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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Agressores também merecem compaixão

Aluno: Cotidianamente eu lido com crianças que sofrem violências de diferentes formas e isso tem se tornado algo que me causa profundo sofrimento, porque eu me vejo cada vez mais intolerante com quem provoca essas injustiças, mas ao mesmo tempo não quero me afastar disso porque acho que ajudar é importante. Tenho duas perguntas sobre isso, a primeira é como lidar com essa intolerância que cresce dentro de mim? E a segunda é como reconhecer o momento de aceitar e o momento de agir contra?

Monge Genshô:
A segunda pergunta eu não posso responder porque você vai ter que solucionar caso a caso para saber como e em que medida reagir. Nós não estamos no mundo para não reagir, nós temos que agir determinadamente contra a agressão.

Sobre a primeira pergunta: os agressores também merecem compaixão, isso é difícil de ver, mas aqueles que cometem os crimes também têm péssimo carma e vão viver enormes sofrimentos pela frente, eles só não percebem isso ainda. Ele vai nessa vida causar sofrimento e na próxima vai ser vítima, porque vai vir para um mundo que é assim, que tem essas características e ele não pode escapar disso.

Eu conheci uma Mestre budista da África do Sul com quem eu fiz um retiro que incluía  24 horas sem dormir. Era um retiro da escola Son coreana. O pai dela foi assassinado com catorze facadas e ela foi ao julgamento ver os rostos das pessoas que o esfaquearam. Me contando depois, ela disse: “não conseguia ver nada, nenhuma consciência do que faziam”, então ela foi trabalhar na penitenciária para acordar essas pessoas que estão nesse sonho, nesse pesadelo. Eles sequer veem os sofrimentos que causam. Existem mães que batem nos filhos, que maltratam, que estão mergulhadas numa cultura de sofrimento e acham que é assim que as coisas devem ser.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A HISTÓRIA DO ZEN (Parte II)


(Foto de Sojiji-Soin)

(continuação)
O novo abade, Ryoko Gakuen, que faleceu em 1314, foi sucedido por Jyun, 5º abade de Eihei-Ji que ficou de 1253 a 1333. Eihei-Ji ficou em situação muito fraca neste momento. Gikai foi para o Templo de Daijo-Ji, situado ao norte de Eihei-Ji, na península de Noto, e ali morreu. Havia entrado em Eihei-Ji, 8 anos antes, Keizan, que pertencia a uma família aristocrática do poderoso clã Fujiwara, que foi discípulo de Koun Ejo e que recebeu ordenação de monge aos 12 anos. Mas com a morte de Ejo, Gikai indo pra Daijo-Ji, ficou nas mãos de Keizan a oportunidade de fazer renascer a escola Soto. Keizan tinha apenas 30 anos, embora tivesse se tornado Monge aos 12 anos. Keizan sucedeu a Gikai e se impôs como restaurador do Zen de Dogen, ao mesmo tempo em que permanecia fiel aos ensinamentos que havia recebido de Gikai, no que se referia aos rituais, que ele havia trazido da China. Então esses rituais que nós praticamos hoje, são esta herança trazida da China por Gikai.

Mas eles não eram praticados desta forma quando Dogen trouxe o Soto para o Japão. O Zen era muito simples, e era sentar em zazen, sem parar. Muitas pessoas não se sentiam confortáveis com o Zen, de modo que ele não se expandia entre a população porque ele não tinha esses aspectos religiosos que falavam às pessoas. Keizan conseguiu um feliz casamento entre o Zen de Dogen e aquilo que Gikai havia trazido e que havia causado tanto problema dentro da ordem Soto. Keizan então fundou seis novos templos do Soto e o seu Templo de Daijo-Ji, em 1321, tomou o nome de Soji-Ji. Esse Templo fundado por Keizan, Soji-Ji Soin, é o Templo onde está hoje o Monge Chudô, da nossa sangha, treinando no Japão (E que agora também está Monge Genshô, em treinamento).

