Mostrando postagens com marcador ordenação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ordenação. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Preceitos (parte 02)




Quando o aluno faz o rakusu, ele faz dezesseis preceitos. Quando o Monge entra no mosteiro, são 254 regras que foram sendo agregadas com o tempo. Algumas são até de provocar riso. Exemplo: quando atravessar uma aldeia não se pode ficar falando em voz alta. Pode-se falar com mulheres, mas sem mostrar os dentes, e assim por diante. Foram acontecendo problemas, e cada vez que acontecia um problema, criava-se uma nova regra.

Os preceitos existem para nos dizer que não basta meditação para ter uma vida moral. Agora, se você praticar a meditação suficientemente para ter lucidez e clareza, não se precisa mais de preceitos, pois você saberá como agir, e todos os preceitos estarão abrangidos.

Por que não se pode mostrar os dentes quando se conversa com uma mulher? Decerto alguma mulher reclamou que algum monge foi muito simpático com ela; ela se apaixonou por ele e criou-se um problema, de modo que um Mestre foi lá e criou essa regra. Estas regras podem ser alteradas segundo a necessidade - foi o que o próprio Buda recomendou.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Ordenação de Rikidô San em Florianópolis

Ordenação monástica de César Maximiano Duarte, agora monge Daishi Rikidô, no Daissen Ji de Florianópolis.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

MONGE GENSHÔ VOLTA DO TREINAMENTO NO JAPÃO

Pergunta: O senhor podia explicar mais o ponto de vista budista sobre o carma?

Monge Genshô: "karma" literalmente quer dizer “ação” em sânscrito, e "karma vipaka" quer dizer “frutos da ação”. Todo tempo você está produzindo carma quando está agindo. Você pensa, fala, age, produz carma. E consequências advirão daí. Então, toda moral budista é construída em cima da ideia de quais são as consequências, do que vai acontecer a partir desta sua ação. É isto. Claro que nós podemos falar horas sobre o carma, mas em essência é isso. O que nós estamos falando é: não tem um deus castigando, nem premiando. Não tem ninguém vigiando você, não tem um anjo da guarda protegendo você, não tem demônios tentando você, mas tem a sua mente e as suas ações. Você caminha sob o chão que você constrói com suas ações. Isto é muito maior do que a gente pensa. Muito!

Eu fico sempre espantado com o que pode acontecer com pequenos atos. Porque eu estava viajando com Saikawa Roshi, mostrando as sanghas pra ele, ele olhou pra mim e disse assim: “você devia ser monge!”, e eu: “ah mas eu não estou tão interessado nessas coisas, eu não gosto de rituais...” E ele disse: “você está enganado. Rituais e cerimônias criam energia pras sanghas e as pessoas vêm e se solidificam por causa disso. Você está enganado, você devia ser monge.” 

Aí eu, cheio de respeito por ele, pensando, “bom agora começa aquele processo todo, vai levar uns dois anos até ele realmente me confirmar, nós nos conhecemos a uma semana...etc.

E então eu perguntei: “e quando seria isso”? E ele disse: “Hoje de noite! Quando nós chegarmos em Florianópolis você reúne a sangha e eu vou ordenar você. Instant decision!” (decisão instantânea).

E porque ele disse “essa frase”, vocês estão aqui. Teve gente viajando desde Goiânia, Uberlândia, Guaratinguetá, e estão aqui. Vocês estão aqui porque ele disse "aquela frase". Então uma frase, uma palavra, pode criar MUITO carma, muitas consequências. As consequências estão aí. Nós temos vinte grupos Zen no Brasil. Isso já é um sangha significativa. E aonde vai terminar isso? Como será isso daqui a cinquenta anos? Eu não sei, nem vou estar aqui pra ver, mas alguns vão estar. Nós muitas  vezes subestimamos uma frase que a gente diz, por isso nós deveríamos ser muito cuidados com o que nós fazemos, com o que nós desencadeamos. Porque uma frase, uma atitude, uma ação pode mudar o mundo inteiro. Então quando você olha o Mestre pequenino lá, a frase dele tem muito poder e pode fazer muita mudança.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Ordenação de Celso Marques em P. Alegre

