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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Apreciar a quietude



" Apreciar a quietude é o terceiro. Isso significa viver uma vida solitária separado de todas as perturbações mundanas." Essa era a recomendação dele para os monges. Como o postulante pretende ser monge, isso significa para ele toda uma opção. O mestre fica esperando que ele desista, então vai sempre adiando, “primeiro você acaba a faculdade, depois a gente conversa”, e espera uns quatro anos para ver se ele é realmente capaz de viver uma vida separada de todas as perturbações mundanas. Essa prática do sesshin é feita uma vez por mês, durante alguns dias, nos mosteiros Zen, nas outras semanas acontecem meditações pela manhã e a noite e o resto do dia é preenchido com trabalho. Dia sem trabalho não tem comida. O feriado é a semana de sesshin.

"Buda disse, “Praticantes, se vocês desejam desfrutar o silêncio e a felicidade do nirvana, vocês deveriam deixar o clamor para trás viver sem barulho em um local solitário. As pessoas que vivem nos lugares quietos são respeitadas pelos deuses, por isso vocês deveriam abandonar seu eu e aos outros e viverem sozinhos, dessa maneira eliminando a raiz do sofrimento. Aqueles que gostam de multidões são perturbados por elas e sofrerão seus aborrecimentos, da mesma forma que uma árvore seca quebra quando muitos pássaros pousam sobre seus galhos. Laços e apegos mundanos os afundam em um mar de dores, como um velho elefante atolado em um lamaçal. " Assim como no tópico anterior, treinamos a satisfação, no sesshin, recebendo coisa muito simples e tendo que nos satisfazer com elas, tendo que suportar o desconforto de muitas horas de meditação, também ficamos isolados dos outros, por isso nunca é demais insistir sobre o voto de silêncio. Sempre considere antes de falar: - É necessário? Precisava mesmo fazer esse comentário? Temos que treinar falar o necessário e aprender na vida a cortar a fala inútil, que é um dos maiores problemas.

A fala inútil é um dos maiores problemas do treinamento do praticante Zen. Vocês podem observar que o numero de atritos em um sesshin é imensamente menor com o voto de silêncio. Se no sesshin fosse liberado o voto se silêncio, certamente alguém diria algo que ofenderia outras pessoas, ou faria uma observação que desagradaria alguém, ou falaria demais e perturbaria, já é demais tudo que pensamos, quando falamos tudo se potencializa.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Ordenações monásticas no Zen



Foto do final da ordenação de monges Chudô ( Ápio Ricci, primeiro à frente da direita para a esquerda) ) e Kômyô ( Claudio Miklos, segundo à frente da direita para a esquerda) ) no Templo Busshinji, na frente destaca-se em uma cadeira Rev.Prof.Dr. Ricardo Mário Gonçalves o mais antigo monge brasileiro em atividade, Presidente do Conselho do Colegiado Buddhista Brasileiro e autor dos primeiros textos de divulgação do budismo no Brasil. Ao centro, o oficiante, o Superior Geral da América do Sul, Saikawa Roshi, o mestre zen do despertar que revolucionou o zen no país com suas iniciativas. Atrás à, direita, escondido em uma camiseta azul, o postulante a Monge Shin e diretor do Colegiado Buddhista Brasileiro, Mauricio Ghigonetto, que honrou a cerimônia com sua presença.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A justificação



Pergunta – Existe algum tipo de prática para durante o dia, com os olhos abertos?

Monge Genshô – Durante o dia? Claro. Experimente andar na praça durante o dia e olhar para as árvores e entre em samadhi ( concentração). Por que não? Existem muitas oportunidades de prática durante o dia para samadhi, para olhar para sua mente. Você precisa observar sua mente. Por que eu agi dessa forma? Qual o sentimento que me leva a agir dessa forma quando alguém me diz alguma coisa? O que me leva a justificar-me constantemente? Por que as pessoas fazem isso? Por exemplo, uma pessoa escorrega e quase cai. O que acontece? A reação, em geral é: “Ah, mas esse chão molhado, sem uma placa!”, ou “Ah, essa calçada mal feita!”. A culpa é sempre dos outros, nunca é você que não prestou atenção ao chão molhado e não caminhou mais cuidadosamente. Sempre nos justificamos e culpamos os outros. Isso, nos mosteiros, é facilmente aprendido, pois nenhuma justificativa é permitida.

