Mostrando postagens com marcador ateísmo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ateísmo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Siga Seu Caminho



Se você está terminando o curso de medicina e resolve fazer engenharia, mas chega no quinto ano de engenharia e desiste, resolve fazer advocacia, então está fazendo advocacia e não era bem isso que queria, decide fazer psicologia para se descobrir, mas não é bem isso, depois pensa que deveria ter sido Monge. E aí já está acabando a vida e não deu mais tempo. Então, não é assim, a vida vai se mostrando à medida que você vai caminhando, mas você tem que caminhar em uma direção determinada. Por isso, espiritualmente não é boa ideia ficar trocando de caminho espiritual. Se um padre vem e me diz assim: “estou pensando em mudar para o Zen”, eu digo: “poxa, mas o catolicismo tem caminho espiritual, e tem grandes místicos cristãos.  É muito mais fácil ficar dentro do caminho que está e se aprofundar nele”.

Há místicos cristãos que dizem coisas belíssimas: Meister Eckhart tem um sermão alemão que diz assim: “Deus não teria existido se eu não tivesse querido”. Essa é uma declaração e tanto para um frade dominicano, não é? “Deus não teria existido se eu não tivesse querido que ele existisse”, ou seja, sou eu o criador de Deus - é isso que ele está dizendo. É um frade dominicano do século XIII, está lá dentro do Cristianismo e lá está a profundidade, como no Zen. Se você já está dentro daquele caminho, foi fundo naquele caminho, por que você vai trocar? Vá fundo no seu caminho, se você troca irá complicar. Quando tempo a gente leva para andar um pouco no Zen? Quando alguém diz: “já estou praticando há cinco anos”, eu digo: “aham” (risos). Nenhum caminho espiritual é diferente: não são fáceis.

[Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

"Não acredite em mim, teste e experimente"



A questão do despertar é um problema porque as pessoas têm uma educação hoje que não tinham em 1910, 90% da população do Brasil era analfabeta, hoje a proporção se inverteu. Nos países do Norte da Europa o número de pessoas que se declaram sem religião, ateus, está ultrapassando 50% e as igrejas são vendidas para outras coisas. Na Holanda existem igrejas que agora são usadas como academias de esportes. Se o mundo continuar assim, só esta forma de religiosidade que nós estamos ouvindo aqui tem chance de sobrevivência, porque ela exige um determinado tipo de pensamento, exige uma mente cética e só o budismo diz “não acredite em mim, teste e experimente”.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O budismo é ateu?


Frequentemente nós temos problemas com a questão do Budismo ser teísta ou ateísta. Com isso, as pessoas geralmente perguntam: “Qual a postura do Budismo com relação aos deuses?”  A única questão na qual o Budismo é mais enfático é a inexistência de um Deus Criador, que fez o mundo e todas as coisas. Este conceito é absolutamente estranho ao budismo. O budismo nasceu na Índia, onde a religião predominante possui mais de 300 milhões de deidades1. Esta religião indiana – hinduísmo – também apresenta a ideia de um Deus Criador e sua Trindade (Trimurti) composta por Brahma, o Criador, Vishnu, o Preservador e Shiva, o Destruidor2.
O budismo negou a existência de um Deus Criador, um deus que criasse, julgasse e decidisse tudo. Na realidade, este é o ideal de Deus que permeia toda nossa cultura judaico-cristã e ocidental, nós temos um Deus Criador, um Demiurgo. Contudo, Buda não se estendeu sobre esta questão, por não estar disposto a discutir assuntos não-verificáveis. Logo, algumas pessoas insistem em afirmar que o budismo é ateu. O budismo não pode ser classificado como ateu, uma vez que representaria uma postura ativa de negação de um deus. Ou seja, o ateu estaria disposto a confrontar e provar a inexistência deste deus e o budismo não se propõe a isso. A melhor descrição, talvez, da posição budista seria: O budismo é não-teista, ou seja, ele não fala sobre deuses, mas também não assume a postura ativa de negação, caracterizada pelo ateísmo.
Esta postura está estendida a todos os tipos de deuses. No entanto, surge uma outra confusão, porque quando falamos sobre os 6 Reinos do Budismo: Inferno, Fantamas Famintos (Preta), Animal, Humano, Semi-Deuses (Asura) e Deuses (Deva). Na realidade o termo deuses vem de devas, sem o significado normalmente entendido para deus. O reino dos deuses é uma condição a qual os homens com grande mérito podem ascender. Uma espécie de vida prazeirosa, sem dificuldades, onde tudo é fácil. Esta seria a condição de deva. Porém, eles também têm karma, também decairão, etc… Portanto, não se trata em absoluto do conceito que temos de deuses eternos, ou algo como a concepção hindu.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Deus, o budismo, o Vazio




Este Deus a que estamos acostumados no ocidente, o deus criador, um ser com vontades, desejos, projetos, não existe no budismo. Por causa disto alguns dizem que o budismo é ateu, mas isto é uma simplificação, seria mais correto dizer que o budismo é "não teísta". O budismo não é nihilista, o Vazio budista não é um nada, mas sim a qualidade de tudo ser interdependente, vazio de existências inerentes, de "eus" individuais. O Vazio é não causal, não condicionado, não pessoal, não é um algo do qual surgem os fenômenos. Este vazio é a própria forma, não é diferente dela. Pensamos que somos indivíduos mas este é um engano, temos a ilusão da individualidade e queremos que ela seja permanente, na verdade somos apenas manifestações cármicas temporárias. Compreender e ser capaz de integrar-se é a iluminação. Por tudo isto reificar o Vazio é uma incompreensão da doutrina budista.
No caso da palavra deus, ela tornou-se tão elástica que pode abranger desde um ser pessoal, a semelhança do homem, até algo tão imaterial e não interferente no universo que não possa ser referido.
A opção original budista foi considerar deus um assunto fora dos temas de que o budismo trata, visto este estar focado somente no agora e no despertar do homem. Despertar do quê? De todas as ilusões.