No novo zendô que ofereceu à comunidade zen budista, foi ordenado monge noviço, no dia 22 de dezembro, o Prof. Celso Marques. Seikaku San, seu nome monástico, dado por Saikawa Roshi, é meu conhecido de longa data, nos encontramos ainda no início dos anos 70 quando o zen passou a ser praticado em Porto Alegre. Um pioneiro da prática budista portanto, Seikaku San hoje com 71 anos, foi professor de filosofia na UFRGS, tendo acumulado uma biblioteca de 8 000 volumes, esta coleção, com grande presença de edições budistas em várias línguas , é uma preciosidade  que ficará disponível através de uma ONG para consulta e estudo dentro de instalações preparadas para tal neste novo zendô.
Foi uma honra ser "padrinho" desta ordenação dada amizade de mais de 40 anos que nutrimos, estiveram presentes 9 monges a cerimônia, entre os quais se destacam Isshin Sensei, Dengaku San,
e o Prof. Joaquim Monteiro, acompanhados de suas respectivas Sanghas.
Na foto o grupo de monges presentes no zendô ao fim da cerimônia de ordenação.


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Ordenação Gen Ai Jikihô

Próximo a Florianópolis, a Comunidade Budista do  Daissen Ji assistiu a ordenação monástica de Bia Gonzaga e realizou uma confraternização de fim de ano. Com seus cabelos raspados logo antes da cerimônia, Bia recebeu o nome de noviça de Gen Ai Jikihô, a primeira letra Gen é idêntica ao nome de seu professor Genshô e significa "profundo" Ai significa "amor". Até o final de janeiro deverá estar embarcando para o Japão a fim de permanecer algum tempo no mosteiro de Kasuisai em treinamento, durante os primeiros 3 meses estará incomunicável. O oficiante da cerimônia foi o Grande Mestre Saikawa Roshi, Superior Geral do Zen Soto para a América do Sul.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Bia Jikihô: vou ser monja

                     Bia Jikihô escreveu por ela e por Chudô San, vamos ajuda-los?  Genshô.

Querida Sangha,

É com muita alegria que informamos que Chūdō san (Ápio RIcci) e Jikihō (Bia Gonzaga) ganharam bolsas para treinar em mosteiros no Japão no próximo ano. Ele, já ordenado, segue para Sojiji-soin, na Península Noto, zona costeira da Província de Ishikawa, com vista para o Mar do Japão. Jikiho san, ainda postulante, será ordenada monja noviça em 21 de dezembro. Seu treinamento será no templo Kasuisai, situado na bela e virente zona rural de Fukuroi, no Oeste da Prefeitura de Shizuoka.

O treinamento monástico é um importante período de desenvolvimento espiritual e pessoal, mas é, ou deve ser, principalmente, um período de tempo e esforço dedicados à sangha*. Com os estudos, eles poderão servir ao desenvolvimento das nossas comunidades e do budismo no Brasil.

A sangha*, amigos e familiares podem participar desse momento, com o exercício de generosidade e gratidão, pela prática de Dana** (Generosidade, Doação, Apoio). Para tanto, pedimos a todos ajuda financeira para a viagem. O valor necessário ultrapassa R$10.000,00 para passagens áereas e terrestres de ida até os templos e a estadia em Tóquio, onde ficarão por alguns dias para a compra dos itens necessários não encontrados no Brasil. O tempo de estadia e estudo nos mosteiros será custeado pela Soto Shu. Unindo-nos no esforço da doação é possível que consigamos arrecadar o montante. Qualquer valor é bem-vindo; cada um sabe com quanto pode contribuir, de acordo com suas condições, sendo que as doações podem ser anônimas. Abaixo seguem as contas disponíveis e também o link para doações que podem ser parcelados no cartão de crédito. Também podem ser feitas doações em espécie, dentro de envelopes, na CZBF.

