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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A técnica ou a ciência não são culpadas, nós é que somos culpados



(Continuação) Assim como todas as atividades humanas, os negócios podem ser bons ou ruins, depende de como são feitos. Essa pergunta é o mesmo que questionar se uma faca é boa ou ruim. Essa faca pode ser usada na cozinha para descascar batatas, mas também pode ser usada para matar. Ela não tem uma bondade ou uma maldade intrínsecas, assim como todas as outras coisas. Se não fossem os negócios, por exemplo, estaríamos vivendo a vida como estávamos vivendo há 200 anos, com todos os problemas daquela época, com toda a inabilidade técnica daquela época. A técnica jamais pode ser classificada como boa ou má, ela depende extremamente do que está acontecendo em volta. Alguém poderia apontar o dedo para a medicina e dizer “a medicina é má, porque a população da Terra aumentou muito por causa dos antibióticos, a partir da metade do séc. XX a expectativa de vida quase dobrou, quando paramos de morrer de doenças infecciosas, como sífilis, tuberculose, etc, o que causou uma pressão enorme no planeta e nos trouxe para o momento que vivemos hoje”. A medicina é culpada? Os rios estão ficando sujos o mar não suporta a quantidade de pesca, as florestas não suportam os desmatamentos, mas a tecnologia é em si culpada? Não. É que conciliar as coisas é difícil. A técnica ou a ciência não são culpadas, nós é que somos culpados. Se não nos matarmos entenderemos.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Jamais tente impor seu ponto de vista


Monge Genshô: A opção budista é fazer um trabalho para mudar a própria mente, ampliar a visão e mudar o olhar. Um homem uma vez disse para mim: “você é um estratosférico” e eu compreendo que para ele eu seja assim. Nós tivemos essa discussão porque ele matou o gato da vizinha. O gato estava matando os passarinhos do jardim dele e a menina dona do gato o chamou de assassino. Eu lhe disse que o mundo podia ser diferente e que ele não tinha direito de interferir na relação entre o gato e os pássaros e foi nesse momento que ele me chamou disso. O que o budismo propõe é mudar a mente, mas se você quiser mudar a sociedade porque você sabe o que é bom para a sociedade também haverá um problema. Se eu chegasse e dissesse: “ninguém mais pode derrubar floresta e colocar boi, ninguém mais pode comer churrasco e quem fizer essas coisas eu fuzilo”, pronto, eu viro Che Guevara tentando impor minha visão de sociedade boa matando todo mundo que não concorde comigo. Temos que ter cuidado com o pensamento e como ele transcorre. A opção budista é: mudar as mentes, para mudar as pessoas e a sociedade, mas não imporei sobre ninguém, nem sobre nenhuma sociedade, a minha visão. Tenho que olhar para os ignorantes como eu olho para um pássaro que desce e come uma minhoca. Como eu vou dizer para o pássaro não comer minhocas? Não posso, essa é a natureza dele. Eu tenho que olhar para um homem ignorante e fazer o mesmo, não dizer nada, não cabe a mim dizer aos outros como eles devem viver. Isso é delicado e importante. O grande problema é acreditar que você sabe o que é certo e querer que a sociedade se comporte dessa forma.

Aluno: Posso influir?

Monge Genshô:
Você pode influir e fazer o seu discurso moderadamente, mas jamais tente impor, porque todos que tentam impor acabam recorrendo à violência. Já tivemos muito disso. Gente que queima livros, que fuzila, que tortura, etc, porque querem convencer os outros de qualquer jeito. As próprias religiões fazem isso. Se você não concorda, se torna um herege e será queimado na fogueira. Pensam: “podemos não te convencer, mas se isso acontecer você será calado”.(continua)