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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

A Motivação de Shakyamuni




Shakyamuni era, além de cético, um homem inteligente. Não podemos ainda chamá-lo de Buda, pois era somente um jovem angustiado e cheio de problemas. Ele tinha tanto problema que não conseguiu nem ficar em casa, ser príncipe, ser herdeiro do seu pai. Para infortúnio do rei, Shakyamuni fugiu do palácio, deixou a esposa e o filho, e foi embora. E não é verdade que ele não sabia o que era velhice e morte - que é a lenda que se conta - pois alguém que praticou espada sabe muito bem o que é isso, além do que ele já tinha 28 anos de idade.

Shakyamuni, movido pela sua angústia, deixa o palácio, tudo o que tinha, todos os seus bens e seus entes queridos, raspa sua cabeça - para não ter mais distinção de casta -, veste-se como um mendigo e passa 6 anos não fazendo nenhuma outra coisa além de jejuar, martirizar seu corpo e aprender com mestres yoguis. Ele teve 2 mestres: Brahmaputra e Alara kalama.

[Trecho extraído de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A História de Buda (parte 3: O Caminho do Meio)





Shakyamuni queria resolver o problema existencial, e percebeu que não havia conseguido resolvê-lo com todo o caminho que lhe mostraram até então. Ele, então, abandonou cada um dos mestres, e, mesmo sozinho, não conseguiu chegar a lugar algum.

No final de seu ascetismo, ele aceita, de uma moça chamada Sujata, arroz com leite. Era um verdadeiro crime ele aceitar uma refeição assim na frente de seus colegas ascetas. Ele então sente-se fortalecido por receber alimento, e resolve sentar-se determinado a não se levantar enquanto não conseguir resolver o problema da morte e do envelhecimento, de que não faz sentido essa vida e que está tudo louco, e que não adianta viver, uma sensação niilista, que não existe nada, e que todos só estão falando em crenças.

Shakyamuni resolveu abandonar o caminho do sacrifício extremo. E por isso diz-se que o caminho do budismo é o caminho do meio: nem muito sacrifício, nem muita licenciosidade. Madhyamika, o caminho do meio.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Que bom que esquecemos do passado



(Continuação) Nosso problema não é o registro do passado, mas o acesso a ele. Como acessar? Seria impossível para nós vivermos, se nós rememorássemos toda a nossa vida em seus mínimos detalhes e por isso o esquecimento é necessário. Há um conto de Jorge Luis Borges, no livro Ficções, que chama-se Funes, o memorioso. Funes é um indivíduo que lembra cada mínimo detalhe de tudo que aconteceu em sua vida. Cada árvore, cada posição de pés das pessoas, cada palavra dita, cada expressão, tudo. E tudo está presente na mente dele em todos os momentos, então Funes tem que se isolar num quarto escuro e a cabeça dele não para, porque tudo está presente a todo momento. Parece zazen, não é? Então, o esquecimento na verdade é uma benção, é bom que o tenhamos . Todos nós já fomos covardes, abjetos, mentirosos, desonestos, em algum momento. Que bom que esquecemos para podermos viver novamente. (Continua)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A Natureza Última


Sanavasa vai até Ananda e pergunta-lhe, “qual é a natureza de todas as coisas?”, E Ananda mostra a ele seu manto, o manto é feito de retalhos, todos costurados uns aos outros, ele está querendo ensinar que todas as coisas são interconectadas e interdependentes. Sanavasa então pergunta, “Mas então qual é a natureza última de todas as coisas?”. Ananda então arranca o manto de Sanavasa, nesse momento ele desperta, pois entende com clareza e com seus sentimentos, não com seu intelecto, que todas as coisas são vazias. 


Um aluno perguntou ao mestre, “Mestre, no Dharma de Buda o que senhor pode me oferecer?” ao que o mestre respondeu, “Gostaria muito de lhe dar alguma coisa, mas no Zen só há uma bola de ferro incandescente pra ser engolida”. A primeira coisa a ser dita à um aluno é, “Você sabe que está condenado a morte? Eu posso salvá-lo desta angústia existencial, mas somente através da clareza e lucidez. Não através de alguma crença, fantasia ou promessa maravilhosa para depois da morte”. Como as pessoas estão atrás dessas promessas de reencarnações, espíritos permanentes, almas e paraíso, não ficam. Elas desejam crenças, não sabedoria. Por isso uma  Sangha com mais de 20 pessoas é muito raro, altíssimo nível.