Doações anônimas:
Titular: Gabriela Gonzaga Santos
Banco: 033 - Santander
Agência: 4287
C/C: 10018171
CPF: 006.916.569-67

Doações feitas através da conta da Sangha podem ser feitas, mas precisam ser identificadas com o envio de email para centrozenfloripa@gmail.com informando o valor e a data do depósito.
Instituto Educacional Todatsu
CNPJ 04.189.002/0001-21
Banco do Brasil (001)
AG 4550-0
CC 5709-6

Clicando AQUI você pode fazer doações com boleto bancário, cartões de débito ou crédito parcelado em até 12X.

*Reunião de praticantes e/ou monges
** O exercício de Dana (Generosidade, Doação, Apoio), na tradição buddhista, representa essencialmente a ação consciente e atenta de ajuda e contribuição (seja material, de tempo ou outras) para que o Dharma possa ser estudado e exercido sob condições úteis e abrangentes a todos. Em Dana temos não somente a ação de ajuda e proteção (física, psicológica ou social) a pessoas em necessidade, mas também a ação justa e honesta para que o Dharma seja divulgado sob as bases tradicionais da ética buddhista, na forma e apoio às instituições e seu corpo monástico ou dos centros e espaços de prática. (Colegiado Budista Brasileiro)

Desde já agradecemos ao apoio, ao incentivo e ao companherismo de todos. Se não fosse pela prática de vocês, pela força de nossa sangha, nada disso estaria acontecendo. Que todos possam se beneficiar. /\

No Dharma,

Gassho /\

Monge Genshō, Chūdō e Jikihō

sábado, 22 de dezembro de 2012

Ordenações monásticas no Zen



Foto do final da ordenação de monges Chudô ( Ápio Ricci, primeiro à frente da direita para a esquerda) ) e Kômyô ( Claudio Miklos, segundo à frente da direita para a esquerda) ) no Templo Busshinji, na frente destaca-se em uma cadeira Rev.Prof.Dr. Ricardo Mário Gonçalves o mais antigo monge brasileiro em atividade, Presidente do Conselho do Colegiado Buddhista Brasileiro e autor dos primeiros textos de divulgação do budismo no Brasil. Ao centro, o oficiante, o Superior Geral da América do Sul, Saikawa Roshi, o mestre zen do despertar que revolucionou o zen no país com suas iniciativas. Atrás à, direita, escondido em uma camiseta azul, o postulante a Monge Shin e diretor do Colegiado Buddhista Brasileiro, Mauricio Ghigonetto, que honrou a cerimônia com sua presença.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O Kesa


Saikawa Roshi entrega o Kesa ao noviço na cerimônia de ordenação monástica.

5. O Estado de Espírito

Da mesma maneira que o Buddha usou tecidos os mais vis para fazer uma vestimenta nobre, quando você se decidir a começar um Kesa, o tecido que você comprar já é um Kesa. Respeite-o assim como mais tarde você respeitará o Kesa que você usará.

Quando estiver costurando o Kesa não o deixe pelo chão. Procure colocá-lo em lugar apropriado e alto. Sobretudo, quando você começar um Kesa, guarde-o sempre presente em vosso espírito. Não espere anos para usá-lo. Mantenha-se concentrado nele mesmo que no início a tarefa pareça árdua e difícil.


O Ponto

Quando se começa um Rakusu ou um Kesa, é bom treinar um pouco a fim de bem compreender o ponto.

Tome um pedaço do tecido e trace uma linha a giz. Enfie a agulha no avesso do tecido e puxe-a acima da linha. Depois torne a enfiar atrás, à direita ligeiramente um pouco abaixo (debaixo da linha) a um ou dois milímetros. Puxe a linha com flexibilidade fazendo um ponto e não um traço. A distância entre os pontos é de um a cinco milímetros.


“O ponto deve ser o menor possível, mas não é preciso que ele se torne decorativo. O importante é costurar a si mesmo. Não se preocupe se o ponto saiu bom ou ruim”.
Kodo Sawaki, Livro do Kesa

Para costurar as partes dobradas (segunda costura) ou as molduras não faça traço a giz, mas costure diretamente de um a dois milímetros da borda.


Os nós de arremates

Sobre o Rakusu ou Kesa não se deve ver nós, mas se não se fizer uso de nós a costura pode desfazer-se rapidamente. O melhor a fazer é esconder o arremate no interior do tecido passando o ponto duas vezes sobre o mesmo lugar.