Efetuando uma evolução inversa à que havia seguido Dogen, Keizan tentou sacar o Soto do seu isolamento, onde ele estava no meio das montanhas e onde está Eihei-Ji até hoje. E Soji-Ji está dentro da cidade, está próximo das pessoas. Ele não duvidou em difundir seus ensinamentos nas cidades nem tampouco em acercar-se do poder, a fim de opor seus poderosos rivais que eram os monges Rinzai, a escola dominante no Japão neste momento, e era a escola que tinha se aproximado do império. Até hoje quando você vai ao Japão, os monastérios mais ricos são os Rinzais, porque eles são antigas casas imperiais ou palácios.


A escola Soto era uma escola ligada aos camponeses, ligada ao povo mais simples e que não era ligada ao poder, mas Keizan logrou um acesso também ao império e, desejoso de estabelecer a legitimidade, a continuidade da transmissão, Keizan escreveu em 1301 o “Denkoroku Keizan Osho” – “Escritos do Monge Keizan Sobre a Transmissão da Luz”, que retoma o tema de um antigo texto “Ching-te Ch’uan Teng-lu” de 1004, que estabeleceu a lista genealógica dos patriarcas desde Mahakashyapa até Eihei Dogen, o 51º, e com Ejo o 52º. São essas sequências de nomes que recitamos hoje de manhã, que constam do livro Denkoroku. Cada capítulo conta quem foi o antecessor, como foi o momento da transmissão, qual foi o diálogo da transmissão, a circunstância, uma breve biografia do patriarca, e um verso com um comentário de Keizan. Então são esses dois grandes Mestres, os principais da Soto Zen, por isso atrás do altar normalmente há dois rostos, duas imagens: uma de Eihei Dogen e o outro é de Keizan Jokin Daioshô. (Fim)

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O Koan


Palestra Proferida por Monge Genshô
Sesshin de Carnaval: 17 a 20 de fevereiro de 2007
Título: Comentários sobre Teishôs de Taizan Maezume Roshi
Tema: A árvore sem raiz
Decupada da gravação, digitada, editada e revisada por Denkô



