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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Os 12 Elos da Roda da Vida (parte 3)




O nascimento leva à morte. O processo de envelhecimento chama-se jaramarana. Ele inicia no instante do nascimento e leva todas as condições de vida até a morte. Então esse último elo é o envelhecimento e a morte interdependente.

Esses doze elos revelam um processo que nos prende a um ciclo que se repete. Então você nasceu, tem uma existência, uma manifestação humana, e essa manifestação humana, se é ignorante, não consegue enxergar as características que nós falamos no início: impermanência, vacuidade de um eu que é ilusório, construído, que a existência é cíclica. Quando a pessoa não enxerga isto ela é ignorante.

A ignorância leva às marcas cármicas, samskaras; à consciência interdependente, vijnana; ao nome-forma nama-rupa; às seis fontes, sandayatana; ao contato, sparsa; à sensação, vedana; aos anseios, tanha; ao apego, padana; à existência interdependente, bhava; e a um novo nascimento, que vai gerar um novo envelhecimento, que vai gerar uma morte, que arrastando a ignorância repete todo o ciclo. Isto é, no fundo, uma descrição do nosso acorrentamento a ciclos repetidos.

[Trecho extraído de palestra proferida em Florianópolis, 23/08/2016, por Meihô Genshô Sensei]

terça-feira, 30 de julho de 2013

Feitiço do tempo



Mas se você puder alcançar um esclarecimento perfeito e iluminado, não precisará retornar. Retornar para cá e repetir sem parar sempre a mesma coisa é um castigo. Parece bom, não é? Mas pense. Não escapar, estar preso a repetir sem fim sempre o mesmo tipo de vida, morrer, nascer e recomeçar tudo novamente. Existe um filme muito interessante chamado “O Feitiço do Tempo”, onde o personagem se vê obrigado a repetir todos os dias sempre o mesmo dia, ou seja, todos os dias são iguais, acontecem as mesmas coisas. Após alguns dias o que é que ele mais deseja? Morrer. Ele tenta várias vezes se matar e acorda sempre repetindo o mesmo dia. É a mesma coisa que acontece conosco. Acordamos e repetimos, morremos e repetimos. Não é que a vida tenha só sofrimentos, ela tem também coisas boas e alegres, mas termina muito mal. Todos nessa sala iremos morrer, sou um condenado à morte falando para condenados à morte.

Todos os dias quando me olho no espelho posso perceber o trabalho da morte, os cabelos e os dentes caindo, a pele enrugando e a fisionomia se transformando. Outro dia mostrei minha foto com vinte anos de idade para uma amiga e ela deixou escapar, “Mas o senhor era bonito”. Cada dia que passa estamos mais perto da morte. Cada um de nós está caindo de um precipício com uma corda amarrada ao pescoço, só não sabemos o comprimento da corda. Por isso o que devemos fazer com nossa mente, ou seja, transformá-la, exige certa urgência. O personagem do filme depois de mudar sua mente é que consegue escapar.