Mestre Deshimaru dizia que o avesso deve ser tão belo quanto o lado direito porque este reflete o nosso espírito.


Fonte: Grands Classiques Zen – Lê Livre Du Kesa. Traduit e commenté par maître Taisen Deshimaru. Paris.

Tradução: Álvaro Leonel da Cunha

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Kechimyaku



Na ordenação monástica o noviço recebe um documento, o Kechimyaku, a ser guardado cuidadosamente, e que só deve ser exposto como cópia, no qual consta a sua linhagem simbólica, desde os dias de hoje até Shakyamuni Buda, no caso presente 93 nomes, percorrendo quase 2 600 anos de história da transmissão do zen.
Na foto Saikawa Roshi e e o noviço Tokushi San, em ordenação monástica em Florianópolis.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Unsui - o início do caminho monástico



Monja Isshin, escreve em seu blog sobre os noviços na escola Soto Zen, íntegra aqui.
...........
"Neste momento, tornaram-se “unsui” (雲水, nuvem-água), que significa um ser que vai indo e vindo com a leveza da nuvem sem estar preso a nada ou ninguém, com a fluidez da água que se adapta a qualquer recipiente mas que tem a força de vencer qualquer rocha.

Estão na fase inicial de suas trajetórias como “unsui”, na graduação de “jôza”, que pode ser traduzido aproximadamente como “noviço”. Nesta fase, o “unsui” é um estudante-de-monge, que no Japão não teria qualquer autoridade para ensinar, orientar, coordenar – ou até nem mesmo permissão de aparecer para o público em geral. É a fase de “cale a boca e limpe o chão” – uma fase de valor inestimável no nosso treinamento.

Aqui no Ocidente e especialmente no Brasil, infelizmente, a situação é bem diferente. Poucos alunos neste país têm a oportunidade de ter uma convivência direta e constante com os seus professores. Acabam sendo “alunos à distância”, com poucas oportunidades de estar na companhia do professor. Acho isto muito triste, pois representa obstáculos enormes, quase intransponíveis, ao desenvolvimento da compreensão do Darma e prática corretas destes alunos. Muitos noviços brasileiros arcam com responsabilidades demais, cedo demais – até liderando grupos de prática, supervisionando aulas do Darma ou workshops de prática – quando na verdade são “estudantes” eles mesmos.

................................
Como ‘unsui’ (monges-em-treinamento), eles devem passar pelas etapas de monge-noviço (jôza), líder dos noviços (shuso, quando é realizado o Hossenshiki – Cerimônia de Combate ao Darma) e monge-aprendiz (zagen), até finalmente completar o seu treinamento, se tornando monge plenamente formado (oshô, recebendo Shihô, Transmissão do Darma, a ordenação superior).

É uma caminhada longa que, às vezes, pode ser bastante difícil. Desejo aos meus “sobrinhos do Darma” muita Paz e Tranqüilidade nas suas jornadas e ofereço toda a minha solidariedade. Que possam atingir a Libertação do Sofrimento, o Nirvana, como ensinado pelo Buda."
..............

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Shura



"Este resto de cabelo chama-se Shura, somente um Buda pode removê-lo, você me autoriza a raspa-lo?"

Na cerimônia de ordenação um pequeno trecho de cabelo resta intocado, o mestre o raspa depois de pedir licença três vêzes, o resíduo é guardado como uma lembrança dos votos que o postulante faz para ser declarado noviço.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Ordenação monástica feminina no budismo



P: Qual o motivo da predominância masculina no budismo?