Taizan vai falar sobre koan.
Muitas pessoas pensam que a escola Soto Zen não usa koan,isto é um engano. A diferença é que a escola Rinzai põe ênfase nos koans. E a escola Soto põe ênfase no shikantaza, a meditação sentada, e deixa o koan como uma coisa auxiliar. No entanto, os mestres Soto costumam usar koan. Aquela pergunta quem é você? Não é um koan,aquilo é umhua-t''ou (jap. watô). É outra técnica, questões que pressionam. Mesmo os praticantes que estão há anos praticando têm muita dificuldade para responder essa pergunta de forma satisfatória.
Koan significa caso público, caso registrado. É um diálogo entre mestre e discípulo, que foi registrado, sobre o qual você pode pensar e tentar responder. Por exemplo, os discípulos estavam disputando por um gato. Normalmente não existem ou não é para existir animais de estimação nos mosteiros, mas de repente aparece um e é adotado. Então, havia um grupo de monges no mosteiro disputando um gato. O mestre chegou na sala, pegou o gato, levantou-o no ar, tirou a navalha que serve para cortar a barba e disse:digam uma palavra Zen e o gato se salvará. Um monge falou: o gato é meu, o outro: compaixão! não mate o gato! O mestre cortou o gato ao meio. Isto no budismo é absurdo. Mas, ele matou, assumiu o risco de fazer isto em benefício de muitos outros seres porque até hoje estamos falando nisso. À noite chegou um monge que estava viajando. O mestre relatou a história. O monge pegou as sandálias e as colocou sobre a cabeça e saiu, e o mestre disse: se você estivesse aqui teria salvado o gato. O koan é assim: me diga o que você teria dito para salvar o gato. Até hoje eu vi uma pessoa que salvou o gato, metaforicamente. Ele levou um ano tentando,mas conseguiu. É como a resposta quem é você? Se alguém dá uma resposta que ele aprendeu filosoficamente, na hora você vê que esta resposta é uma resposta só da sua cabeça.Traga-me uma resposta das suas entranhas. E esse é um dos problemas do koan porque originalmente aconteciam  diálogos entre mestres e discípulos, na época de ouro do Zen, e eram muito fortes estes diálogos, verdadeiras as respostas. Com o tempo isto foi sendo escrito e tornou-se caso público como essa história do gato  que eu estou contando. Mas vocês não estavam lá nem estavam disputando o gato. Então não era a sua vivência pessoal. É agora uma referência a um caso passado.
O melhor koan é o koan da vida da pessoa, mas precisa um professor realmente bom para isso. Então de certa forma burocratizou-se, institucionalizou-se o koan e começou-se a ter respostas codificadas e isso foi o enfraquecimento da escola Rinzai porque precisa muito bom professor para lidar com este problema. Tem que brigar com o aluno e precisa um  aluno forte também, um aluno que pode ser esbofeteado. Quando Dogen foi para a China, ele tinha sido criado, era monge desde os doze anos de idade, na escola Tendai ou Tientai que é uma escola do Vajrayana japonês. Hoje a grande corrente Vajrayana que nós conhecemos é a Tibetana. Mas existe o Vajrayana japonês como as escolas Tendai e Shingon. Então Dogen quando chegou na China ele viu um Rinzai decadente, modificado, não gostou e foi procurando até encontrar Tendo Nyojo que representava a Escola Caodong de Zen, que é a escola Soto, uma escola que se originou do sexto patriarca (em nossa linhagem) da China. (Comentário de Monge Genshô)
(continua)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Trinta bastonadas deu-lhe Obaku



Pergunta:Gostaria de saber se tem diferença no Zen entre corpo, mente, alma e espírito. Por exemplo: há diferenças entre sofrimento espiritual e sofrimento mental?
Monge Genshô: Acho que são só palavras, porque nós poderemos dizer assim: a minha alma está sofrendo, querendo dizer que estou sofrendo intimamente com falta de paz, ou meu espírito não tem paz, ou minha mente não tem paz. Todos seriam sinônimos. Mas quando se fala em alma como uma partícula indivisível de uma pessoa que sobrevive à morte aí nós estamos falando de uma outra coisa, uma partícula eterna que não existe dentro da doutrina budista. Na doutrina budista todas as coisas são impermanentes, todas, inclusive a nossa consciência. Nós queremos que permaneça, mas não é assim. É como querer que o gume de uma faca permaneça quando a faca desapareceu. O gume, fio da faca, é inerente a existência da faca. Sinto-me confuso um pouco quando alguém me pergunta qual é a diferença que o senhor vê entre mente e consciência? As abordagens do zen não são bem assim porque corpo e mente estão misturados, coração e mente estão misturados. Não adianta você dizer minha mente está muito bem mas meu corpo não, eu estou com 41o de febre. Não é verdade. Se está com 41o de febre está delirando, então a mente não está bem. Sente reto e a sua mente muda. Agora faça assim (cabeça curvada) e me diga: como é essa mente? Não é deprimida? Agora coloque a coluna bem reta, atento, é outra coisa. Se você quiser mudar a sua atitude mental, se tudo estiver embaralhado, se tudo estiver difícil num dia, pare e respire fundo, sente bem reto, vá sentar em zazen. Turbulência na mente. Problema. Respire profundamente. As coisas vão voltar para o lugar. Por quê? Porque você voltou para o básico que é respirar. Nada mais tem importância de verdade. Tem a história de um mestre a quem um discípulo disse assim: como eu posso alcançar a iluminação? O mestre olhou para ele pegou sua cabeça e a enfiou dentro de um tanque de água e segurou, ele se debateu, quando estava afrouxando o mestre retirou a cabeça da água e disse: quando você quiser a iluminação do jeito que você queria ar me procure. Porque naquela hora ele não estava pensando em mais nada.
Esse é método típico da Escola Rinzai. Na Escola Soto se é mais delicado, pelo menos no princípio. Saikawa Roshi,  conta que Rinzai,  discípulo de Obaku, foi a Obaku e fez uma pergunta e Obaku deu-lhe trinta bastonadas, ou seja, deu-lhe uma sova. Obaku era um homem de quase dois metros de altura. E Rinzai foi falar com outro mestre e disse: eu fui fazer essa pergunta a Obaku e ele me deu trinta bastonadas. E o mestre disse: que pessoa gentil e carinhosa que  Obaku é. Como ele foi gentil e carinhoso com você! Histórias do Zen.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Escola gradual e escola abrupta


