de educação interna, de mudança de valores, então nós temos uma grande tarefa: mudar pessoas para a compreensão sobre o carma, então poderemos mudar nossa sociedade e o mundo. E nós não queremos o paraíso, nós queremos salvar todos os seres que estão no inferno, este é o ensinamento que eu queria deixar para vocês hoje. Agora vamos abrir para as perguntas.

PERGUNTAS

Pergunta – No Japão,  uma pessoa se mata a cada 30 minutos. A que isso se deve?

Monge Genshô - É verdade. Isso se deve a uma distorção na sociedade japonesa. A sociedade se transformou na sociedade da vergonha, as pessoas têm muita vergonha, então quando elas são pegas fazendo alguma coisa errada ou quando elas não são bem sucedidas, elas se matam. Não sei o que aconteceria no Brasil se políticos que fossem pegos fazendo coisas erradas se matassem. Mas poderia haver uma mortalidade muito grande, nosso falha é o oposto. Mas eu considero isso um problema da sociedade japonesa com certeza. Mas não é um defeito budista. É um defeito desse aspecto da vergonha levado ao seu mais alto grau.
(continua)