1) Nos tempos de Buda, foram admitidas as mulheres na ordem e ordenadas monjas, sendo pacífico não haver distinção entre mulheres e homens na capacidade de alcançar a iluminação. Embora seja fácil achar passagens sexistas em textos, a tese budista da igualdade dos seres não encoraja esta posição.
ex:
"A primeira monja foi Prajāpati. Khemā era a monja com mais sabedoria. Entre as monjas com mais poderes sobrenaturais, Uppalavannā era a maior. Nas regras de disciplina, Patacāra era a maior. Dhammadinnā era a maior na exposição dos ensinamentos. Em poderes meditativos, Nandā Sāvikā era a maior. Sonā era a maior no esforço. Em clarividência, Sakulā era a maior. Bhaddā Kundalakesā foi a mais rápida a atingir a realização. Bhaddā Kapilāni era a maior na lembraça de vidas passadas. Nos grandes poderes sobrenaturais, Bhaddā Kaccāna era a maior. Entre as que atingiram o poder superior, Kisāgotamī era a maior. Sigālamāta era a maior em devoção." (Dharmanet)

2) Criou-se uma linhagem de ordenação feminina, sendo sua primeira matriarca a tia de Buda, sua mãe adotiva. Esta linhagem foi prosseguindo até o sec 13 quando a invasão muçulmana que praticamente extinguiu o budismo na Índia deixou a sucessão feminina interrompida. Não sobreviveram mulheres que pudessem prosseguir a linhagem. Muitas linhagens masculinas também se extinguiram com o tempo, mas sobreviveram suficientes para o prosseguimento do budismo de ordenação em linha contínua até Buda.

3) Dois comportamentos então sucederam: escolas que daí em diante só ordenaram homens nas linhagens masculinas, tais como as do sul da Ásia, ficando as mulheres sem esta possibilidade, e escolas que passaram a ordenar mulheres em linhagens e com mestres homens tal como sucede com o zen até hoje.

4) O motivo da predominância masculina no budismo deve ser encontrável nas mesmas origens do que sucede nas atividades humanas normais,.(composição musical, pintura, matemática, filosofia etc...) sendo que no momento presente, no ocidente já encontramos mais mulheres ensinando o zen e famosas como mestras do que homens.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mais um monge brasileiro: Pháp Giang


Mestre Thich Nhat Hanh do budismo zen vietnamita, (chamado Thien no Vietnam).
Notícia sobre a primeira ordenação brasileira desta escola budista.

No dia 21 de novembro de 2009 fui ordenado como monge noviço em Plum Village, França, na tradição do ven. Thich Nhat Hanh. A cerimônia foi simples e leve, entremeada por pequenos descuidos que a tornaram mais leve e bem humorada ainda. sei que para os europeus isso soa estranho, por que eles adoram atividades muito formais e sem a presença do acaso, mas para nós, brasileiros, tudo isso é muito bem
vindo e me faz sentir mais em casa ainda...

Fui ordenado com mais dez amigos (seis homens e quatro mulheres, um do Canadá, dois da França, um estadunidense, dois vietnamitas, uma japonesa, uma holandesa, um alemão e uma chinesa - e eu do Brasil), no mesmo dia, vinte vietnamitas foram ordenados via internet.
Thay deu a essa família o nome de Lótus Cor-de-Rosa (já houve famílias com o nome de Lótus Branca e Lótus Dourada).
Essa família tem algumas características especiais, como diversidade de países e a idade (a maioria se situa na faixa dos 30 a 40 anos, um pouco velha para o costume).

Apesar dos muitos altos e baixos durante o período de aspirante, estou feliz com a minha escolha. Plum Village ainda é marcadamente européia, norte-americana e asiática, então espero tornar mais estreita a ligação entre Plum Village e o Brasil e a América Latina e enriquecer a diversidade cultural que é a marca dessa tradição.
Gostaria de destacar dois fatos que considero sintomáticos:

O primeiro foi que o monge responsável pela distribuição das roupas não sabia meu nome e como eu não estava no quarto na hora em que ele trouxe o meu hábito de aspirante, ele apenas escreveu num pedaço de papel "Brazil". Como único brasileiro e latino-americano desta comunidade senti nesse momento o peso da minha escolha e o impacto dessa escolha na vida da comunidade e, talvez, alguma expectativa também deles em relação a mim. Mas, é claro, uma das práticas aqui é não ter expectativas...