P. Fala-se muito nos textos na questão de iluminação, mas é o caminho do passo a passo, no momento que começa a sentar e meditar e vai tendo um progresso...
R. Duas abordagens, existe abordagem gradual e abordagem súbita ou abrupta então no Budismo nós temos os dois tratamentos, a escola Soto é mais conhecida pelo seu treinamento gradual, é a nossa, treinamento seguro e calmo, a escola Rinzai é conhecida pelo seu tratamento abrupto, koan, pressão, pressão mesmo, dura, kyosaku é aplicado de frente, senta-se de frente para a sala não para a parede, entrevistas com o professor até cinco vezes ao dia, com grande pressão, gritos etc com a intenção de quebrar o ego, insultos, idiota, imbecil, saia daqui, vá sentar de novo, não me venha aqui sem uma resposta, aí os alunos mais velhos vão até o aluno novo na hora da entrevista com o mestre, mas eu não tenho respostas ainda, eles pegam pelos braços e pelas pernas e jogam para dentro da sala do mestre. Um monge que  treinou num mosteiro Rinzai me disse que o kyosaku era aplicado de uma forma tal que quando ele ia tirar a roupa ela estava grudada com sangue na pele, então é outro processo, esta é conhecida como escola abrupta.  Ele diz assim:  "vocês não podem acreditar o que acontecia na sala de meditação" e esta cena de pegar pelos braços e pernas e jogar aconteceu com ele, depois mestres como Yasutani Roshi vieram para o ocidente e misturaram um pouco o Soto com o Rinzai, estão usando koans, mas com uma prática não tão rígida e na semana passada eu estive com uma amiga que é mestre Rinzai da Escola Son Coreana   que descende de Lin Chi, ele tem a mesma forma de prática, os kinhin são rápidos, senta-se de frente para a sala, eu já fiz retiro com ela, mas existe esta pressão mesmo do koan, o mestre usa bastão, ameaça bater com bastão em você na entrevista e mesmo fizemos uma prática que não existe praticamente no Soto, que é quando o professor vai embora os alunos ficam na sala até a manhã seguinte, zazen sem parar nem dormir, não agüenta mais, faz kinhin, volta para a almofada, sem intervalo, sem refeição, sem nada, até a manhã seguinte, aí na manhã seguinte começa às  quatro horas o sesshin normal de novo, tudo e não teve sono. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Jöriki


P: Se estivermos ao ar livre, podemos fazer Zazen igualmente? Por que meditamos em frente à parede?

R: Podemos sim, e as vezes se faz isto nos mosteiros, exige melhor concentração. A parede tem a vantagem de diminuir os estímulos ao máximo possível, é uma prática mais dura. Na escola Rinzai usa-se meditar de frente para o centro da sala, é mais ameno e adequado para principiantes, mas na Soto zen não se faz esta concessão.

P: Outra pergunta: o que é jiriki? Vi num site que o "jöriki" é uma decorrência natural do Zazen, mas não é o Zazen. Só que não diziam o que era Jöriki.

