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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Zen é Prática



O Zen é o quê? É uma rebelião contra o excessivo intelectualismo e fixação nos textos que o budismo tinha adquirido no período anterior. Durante mil anos o budismo se desenvolveu, criou grandes filósofos, fundou uma universidade na Índia com 10 mil alunos, a Universidade de Nalanda, onde tudo que se fazia era discutir teses. Naquele mergulho filosófico de debates, foi ficando todo mundo cada vez mais intelectual.

Quando Bodhidharma traz o Zen para a China, o Zen vem com esse aspecto de rebelião - uma verdadeira heresia, a tal ponto que os textos que eram colocados ao lado do altar, não estão mais nos altares do Zen. Nunca você vê ao lado dos altares Zen os Sutras, como é possível ver em muitas escolas budistas. Em alguns monastérios os Mestres mandaram colocar os Sutras e os textos ao lado dos banheiros, para dizerem exatamente que era uma biblioteca, mas não era tão importante assim.

O budismo Zen se foca na realização espiritual de um homem na prática. Então ele enfatiza a pratica da meditação, como Buda tinha feito, e não na prática do estudo. Ele torna-se avesso ao intelectualismo. Mas o que faz um professor do Zen hoje? Fala, escreve, publica, mas ao mesmo tempo o Zen diz: “são só palavras, isso não é a prática. A prática é sentar e procurar um despertar”.

[Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Linhagens femininas


Pergunta – Quando fazemos cerimônias, recitamos os nomes dos patriarcas. Por que não temos nenhuma matriarca, apesar de no budismo não haver a distinção dos gêneros?

 Monge Genshô – Não é verdade. No tempo de Buda tivemos Prajnapati, que era sua tia, e que foi uma grande mestra. Ela juntou-se à Buda com um grupo de amigas dando origem a uma grande linhagem feminina. Acontece que por volta do século XIII a Índia sofreu uma invasão islâmica que destruiu praticamente a base budista existente na época, as monjas foram mortas, este foi um dos eventos que marcou uma decadência do budismo indiano, em outras regiões linhagens femininas permaneceram, mas ao menos no budismo Theravada, no japonês e tibetano as linhas femininas se extinguiram com o tempo.

Também a universidade de Nalanda foi destruída. Muitos monges também foram assassinados, mas, como por uma questão cultural, sempre houve mais monges que monjas, elas foram extintas, acabando assim com a base contínua de transmissão de monjas. A partir de então as monjas passaram a ser ordenadas nas linhagens masculinas ao menos no zen. Não temos nenhuma monja cuja linhagem nos leve a Prajnapati no zen japonês. Por isso falei que não é verdade, já tivemos no passado uma linhagem feminina.

Linhagens Theravada do sul da Ásia, não consideram as monjas como plenamente ordenadas. Eles as consideram inferiores por não terem linhagens femininas e por não considerar que elas possam ser ordenadas em linhagens masculinas. Há controvérsias e tentativas de recriar isto no Theravada mas não com unanimidade.


Pergunta – Mas por que Bodhidharma não transmitiu para uma mulher?

Monge Genshô – Ele só passou a transmissão para uma única pessoa, que por acaso era homem, “Taiso Eka”. A sociedade dessa época era muito machista, de forma que era natural acontecer coisas do tipo, uma mulher era ordenada monja, mas seu pai ia até o mosteiro dizendo que seu filho homem havia morrido e ele necessitava que sua filha lhe desse um neto para continuar o nome da família. O abade do mosteiro mandava que a monja saísse do mosteiro, casasse e desse um neto para seu pai.  No Japão de hoje existem apenas dois monastérios exclusivamente femininos.

Pergunta – A linhagem não é uma exclusividade do Zen?

Monge Genshô – Não, varias escolas possuem linhagens, veja que Nagarjuna, que aparece na nossa linhagem, também aparece na linhagem de outras nove escolas, ou seja, mais nove escolas o reivindicam como patriarca do passado.

Pergunta – Como reagir com as pessoas que nos perguntam algo sobre o budismo? Eu pratico há pouco tempo, mas as pessoas notam algumas mudanças e fazem perguntas e pelo que o senhor fala devemos ter cuidado com quando e como falar do Dharma.