O segundo foi durante a ordenação, quando Thay pronunciou o meu nome de dharma monástico, Pháp Giang. Para os que não sabem 'Pháp' em sino-vietnamita quer dizer 'Dharma' (e em vietnamita moderno quer dizer França) e 'Giang'(pronuncia-se aproximadamente como Young em inglês, ou iang) significa 'Rio' - ou seja, Rio de Dharma. Para mim foi uma grande e agradável surpresa. Tendo vivido na Amazônia por muitos anos, quando ele disse esse nome, senti o rio Amazonas correr dentro de mim e me senti realmente como um rio. Mas sei que é um desafio ser realmente um rio, como nas metáforas que o Buda usou para expressar algo que a tudo abraça e a tudo transforma.

Interessante também ver que recebi o meu sanghati, hábito para grandes cerimônias formais, de um monge theravada da Tailândia, T. Pittaya, e que agora mora em Plum Village permanentemente. O Ricardo Sasaki sabe o quanto tenho apreço pelo budismo theravada e o quanto aprecio que o budismo praticado em Plum Village tenha uma mistura interessante com essa tradição, então foi com muito bom gosto que recebi de suas mãos.

Nesse período em que permaneci aspirante aprendi a duras penas a largar minha expectativas em relação a mim e em relação à comunidade e a não tentar pensar demais se serei um bom monge ou mesmo se serei um monge por toda vida...o que importa é o presente e no presente farei o melhor possível para mim e utilizando os elementos da nossa cultura para expressar esse melhor - não posso esquecer, e isso não é possível, que sou um monge cearense, de Quixeramobim, a maior parte de minhas raízes
está lá, trago dentro de mim o mandacaru e suas flores, a seca, a caatinga, a esperança de chuva, minha fala nordestina e muitos maneirismos dos meninos do interior do sertão e isso será, provavelmente, minha contribuição à diversidade cultural de Plum Village.

Agradeço a todos e todas que torceram por mim, direta ou indiretamente, ou que simplesmente se alegraram por saber que há um pedaço de Brasil nesta grande comunidade.

Samuel / Pháp Giang

sábado, 9 de maio de 2009

Nomes do Dharma


P: Como se dá a escolha dos nomes que os monges passam a usar após as ordenações, e os leigos depois de investiduras e votos?

R: No Zen, a ênfase na obtenção do nome é particular. Ela implica uma definição de aceitação do doador do nome como mestre do aluno nomeado. Dessa forma, é necessário que tanto mestre, quanto discípulo estejam certos de que devem aceitar um ao outro.

No Zen Budismo, o nome de praticante só é dado depois de um razoável tempo de prática. O aluno tem de fazer um objeto especial, (rakusu, foto acima), muito trabalhoso para costurar, uma peça que será carregada ao pescoço com inscrições feitas pelo mestre e com o seu nome de praticante.

Não basta pedir para ter um nome, é preciso que o professor entenda que o aluno está maduro para recebê-lo e assumir os compromissos de portador. É fácil receber uma recusa e a próxima oportunidade demora normalmente um ano em minha linhagem. Assumir um nome sem estar preparado pode ser simplesmente um mau caminho.

O monge não perde seu nome de praticante, que tem duas sílabas, e ganha mais um nome. Então, seu nome completo terá quatro sílabas. O Mestre Zen pensa muito sobre o nome que vai dar. Vi um mestre passar três dias pensando sobre o nome adequado para uma pessoa. O nome indica caminhos de realização e traça um rumo. A responsabilidade de dar e portar um nome no Dharma é muito grande.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Monja Jishun


Na tarde de domingo, dia 3 de maio, a Sra. Haruko foi ordenada pelo Monge Jiten, Haruko San já vem ajudando um grupo de interessados a praticar meditação no Templo de Rolândia, no Paraná. Recebeu o nome monástico de Jishun. Na foto aparece com a típica cabeça raspada dos que optam por abdicar da vaidade e dedicar-se prioritariamente ao Dharma, com membros do templo e amigos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Ordenação de Rui Ikkô



Com o nome monástico de Tai Zui Ikô (Monge Ikô), foi ordenado como noviço na ordem Soto Zen, o líder do grupo zen de Campina Grande, Paraíba, Rui Ikô. A ordenação foi feita por Monja Coen ao final do Rohatsu Sesshin em São Paulo. Noviços preparados, regularmente ordenados segundo as tradições, com seus crânios raspados como Ikô San, dão ao budismo zen a esperança de florescimento e propagação do Dharma sem que este enfraqueça.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O que é a ordenação monástica no zen


Qual o Significado de Shukke Tokudo?