R:
"The Encyclopedia of Eastern Philosophy and Religion":

"Jöriki: literalmente, "poder da mente"; aquela força particular que surge da mente concentrada e que é produzida através da prática do zazen. Jöriki torna a constante presença da mente possível tal qual a habiliadde, mesmo em circunstâncias adversas, de fazer a coisa certa. Segundo Yasutani, aquele que desenvolve o joriki deixa de ser um escravo das paixões (...), mas enquanto o jöriki traz poderes espetaculares, este não conseguem romper as raízes de nossa visão ilusória do mundo."


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Qual a relação entre o Tantra e o Zen?


R: "O Tantra usa visualizações e mantras em suas práticas, o zen não faz isso, embora os dharanis, por exemplo sejam mantras longos, eles são incorporações, na verdade, dentro do zen. O Tantra só influiu no budismo uns mil anos depois de seu surgimento criando escolas Vajrayana como a Tibetana e o Tendai e Shingon japoneses, o fundador de nossa escola (Dogen) teve sua formação inicial no Tendai, portanto o Tantra não lhe era em absoluto desconhecido desde que ele se tornou mestre nesta escola antes de ir para o zen Rinzai e, posteriormente, para a China, de onde trouxe o Soto Zen."

terça-feira, 20 de julho de 2010

Genpo Roshi


Genpo Roshi encaminha-se para dar uma de suas aulas aos alunos do Angô de certificação de professores em Yokoji, 2010.

"Genpo Roshi é formado em educação pela University of Southern California e ordenou-se monge Zen em 1973. Recebeu Inka – o selo final de aprovação como um Mestre Zen – em 1996, tornando-se assim um dos poucos ocidentais reconhecidos como Mestre das tradições Zen Soto e Rinzai. Em 1982 Genpo Roshi começou a ensinar pela Europa e fundou a Kanzeon Sangha, uma comunidade Zen com sede em Salt Lake, com centros na França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Polónia, Inglaterra e Malta. É igualmente presidente da White Plum Asanga, uma comunidade que compreende todos os sucessores de Taizan Maezumi Roshi.

Em 1999 desenvolveu o Big Mind Process, um método directo e poderoso para mudar a perspectiva de uma visão egoísta limitada para uma perspectiva sem ego. Genpo Roshi escreveu cinco livros: The Eye Never Sleeps, Striking to the Heart of Zen; Beyond Sanity and Madness, The Way of Zen Master Dogen; 24/7 Dharma, Impermanence, No-Self, Nirvana; The Path of the Human Being e Big Mind, Big Heart."
(Blog Bigmind)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Koans nas diferentes escolas zen




O papel dos koans no Soto, Rinzai, e outras escolas.

Concentrar-se em koans durante a meditação e outras actividades é particularmente importante entre praticantes da seita Rinzai do Zen. No entanto, o estudo da literatura de koans é comum a ambas as escolas, Soto e Rinzai. Há um equívoco comum de que as escolas Soto e afins não usam koans, mas muitos praticantes Soto são de fato muito familiarizado com koans.

De fato, a seita Soto tem uma forte ligação histórica com koans. Muitas coleções de koans foram compilados por sacerdotes Soto. Durante o século 13, Dogen, fundador da escola Soto no Japão, citou cerca de 300 koans compilados no volume conhecido como o Grande Shobogenzo. Outras coleções de koans compiladas e anotadas por sacerdotes Soto incluem a Flauta de Ferro (japonês: Tetteki Tosui, compilado por Genro em 1783) e Versos e comentários sobre casos centenários de Tenchian, (Japonês: hyoju Hyakusoku Tenchian, compilado por Tetsumon em 1771). No entanto, de acordo com Michael Mohr, "a prática de koans ... foi amplamente expurgada da escola Soto através dos esforços de Gento Sokuchu (1729-1807), décimo primeiro abade de Entsuji, que em 1795 foi nomeado abade de Eiheiji." 6, P245.

