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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Uma descoberta arqueológica revolucionária a respeito do Buddha?


 Pela excelência da análise reproduzimos artigo do Prof. Ricardo Sasaki publicado no blog Folhas do Caminho. ( link ao final)


 Uma descoberta arqueológica revolucionária a respeito do Buddha?

Lumbini, local de nascimento do Buda
Uma descoberta arqueológica revolucionária a respeito do Buddha?

A notícia no site da Globo é: “Estudo sugere que Buda viveu dois séculos antes do que se pensava - Cientistas descobriram estrutura de madeira no lugar onde ele teria nascido. Evidências indicam que sábio pode ter vivido no século VI a.C.” Desde ontem essa notícia tem circulado pela internet no mundo todo como fogo em capim seco. Já perdi a conta de quantas pessoas me enviaram essa notícia e de quantos compartilhamentos já fui notificado nas redes sociais. Escreverei aqui, sucintamente, minhas impressões iniciais sobre tal notícia que considero altamente superestimada.

Tudo isso começou a partir da publicação no site da National Geographic (que apoiou o projeto) de uma escavação liderada pelo arqueólogo Robin Coningham da Durham University da Grã-Bretanha e cujo estudo inicial foi publicado na revista Antiquity na segunda-feira, dia 25 de novembro. Segundo Coningham: “O que descobrimos é o mais antigo altar buddhista no mundo”. A matéria da National Geographic tem como título: “Oldest Buddhist Shrine Uncovered In Nepal May Push Back the Buddha's Birth Date”

A partir desse artigo, jornais e revistas de todo o mundo começaram a replicar a matéria, e mesmo sites brasileiros de notícias, como Globo, Estado de São Paulo e UOL, deram destaque com chamadas sensacionais, enquanto que os internautas receberam a notícia ainda mais entusiasmadamente.

Mas será que tudo isso é justificado? Vamos aos fatos: Lumbini, localizada no Terai nepalês é considerada como o local de nascimento do Buddha (A matéria da UOL tem como título: “Arqueólogos descobrem local onde Buda teria nascido no século 6 a.C.”, como se nunca se tivesse sabido disso). Lá se encontra um templo erigido em homenagem à sua mãe, o Templo Maya Devi, que hoje é um centro de peregrinação para buddhistas de todo o mundo. Na época em que o visitei, Lumbini não era ainda um local muito visitado, havia apenas um ou dois templos buddhistas no local, a hospedagem era difícil, e o Templo Maya Devi estava muito aquém de sua importância. De lá para cá muito mudou.

No interior do templo, a equipe de arqueólogos da Universidade de Durham, que já trabalha no local há três anos, descobriu uma estrutura ainda mais antiga, e dentro dela, cercando um local semelhante a um altar em homenagem a uma árvore, uma estrutura protetora de madeira onde foram achados fragmentos de carvão vegetal e solo batido. Ao serem examinados por meio de técnicas de radiocarbono e luminescência estimulada opticamente, os acadêmicos dataram as amostras para aproximadamente 550 a.C. Esses são os fatos, o resto é especulação.

Vamos primeiramente notar a afirmação presente no título do Globo: “Estudo sugere que Buda viveu dois séculos antes do que se pensava”. Alguns internautas até aumentaram essa notícia e já vi pessoas divulgarem que a descoberta provou que o Buddha havia nascido 300 anos antes do que se imaginava! Pois bem, segundo as crônicas cingalesas da tradição Theravāda, a morte do Buddha seria situada a 218 anos antes do coroamento do rei Aśoka. O ano estimado antigamente para esse coroamento era 325 a.C. A partir dessa data se chega à morte do Buddha em 543 a.C., com seu nascimento, então, ocorrendo por volta de 624 a.C. Essas são as datas oficialmente reconhecidas dentro da tradição Theravāda do Buddhismo. Não se pode absolutamente saber quando o altar para a árvore, em Lumbini, foi construído. Se ele foi construído por volta do nascimento do Buddha, então, a data de nascimento do Buddha seria adiantada (para 550 a.C.) uns 70 anos, e não retrocedida, como noticiado. Se o altar foi construído durante o período em que o Buddha viveu, comemorando seu nascimento, então, a datação acadêmica se mantém estritamente dentro do que a tradição Theravāda já dizia, sem nenhuma novidade.

