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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Somos a própria voz do Budha

Conta-se de um monge que era muito instruído, muito culto, especialista em sutras, sabia muitas coisas, muitos textos. Mas depois de vinte anos ele não tinha alcançado nada e desistiu.
“Eu não alcanço nada, eu sento para meditar e minha cabeça não para. Eu estou sempre preocupado com pensamentos, raciocínios...”. Então ele desistiu. E foi para um eremitério nas montanhas e ficou lá sozinho, desistiu de buscar a iluminação, desistiu de buscar o Samadhi, Kensho, Satori.
Então ele varria o eremitério, um dia ele estava varrendo e a vassoura pegou uma pedrinha, a pedrinha voou e bateu num bambu, e fez “poc”, aí nesse momento ele despertou.
Sobre o que são histórias deste tipo? Essas histórias são sobre a voz de Buda.
Nós dizemos a voz de buda, no budismo. Não a voz de Deus, não é? Mas na verdade o espírito é exatamente o mesmo, nós só não usamos a palavra Deus porque a palavra Deus está cheia de pessoalidade, parece um ser, alguém que fez algo, um criador ou um interferente, alguém para quem eu peço coisas e que me dá. Ora esse tipo de deus não existe mesmo no Budismo, mas vemos em outros textos que pessoas de outras religiões ouviram essa voz, essa voz é a voz do regato, é a pedra batendo no bambu, é o perfume do cipreste. (continua)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Maya - a ilusão



Pergunta – Não devemos estar atentos aos nossos sonhos?

Monge Genshô – Um sonho lúcido. Pode acontecer. Depois de um bom sesshin, você pode voltar para casa e perceber que todas as pessoas que estão em sua vida são como sonho, que você está  num mundo onírico. Poderia estar vivendo outro sonho, mas está vivendo esse, escolheu esse. 
Mudou-se para essa cidade, casou com essa mulher, teve esse filho. Tudo é um sonho construído.

 A ilusão é muito interessante. Havia um monge que meditava isolado. Encontrou uma divindade e lhe perguntou: “O que é Maya?” A divindade lhe disse: “entre neste  lago”. Ele entrou, e foi andando até que a água lhe cobriu o rosto, então ele virou-se e começou a sair da água. Enquanto saía, ele olhava para si e se percebeu uma mulher lindíssima. Nesse momento, passou uma caravana nela havia um príncipe que se apaixonou imediatamente por aquela mulher saída como do nada.
 Pegou-a pela mão e levou-a consigo. Foram para o reino do príncipe e casaram-se, para a felicidade de todo o povo. Ela teve filhos, estava encantada com a vida. Palácio, vestes, amor. Mas aconteceu uma guerra e seus filhos foram lutar. De repente, toda a vida maravilhosa se transformou: seu reino havia perdido a batalha, os corpos de seu marido e filhos vinham carregados, todos seus sonhos estavam destruídos. 
Os corpos de seus filhos amados, do seu marido, entre lamentações, foram jogados em uma fogueira onde ela, não suportando a dor da perda, enlouquecida, jogou-se. Enquanto o fogo consumia seu corpo, ela caiu e sentiu-se dentro de uma água fria. Então, andando, saiu do lago, olhou para si e viu-se um eremita, um pobre monge. A divindade lhe disse: “isso é Maya, a ilusão!”. 

Enquanto vocês estavam sendo conduzidos pela história, puderam mergulhar nela. E sonharam junto. Mas todo o sofrimento era um sonho ilusório. Nada aconteceu, ele nunca foi uma mulher linda, nunca se casou, nunca teve filhos, não houve guerras nem mortes. Assim é a ilusão, assim são as nossas vidas. Vocês estão sonhando agora e não conseguem acordar.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ele não compete assim ninguém compete com ele

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Entrevista excelente, os que não sabem ler em inglês podem apreciar as meras expressões do rosto, elas são suficientes ...