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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Quem é Você? (parte final)


Nós nos achamos muito importantes, muito relevantes. Por isso a pergunta é: “já que nós atingimos tal nível de consciência, quem somos nós, verdadeiramente, além disto?”. Essa pergunta precisa ser resolvida com a experiência, com a visão pessoal. Isso se chama Kenshô, as primeiras experiências que querem dizer "ver sua verdadeira natureza" (KEN = ver; SHO = verdadeira natureza). 

Só que tal experiência precisa ser aprofundada muitas vezes até nós dizermos: “ah, esta é uma iluminação relevante". Embora o kenshô seja uma experiência iluminada, ela é curta, evanescente, que fica só como uma lembrança. O kenshô não é uma experiência tão difícil de ser obtida.

No Zen, é disso que estamos falando e é para isso que estamos trabalhando. Nós estamos jogando fora todos os deuses, todas as almas, todos os espíritos, todas as crenças sobrenaturais. No Zen não há espaço para isso. Para o Zen, já é sobrenatural o suficiente nós estarmos sentados aqui nesta sala, com corpos feitos de átomos antiquíssimos, mais velhos que a Terra; estarmos organizados como seres viventes; estarmos conseguindo conversar sobre este assunto - isso tudo é profundamente sobrenatural, e as pessoas mesmo assim ficam procurando homenzinhos verdes, ou fantasmas, ou milagres, ou poderes especiais... 

O milagre está disponível aqui e agora. É incrivelmente milagroso! Como nós não enxergamos isso?

[N.E.: trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei] 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

A vida é um constante e milagroso fluxo

O eixo da vida de uma pessoa pode mudar, o movimento todo que deixa alguém cansado e arrasado pode mudar, se a cabeça mudar.
Na realidade o eixo do redemoinho é que muda de concepção, mas o movimento que a pessoa faz continua o mesmo. Um monge continua na vida do sansara, continua agindo no mundo do sansara, mas não sai mais da empresa com a cabeça quente, não fica angustiado se vai faltar dinheiro ou não, se vai faltar trabalho ou não. Não há preocupação, tudo vai dar certo.
 Sem querer a vida gira e você desencadeia forças que fazem as coisas acontecerem, parece milagroso se você olha do lado de fora, mas não é. A diferença do sansara e do nirvana é exatamente essa. Nirvana é o mundo sem vento. Sansara é o mundo com muito vento. Nirvana é o puro céu azul. Sansara é o mundo dos redemoinhos.
Você até pode transitar pelos redemoinhos se você olha sabendo que atrás dele tem o puro céu azul. É por isso que o monge disse para o imperador 'eu olho pra você e vejo Buda'. Porque atrás do redemoinho só tem o puro céu azul. (continua)

quarta-feira, 1 de julho de 2015

TUDO ESTÁ DENTRO DE NÓS

O que seria o Zen? O Zen é uma das escolas do Budismo e ela enfatiza as práticas de meditação, treinamento mental, que foi exatamente o que Buda fez em seu treinamento de anos, até atingir o que nós chamamos de “despertar”, “acordar”. Acordar do quê? Acordar das ilusões. Então esse acordar das ilusões retirou do Budismo a crença em deuses, almas, espíritos, todas essas coisas. O Budismo não fala nesses assuntos. Esse talvez seja o maior choque que nós temos quando conhecemos o Budismo, pois estamos acostumados a pensar no Budismo como uma religião normal, mais uma religião.

É comum as pessoas perguntarem "Mas vocês não adoram Buda?" Não. Não adoramos. Buda foi um homem como nós, morreu com oitenta e quatro anos com uma diarreia, ficou desidratado. Essa é a história da morte de Buda e a que foi preservada. Sempre pergunto "Vocês já tiveram diarreia? Já? Então são como Buda e podem se iluminar!" Isso é muito importante porque esse pensamento quer dizer que não há algo de milagroso nisso.

Não endeusamos a figura de Buda, ele foi um grande professor, mas não é uma divindade, um salvador ou um ser que trouxe conhecimento de fora para cá. Não. Esse conhecimento é desenvolvido de dentro e é isso que o Budismo preconiza. Você tem que obter sabedoria a partir de seu treinamento e ele vem de dentro, de modo que você sofre muitas dificuldades quando o enfrenta. Todo esse problema por quê? As dificuldades estão dentro de você, são suas crenças, suas ilusões que fazem com que isso aconteça. Então, o contato com o Zen é uma destruição das ilusões.