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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Escola gradual e escola abrupta


P. Fala-se muito nos textos na questão de iluminação, mas é o caminho do passo a passo, no momento que começa a sentar e meditar e vai tendo um progresso...
R. Duas abordagens, existe abordagem gradual e abordagem súbita ou abrupta então no Budismo nós temos os dois tratamentos, a escola Soto é mais conhecida pelo seu treinamento gradual, é a nossa, treinamento seguro e calmo, a escola Rinzai é conhecida pelo seu tratamento abrupto, koan, pressão, pressão mesmo, dura, kyosaku é aplicado de frente, senta-se de frente para a sala não para a parede, entrevistas com o professor até cinco vezes ao dia, com grande pressão, gritos etc com a intenção de quebrar o ego, insultos, idiota, imbecil, saia daqui, vá sentar de novo, não me venha aqui sem uma resposta, aí os alunos mais velhos vão até o aluno novo na hora da entrevista com o mestre, mas eu não tenho respostas ainda, eles pegam pelos braços e pelas pernas e jogam para dentro da sala do mestre. Um monge que  treinou num mosteiro Rinzai me disse que o kyosaku era aplicado de uma forma tal que quando ele ia tirar a roupa ela estava grudada com sangue na pele, então é outro processo, esta é conhecida como escola abrupta.  Ele diz assim:  "vocês não podem acreditar o que acontecia na sala de meditação" e esta cena de pegar pelos braços e pernas e jogar aconteceu com ele, depois mestres como Yasutani Roshi vieram para o ocidente e misturaram um pouco o Soto com o Rinzai, estão usando koans, mas com uma prática não tão rígida e na semana passada eu estive com uma amiga que é mestre Rinzai da Escola Son Coreana   que descende de Lin Chi, ele tem a mesma forma de prática, os kinhin são rápidos, senta-se de frente para a sala, eu já fiz retiro com ela, mas existe esta pressão mesmo do koan, o mestre usa bastão, ameaça bater com bastão em você na entrevista e mesmo fizemos uma prática que não existe praticamente no Soto, que é quando o professor vai embora os alunos ficam na sala até a manhã seguinte, zazen sem parar nem dormir, não agüenta mais, faz kinhin, volta para a almofada, sem intervalo, sem refeição, sem nada, até a manhã seguinte, aí na manhã seguinte começa às  quatro horas o sesshin normal de novo, tudo e não teve sono. 

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Kyosaku - O bastão da compaixão


O kyosaku é muito mal compreendido, depois que experimentamos seu efeito tratamos sempre de pedi-lo quando sentimos necessidade. Embora pareça algo violento na verdade é relaxante e de grande ajuda em longos retiros.

Antes que alguém pense que só a Soto Zen (minha escola) usa o kyosaku, as diferenças são assim:

Escola Soto: o bastão bate nas costas na altura do trapézio, é usado pelas costas do praticante, este não vê o movimento do bastão.
Escola Rinzai: O bastão é aplicado pela frente, os monges meditam de frente uns para os outros ao contrário da Soto em que se voltam para a parede, alguns acham isto mais assustador.
Escola Son: (zen coreano) Tanto de frente como de costas para a parede, usa-se também bater nos músculos intercostais ao longo da coluna, para isto o meditante que solicita o bastão tem que se inclinar até o chão.
Em todos os casos é muito relaxante para a musculatura das costas, e eficiente para limpar a mente em caso de turbulência e angústia.