As pesquisas modernas, no entanto, principalmente a partir de comparações com os registros gregos da época, modificaram a data em que se acreditava como sendo a do coroamento de Aśoka. No 13o Edito em Pedra do imperador Aśoka é dito que ele enviou vários missionários para as quatro regiões da terra. Com base em registros de cinco reinos gregos hoje se admite com relativa segurança que Aśoka foi coroado em 268 a.C. Essa cronologia, então, foi revisada para 486 a.C como a sendo a da morte do Buddha (alguns dão a data de 483 a.C.), e portanto o nascimento vai para 566 a.C., ou seja, exatamente aquilo que a datação dos pesquisadores indicou, caso o templo tivesse sido construído na época do nascimento do Buddha. Mas como disse acima, não há como relacionar cronologicamente a construção do altar com os dados da vida do Buddha. O altar, cuja datação aponta para 550 a.C. poderia ter sido construído 500 anos ou mil anos após a morte do Buddha, o que hipoteticamente poderia levar a retrocedermos seu nascimento para qualquer tempo antes de 550 a.C. Mas caso ele tenha sido construído ainda durante a vida do Buddha ou logo após sua morte, tal descoberta em nada muda de maneira significativa o que a tradição Theravāda já diz há séculos.

Nas últimas décadas, no meio acadêmico buddhista, uma nova data para o período de vida do Buddha, tem sido sugerida, baseada em dados cruzados de fontes históricas, textuais e arqueológicas, colocando a morte do Buddha por volta de 400 a.C., e seu nascimento, portanto, para 480 a.C. Ainda nesse caso, se o altar encontrado e datado tivesse sido construído na época de seu nascimento, tal datação (550 a.C.) teria uma diferença de apenas 70 anos, um diferença numérica praticamente irrelevante em termos de arqueologia antiga.

AP/National Geographic
Todas essas considerações acima, porém, são pertinentes apenas no caso do altar encontrado ser realmente um altar buddhista, o que absolutamente não foi comprovado. O fato de se encontrar uma estrutura religiosa submersa dentro de outra mais recente, absolutamente não indica que as duas façam parte do mesmo movimento religioso. A história mundial é repleta de igrejas cristãs sendo construídas sobre antigos templos romanos, mesquitas sendo construídas sobre ruínas de igrejas cristãs e templos hindus, e assim por diante, pois frequentemente as religiões ‘reaproveitam’ lugares considerados sagrados anteriormente. O fato de existir originariamente um altar em homenagem a uma árvore, e sobre ele ter sido construído muito mais tarde um templo buddhista é algo completamente comum e normal. O culto a árvores sempre foi extremamente comum e disseminado por toda a Índia, continuando forte até hoje. Certas árvores são vistas como especialmente sagradas, alguns acreditando serem habitadas por espíritos e deidades poderosas. Seu culto aparece já nos Vedas de milhares de anos antes, sendo as árvores consideradas como o meio de comunicação entre as deidades superioras e os homens. É dito no Atharva Veda: “O Grande Espírito, imerso na concentração sobre a superfície da água no meio do mundo, sobre ele várias deidades estão fixadas como ramos ao redor do tronco de uma árvore” (AV 10.7.38). O culto às árvores sagradas é também parte da religiosidade não-védica, uma religiosidade que o Buddhismo e o Jainismo abarcam posteriormente assimilando vários de seus elementos e locais sagrados. O arqueólogo Coningham aponta que o fato de não terem encontrado vestígios de sacrifícios animais, como era comum no Brahmanismo, seria um indicativo do altar ser buddhista. Entretanto, o Brahmanismo não era tão forte na região dos Śakyas, cujo predomínio era da casta dos nobres, portanto antagônica ao domínio brahmāṇico. Além disso, jainistas e outros ascetas já perambulavam nessa região há muito, levando a não podermos absolutamente concluir que a mera existência de um altar em homenagem a uma árvore seja ligado originariamente ao Buddhismo. A única coisa que a descoberta mostra é que houve um altar dedicado a uma árvore, e que muito mais tarde um templo buddhista foi construído sobre ele.

Tudo isso mostra que a descoberta e datação realizadas, ainda que importantes em si mesmas, absolutamente não implicam na conclusão de que a estrutura analisada seja buddhista (como no alardeado “encontrado o mais antigo templo budista do mundo”), e nem justifica as afirmações de que a descoberta altera significativamente a data em que se supõe que o Buddha teria vivido, ou nem mesmo prova que ele viveu em tal data sugerida. Tudo muito longe de ser “uma descoberta que pode mudar a história do Buddhismo”, tal como anunciado no National Geographic Channel, e aplaudida por tantos.
Reproduzido de: http://folhasnocaminho.blogspot.com.br/2013/11/uma-descoberta-arqueologica.html

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Arahant e Buddha


P: Qual a diferença entre os termos Arahant e Buddha?