Um número significativo de pessoas que meditam com koans são afiliadas à seita japonesa Kyodan Sanbo, e a várias escolas resultantes da seita na América do Norte, Europa e Austrália. Sanbo Kyodan foi criada no século 20, e tem raízes tanto na tradição Soto como na Rinzai.

(Texto traduzido do Inglês por Monge Genshô)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Wendy Egyoku Nakao Roshi



Tive o prazer de ser hospedado no Zen Center de Los Angeles dirigido por ela, e de ter acompanhado em São Paulo esta brilhante praticante do zen que é Egyoku Roshi, seu sorriso é cativante como mostra a foto. (Monge Genshô)

Roshi Wendy Egyoku Nakao, nasceu Wendy Lou Nakao em Honolulu, Hawaii, em meados do século passado. De ascendência Portuguesa - Japonesa, ela cresceu na Grande Ilha do Havaí. Ela frequentou a Universidade de Washington em Seattle, Washington, onde recebeu o bacharelado em Estudos do Leste Asiático e um mestrado em Biblioteconomia. Em Seattle, em 1975, começou a praticar zazen depois de um desafio. "Alguém apostou cinquenta dólares que eu não conseguia ficar quieta e manter a calma durante uma semana. Aceitei o desafio e fiz um sesshin de sete dias. Foi absolutamente horrível, mas eu fui fisgada."

Após três anos de zazen em Seattle, Egyoku mudou-se para o Zen Center de Los Angeles em 1978 para estudar com Taisan Maezumi Roshi. Ela foi ordenada por ele em 1983, e serviu como monge líder em 1988. Durante a sua formação no ZCLA, atuou em várias funções, inclusive como editora do The Ten Directions e Chefe do Centro de Administrativo. Ela era a assistente pessoal do Roshi Maezumi no momento de sua morte, em 1995.

Em 1996, ela recebeu a transmissão do Dharma de Roshi Bernie Glassman Roshi primeiro sucessor do dharma de Maezumi Roshi, em Yonkers, Nova York. A pedido de Glassman Roshi, ela voltou ao ZCLA como o Sacerdote Chefe e Professora em 1997, e foi instalada como o terceiro abade do ZCLA em 1999.

Ela é Roshi do templo e de duas linhagens de ensino que vem através Maezumi Roshi, cujo fundo incomum é que ele era um monge Soto, que estudou o sistema de koans Rinzai. Teve a orientação de seu professor de Dharma e de Transmissão Glassman Roshi cuja ação social e de pacificação é também um fator importante na evolução de seu estilo de ensino.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Como se usa o termo "Sensei" ? E "Roshi"?


Cerimônia com noviços, monges, senseis e roshis no Templo Busshinji em 2009.

Explica Coen Sensei em seu texto "A Ordem Monástica da Escola Sôtô Shû e Sua Adaptação na Comunidade Zen Budista Zendo Brasil" :

“Sensei” (先生) são exclusivamente os Monges que receberam Transmissão de Darma.
“Rôshi” e “Dai-oshô” (大和尚) são títulos reservados aos Monges Titulares que tenham demonstrado, por sua prática e empenho, o merecimento. Na tradição Soto, é preciso que haja a recomendação de outro monge titular para que seja oficialmente reconhecido como digno de ser assim chamado. Nota: Na tradição Rinzai, quando o Monge recebe “Inka” (a conclusão do estudo sistemático de koans e a aprovação como professor do Darma), passa a ser chamado de “Rôshi”.


