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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Algo dentro de mim



Há algo em mim que não é dominável.

Por mais que eu diga sim,
por mais que eu concorde,
por mais que eu ceda,
por mais que eu aceite,
por mais que eu me submeta.

Ainda assim, há algo em mim que é só meu.
Um canto de alma que só eu sei onde fica.

O amor existe porque não sobrevivemos sozinhos.
Somos seres interdependentes.

Mesmo assim, há um lugar dentro de mim,
que nem o amor mais íntimo saberá onde fica.

É para lá que eu vou,
quando tudo parece perdido.

Deste mirante interno,
de onde eu vejo até aonde a vista alcança,
sinto grande, imensa compaixão
por mim,
por ti,
por nós,
essas crianças.

Daqui, deste ponto de vista privilegiado,
até as minhas escolhas mais burras
parecem fazer sentido.

Retomo a mim mesma.

Há um lugar, dentro de mim,
onde eu nunca estarei perdida.

Valéria Chalegre
http://historiasrecentes.blogspot.com/

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

"O Centro Dentro de Nós"


"O Centro Dentro de Nós"

do Rev. Sensei Gyomay Kubose
Sensei Gyomay Masao Kubose foi discípulo do Rev.Haya Akegarasu e fundou o Buddhist Temple of Chicago, sendo seu líder espiritual até sua morte, em 29 de março de 2000, com 94 anos de idade. Foi citado muitas vezes por sua obra no âmbito da comunidade buddhista e das relações comunitárias e em 1970, recebeu o World Buddhist Mission Cultural Award. Durante toda sua vida o Rev. Kubose enfatizou e ensinou a todos o Buddha-Dharma não-sectário.
Você pode pedir um exemplar aqui

LAVE OS PRATOS (uma história zen famosa comentada em um trecho do livro)

Um noviço aproximou-se de seu mestre e disse: “Por favor, ensina-me Buddhismo”. O mestre perguntou: “Você já comeu?” O noviço respondeu: “Sim”. O mestre disse: “Então, lave os pratos”.

Esse diálogo é famoso. Após comer, é natural lavar os pratos e limpar o resto. Este modo natural é o modo buddhista. Quando a ajuda é necessária, vá e ajude naturalmente - sem nenhuma sensação de obrigação ou dever.

Nuvens aparecem no céu de acordo com causas e condições. Elas se movem como devem se mover. A água flui de um plano superior para um inferior. O homem é parte da natureza. Por que não vivemos naturalmente? Quando nosso ego aparece, há tanta artificialidade e pretensão! Sim, a vida algumas vezes é dura - muito dura. Mas a vida deve ser vivida. Não podemos escapar. Ficamos doentes. Sem ninguém para ajudar. É a vida. Encare a realidade de frente e não seja derrotado. Não seja arrogante. Quando for difícil, agüente. Ajude os outros e seja ajudado. Esta é a forma natural.

Quando fazemos coisas, por menores que sejam, que possamos fazê-las cem por cento. Não cometemos muitos enganos nas coisas grandes da vida; cometemos nas coisas pequenas. A vida, no final das contas, é composta de coisas pequenas colocadas juntas. Cada ação deve ser feita cem por cento, de modo que, no final do dia, não haja arrependimento. Uma vida buddhista é uma vida sem arrependimentos.

Lavar seus pratos após ter comido é algo comum, uma coisa natural. O Buddhismo não é algo especial. Viva como o vento; viva como a água que flui. Faça tudo sincera e completamente - sua vida se tornará perfeita. Perfeita sem comparações, pois não há algo como um critério geral. Cada um vive sua verdadeira vida. Isto é o que o mestre queria dizer quando falou: “Depois de comer, lave os pratos”.