Monge Genshô – Essa é uma pergunta pessoal, no sentido que é você quem deve examinar a circunstância, mas a regra é: não fale do Dharma onde não há respeito. Não fale apenas para satisfazer a curiosidade de uma pessoa, espere que ela esteja realmente interessada, que pergunte mais de uma vez, pelo menos três vezes. Não fazemos proselitismo e não estamos interessados em convencer ninguém. As pessoas devem realmente querer, devem procuram com afinco.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Pacifismo e militarismo


4) Uma vez vi em uma entrevista, um repórter perguntar ao Dalai Lama o por quê do Tibete, sendo um país tão pacífico, sofrer tanto nas mãos dos Chineses e o Dalai Lama respondeu que o Tibete tem carma para isso. Esse é um exemplo de carma coletivo?

Monge Genshô – Exatamente. Se você renascer no Tibete, é porque tem carma para isso. Com tudo o que o Tibete já foi, ele já teve um povo guerreiro e conquistador. Transformou-se em povo pacífico? Sim. Mas carma de povo pacifico é ser dominado por povos agressivos. Uma coisa interessante que acontece na história humana é que nenhuma cultura de fundo matriarcal sobreviveu, com exceção feita àquelas isoladas em ilhas. Porque as características dessas culturas é não serem guerreiras. As culturas guerreiras patriarcais destruíam as matriarcais. Isso aconteceu também na história Budista, como por exemplo, o Tibete.

O Budismo nunca sobreviveu aos confrontos armados. No século XIII os islâmicos invadiram a Índia e destruíram o Budismo, universidades muito mais antigas que as da Europa, como a Universidade Nalanda com 10 mil alunos que foram queimadas e os monges mortos. Na China, o budismo também foi destruído e no Tibete atual o budismo está em processo de destruição, tudo através da força. Como o budismo tem uma marca pacífica e tende a fazer com que seus povos sejam pacíficos e não militares, no confronto, é destruído.

As pessoas dizem que no Japão foi diferente e o Budismo sobreviveu. No Japão houve certa associação com o Shintoísmo e durante um período de paz foi possível esse crescimento. Foi no período “Tokugawa”, durante trezentos anos de isolamento. Quando o império japonês foi se militarizando e entrando em confrontos com o ocidente, na restauração “Meiji” em 1868, surgiu uma pressão para restaurar o Shintoísmo como religião nacional, porque ela fazia do imperador um Deus e permitia o militarismo. O budismo havia transformado os samurais, que eram guerreiros, em pessoas sensíveis capazes de escrever poesias, pintar e fazer arranjos de flores. O imperador, com o objetivo de enfraquecer o budismo, tratou de baixar éditos. Muitos destes éditos tiveram efeito positivo em seu objetivo de fazer renascer o Shintoísmo enfraquecendo o budismo, o resultado foi um Japão militarizado que se lançou em guerras, primeiro contra a Rússia, na década de trinta contra a China e depois a Segunda Guerra Mundial.

Bom, voltando à origem de nossa discussão, o pacifismo não sobrevive aos confrontos com o militarismo. Doutrinas como a Budista só sobrevivem em locais pacíficos, democráticos e com liberdade. É muito provável que o que está acontecendo agora em Bangladesh, onde os budistas são minorias e os templos estão sendo queimados é que o budismo vá desaparecer, talvez não totalmente, mas nesse confronto o lado pacifista, no caso o budismo, irá perder. Com certeza não leremos noticias de um grupo de budistas queimando templos muçulmanos, não existe um suporte doutrinário que torne os budistas guerreiros, melhor morrer que matar.

5) Dentro desse tema, melhor morrer que matar, não seria legítimo eu lutar pela minha vida?

Monge Genshô – Sim, é legítimo que você lute por sua vida. Mas carmicamente é melhor morrer. Nagarjuna, grande mestre do século I que pertence à nossa linhagem, foi assassinado. Ele foi esfaqueado e seus discípulos que o encontraram sangrando, perguntaram quem havia feito aquilo. Sua resposta foi - “eu mesmo”. Seus discípulos sabendo da impossibilidade de Nagarjuna ter cometido tal ato, perguntaram novamente. “Fui eu através de meu carma, se eu disser quem fez isso, vocês odiarão e irão querer vingança e esse carma não terá fim”. Ninguém jamais ficou sabendo quem matou Nagarjuna e também ninguém foi perseguido ou morto por causa disso.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Minha Promessa


"Minha Promessa"
(Sensei Jiyo Agacki)


Sempre refleti sobre o nascimento e a morte. Aqueles mistérios a partir dos quais se desenvolvem inteiros movimentos religiosos... para explicar, para tentar entender.