O Prof. Ricardo Sasaki, respondeu na lista Shin:

R: Esta é uma questão bem complexa pois tem a ver com as mudanças de significado que certas palavras sofreram no decorrer da história buddhista. Originariamente Arahant e Buddha eram dois estados bem próximos, todo Buddha é um Arahant (Roberto, o Buddha não era um Arahant "antes" de se tornar Buddha), enquanto que nem todos os Arahants são Buddhas. Mas a diferença originariamente era apenas de que o Buddha é aquele que "abria" o caminho da Iluminação, e os Arahants era aqueles que, utilizando do ensinamento (caminho) mostrado pelo Buddha, atingiam o mesmo nível de libertação.

Com o tempo os dois termos foram se tornando mais distantes, a palavra Buddha foi sendo mais e mais exaltada e distante do estado de Arahant. Isso chegou num ponto em que a palavra Arahant sofreu uma modificação, significando não mais a libertação completa (tal como aparece definida nas escrituras antigas) mas uma libertação parcial, apenas de kleshas da cobiça e da raiva, mas não do klesha da ingnorância. Então uma vez atingido o estado de Arahant, haveria mais ainda a se fazer até atingir o estado de Buddha, algo que não tem sentido na estrutura doutrinária e hermenêutica dos ensinamentos antigos.

sábado, 26 de novembro de 2011

Prof. Sasaki hoje em Florianópolis


Hoje, na reunião regular da Sangha de Florianópolis, estará presente o Prof Ricardo Sasaki, da escola Theravada, partilhará uma palestra com o Monge Genshô

Dhammacariya Dhanapala (Ricardo Sasaki) começou sua prática no Buddhismo no começo dos anos 80 com o Zen e o Jodo, paralelamente ao estudo de religiões comparadas e simbolismo religioso na cidade de São Paulo, Brasil. Mudou-se para os Estados Unidos a fim de se aprofundar no Buddhismo Zen/Jodo, acabando por entrar em contato com a escola Theravada, a mais antiga das linhagens buddhistas, através do Ven. Maha Ghosananda (Sanghanayaka do Buddhismo cambojano) e de Satya Narayan Goenka (vipassana birmanês). Mais tarde foi morar na Thailândia, onde prosseguiu seus estudos no Theravada sob o Ven. Ajahn (Acariya) Buddhadasa, que se torna seu principal professor. Estudou sob alguns dos mais renomados professores buddhistas na Índia, Thailândia, Sri Lanka, Nepal e Malásia. De volta ao Brasil, fundou a Comunidade Buddhista Nalanda com grupos em várias cidades do Brasil; e o Nalandarama (Floresta da Generosidade Sem Fim) em Minas Gerais, o primeiro centro Theravada da América do Sul dedicado exclusivamente a retiros de meditação intensiva na tradição das florestas.

Ricardo Sasaki recebeu a certificação como "Dhammacariya" (professor de Dharma) do Aggamahapandita Rewata Dhamma Sayadaw, um dos mais respeitados monges e mestres de meditação e Abhidhamma (a psicologia buddhista), pela linhagem birmanesa do Buddhismo Theravada. Em 2010, recebeu da sangha birmanesa o título de “mahasadhammajotikadhaja” por serviços significativos para a purificação, perpetuação e desenvolvimento do Buddha Sasana (tradição buddhista) em Pariyatti (estudo) e Patipatti (prática). É também ministro laico e professor de Dharma (sensei) autorizado na linhagem Mahayana de Sensei Gyomay Kubose, com o nome de Dharma 'Shaku Ryushin', e é o responsável na América do Sul pela veiculação dos ensinamentos do Venerável Ajahn Buddhadasa da linhagem thailandesa das florestas do Buddhismo Theravada.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Professor do Dharma Ricardo Sasaki em Florianópolis



Ontem o Prof do Dharma Ricardo Sasaki, um líder da escola Theravada reconhecido internacionalmente, autor de vários livros sobre o budismo, tradutor e editor de outros tantos disponíveis na loja da comunidade, esteve nos visitando e brindando com uma exposição sobre o budismo como sempre claro e simples em sua linguagem de expositor profundo.
Mais fotos e parte da palestra disponíveis aqui
Seu blog Folhas do Caminho tem link ao lado.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Budismo - Religião ou Filosofia ?