Notas do blog:
Literalmente "Sensei" significa "mais antigo" e é usado na língua japonesa para qualquer pessoa em posição de ensinar,(como um mestre escola por exemplo) no zen o uso é mais estrito e normalmente se usa para o monge graduado como "Oshô" (和尚)(que recebeu a transmissão) quando este tem alunos.
A palavra Oshô significa literalmente Mestre. No Soto Zen, Oshos usam manto amarelo mas para serem Sensei tem que ter alunos e trabalho de liderança em uma Sangha.
Dai quer dizer grande, Dai-oshô, grande mestre, se usa sempre para os mestres ancestrais na recitação das linhagens.
Roshi, traduz-se como "velho mestre" é um tratamento honorífico sem um registro especial ou cerimônia.

domingo, 24 de maio de 2009

Modo de viver


De manhã, antes de vestir-se, acenda incenso e medite.
Coma a intervalos regulares e deite-se a uma hora regular.
Coma sempre com moderação e nunca até ficar plenamente satisfeito.
Receba as suas visitas com a mesma atitude que tem quando está só.
E, quando só, mantenha a mesma atitude que tem quando recebe visitas.
Preste atenção ao que diz e, o que quer que diga, pratique-o.
Quando uma oportunidade chegar, não a deixe passar,
mas pense sempre duas vezes antes de agir.
Não se deixe perturbar pelo passado. Olhe para o futuro.

A sua atitude deve ser a de um herói sem medo,
mas o coração deve ser como o de uma criança, cheio de amor.
Ao retirar-se, ao fim do dia, durma como se tivesse entrado no seu último sono.
E, ao acordar, deixe a cama para trás,
instantaneamente,
como se tivesse deitado fora um par de sapatos velhos.

Soyen Shaku (1859-1919) Mestre Zen da escola Rinzai

Contribuição de Zendo Virtual, você pode participar deste grupo de estudos escrevendo para zendo-virtual através dos recursos do site.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Kenshô - A experiência mística


P: No livro os três pilares do Zen de Roshi Philip Kapleau encontramos uma crítica à escola Soto Zen com relação à importância da experiência do Kensho. O que o senhor diria disto?

R: É a tentativa de dizer que no Soto Zen não se valoriza a experiência mística, o Kenshô, porém isto não é verdadeiro. Coisas de competição entre escolas, mente discriminativa...o Kenshô é muito importante na escola Soto, a diferença é que não se faz um esforço determinado para obter experiências através da solução de koans, e festeja-las. Na escola Soto se entende que isto reforça o ego porque a pessoa quer muito atingir um algo especial, quem atinge uma pequena experiência fica orgulhoso e se distingue dos demais, na escola Soto se pensa que é preciso abandonar corpo e mente, inclusive o desejo de ser especial, conseguir uma iluminação, ser melhor que os outros. Só assim realmente se pode chegar a abandonar o ego.
Dogen Zenji abandonou o Japão, e passou por vários mestres na China se decepcionando com a decadência do ensino, respostas decoradas... falta de verdade na realização espiritual... e foi assim que trouxe o Soto da China, onde o encontrou com Tendo Niojo. Na sua iluminação discretamente anunciou a Niojo: "corpo e mente foram abandonados" (deixei cair...)e o mestre ao fim lhe disse: "também deves renunciar a idéia de que corpo e mente foram abandonados..."

No entanto os koans são sim usados na escola Soto, como auxiliares da prática e não como seu centro. Mesmo com todo o esforço percebo que é a vaidade e o ego o maior problema a afligir os praticantes, mesmo monges sofrem muito com isto. Outro ponto importante neste livro citado é que Kenshô e Satori aparecem como conceitos semelhantes, na escola Soto o Kenshô é a experiência mística, coisa boa mas bem longe da iluminação ainda, esta, o Satori, é a posse de uma estável realização espiritual, sempre disponível para quem chega lá, não é algo que pode se esvanecer facilmente como o Kenshô. E mesmo assim há vários níveis de iluminação, por exemplo você pode ter uma compreensão clara e ela ainda não se expressar em todas as suas ações, isto sim é um nível realmente grande e mesmo assim há níveis mais elevados.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Koan


Muitas pessoas pensam que a escola Soto Zen não usa koan,isto é um engano. A diferença é que a escola Rinzai põe ênfase nos koans. E a escola Soto põe ênfase no shikantaza, a meditação sentada, e deixa o koan como uma coisa auxiliar. No entanto, os mestres Soto costumam usar koan. Aquela pergunta quem é você? Não é um koan,aquilo é um hua-t'ou (jap. watô). É outra técnica, questões que pressionam. Mesmo os praticantes que estão há anos praticando têm muita dificuldade para responder essa pergunta de forma satisfatória.