Ainda penso sobre tais eventos que nos trazem para a vida, que põem um fim nela. Observei-os se aproximarem muitas vezes desde que me tornei consciente deles. O nascimento é sempre visto como uma alegria… a morte como um pesar.

Mas parece a mim, à medida que ando nessas misteriosas sombras, segurando as mãos desta figura indistinta que sempre parece estar lá: para ver através... parece-me que de certa forma entendemos as coisas um pouco erroneamente.

Os cristãos captaram um aspecto da morte quando disseram que ela é uma ocasião de ALEGRIA, afinal de contas, os mortos vão ao encontro dos braços acolhedores de Jesus, e ele tomará conta deles até chegarmos lá. Claro, SOMENTE se você se lembrar de viver de uma maneira CRISTÃ. Isso confere uma amortecida na ideia, no entanto.

Ainda assim, há tanto para se entristecer. Há uma loucura do partir, o pensamento de um amor que nunca voltará, que nos envolve... que nos consome. Alguns são devorados, submergem nisso, e nunca retornam de sua tristeza. Mesma se a morte chega rapidamente, cedo demais, isso não deveria ser assim. Que possamos nos entristecer com a retirada, carregar a tristeza de nosso amor conosco para sempre... isso é importante. Isso é AMOR, e o amor somente morre quando o matamos. Soa difícil para mim dizer isso, mas é VERDADE. Não deveria fazer isso. Mas possamos também sorrir, até rir, sabendo aquilo que eles nos deram, e que, verdadeiramente, suas vidas significaram algo, nos tocaram de uma forma que nos aqueceu por tê-los conhecido.

E que a alegria sempre esteja presente no nascimento. A alegria na novidade dele, em sua esperança. Mas que a tristeza sempre esteja presente também. Uma tristeza no reconhecimento desta pequena criança que terá dores e pesares que você não será capaz de fazer nada a respeito, por mais que tente. Que a cada novo nascimento neste mundo possamos fazer uma promessa solene, uma promessa que sua chegada nesta vida significará algo, que estaremos lá para ajudá-los o melhor que pudermos.

Sempre digo que todos os filhos são meus filhos.
Digo isso sinceramente.
E todas as mortes são minha morte.
Digo isso sinceramente, também.
Cada momento: eu choro, e sorrio, apenas por eles."

(Copiado da lista Nalanda do Prof. Ricardo Sasaki)

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Sensei Jiyo Agacki
A UU for over 2 decades, Sensei Jiyo (Andy) Agacki has been a practicing Buddhist as well for more than 16 of those years. An annual Pulpit guest, both in the regular church year, or during the Summer, Andy has also conducted Adult RE classes in Buddhist Thought, and talked to RE Youth about Buddhism. On May 25th, 2008 he was Inducted as a Buddhist Lay Minister, after completing 2 years training under the Rev. Koyo Kubose and the Bright Dawn Institute for American Buddhism. Currently President (first) of the international Bright Dawn Lay Minister's Association, The Trailblazers. Jiyo is Andy's given Dharma Name.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

"O Centro Dentro de Nós"


"O Centro Dentro de Nós"

do Rev. Sensei Gyomay Kubose
Sensei Gyomay Masao Kubose foi discípulo do Rev.Haya Akegarasu e fundou o Buddhist Temple of Chicago, sendo seu líder espiritual até sua morte, em 29 de março de 2000, com 94 anos de idade. Foi citado muitas vezes por sua obra no âmbito da comunidade buddhista e das relações comunitárias e em 1970, recebeu o World Buddhist Mission Cultural Award. Durante toda sua vida o Rev. Kubose enfatizou e ensinou a todos o Buddha-Dharma não-sectário.
Você pode pedir um exemplar aqui

LAVE OS PRATOS (uma história zen famosa comentada em um trecho do livro)

Um noviço aproximou-se de seu mestre e disse: “Por favor, ensina-me Buddhismo”. O mestre perguntou: “Você já comeu?” O noviço respondeu: “Sim”. O mestre disse: “Então, lave os pratos”.

Esse diálogo é famoso. Após comer, é natural lavar os pratos e limpar o resto. Este modo natural é o modo buddhista. Quando a ajuda é necessária, vá e ajude naturalmente - sem nenhuma sensação de obrigação ou dever.