Compreendendo Melhor o Ensinamento do Buddha
Buddhismo é uma religião ou uma filosofia? Essa é uma pergunta que freqüentemente se escuta. Se por "religião" entendermos um conjunto de dogmas e "verdades" já prontas que devem ser cega e inquestionavelmente observadas e acreditadas, então, o Buddhismo não é uma religião.

Ou, se entendermos religião como um conjunto de rituais, cerimônias e cultos, assim também o Buddhismo não é religião. Por outro lado, se por "filosofia" entendermos a atividade da razão e lógica humanas, ou o estudo do produto desta atividade "racional", então, ele não é uma filosofia.

O Buddhismo é o fruto de uma percepção superior e aprofundada da realidade, percebida e experimentada por sábios do passado, seguida e confirmada por experiência própria por outros sábios que os seguiram, e confirmável também, por experiência própria, por todos aqueles que se disponham a seguir alguns dos caminhos por ele apontados com o genuíno amor pelo saber superior (filo-sofia) e com o sincero anseio por religar-se consigo mesmo e com o fundamento último de toda a natureza (religião vem do latim religare). Somente neste sentido podemos falar que é uma religião e uma filosofia.

A partir disto podemos seguir para a pergunta seguinte: qual o propósito do Buddhismo? Podemos responder a partir de vários níveis. Falando do objetivo mais alto, podemos dizer que é a Iluminação e a Libertação. Estas duas palavras são como irmãs no Buddhismo.

Iluminação é a visão clara da realidade ou de sua essência. É a realidade interior de cada um de nós, como também a realidade externa na medida em que nos relacionamos com ela. Não significa conhecer "tudo" em um sentido quantitativo. Por exemplo, saber o número de galáxias no espaço ou o nome de todos os órgãos e conjuntos musculares do corpo humano, não é "saber" para o Buddhismo, mas mero acúmulo de informações. Interessa,aqui, a qualidade. O que é de fato essencial ou fundamental para a vida, desde a vida cotidiana até as suas dimensões mais profundas.

O Caminho Contemplativo
Prof. Ricardo Sasaki

quarta-feira, 10 de junho de 2009

“Estágios da Meditação e o Treinamento Buddhista em Dogen”


Mini-curso com Prof. Ricardo Sasaki
Junho 8, 2009 — monjaisshin

Mestre Eihei Dogen
Temos muito prazer em receber o Prof. Ricardo Sasaki (Dhanapala), professor leigo do Darma (tradição Theravada) e Diretor-Fundador do Centro de Estudos Buddhistas Nalanda, de Belo Horizonte, MG, para oferecer um mini-curso sobre “Estágios da Meditação e o Treinamento Buddhista em Dogen”.

Neste mini-curso ele irá expor uma visão da meditação buddhista segundo os textos antigos atribuídos ao Buddha e preservados pela tradição Theravada, alinhavando-os com os dez pontos do treinamento buddhista do grande mestre Zen japonês Dogen

* Quando: 17 e 18 de junho, 2009 (4ª e 5ª-feira)

* Valor: 20,00 por noite ou 35,00 para os dois dias
* Nota: se não puder participar devido ao custo, queira contactar-nos.

Horário: 20h00 às 22h00

Local: “Sangha Aikikai”, Dojô Porto Alegre Aikikai da Associação RS Aikikai
Av. Cristóvão Colombo, 378
Bairro Floresta (em frente ao Shopping Total) – Porto Alegre, RS

Informações e inscrição:
Sangha Águas da Compaixão
aguasdacompaixao [arroba] gmail [ponto] com
tel: (51) 9331-7476

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

"O Centro Dentro de Nós"


"O Centro Dentro de Nós"

do Rev. Sensei Gyomay Kubose
Sensei Gyomay Masao Kubose foi discípulo do Rev.Haya Akegarasu e fundou o Buddhist Temple of Chicago, sendo seu líder espiritual até sua morte, em 29 de março de 2000, com 94 anos de idade. Foi citado muitas vezes por sua obra no âmbito da comunidade buddhista e das relações comunitárias e em 1970, recebeu o World Buddhist Mission Cultural Award. Durante toda sua vida o Rev. Kubose enfatizou e ensinou a todos o Buddha-Dharma não-sectário.
Você pode pedir um exemplar aqui

LAVE OS PRATOS (uma história zen famosa comentada em um trecho do livro)

Um noviço aproximou-se de seu mestre e disse: “Por favor, ensina-me Buddhismo”. O mestre perguntou: “Você já comeu?” O noviço respondeu: “Sim”. O mestre disse: “Então, lave os pratos”.