Koan significa caso público, caso registrado. É um diálogo entre mestre e discípulo, que foi registrado, sobre o qual você pode pensar e tentar responder. Por exemplo, os discípulos estavam disputando por um gato. Normalmente não existem ou não é para existir animais de estimação nos mosteiros, mas de repente aparece um e é adotado. Então, havia um grupo de monges no mosteiro disputando um gato. O mestre chegou na sala, pegou o gato, levantou-o no ar, tirou a navalha que serve para cortar a barba e disse:digam uma palavra Zen e o gato se salvará. Um monge falou: o gato é meu, o outro: não mate o gato. O mestre cortou o gato ao meio. Isto no budismo é absurdo. Mas, ele matou, assumiu o risco de fazer isto em benefício de muitos outros seres porque até hoje estamos falando nisso. À noite chegou um monge que estava viajando. O mestre relatou a história. O monge pegou as sandálias e as colocou sobre a cabeça e saiu, e o mestre disse: se você estivesse aqui teria salvado o gato. O koan é assim: me diga o que você teria dito para salvar o gato. Até hoje eu vi uma pessoa que salvou o gato, metaforicamente. Ele levou um ano tentando,mas conseguiu. É como a resposta a quem é você? Se alguém dá uma resposta que ele aprendeu filosoficamente, na hora você vê que esta resposta é uma resposta só da sua cabeça.Traga-me uma resposta das suas entranhas. E esse é um dos problemas do koan porque originalmente aconteciam diálogos entre mestres e discípulos, na época de ouro do Zen, e eram muito fortes estes diálogos, verdadeiras as respostas. Com o tempo isto foi sendo escrito e tornou-se caso público como essa história do gato que eu estou contando. Mas vocês não estavam lá nem estavam disputando o gato. Então não era a sua vivência pessoal. É agora uma referência a um caso passado.

(trecho da palestra "A árvore sem raiz" disponível em www.chalegre.com.br/zendo na secção Textos/ Monge Genshô)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Kyosaku - O bastão da compaixão


O kyosaku é muito mal compreendido, depois que experimentamos seu efeito tratamos sempre de pedi-lo quando sentimos necessidade. Embora pareça algo violento na verdade é relaxante e de grande ajuda em longos retiros.

Antes que alguém pense que só a Soto Zen (minha escola) usa o kyosaku, as diferenças são assim:

Escola Soto: o bastão bate nas costas na altura do trapézio, é usado pelas costas do praticante, este não vê o movimento do bastão.
Escola Rinzai: O bastão é aplicado pela frente, os monges meditam de frente uns para os outros ao contrário da Soto em que se voltam para a parede, alguns acham isto mais assustador.
Escola Son: (zen coreano) Tanto de frente como de costas para a parede, usa-se também bater nos músculos intercostais ao longo da coluna, para isto o meditante que solicita o bastão tem que se inclinar até o chão.
Em todos os casos é muito relaxante para a musculatura das costas, e eficiente para limpar a mente em caso de turbulência e angústia.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Hua-t'ou (jap.Watô)

Muitas pessoas pensam que a escola Soto Zen não usa koan, isto é um engano. A diferença é que a escola Rinzai põe ênfase nos koans.E a escola Soto põe ênfase no shikantaza, a meditação sentada e deixa o koan como um auxiliar. No entanto, os mestres costumam usar koan. Aquela pergunta quem é você? Não é um koan, aquilo é um hua-t'ou (jap. watô). É outra técnica, questões que pressionam.Mesmo os praticantes que estão há anos praticando têm muita dificuldade para responder estas perguntas de forma satisfatória.