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terça-feira, 3 de agosto de 2010

Unsui - o início do caminho monástico



Monja Isshin, escreve em seu blog sobre os noviços na escola Soto Zen, íntegra aqui.
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"Neste momento, tornaram-se “unsui” (雲水, nuvem-água), que significa um ser que vai indo e vindo com a leveza da nuvem sem estar preso a nada ou ninguém, com a fluidez da água que se adapta a qualquer recipiente mas que tem a força de vencer qualquer rocha.

Estão na fase inicial de suas trajetórias como “unsui”, na graduação de “jôza”, que pode ser traduzido aproximadamente como “noviço”. Nesta fase, o “unsui” é um estudante-de-monge, que no Japão não teria qualquer autoridade para ensinar, orientar, coordenar – ou até nem mesmo permissão de aparecer para o público em geral. É a fase de “cale a boca e limpe o chão” – uma fase de valor inestimável no nosso treinamento.

Aqui no Ocidente e especialmente no Brasil, infelizmente, a situação é bem diferente. Poucos alunos neste país têm a oportunidade de ter uma convivência direta e constante com os seus professores. Acabam sendo “alunos à distância”, com poucas oportunidades de estar na companhia do professor. Acho isto muito triste, pois representa obstáculos enormes, quase intransponíveis, ao desenvolvimento da compreensão do Darma e prática corretas destes alunos. Muitos noviços brasileiros arcam com responsabilidades demais, cedo demais – até liderando grupos de prática, supervisionando aulas do Darma ou workshops de prática – quando na verdade são “estudantes” eles mesmos.

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Como ‘unsui’ (monges-em-treinamento), eles devem passar pelas etapas de monge-noviço (jôza), líder dos noviços (shuso, quando é realizado o Hossenshiki – Cerimônia de Combate ao Darma) e monge-aprendiz (zagen), até finalmente completar o seu treinamento, se tornando monge plenamente formado (oshô, recebendo Shihô, Transmissão do Darma, a ordenação superior).

É uma caminhada longa que, às vezes, pode ser bastante difícil. Desejo aos meus “sobrinhos do Darma” muita Paz e Tranqüilidade nas suas jornadas e ofereço toda a minha solidariedade. Que possam atingir a Libertação do Sofrimento, o Nirvana, como ensinado pelo Buda."
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O que é a ordenação monástica no zen


Qual o Significado de Shukke Tokudo?

A Cerimônia da Ordenação Monástica Soto Zen, Shukke Tokudo (出家得度), representa o momento quando um praticante leigo torna-se monge-noviço ou monja-noviça (Jôza 上座) e entra na primeira fase de seu treinamento, se preparando para cumprir o papel social de sacerdote.

Mas qual o significado de Shukke Tokudo? Para que alguém torna-se monge?

Os ideogramas chineses (kanjis) para “tokudo” (得度) significam “obter a travessia”, ou “entrar no caminho para a outra margem” – a travessia para a outra margem, que é a Iluminação, e os kanjis para “shukke” (出家) significam “sair do lar”. Assim, “shukke tokudo” significa “obter a travessia, saindo do lar, deixando os laços familiares”, enquanto que o “zaike tokudo” significa “obter a travessia, ficando no lar”.

Representa uma mudança na prioridade da vida do indivíduo. E qual é esta nova prioridade?

Tenho ouvido muitas pessoas afirmarem que a prioridade do monge deve ser o “servir os outros” ou “servir o Darma”. Tenho visto muitas pessoas buscarem a ordenação “para se tornar alguém”, “para ganhar um título, uma posição social”, “para salvar pessoas”. Tudo isto pode ser muito bonito – e certamente não diria que estaria completamente errado. Mas, se ao iniciar o caminho, o novo monge-noviço pensa demais em “servir os outros”, ele corre o risco de perder o foco correto e desviar a sua prática, por estar assumindo responsabilidades demais e envolvendo-se com tentativas de “servir os outros” cedo demais, antes de realmente estar corretamente preparado para isto. Neste processo, desvia a atenção do seu interior e a busca da realização de sua Natureza Buda e pode até acabar usando os ensinamentos budistas, mal-interpretados, para justificar e reforçar comportamentos neuróticos. Quantos bons candidatos acabam se perdendo nos jogos do ego condicionado nestas horas.

Quando pesquisamos os sutras clássicos e os ensinamentos de Mestre Dogen, a mensagem é muito clara: nós nos ordenamos monges para buscar a nossa própria iluminação, por um caminho mais fácil que o caminho do praticante leigo, com as suas preocupações com a família e o trabalho profissional. A iluminação é a prioridade do monge-noviço. Isto é verdade, mesmo na tradição Mahayana, com os Quatro Votos dos Bodisatva - servir e libertar os outros vem depois – depois que tenhamos atingidos algum nível de realização, depois da nossa própria libertação (mesmo que parcial), depois que tenhamos condições de servir os outros com Sabedoria e Compaixão – e a confirmação deste fato por parte dos nossos professores. Primeiro, temos que nos preparar adequadamente. (Copiado de http://monjaisshin.wordpress.com/2008/10/31/qual-o-significado-de-shukke-tokudo/ leia a íntegra do artigo de Monja Isshin no blog, clique no link abaixo)
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