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quarta-feira, 8 de julho de 2015

O ESFORÇO CORRETO



Meu primeiro professor, Igarashi Roshi - naquela época Tokuda Sensei, dizia uma frase muito interessante: “com esforço não se consegue nada, mas sem esforço, aí sim é que a gente não vai a lugar nenhum”. Então, se você sentar se esforçando, se você se esforçar tentando conseguir alguma coisa com a sua mente ali no zazen, tudo o que eu vou ver vai ser aquela tortura, aquela cabeça que balança, aquela necessidade angustiosa de trocar e posição frequentemente, porque tem uma agitação dentro da cabeça que passa para o corpo. Eu penso: será que o kyosaku vai ajudar? Não, talvez só momentaneamente. E como eu sou preguiçoso, acabo ficando sentado.

Então, se você se esforçar, não vai conseguir nada. Se você sentar denodadamente à procura da iluminação: “eu vou despertar, eu vou me iluminar”, você não vai se iluminar, porque você tem uma grande ambição.

Agora, se você não fizer esforço nenhum e fizer uma prática quando anda, quando olha para as árvores, quando vai até a lagoa, quando come, quando faz sesshin, quando vai à Sangha e senta, se você não fizer esforço diariamente quando lava a louça, sentir a água nas mãos, prestar atenção e ficar ali naquele momento, se você não fizer esse esforço, também não vai a lugar nenhum. Então, a frase é muito certa: “com esforço não se consegue nada, mas sem esforço, aí mesmo é que a gente não vai a lugar nenhum”.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Monge Tokuda - Igarashi Roshi



Monge Tokuda, hoje Igarashi Roshi, foi quem me apresentou o Dharma 40 anos atrás, realizou extenso trabalho de difusão no Brasil fundando numerosos centros. Todos nós que o conhecemos nestes tempos guardamos enorme gratidão por seu ensinamento. Abaixo um trecho de palestra sua que mostra sua abordagem integradora do ocidente com o oriente:


"Nós precisamos mergulhar para nos encontrarmos conosco mesmo, naquela noite escura do espírito. Quando uma pessoa quer ter aquela experiência religiosa, ela precisa ter uma preparação. Rezar, afastar-se dos demais e começar a meditar em silêncio. Dentro de qualquer religião nós podemos encontrar aquele silêncio bem profundo, através deste silêncio é que começamos a nos preparar para uma purificação, para poder chegar até aquele estado místico. Como disse São João da Cruz: a noite dos sentidos, a noite do espírito, a noite da alma. Através desta viagem interna começamos a nos afastar do mundo exterior e começamos a trabalhar sobre o mundo interior, mergulhando, mergulhando dentro da nossa subconsciência, da inconsciência. Quando chegar ao fundo desta escuridão, há aquela união com Deus, com o amor. Para esta experiência, a escola Zen coloca uma palavra, a Iluminação, o satori.

 Este estado, um mestre o expressou da seguinte maneira: numa noite escura, quando escuto a voz do corvo sem cantar, tenho saudades do meu pai antes que eu tivesse nascido. Este verso mostra aquele encontro no fundo com o verdadeiro eu, a união com Deus. Numa noite escura, totalmente escura, não dá para ver nada, escuto a voz do corvo sem que este cante. O corvo é um pássaro preto, dentro da escuridão não se vê nada e ainda por cima, ele está sem cantar. E quando escuto a voz do corvo sem que ele cante, tenho saudades do meu pai antes que eu tivesse nascido. Pai é masculino, não tem aquela força de fazer nascer, só a mulher é que pode fazer isto. Mas quando escuto a voz do corvo sem que este cante, tenho saudades do meu pai. Esta experiência é muito especial, é uma coisa sagrada, uma coisa para nós seres humanos. 

Nos discursos de grandes místicos cristãos, podemos encontrar vários tipos de expressões parecidas. Eles falam sobre essa dificuldade de expressão: inefabilidade, difícil de expressar com palavras. Mas quando há aquela experiência, aquela felicidade, aquela alegria, a pessoa não pode manter-se calada, tem que procurar transmitir aquilo para os outros. O estado do êxtase, a dificuldade de expressão é momentânea, mas é muito forte e muito marcante, e, mesmo assim, os sábios não ficaram calados e sempre começaram a falar para outras pessoas; felizmente isto foi transmitido até hoje através de seus sermões e atos.  ( Trecho de palestra de Monge Tokuda)"

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Hossenshiki em Ouro Preto



Fotos Patrícia Gouvea

Foi realizado em Ouro Preto o Hossenshiki do Monge Marcos Beltrão, grande tradutor dos textos de Dogen, na foto coletiva o Sookan da América Latina, Saikawa Roshi, aparece ladeado por Marcos Beltrão e Igarashi Tokuda Roshi seu mestre iniciador.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Igarashi Roshi, foto antiga em POA



Foto, de 1992, o hoje Igarashi Roshi ( residente no Japão após doença cardíaca), então Monge Ryotan Tokuda, aparece ladeado por Petrucio Chalegre, em cuja casa se hospedava em P. Alegre (hoje Monge Genshô) e Alfredo Aveline (hoje Lama Padma Samten do Budismo Mahayana Tibetano)ambos à época praticantes do zen budismo, nas origens do CEB.