A Cerimônia da Ordenação Monástica Soto Zen, Shukke Tokudo (出家得度), representa o momento quando um praticante leigo torna-se monge-noviço ou monja-noviça (Jôza 上座) e entra na primeira fase de seu treinamento, se preparando para cumprir o papel social de sacerdote.

Mas qual o significado de Shukke Tokudo? Para que alguém torna-se monge?

Os ideogramas chineses (kanjis) para “tokudo” (得度) significam “obter a travessia”, ou “entrar no caminho para a outra margem” – a travessia para a outra margem, que é a Iluminação, e os kanjis para “shukke” (出家) significam “sair do lar”. Assim, “shukke tokudo” significa “obter a travessia, saindo do lar, deixando os laços familiares”, enquanto que o “zaike tokudo” significa “obter a travessia, ficando no lar”.

Representa uma mudança na prioridade da vida do indivíduo. E qual é esta nova prioridade?

Tenho ouvido muitas pessoas afirmarem que a prioridade do monge deve ser o “servir os outros” ou “servir o Darma”. Tenho visto muitas pessoas buscarem a ordenação “para se tornar alguém”, “para ganhar um título, uma posição social”, “para salvar pessoas”. Tudo isto pode ser muito bonito – e certamente não diria que estaria completamente errado. Mas, se ao iniciar o caminho, o novo monge-noviço pensa demais em “servir os outros”, ele corre o risco de perder o foco correto e desviar a sua prática, por estar assumindo responsabilidades demais e envolvendo-se com tentativas de “servir os outros” cedo demais, antes de realmente estar corretamente preparado para isto. Neste processo, desvia a atenção do seu interior e a busca da realização de sua Natureza Buda e pode até acabar usando os ensinamentos budistas, mal-interpretados, para justificar e reforçar comportamentos neuróticos. Quantos bons candidatos acabam se perdendo nos jogos do ego condicionado nestas horas.

Quando pesquisamos os sutras clássicos e os ensinamentos de Mestre Dogen, a mensagem é muito clara: nós nos ordenamos monges para buscar a nossa própria iluminação, por um caminho mais fácil que o caminho do praticante leigo, com as suas preocupações com a família e o trabalho profissional. A iluminação é a prioridade do monge-noviço. Isto é verdade, mesmo na tradição Mahayana, com os Quatro Votos dos Bodisatva - servir e libertar os outros vem depois – depois que tenhamos atingidos algum nível de realização, depois da nossa própria libertação (mesmo que parcial), depois que tenhamos condições de servir os outros com Sabedoria e Compaixão – e a confirmação deste fato por parte dos nossos professores. Primeiro, temos que nos preparar adequadamente. (Copiado de http://monjaisshin.wordpress.com/2008/10/31/qual-o-significado-de-shukke-tokudo/ leia a íntegra do artigo de Monja Isshin no blog, clique no link abaixo)
....................

Mais aqui

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Quais são as graduações dos monges?


Foto em Ryumonji, com mantos pretos noviços e monges aprendizes, com um manto verde o abade, com mantos amarelos monges plenos, ao centro um Roshi, com um koromo marrom abaixo do manto amarelo.


Boa pergunta, pois algumas pessoas me escreveram entendendo que o Hossenshiki, ainda raro em nosso meio, dá alguma graduação especial, não é o caso, explico as graduações iniciais na escola Soto Zen abaixo, com a ajuda de texto de Monja Isshin e de Coen Sensei:

Monges-noviços (jôza), possui um registro mas é um registro provisório que depende de completar um período mínimo de treinamento monástico. Na realidade, é um estudante. Não pode oficiar cerimônias, exceto em casos especiais com licença expressa. Usa um manto preto.

