Mostrando postagens com marcador rigidez. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rigidez. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O Sentido da Rigidez do Zen




Ontem eu expliquei os passos de como devemos treinar para alcançar experiências místicas, e o primeiro é este sofrimento de nos sentarmos: dor... desconforto… pouca comida, nenhuma carne, que é o modelo do sesshin (retiro).  Pouco sono… todas essas condições levam ao enfraquecimento do eu. 

Então, o sesshin é assim propositalmente. Na verdade não deveriam ter aqueles cafés, bolachinhas e pastéis. Nós deveríamos acrescentar à prática uma sensação de fome, de não ter comido o suficiente, de estar sempre faminto.  Por esse motivo, por exemplo, que Sodo San foi a um monastério, e, em 10 meses, perdeu 25 quilos. Nos meus retiros de três meses, sempre quando ia dormir estava sentindo fome. Esse processo nos quebra, enfraquece-nos e propicia a realização espiritual. 

No tempo de Buda, a regra era que os monges não poderiam comer nada depois do meio dia. Então eles comiam ao meio dia e fim. Mesmo que os monges comessem muito para tentar compensar, não adiantava. Todos eram magros, mas o verdadeiro sentido da tradição é que o jejum intermitente propicia uma mente clara.

N.E.: transcrição de palestra realizada por Monge Genshô Oshô em Florianópolis, novembro/2016. 

segunda-feira, 16 de março de 2015

Para onde a pedra quer ir?



Aluno – O senhor falou de coisas contraditórias, primeiro falou que o desejo e a ambição fazem com que a pessoa perca o presente ou fique infeliz, e agora está falando que objetivo é algo de grande valia.

Monge Genshô –  O caminho se mostra a cada passo. De repente surge a oportunidade, pegue a oportunidade. Surge outra oportunidade, 'oh, outra oportunidade'. O objetivo prende a mente. Ah, eu vou nessa direção. Não. Eu estou indo nesse direção, mas se não der certo eu vou para cá. Compreende? Eu vou para o norte, mas se tiver uma pedra no caminho eu não vou ficar parado na pedra, batendo na pedra...., eu tenho que contornar a pedra. Por isso nós dizemos que a água é uma grande lição para o praticante do zen, porque a água sempre consegue chegar, sempre. Se tem um obstáculo, ela se acumula e sobe, ou contorna, ela sempre vai e sempre consegue seus objetivos. A água tem a virtude de, se a colocarmos dentro de um copo, ela toma a forma do copo. Qualquer copo. Mas quando a água se transforma em gelo, aí é uma pedra, e se a gente tentar colocar dentro do copo aí não entra, e se a gente tentar martelar quebra o copo. Esse é o problema do gelo, a sua rigidez, ele pensa 'eu sou assim, e quem quiser gostar de mim terá que ser assim'. Esse é o gelo, ele pensa que é assim, ele tem ideias fixas, e por isso ele é cristalizado e não cabe em qualquer recipiente. A água não. E nós então sabemos, nosso objetivo é o mar, mas pra chegar lá nós podemos dar todas as voltas que o terreno nos pedir, sem reclamar. Aí chegaremos lá.

Aluno – Mas o desejo e a ambição, então, podem ser uma coisa boa, ou ele prejudica o potencial da pessoa?

Monge Genshô – O desejo e a ambição vão atrapalhar. Um objetivo para o qual estamos olhando pode nos ajudar a ir numa determinada direção. Mas a fixidez naquela direção, naquele objetivo, vai nos atrapalhar. Então, exatamente o que acabei de falar sobre a imagem da água: vai chegar no mar, mas vamos contornar os obstáculos e vamos pelos caminhos de menor resistência. É persistência, paciência, aguardamos. Aí nós conseguimos fazer grandes coisas. No taoísmo há um ensinamento chamado wu wei , significa que quando as condições estão prontas e maduras fica fácil de fazer as coisas, mas se você forçar quando não está pronto e maduro, você não vai conseguir. Shunryu Suzuki agiu assim:  uma vez estavam fazendo na Califórnia um jardim num mosteiro, e os alunos do zen estavam lá empurrando uma pedra e fazendo uma força danada, e ele observando aquilo foi até eles e disse 'não é assim, vocês têm que olhar para a pedra e perguntar, nós queremos levar a pedra para lá, que é nosso objetivo, mas para onde a pedra quer ir?'. Ah, ela quer ir para cá, depois para lá, depois para cá... para onde a pedra quer ir? E aí, empurrando a pedra para onde a pedra queria ir eles colocaram a pedra com muito menos esforço no local onde eles desejavam chegar. Entenderam? Boa noite.   (Palestra decupada por Shoshin San )

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Mente e corpo





Nós estávamos estudando aquele texto de Koun Ejo, O Samadhi do Celeiro da Grande Sabedoria.
A partir daí, (TEXTO) a partir daquele não saber que nós tínhamos conversado de manhã (COMENTÁRIO) tudo pode se tornar naturalmente calmo, irradiação da sabedoria, na unidade da mente e do corpo.(TEXTO). Esta Expressão mente e corpo é muito importante porque Dogen (1200-1253) sempre toca neste ponto, mente e corpo são uma só coisa. Nós costumamos separar isto no ocidente desde os tempos de Platão, principalmente na filosofia grega, a mente e o corpo foram consideradas coisas separadas, a alma e o corpo, e assim colocamos dois seres, um ser do mundo das idéias e um ser do mundo material como se fossem coisas diversas e no Budismo não é assim, nós achamos que mente e corpo são uma unidade e não adianta tentarmos pensar que é separado, porque quando nosso corpo está doente nossa mente não funciona bem, como nós falamos aqui basta uma alteração hormonal e a nossa mente não funciona mais direito, basta a introdução de uma substância química no corpo e a mente está perturbada, então dizermos que existe mente e corpo como coisas separadas, não é verdadeiro, na realidade como tudo no universo tudo está muito interligado e o nosso corpo e a nossa mente estão interligados. Não tem sentido nós cultivarmos uma mente adequada e não cuidarmos do corpo, por isto fazemos uma alimentação especial, por isto dormimos de uma determinada forma, por isto fazemos várias coisas em relação ao corpo dentro do próprio sesshin porque se você comer altas refeições, se nós tivéssemos um almoço com churrasco e caipirinha então como teríamos uma boa meditação da tarde? Sesshin num hotel de cinco estrelas, sesshin com conforto, meditação deitada, aí então todo mundo ia dormir automaticamente. Já  cochilamos um pouco sentados acordando às 4 horas da manhã, mas a essência deste pensamento è que a mente e o corpo não são coisas separadas, cuidamos do nosso corpo para que a nossa mente funcione de maneira correta e isto é a tradição dentro dos mosteiros budistas, mas nos mosteiros Zen, com um treinamento excepcionalmente mais rígido por causa da natureza do Zen, então fazemos realmente difícil, duro, porque aí funciona.(COMENTÁRIO M. Genshô)