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quinta-feira, 11 de maio de 2017
sexta-feira, 5 de maio de 2017
O Acordar e a Ilusão
Se acordamos, como saber se acordar
não é uma ilusão? E se você não sabe se é ou não uma ilusão, para que acordar?
Monge Genshô:
se você não sabe que é uma ilusão, você desconfia, não é? E se você desconfia,
você deve confiar o suficiente para tentar treinar para acordar. Mas à medida
que você dá um pequeno passo qualquer, mesmo que você só levante a ponta do
véu, você começa a desconfiar do que tem do outro lado. Já é experiência. Não
precisa mais confiar em mim.
Em
primeiro lugar, você tem que acreditar que vale a pena experimentar.
Experimentou, alcançou algo, você pode prosseguir a partir daí. É só confiança.
Para saber se o despertar é ilusão ou não, você tem que ter uma pessoa que tem
experiência para confirmar isso para você. Os alunos no Zen vão ao Mestre,
falam de sua experiência e o Mestre diz: bobagem, ilusão sua. Volte para a
sala. Ou raramente ele vê que você está narrando uma experiência com sentido e
o encoraja a ir mais fundo.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
Como se descreve a natureza búdica?
Pergunta: Como se descreve a
natureza búdica?
Monge Genshô:
Não é questão de descrição, a natureza búdica é uma qualidade dos que estão
dormindo. Como todos estão dormindo, todos podem acordar. Num mundo de Budas
ninguém fala disso, porque ninguém está dormindo. O papel dos Mestres é sacudir
os ombros dos que dormem para que acordem, é o mesmo que você faz com um amigo
que está tendo um pesadelo.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
TUDO ESTÁ DENTRO DE NÓS
O que seria o Zen? O Zen é
uma das escolas do Budismo e ela enfatiza as práticas de meditação, treinamento
mental, que foi exatamente o que Buda fez em seu treinamento de anos, até
atingir o que nós chamamos de “despertar”, “acordar”. Acordar do quê? Acordar
das ilusões. Então esse acordar das ilusões retirou do Budismo a crença em
deuses, almas, espíritos, todas essas coisas. O Budismo não fala nesses
assuntos. Esse talvez seja o maior choque que nós temos quando conhecemos o
Budismo, pois estamos acostumados a pensar no Budismo como uma religião normal,
mais uma religião.
É comum as pessoas
perguntarem "Mas vocês não adoram Buda?" Não. Não adoramos. Buda foi um homem como
nós, morreu com oitenta e quatro anos com uma diarreia, ficou desidratado. Essa
é a história da morte de Buda e a que foi preservada. Sempre pergunto
"Vocês já tiveram diarreia? Já? Então são como Buda e podem se
iluminar!" Isso é muito importante porque esse pensamento quer dizer que
não há algo de milagroso nisso.
Não endeusamos a figura de
Buda, ele foi um grande professor, mas não é uma divindade, um salvador ou um
ser que trouxe conhecimento de fora para cá. Não. Esse conhecimento é
desenvolvido de dentro e é isso que o Budismo preconiza. Você tem que obter
sabedoria a partir de seu treinamento e ele vem de dentro, de modo que você
sofre muitas dificuldades quando o enfrenta. Todo esse problema por quê? As
dificuldades estão dentro de você, são suas crenças, suas ilusões que fazem com
que isso aconteça. Então, o contato com o Zen é uma destruição das ilusões.
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sexta-feira, 19 de junho de 2015
NÃO HÁ SALVAÇÃO, HÁ LIBERTAÇÃO
Aluno – O que seria uma
estratégia para disseminar o Budismo e que pode ser canalizado pra humanidade
em geral?
Monge Genshô – Não existe uma estratégia pra difundir
o budismo. O budismo não faz um proselitismo, se fizesse um proselitismo faria
um esforço para ter mais alunos, mas na realidade não posso acreditar que esse
método de treinamento Zen possa se tornar popular. Então vir ao segundo sesshin é
muito importante, porque existe um numero de pessoas que vêm para o sesshin
apenas uma vez na vida, guardam lembranças, têm coisas interessantes para
dizer, mas não repetem essa experiência. Acho que a resposta é que realmente
não existe uma estratégia para difundir o budismo. O budismo é na realidade
muito difundido do ponto de vista intelectual, literário, artístico, a
influência do budismo é inegável, é vasta, mesmo na cultura ocidental. Mas "praticantes"
budistas são coisas muito difíceis de encontrar.
Aluno – O populismo então não
atende o voto de salvar todos os seres?
Monge
Genshô – Nós temos muito tempo pra salvar todos os seres, muito tempo. Mas
nenhum ser será salvo por uma ação externa. Você não pode salvar os seres, você
pode acordá-los para que eles se salvem, mas eles precisam querer acordar. Mas
do ponto de vista budista, não tem pressa. Se alguém está num outro caminho e
está bem, por que você vai interferir? Deixe ele lá. Isso não é um problema do
ponto de vista budista. Nós não precisamos convencer, converter, não precisamos
nada, está tudo bem como está.
Esse “salvar”,
essa palavra “salvar” não tem o significado correto para o budismo. É melhor
usar a palavra “libertar”. “Libertar os seres de suas ilusões” tem sentido, mas
o budismo não tem uma doutrina salvífica, do tipo: “Vou salvar da morte”
através da ressurreição proporcionada por Cristo, por exemplo, que é a doutrina
cristã predominante. Não é isso. Então a palavra “salvar” pode causar confusão quando
a usamos no budismo. Esse é um grande problema de palavras.
Quando o
budismo entrou na China e se traduziram os textos, você tinha que usar palavras,
e onde estavam as palavras disponíveis? No Taoísmo. Então você usava palavras
Taoístas para expressar e acontecia isto, que é um bom exemplo. “Salvar”, no
contexto unicamente budista, se só houvessem budistas, teria um sentido. Mas se
você usa na língua portuguesa, pescando os significados do cristianismo, aí você
vai ter uma confusão. Por isso a palavra “libertar”, fica melhor: “libertar das
ilusões”, é isso que o budismo faz.
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