Nuvens aparecem no céu de acordo com causas e condições. Elas se movem como devem se mover. A água flui de um plano superior para um inferior. O homem é parte da natureza. Por que não vivemos naturalmente? Quando nosso ego aparece, há tanta artificialidade e pretensão! Sim, a vida algumas vezes é dura - muito dura. Mas a vida deve ser vivida. Não podemos escapar. Ficamos doentes. Sem ninguém para ajudar. É a vida. Encare a realidade de frente e não seja derrotado. Não seja arrogante. Quando for difícil, agüente. Ajude os outros e seja ajudado. Esta é a forma natural.

Quando fazemos coisas, por menores que sejam, que possamos fazê-las cem por cento. Não cometemos muitos enganos nas coisas grandes da vida; cometemos nas coisas pequenas. A vida, no final das contas, é composta de coisas pequenas colocadas juntas. Cada ação deve ser feita cem por cento, de modo que, no final do dia, não haja arrependimento. Uma vida buddhista é uma vida sem arrependimentos.

Lavar seus pratos após ter comido é algo comum, uma coisa natural. O Buddhismo não é algo especial. Viva como o vento; viva como a água que flui. Faça tudo sincera e completamente - sua vida se tornará perfeita. Perfeita sem comparações, pois não há algo como um critério geral. Cada um vive sua verdadeira vida. Isto é o que o mestre queria dizer quando falou: “Depois de comer, lave os pratos”.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Brasil pela Birmania


Brasil pela Birmania

O Centro Buddhista Nalanda (uma entidade registrada, civil e sem fins lucrativos, há 20 anos atuando no Brasil), em associação com o Buddhist Aid Trust (entidade de caridade registrada na Inglaterra), o Myanmar Cyclone Recovery Fund e nossos amigos birmanêses em Londres de um dos maiores portais buddhistas da tradição buddhista, o Nibbana.com, lança agora uma campanha brasileira para recolher fundos para os milhares de desabrigados devido à tragédia do ciclone Nargis.

Nossa campanha se chamará "Brasileiros pela Birmânia/Brazilians for Burma Recovery" e conta com a ajuda de todos vocês que lêem está mensagem. Por favor, contribuam, ainda que 5 ou 10 reais. Cada centavo depositado será repassado ao Buddhist Aid Trust e entregue diretamente às vítimas do ciclone, e independentemente da religião e etnia dos envolvidos. Ou seja, não é apenas para buddhistas, mas para todos que sofrem as terríveis perdas humanas e materiais advindas do ciclone.

Participe dessa campanha humanitária, doando e divulgando!

Aqueles que quiserem fazer suas contribuições diretamente no site da Buddhist Aid Trust, via paypal ou cartão de crédito podem acessar seu site. Mas para facilitar os moradores no Brasil, o Centro Buddhista Nalanda disponibiliza uma conta específica para esse fim. Todos os depósitos nessa conta serão repassados integralmente para nossos amigos da Buddhist Aid Trust, que trabalhará junto com respeitáveis organizações não-governamentais e outros sistemas de distribuição diretamente para as vítimas envolvidas. Não é preciso nos avisar do depósito, pois essa é uma conta exclusiva para esse fim.

Vamos nos unir nessa tragédia mundial. Mesmo que sejamos capazes de doar apenas um pouco, qualquer quantia certamente salvará vidas. Lembrem-se, 1/3 da população da Birmânia vive abaixo da linha de pobreza. Um professor ganha 90 reais ao mês! Qualquer valor que vocês puderem ajudar, certamente conta!

Doem, divulguem entre amigos, sites e listas. E aqueles que possuírem sites de entidades que queiram dar seu apoio nominal à campanha, ou quiserem mais esclarecimentos entrem em contato com nosso email. Endereço oficial da campanha brasileira:

Campanha "Brasileiros pela Birmânia/Brazilians for Burma Recovery"

http://nalanda.org.br/seva/brasil-pela-birmania


Patrocinadores:

Centro Buddhista Nalanda
Buddhist Aid Trust
Myanmar Cyclone Recovery Fund
Nibbana.com
Apoiam a Campanha:
Colegiado Buddhista Brasileiro
Não deixe de participar nesse ato humanitário. Qualquer quantia representa mais dias de vida para alguém.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Prof. Ricardo Sasaki - Dhammapada

Durante três dias o Prof. Ricardo Sasaki, dirigente dos Centros Nalanda, da escola Theravada, fez comentários sobre o texto canônico Dhammapada, usando o original em páli e comparando diversas traduções disponíveis. Uma platéia, que lotou todo o espaço da comunidade zen budista de Florianópolis, de praticantes zen budistas e convidados da escola Nyingma do budismo tibetano, assistiu com grande interesse.