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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O terceiro preceito




3. Eu decido não utilizar mal a minha sexualidade, e sim ser cuidadoso e responsável.

Nós reconhecemos que a sexualidade faz parte da nossa prática tanto quanto qualquer outro aspecto das nossas vidas diárias. Reconhecer e honrar a nossa sexualidade é uma forma de criar um ambiente onde relacionamentos conscientes e compassivos podem ser cultivados. Deve ser tomado um cuidado especial quando pessoas entram em uma relação sexual. Existem formas de relacionamento que podem levar a grande dano e confusão.

O Terceiro Treinamento da Plena Consciência diz: Atento ao sofrimento causado pela má conduta sexual, eu me comprometo a cultivar a responsabilidade, e aprender modos de proteger a segurança e integridade de indivíduos, casais, famílias e da sociedade. Eu estou empenhado a não me envolver em relações sexuais sem amor e sem um compromisso duradouro. Para preservar a felicidade de mim mesmo e de outros, estou determinado a respeitar meus compromissos e os compromissos alheios. Farei tudo em meu poder para proteger as crianças do abuso sexual, e para impedir que casais e famílias sejam separados devido à má conduta sexual.
De: http://monjaisshin.wordpress.com

terça-feira, 30 de abril de 2013

A loucura do mundo I



Nós praticantes, temos que enfrentar uma coisa chamada A loucura do Mundo. Nesse sesshin tivemos a oportunidade de sentir esse contraste, durante toda a noite e pedaço da manhã, ouvimos o som de uma festa rave, uma festa que ocorre a quilômetros de onde estamos. Podemos imaginar o espírito que anima essa festa, todos nós já estivemos em alguma festa com som alto.

Quais são as características das festas? Nos embriagamos, tentamos não pensar, tudo é feito para que as pessoas escapem da clareza e percepção da vida como ela é, de como sentimos e percebemos a vida na sua natureza intrínseca, sua finitude, a questão dos desejos e prazeres, daquilo que nós procuramos e que normalmente embrutece os homens. Em geral os prazeres exigem certa cegueira, exigem que você ignore o sofrimento alheio, quando comemos algo prazeroso, esquecemos que mesmo quando comemos arroz grande sofrimento aconteceu para que ele chegasse até nós, foi necessário que muitos seres, pequenos seres na terra fossem sacrificados. Foi necessário, inundar campos, usar herbicidas, ou seja, mesmo quando comemos algo que nos parece inocente, não é assim.

Então, quando fazemos a pratica do Oryoki, (refeição ritual zen) a fazemos com grande respeito e não desperdiçamos nem um grão, pois temos que pensar no sofrimento que acontece por existirmos. Nas festas as pessoas bebem, ou mesmo usam drogas. Ao fazerem isso elas embrutecem suas mentes e tentam não enxergar nada, perdendo desta forma, algo muito difícil de conseguir, a clareza. Esquecemos também, o resto do mundo, o sofrimento que irá causar a alguma pessoa o fato de estarmos ali.

Nas festas há também grande procura pelo prazer sensual, uma das grandes motivações das festas é o desejo de encontrar parceiros para a sensualidade. Nessa mera procura, há sofrimento. Pois há escolha, há a recusa, há traição, uma série de coisas. E também porque essa procura pode ser de um prazer momentâneo, que começa agora e logo que se realiza as pessoas querem se afastar, porque o impulso que levou àquele prazer era momentâneo, não era profundo. Milan Kundera, no seu livro “A insustentável leveza do ser”, diz “amar não é fazer sexo, amar é querer dormir abraçado depois”. Esse é o significado de não estar a procura do mero prazer sensual, mas sim de estar junto, de compartilhar. Então esse é um significado totalmente diferente da fugacidade que normalmente se procura nas festas.

Outra coisa que acontece numa festa como a que ouvimos, são os sons muito altos, eles significam, “Não estamos aqui para conversar, para entender o outro, não estamos aqui para ouvir alguém, queremos abafar todo pensamento racional e mergulhar na pura sensualidade”, e o ritmo também é muito forte, por quê? Porque é para apressar o batimento cardíaco, para pular e ficar como um louco, então, essas são as loucuras do mundo, o embrutecimento pelas drogas, o som alto, a procura do prazer sensual, sacudir-se, suar e o esquecimento do que aconteceu. Ou seja, o que acontece aqui e agora não tem importância pois vou esquecer amanhã. As pessoas até dizem as vezes, “Eu estava muito louco” como se isso fosse glorioso.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Os ingredientes constroem a mente



Pergunta – Monge, gostaria de saber sobre a prática, as vezes e aqui mesmo no retiro, sinto muito sono, as vezes sinto que estou consciente mas não estou, sempre vem palavras ou imagens...elas vem e vão o tempo todo...isso é um sonho?

