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sexta-feira, 21 de março de 2014
Dor física
2) E com relação a dor física, doenças, onde se enquadraria dor física? No sofrimento talvez?
Monge Genshô – Não, esse não é um sofrimento mental. Esse é um sofrimento que surge da condição humana, da causalidade. Mas não necessariamente você tem uma culpa para surgir um sofrimento físico, o simples fato de sermos seres humanos fará com que tenhamos doenças, dor e desconforto. Isso faz parte do nosso carma de termos nascidos seres humanos. Algumas pessoas são mais felizes nesse aspecto, mesmo crianças que têm doenças dolorosas, quando olhamos não conseguimos ver nenhuma justificativa para isso. As pessoas que crêem em Deus se revoltam com Deus, questionando -“Mas por quê Deus faz isso?”. Se você imaginar que a criança surgiu agora e que não existe nenhum passado, você não encontrará explicações. Mas se olharmos todas as vidas como longas continuidades, todos teremos carma para muito sofrimento, pois atrás de nós há muitas vidas e com certeza muitas coisas erradas foram feitas.
Mas com relação à dor física, se você desenvolver uma mente altamente disciplinada, é possível diminuí-la consideravelmente. Ignorá-la a ponto de não sentí-la. Tornar-se um com a dor é um treinamento que pode ser feito no próprio zazen. Todos sentimos dor no zazen, é o momento de pensar: a dor existe, mas não é minha, é só uma dor. Já viram aquelas imagens de monges se auto imolando em posição de zazen? Na época da guerra do Vietnã, muitos monges atearam fogo em seus corpos para derrubar o governo que estava perseguindo o budismo. Algumas pessoas perguntam, em razão desses atos, se o budismo apóia o suicídio. Nesse caso não se trata de suicídio. Trata-se de um ato de sacrifício em nome de milhares de pessoas. É diferente. Quando estiverem fazendo zazen e sentirem dores, podem imaginar que é possível queimar seu corpo em zazen sem se mexer.
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sábado, 9 de março de 2013
Eu fico com vocês, eu suporto
(continuação)
(texto)” Então como Hang Chang disse: “Como um grande todo que ilumina, infinitamente lúcido e sereno”, sua mente é como um espelho, engloba tudo, no qual as montanhas, os rios e a terra com toda sua beleza e esplendor da natureza se encontram livremente refletidos. Deste modo o mundo exterior recria-se em uma dimensão diferente e se converte em paisagem interior. Em semelhante estado a mente do ser humano deixa de ser a mente individual de uma pessoa e isso é o que o Budismo designa de a mente única.”
(comentário Monge Genshô) Vejam como todo o sesshin, todo o treinamento é programado nesse sentido, de mente única, para cada um de nós, fazermos disso um pequeno universo, tentarmos apagar esse ego individual aqui no treinamento, então fazemos tudo em conjunto. Esperamos até o último terminar de comer, aguardamos pelos outros. Em vez de deixar que nossas decisões tomem conta, nós entramos num fluxo e somos conduzidos pela própria organização do sesshin, e isso nos ajuda a baixar esse nosso nível de ego, orgulho, vaidade, manifestação pessoal e opiniões. Estamos na sala do zazen e sofremos, mas não nos levantamos, agüentamos juntos com os outros, aceitamos o sofrimento dos outros e o nosso, dessa forma damos força uns aos outros. Não abandonamos, podemos mudar de posição, mas não vamos embora, podemos ficar de pé, mas ficamos aqui, podemos até pegar uma cadeira, dessa forma dizemos aos outros – Eu fico com vocês, eu suporto - e simplesmente isso é demolidor do nosso ego. Talvez os que mais aproveitam são os mais sofrem. O sofrimento é o caminho mais curto para a realização espiritual. Eu ouvi uma Mestra dizer uma vez para um amigo meu – Eu oro para que a vida te dê muito sofrimento, porque sua vida tem sido muito boa, sem dificuldades.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Não desista
Pergunta - Então a dor na perna é um fenômeno?
Monge Genshô – Sim. Você também não achará nada que esteja fora da vacuidade. Nenhum fenômeno está fora da vacuidade. Todos os fenômenos são a própria vacuidade.
Pergunta - Mas então Buda deixou de ser fenômeno quando ele se iluminou?
Monge Genshô – Quando ele se iluminou, deixou de ter um eu e por isso não gerava novo carma para si mesmo. Porque para gerar carma você precisa ter uma identidade a qual o carma possa aderir.
Pergunta – Existe um senso comum para eu parar o zazen, uma vez que não esteja suportando a dor física e o desconforto, ou nesse momento sou eu só, só eu determino?
Monge Genshô – Não podemos abandonar nossos companheiros, todos estão sofrendo. Você pode mudar de posição, pode pegar uma cadeira, apenas não podemos deixar nossos companheiros, pois nós os abandonaríamos e eles estão pensando a mesma coisa, “Não suporto mais”. Todo mundo pensa, “ninguém pode estar sofrendo mais que eu, porque se estiver sofrendo um pouco mais que eu ele iria embora, tenho certeza que meu sofrimento é o maior de todos”. Você pode estar certo, minhas pernas estão doendo, mas como sou o professor não posso sentar mais confortavelmente, tenho que ficar sentado corretamente para que vocês sintam mais força. Então se você não suporta, troque de posição, apenas não abandone seu companheiro do lado. Desertar é o pior dos crimes, porque todos os outros serão atingidos, por isso fazemos tudo juntos e não podemos faltar a nenhum zazen no retiro.
Pergunta – Existe um senso comum para eu parar o zazen, uma vez que não esteja suportando a dor física e o desconforto, ou nesse momento sou eu só, só eu determino?
Monge Genshô – Não podemos abandonar nossos companheiros, todos estão sofrendo. Você pode mudar de posição, pode pegar uma cadeira, apenas não podemos deixar nossos companheiros, pois nós os abandonaríamos e eles estão pensando a mesma coisa, “Não suporto mais”. Todo mundo pensa, “ninguém pode estar sofrendo mais que eu, porque se estiver sofrendo um pouco mais que eu ele iria embora, tenho certeza que meu sofrimento é o maior de todos”. Você pode estar certo, minhas pernas estão doendo, mas como sou o professor não posso sentar mais confortavelmente, tenho que ficar sentado corretamente para que vocês sintam mais força. Então se você não suporta, troque de posição, apenas não abandone seu companheiro do lado. Desertar é o pior dos crimes, porque todos os outros serão atingidos, por isso fazemos tudo juntos e não podemos faltar a nenhum zazen no retiro.
Uma pessoa foi embora, mas ela teve uma crise hipertensiva e é uma pessoa muito doente. Semana passada esteve internada com uma irregularidade cardíaca. Mas isso é outra situação. Sempre conto uma história de uma praticante que me procurou alguns anos atrás. Ela me procurou em janeiro e disse “tenho câncer pela terceira vez e irei morrer nesse ano, provavelmente. O que eu faço?”, eu lhe disse, “Vamos nos preparar, você pratica zazen conosco e vamos tentar ter a melhor mente possível para morrer bem”. Dei à ela meu rakusu (símbolo do manto budista que se porta sobre o peito) no final e ela morreu com ele dez meses depois. Ela fez sesshin conosco fazendo quimioterapia, sem cabelos. Quando não suportava mais as dores ela deitava no zabuton, mas não saía da sala. Você está pior que ela?
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