Esse diálogo é famoso. Após comer, é natural lavar os pratos e limpar o resto. Este modo natural é o modo buddhista. Quando a ajuda é necessária, vá e ajude naturalmente - sem nenhuma sensação de obrigação ou dever.

Nuvens aparecem no céu de acordo com causas e condições. Elas se movem como devem se mover. A água flui de um plano superior para um inferior. O homem é parte da natureza. Por que não vivemos naturalmente? Quando nosso ego aparece, há tanta artificialidade e pretensão! Sim, a vida algumas vezes é dura - muito dura. Mas a vida deve ser vivida. Não podemos escapar. Ficamos doentes. Sem ninguém para ajudar. É a vida. Encare a realidade de frente e não seja derrotado. Não seja arrogante. Quando for difícil, agüente. Ajude os outros e seja ajudado. Esta é a forma natural.

Quando fazemos coisas, por menores que sejam, que possamos fazê-las cem por cento. Não cometemos muitos enganos nas coisas grandes da vida; cometemos nas coisas pequenas. A vida, no final das contas, é composta de coisas pequenas colocadas juntas. Cada ação deve ser feita cem por cento, de modo que, no final do dia, não haja arrependimento. Uma vida buddhista é uma vida sem arrependimentos.

Lavar seus pratos após ter comido é algo comum, uma coisa natural. O Buddhismo não é algo especial. Viva como o vento; viva como a água que flui. Faça tudo sincera e completamente - sua vida se tornará perfeita. Perfeita sem comparações, pois não há algo como um critério geral. Cada um vive sua verdadeira vida. Isto é o que o mestre queria dizer quando falou: “Depois de comer, lave os pratos”.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Prof. Ricardo Sasaki - Dhammapada

Durante três dias o Prof. Ricardo Sasaki, dirigente dos Centros Nalanda, da escola Theravada, fez comentários sobre o texto canônico Dhammapada, usando o original em páli e comparando diversas traduções disponíveis. Uma platéia, que lotou todo o espaço da comunidade zen budista de Florianópolis, de praticantes zen budistas e convidados da escola Nyingma do budismo tibetano, assistiu com grande interesse.


domingo, 14 de outubro de 2007

Mini curso sobre o Dhammapada - 15,16,17 de out.


"O Que o Buddha Tem a Nos Dizer Sobre o Karma?"

Ministrante: Ricardo Sasaki (Dhanapala)

Diretor do Centro Buddhista Nalanda e psicoterapeuta formado pela USP

Por meio das palavras originais do Buddha estudaremos qual é a concepção buddhista sobre o karma, a lei das ações e reações tão difundida nos meios espirituais; e o que podemos fazer para desenvolver em nossa vida uma atitude sadia baseada na vigilância e no zelo por todas as coisas.

Neste mini-curso faremos uso do Dhammapada, o mais famoso e publicado livro buddhista em todo o mundo. Apesar de popular, muito mais pode ser descoberto a partir de uma análise aprofundada de seus versos com a utilização do pali e dos comentários tradicionais (atthakatha). Durante três dias aprenderemos mais sobre o que o Dhammapada tem a nos dizer em termos de entendimento da vida, dos ensinamentos do Buddha e sobre nosso mundo mental.

O Dhammapada é universal. Enquanto conjunto de escritos ele representa os ensinamentos de vida vindos do Buddha e pode ser considerado a mais representativa obra buddhista. Ele é respeitado e existente em todas as escolas buddhistas. No Sri Lanka, meninos de oito anos já aprendem a decorá-lo. Constituído de 423 versos ele é também uma obra de poesia e sensibilidade.

Ricardo Sasaki é psicoterapeuta, formado pela USP (Universidade de São Paulo), e diretor do Centro Buddhista Nalanda. Há mais de vinte anos trabalha com um enfoque integral do lidar com o processo mente/corpo.

