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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Girando a Roda do Dharma

Pergunta – Como ter uma compreensão clara de coisas boas, por exemplo, de compaixão e generosidade? O Senhor estava falando que não existe um “eu” para sentir raiva, mas então quem é o “eu”’ que realiza atos de compaixão e generosidade?
Monge Genshô – O Bodhisattva tem compaixão, mas para ser totalmente iluminado não pode enxergar os outros seres. Não pode haver eu aqui e você aí, de quem eu me compadeço. A visão de um “eu” separado está dentro da segunda Roda do Dharma.
A primeira Roda é a da Virtude, onde existem regras, não faça o mal, pratique o bem etc.
A segunda é a Roda da “Mente de Bodhichita” onde o ser tem compaixão, mas ainda vê o outro.
Na terceira Roda existe a não dualidade, ou seja, entre mim e você não existe diferença, a compaixão já não se aplica.
Sob o ponto de vista teórico, sua pergunta faz muito sentido e deveria ser respondida no âmbito da não dualidade, mas não conheço algum praticante budista que pratique perfeitamente a compaixão, conheço muitos que tentam praticar a virtude, a palavra correta, a mente correta e os pensamentos corretos. Pessoas que mesmo tentando se comportar melhor, ainda têm uma profunda noção de si mesmos e têm pena dos outros, o que é diferente de compaixão.
Compaixão é não dualidade, é você realmente se colocar no lugar do outro, sentir a dor do outro, ser o outro, não existem "os outros seres", você e o outro são a mesma coisa a ponto de você nem sentir compaixão, pois não existem outros por quem se compadecer. É paradoxal para uma mente não dual matar outros seres para comer seus pedaços, por exemplo. Conheço apenas praticantes no estágio da virtude. Inclusive eu.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Nem eu nem outro


Pergunta – Como ter uma compreensão clara de coisas boas, por exemplo, de compaixão e generosidade? O Senhor estava falando que não existe um “eu” para sentir raiva, mas então quem é o “eu”’ que realiza atos de compaixão e generosidade?

Monge Genshô – O Bodhisattva tem compaixão, mas para ser totalmente iluminado não pode enxergar os outros seres. Não pode haver eu aqui e você aí, de quem eu me compadeço. A visão de um “eu” separado está dentro da segunda Roda do Dharma.

A primeira Roda é a da Virtude, onde existem regras, não faça o mal, pratique o bem etc.

A segunda é a Roda da “Mente de Bodhichita” onde o ser tem compaixão, mas ainda vê o outro.

Na terceira Roda existe a não dualidade, ou seja, entre mim e você não existe diferença, a compaixão já não se aplica.

Sob o ponto de vista teórico sua pergunta faz muito sentido e deveria ser respondida no âmbito da não dualidade, mas não conheço algum praticante Budista que pratique perfeitamente a compaixão, conheço muitos que tentam praticar a virtude, a palavra correta, a mente correta e os pensamentos corretos. Pessoas que mesmo tentando se comportar melhor, ainda têm uma profunda noção de si mesmos e têm pena dos outros, o que é diferente de compaixão. Compaixão é não dualidade, é você realmente se colocar no lugar do outro, sentir a dor do outro, ser o outro, não existem outros seres, você e o outro são a mesma coisa a ponto de você nem sentir compaixão, pois não existem outros por quem se compadecer. É paradoxal para uma mente não dual matar outros seres para comer seus pedaços, por exemplo. Conheço apenas praticantes no estágio da virtude com raríssimas exceções. 

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ações e frutos, karma e vipaka


Roda do Dharma

P: Pensava que era todo o conjunto de nossas ações durante o decorrer da existencia tanto positivas como negativas, que determinavam como seria nosso proximo retorno...

R: Este é um engano, as ações (Karma) produzem frutos (Vipaka) estas surgem quando há condições para tanto, assim como uma semente só brota se houver umidade. Assim as ações produzem um estado mental e este conduz a próxima manifestação kármica, um homem que cultiva ódio projeta uma energia kármica (Vega)que se manifesta em um novo ser, que assume um Eu, em um lugar onde existem conflitos e ódios, uma nação em guerra por exemplo. Não há um retorno automático, como nascer cego por ser cruel, isso necessitaria um julgador externo, alguma administração de justiça mesmo que natural, embora desejemos isso não é assim que funciona, os frutos vem naturalmente ou mesmo podem não vir se não há condições propícias, e portanto podem demorar para surgir.

P: Gostaria de saber do senhor, se adquirimos karma quando temos um pensamento ruim, por exemplo: desejar que alguem sofra etc...

R: Sem dúvida, o efeito em seu estado mental é certo, e é este estado que determina a direção de sua vida, alimentar sentimentos maus é como pegar em brasas para jogar sobre os outros.

P: Gostaria também de saber o que é o ritual Choka, pesquisei no google e nao encontrei nada que falasse sobre ele...

R: Trata-se do ritual matinal, recita-se o refúgio, o Sutra do Coração da Sabedoria, a linhagem desde Buddha, os votos do bodisatva, pode ser curta ou longa dependendo de mais textos serem acrescentados, como Sandokai e Dharanis.