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quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Sobre o que e como conversar
Diretamente dos tempos de Shakyamuni Buddha, as recomendações do mestre:
Majjhima Nikaya 122
Mahasuññata Sutta
O Grande Discurso sobre o Vazio
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12. “Quando um bhikkhu (monge) está assim, se a sua mente se inclinar para conversar, ele decide: ‘Essa conversa é baixa, vulgar, grosseira, ignóbil, não traz benefício e não conduz ao desencantamento, desapego, cessação, paz, conhecimento direto, iluminação e Nibbana,(Nirvana) isto é, conversa sobre reis, ladrões, ministros de estado, exércitos, alarmes e batalhas; comida e bebida, roupas, mobília, ornamentos e perfumes, parentes; veículos; vilarejos, vilas, cidades, o campo; mulheres e heróis; as fofocas das ruas e do poço; contos dos mortos; contos da diversidade (discussões filosóficas do passado e futuro), a criação do mundo e do mar e falar sobre a existência ou não das coisas: desse tipo de conversa eu não participo.’Dessa forma ele possui plena consciência daquilo.
“Mas ele decide: ‘Aquelas conversas que tratam da obliteração, que favorecem a libertação da mente, que conduzem ao completo desencantamento, desapego, cessação, paz, conhecimento direto, iluminação e Nibbana, isto é, conversas sobre querer pouco, satisfação, afastamento, distância da sociedade, despertar a energia, virtude, concentração, sabedoria, libertação, conhecimento e visão da libertação: desse tipo de conversa eu participo.’ Dessa forma ele possui plena consciência daquilo.
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Fonte: http://www.acessoaoinsight.net/sutta/MN122.php
Antes que perguntem esta instrução não era para os leigos, sobre estes recomendo ler o Sutra de Vimalakirti (sec. 1 DC)
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Nada gruda na mente vazia
Suas mentes são como a claridade pura da lua de outono, seus olhos são como a perfeição de um espelho brilhante. Não procuram a mente ou uma essência, nem mesmo praticam as verdades sagradas, não têm apegos mundanos, não permanecem no estado dos mortais comuns, nem são confinados ao estado dos sábios e santos - são viajantes sem mente.(TEXTO)
Este estado de não-mente, de desistir, de esquecer, é que é o estado perfeito, feliz. Quando depois de três dias de seshin, em momentos em que vocês saem e olham as árvores, as flores, o céu e vêem as coisas, e os pensamentos já cansaram e foram embora porque nós não os alimentamos mais, nós não os ficamos mexendo, então esse estado surge, o estado de não-mente, esse é um estado profundamente feliz. Eu estou sempre insistindo: não conversem, não falem, por quê? Não agitem suas mentes. Nós temos muito trabalho pra fazer a mente se acalmar aqui, sentados no zazen, olhando para a parede; muito trabalho, muito sofrimento; depois nós vamos lá e jogamos parte desse trabalho fora por simplesmente trocar algumas frases, depois saímos com um pensamento qualquer: ah, aquela pessoa disse-me isso..., ... tem aquilo que aconteceu...,...será que gosta de mim?...,...será que está me olhando mal? Esses sentimentos são agitações e vão atrapalhar o processo do seshin; por isso, o silêncio é necessário e, por isto, quando a gente recebe uma tarefa, simplesmente faz a tarefa, mais nada.(COMENTÁRIO)
Aqueles que deixaram o lar mentalmente não raspam seu cabelo, nem usam roupas especiais. Apesar de viverem em casas e de estarem no meio dos problemas do mundo, são como lótus não maculados pelo barro, como jóias não afetadas pela poeira.(TEXTO)
A lótus é a flor símbolo do budismo, por quê? Porque nasce na lama, mas surge em cima da água pura e imaculada e é muito difícil sujar uma flor de lótus, você pode derramar água suja em cima dela que toda a água escorre, pelas características das pétalas, são como o teflon, nada gruda. Na realidade, os verdadeiros praticantes tem que atingir esse estado, esse estado de nada gruda, tudo escorre por mim, todo sofrimento, todo os eventos, todas as coisas simplesmente passam e nada gruda, o que me faz lembrar que vocês podem ter o koan do teflon, um koan bem moderno. O koan do teflon é assim: nada gruda no teflon, como é que o teflon gruda na panela? Isso é muito interessante e, na realidade, foi um grande problema para se resolver, um problema industrial, mas para nós é outro ponto: nada gruda em nós, tudo deve escorrer. Como é que nós podemos permanecer nós se nem este eu consegue ficar grudado em nós?(COMENTÁRIO)
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
A instrução do silêncio no retiro zen
Instrução distribuída aos praticantes zen budistas em Florianópolis antes dos sesshins:
SOBRE O NOBRE SILÊNCIO
Este é um sesshin com prática de silêncio, este significa silêncio de comunicação. Não nos cumprimentamos, não cochichamos, não dizemos obrigado ou desculpe, simplesmente prestamos a máxima atenção ao que estamos fazendo e nos empenhamos em ser perfeitamente gentis, sempre cedendo lugar aos outros ou esperando que passem. Evitamos olhar os outros nos olhos ou fazer qualquer gesto de comunicação, como sorrir ou acenar com a cabeça. Se um coordenador dá instruções as ouvimos em silêncio e executamos o solicitado sem considerações egóicas ( nem em pensamento: está certo, podia ser feito de outra forma etc...)
Tome como princípio em todo o sesshin que você está voltado para sua descoberta interna e que qualquer agitação trazida por palavras, elogiosas ou não, será uma perturbação. Assim nunca ande em duplas, ou ceda a tentação de conversar, respeite o silêncio alheio, ande sempre sozinho e faça o que tem de fazer: meditar, ouvir e calar.
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