Monges-aprendizes" (zagen) noviço que completou o período de shuso (monge líder), faz a cerimônia de Hossenshiki, passa a ter o registro permanente como "unsui" - "monge-em-treinamento" mas não é reconhecido como "monge plenamente formado". Oficia algumas cerimônias substituindo monges plenamente formados no caso de necessidade. Continua com o manto preto.

Monges plenamente formados" (oshô) - depois da Transmissão do Darma, cerimônia em que se reconhece alguma realização espiritual, o monge pode fazer a cerimônia de Zuisse, em que homenageia os ancestrais patriarcas da ordem nos templos sede Eiheiji e Sojiji. É somente nestas cerimônias que a escola dá o seu reconhecimento formal ao monge, o novo membro da escola. Então passa a usar um manto amarelo.

Depois disto, há diferentes niveis de qualificação: monge formado, abade de um templo, abade de um mosteiro, Professor, Roshi (velho mestre) etc...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Ordenação de Meiyo San, de Santiago do Chile




No sesshin aberto de Florianópolis foi ordenado por Saikawa Roshi, como monge noviço, Pedro Perez Vargas. Monge Meiyo havia sido ordenado (privadamente, por um mestre europeu) na Suíça e agora tem seu registro oficial, é um excelente praticante com experiência em vários centros zen da Europa.
Na foto Handa Sama segura seu rakussu enquanto Saikawa Roshi lhe entrega seu manto de monge, o Kesa.

Monge Meiyo tem uma excelente educação européia, fala fluentemente 6 idiomas: romeno, alemão, espanhol, holandês,inglês e francês, é um excelente amigo, afável e com uma inteligência aguda. Na vida profana é um executivo de sucesso que já trabalhou em vários países.
Mais fotos da ordenação aqui

quarta-feira, 25 de junho de 2008

O Zen ordena mulheres? Elas são iguais aos homens no budismo?


Monja Zen: Bhikshuni Nandabala

Bem, vamos comentar alguns fatos sobre a ordenação feminina:

1) Nos tempos de Buda, foram admitidas as mulheres na ordem e ordenadas monjas, sendo pacífico não haver distinção entre mulheres e homens na capacidade de alcançar a iluminação. Embora seja fácil achar passagens sexistas em textos, a tese budista da igualdade dos seres não encoraja esta posição.
ex:
"A primeira monja foi Prajāpati. Khemā era a monja com mais sabedoria. Entre as monjas com mais poderes sobrenaturais, Uppalavannā era a maior. Nas regras de disciplina, Patacāra era a maior. Dhammadinnā era a maior na exposição dos ensinamentos. Em poderes meditativos, Nandā Sāvikā era a maior. Sonā era a maior no esforço. Em clarividência, Sakulā era a maior. Bhaddā Kundalakesā foi a mais rápida a atingir a realização. Bhaddā Kapilāni era a maior na lembraça de vidas passadas. Nos grandes poderes sobrenaturais, Bhaddā Kaccāna era a maior. Entre as que atingiram o poder superior, Kisāgotamī era a maior. Sigālamāta era a maior em devoção." (Dharmanet)

2) Criou-se uma linhagem de ordenação feminina, sendo sua primeira matriarca a tia de Buda, sua mãe adotiva. Esta linhagem foi prosseguindo até o sec 13 quando a invasão muçulmana que praticamente extinguiu o budismo na Índia deixou a sucessão feminina interrompida. Não sobreviveram mulheres que pudessem prosseguir a linhagem. Muitas linhagens masculinas também se extinguiram com o tempo, mas sobreviveram suficientes para o prosseguimento do budismo de ordenação em linha contínua até Buda.

3) Dois comportamentos então sucederam: escolas que daí em diante só ordenaram homens nas linhagens masculinas, tais como as do sul da Ásia, ficando as mulheres sem esta possibilidade, e escolas que passaram a ordenar mulheres em linhagens e com mestres homens tal como sucede com o zen até hoje.

4) O motivo da predominância masculina no budismo deve ser encontrável nas mesmas origens do que sucede nas atividades humanas normais,.(composição musical, pintura, matemática, filosofia etc...) sendo que no momento presente, no ocidente já encontramos mais mulheres ensinando o zen e famosas como mestras do que homens.