Monge Genshô – Você está quase dormindo, está muito cansado. Basta você fechar os olhos e as imagens virão. Você está com um déficit de sono, ora, isso é proposital, nós acordamos cedo para que todos fiquem com um déficit de sono, isso ajuda a crise. A cozinha tem ordem de fazer comida simples. Um oryoki faz com quem você coma pouco. Em geral em sesshin todos emagrecem, existe um déficit de alimentação também. Passamos muitas horas sentados, quietos, não precisamos de muita comida. A sexualidade é diminuída ao máximo. Embora sentado em zazen você possa ter fantasias, tentamos nos distanciar de tudo isso. Essas fantasias estragarão seu zazen, pois são invasivas e ficarão rodando na sua cabeça, mesmo com esse tipo de pensamentos, devemos voltar sempre para o momento presente, não se trata de ser bom ou ruim, é simplesmente natural do ser humano. Essas imagens que vão surgindo por que você está no limiar do sono, são interessantes, pois você tem acesso ao seu inconsciente, que normalmente em vigília você não tem. Como você está prestes a adormecer, mas não se pode permitir, tem que ficar presente. Por isso a instrução, não feche os olhos, fique atento, se você fechar os olhos é mais fácil adormecer.

Esclarecimentos ou respostas para Koans podem surgir nesse tipo de situação, problemas que você não consegue resolve, de repente, por ter acesso ao seu inconsciente, você pode alcançar a solução. Técnicas como associação livre já foram tentadas na psicologia, mas você, com esse déficit de sono no zazen, tem acesso ao seu inconsciente de forma direta. Qual o conteúdo do seu inconsciente? É o que esta surgindo agora, é o retrato de sua mente agora. Quem fez essa mente? Você, sempre surgem as coisas que você colocou pra dentro. A receita do bolo sai de seus ingredientes, e os ingredientes são coisas que você assiste, lê, pensa, escuta ou pensamentos que você costuma cultivar. Agora você tem a oportunidade de limpar e reconstruir sua mente. Essa é uma instrução de Buda, “cultive o bem, evite o mal e seja senhor de sua mente”. Estamos tentando uma coisa que a maioria das pessoas não é, senhores de suas mentes. Você pode até ser senhor de seus próprios sonhos, você pode governar isso. Essa é uma habilidade que pode ser treinada e desenvolvida. Muito útil, tanto para resolver problemas como para enxergar o resultado de seu treinamento.

Pergunta – O senhor poderia comentar sobre as técnicas de contagem. Contagem de respiração, elas ajudam bastante, mas é problemático ficar um zazen inteiro contando?

Monge Genshô – Mestre Dogen dizia que contar ou qualquer outra técnica não é a prática essencial dos Budas. Nós temos hoje uma abordagem um pouco mais tolerante, se você tem grande dificuldade, pode começar contando, conte as respirações até dez. Pode recomeçar sempre que necessário. O problema é que isso não é zazen. Isso não é shikantaza, isso é uma técnica para ficar sentado e focado em alguma coisa. Mas porque não é shikantaza? Porque não é zazen? Por que tem alguém contando, tem um observador que conta, tem alguém que se perde e diz, vou voltar ao numero um, tem alguém que diz, agora é sete, depois oito e assim por diante. Tem alguém que diz, cheguei ao dez, volto ao um. Existe um observador e enquanto ele existir você não pode mergulhar na unidade, pois na unidade não existe observador. Não veto, como no tempo de Dogen, o uso de técnicas de contagem para auxiliar a meditação, mas insisto, zazen não é contagem, não é isso. Shikantaza significa apenas sentar, sentar junto com todos os seres. Alguém espirra na sala durante o zazen, Quem espirrou? A Sangha espirrou, o grupo espirrou, o grupo se mexeu. É o nosso zazen, não existe meu zazen. Alguém quebrou uma xícara, nós quebramos uma xícara. Todos esses pensamentos do tipo, não fui eu, foi o outro, fui elogiado, fui criticado, são pensamentos de ego.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Conduta sexual - Preceito budista


P: O que pode ser caracterizado como conduta sexual inadequada?
Vivemos num tempo de muita liberdade de comportamento sexual.
Para mim seria a sexualidade desvinculada do afeto, objetivando só o instinto e o prazer.
Pediria, por gentileza, esclarecimentos.

R: Use o critério do sofrimento. Se causa sofrimento a alguém é conduta inadequada. Se envolve enganar é inadequado, se não produz conforto e bons sentimentos é inadequado e assim por diante.