Dias 15, 16 e 17 de outubro de 2007 (de segunda a quarta)

Das 19h30 às 22h00

Contribuição: R$ 20 por dia ou R$ 50 pelos três dias

Sugere-se: levar cópia do capítulo 1 do Dhammapada (disponível em livros ou pela Internet)

Entre em contato conosco para fazer sua inscrição:

No local do evento: Atman Amara centro de metafísica

Rua José Francisco Dias Areias, 390 (casa de muro cor violeta), Trindade

(0xx48) 3333-2311/9961-6709

www.atmanamara.com.br / contato@atmanamara.com.br

Com os organizadores: Comunidade Zen Budista de Florianópolis

Rua Hoepcke, 82, Centro (0xx48) 3225-6299/9607-5044

www.chalegre.com.br/zendo / fgevieski@yahoo.com.br


sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Origens da meditação

Quando o Dr. Ravindra Panth diz em seu artigo que sila, samadhi e pañña *não* constituem a contribuição peculiar do Buddha à humanidade, isso abre, imediatamente uma ponderação muito interessante. Isso porque, leitores mais superficiais, e mesmo apressados, dos ensinamentos buddhistas estão acostumados a considerar essa tríade como fundamental. No entanto, ainda que fundamental, a afirmação acima nos leva a indagar: 'Qual, então, é a contribuição única do Buddha?'; 'O que Ele realmente ensinou de diferente em relação ao que já existia, permitindo que doravante as pessoas se referissem ao seu ensinamento como algo diferenciado?'

Outra idéia que se deduz de tal afirmação é que sila, samadhi e pañña já existiam, pelo menos numa certa forma, anteriormente à chegada do Buddha no cenário espiritual da Índia. Alguns, por exemplo, não se conformam com a idéia de que a meditação já existia antes do Buddha, ou que a meditação buddhista tenha origem nas antigas tradições hindus, até afirmando que não existiriam registros a respeito. Entretanto, o Dr. Panth diz que: "Existem, também, outras referências que mostram que o conceito e a prática do samādhi também não era algo novo; era conhecido na época como um método de aquietar e controlar a mente. O melhor exemplo disso é o do bodhisatta Siddhattha Gotama que, antes da sua iluminação, aprendeu os mais profundos samādhis conhecidos na época - o sétimo e oitavo jhānas – dos professores Ālara Kālama e Uddhaka Ramaputta. Isto prova que o âmbito do samādhi certamente existia anteriormente ao Buddha. Isso não era algo novo, descoberto por ele".

E ainda que nem sempre seja fácil ter uma idéia precisa das técnicas envolvidas, dizer que não é possível afirmar uma origem da meditação buddhista nas antigas práticas anteriores ao Buddha parece uma afirmação sem qualquer embasamento histórico, similar a dizer que a prática meditativa foi algo absolutamente novo trazido pelo Buddha. Diante da pergunta: "(A meditação buddhista) É a mesma meditação que encontro no Yoga Hindu ou em outras religiões?", o site do CBB responde: "Historicamente, a Meditação (em sânscrito, Dhyana) como técnica específica tem origem nas antigas tradições hinduístas", ratificando aquilo dito pelo Dr. Panth e pelos vários historiadores que já se debruçaram sobre o assunto. Dizer que algo tem origem, entretanto, não significa que esse algo é idêntico. Eu tenho origem em meus pais, mas obviamente não sou idêntico a eles. Lacan tem suas origens no pensamento freudiano, mas obviamente não são idênticos. Daí que a partir desse ponto o site do CBB esclarece a meditação buddhista "conforme a abordagem derivada dos conceitos espirituais demonstrados por Buddha e já apresentada em suas características buddhistas particulares".

Alguns poderiam ficar surpresos ao ver o termo sânscrito "Dhyana" ser usado aqui para a meditação. Etimologicamente, o termo sânscrito "dhyana" está conectado ao termo pali "jhana", o que leva pessoas que não conhecem o sânscrito ou o contexto filosófico do uso desses termos a pensar, enganosamente, que dhyana é idêntico a jhana! Isso é comum ocorrer com estudos superficiais com relação ao Buddhismo, que acabam achando que dhyana é igual a jhana, dhyana é igual a samatha ou samatha é igual a samadhi, e assim por diante, numa verdadeira confusão de palavras e significados.

(Comentários do Professor do Dharma Ricardo Sasaki em seu blog, Folhas no Caminho (link ao lado) )