 A justificativa é sempre a defesa do ego, mesmo que você tenha razão. No mosteiro, se você for repreendido injustamente, você simplesmente diz: “hai”, ou seja, “sim”, mesmo que o autor do erro tenha sido outra pessoa. Ser capaz de fazer isso sem se justificar, aceitar toda a injustiça, isso é realmente importante, mas é muito difícil. Para fazê-lo, é necessário esquecer-se de si mesmo. Enquanto eu quiser defender meu ego, minha vaidade e minha imagem, o prêmio se justifica. Por isso, é admirável quando uma pessoa, tendo algo de errado acontecido, chama para si a responsabilidade, assumindo a culpa - embora a gente saiba que a culpa não é só dela, pois existe todo um grupo na execução da tarefa. Ao assumir a culpa, ela encerra a discussão, pois não existem motivos para continuar a conversa. Se existe a justificativa, existirá a réplica e também a tréplica, e todo o carma continua. 

Então, quando a gente vê alguém assumir o erro, mesmo não sendo seu, isso é uma grande coisa. Já assisti várias vezes Saikawa Roshi pedir desculpas e assumir algum erro como sendo seu. Uma vez, em minha casa, minha esposa reclamou que eu havia ido para um angô (retiro de meses) e ela teve muitos problemas por ter ficado sozinha. Então Saikawa Roshi baixou a cabeça e lhe disse: “Me desculpe”. 
Ele não tinha culpa alguma, seu trabalho é formar seus discípulos, mas ele viu que havia sofrimento ali.
Ele retira dos outros e assume para si a culpa. Essa é uma demonstração muito importante desse tipo de visão a respeito das coisas. Monges noviços têm dificuldades nesse sentido, pois, sempre que são questionados, tendem a dar explicações ou justificar-se.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Encontro de Monges no Busshinji



Encontro de Treinamento e Reciclagem de Monges – 2010

Foi realizado, de 8 a 12 de novembro, no Templo Busshinji de São Paulo, o “Soryo Kenshû Kai” (Encontro de Treinamento de Monges), sob a orientação do Mestre Saikawa Roshi. Vindo de várias partes do país, dois postulantes e 13 “unsui” (monge-em-treinamento) nas graduações de “jôza” (noviço) e “zagen” (monge-aprendiz) participaram. Houve zazen, práticas de liturgia, aulas, prática de “oryoki” e palestras do darma.
Na foto aparecem dois monges noviços de Florianópolis, Jüshin San e Tokushi San.

(Texto e foto do Blog de Monja Isshin)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Unsui - o início do caminho monástico



Monja Isshin, escreve em seu blog sobre os noviços na escola Soto Zen, íntegra aqui.
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"Neste momento, tornaram-se “unsui” (雲水, nuvem-água), que significa um ser que vai indo e vindo com a leveza da nuvem sem estar preso a nada ou ninguém, com a fluidez da água que se adapta a qualquer recipiente mas que tem a força de vencer qualquer rocha.

Estão na fase inicial de suas trajetórias como “unsui”, na graduação de “jôza”, que pode ser traduzido aproximadamente como “noviço”. Nesta fase, o “unsui” é um estudante-de-monge, que no Japão não teria qualquer autoridade para ensinar, orientar, coordenar – ou até nem mesmo permissão de aparecer para o público em geral. É a fase de “cale a boca e limpe o chão” – uma fase de valor inestimável no nosso treinamento.

Aqui no Ocidente e especialmente no Brasil, infelizmente, a situação é bem diferente. Poucos alunos neste país têm a oportunidade de ter uma convivência direta e constante com os seus professores. Acabam sendo “alunos à distância”, com poucas oportunidades de estar na companhia do professor. Acho isto muito triste, pois representa obstáculos enormes, quase intransponíveis, ao desenvolvimento da compreensão do Darma e prática corretas destes alunos. Muitos noviços brasileiros arcam com responsabilidades demais, cedo demais – até liderando grupos de prática, supervisionando aulas do Darma ou workshops de prática – quando na verdade são “estudantes” eles mesmos.

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Como ‘unsui’ (monges-em-treinamento), eles devem passar pelas etapas de monge-noviço (jôza), líder dos noviços (shuso, quando é realizado o Hossenshiki – Cerimônia de Combate ao Darma) e monge-aprendiz (zagen), até finalmente completar o seu treinamento, se tornando monge plenamente formado (oshô, recebendo Shihô, Transmissão do Darma, a ordenação superior).

É uma caminhada longa que, às vezes, pode ser bastante difícil. Desejo aos meus “sobrinhos do Darma” muita Paz e Tranqüilidade nas suas jornadas e ofereço toda a minha solidariedade. Que possam atingir a Libertação do Sofrimento, o Nirvana, como ensinado pelo Buda."
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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sou meu eu?


Novos monges noviços de Florianópolis e os participantes com rakusus da Sangha, em foto com Saikawa Roshi.

R: Você precisa do seu eu para transitar neste mundo, não tente elimina-lo. Use-o. Apenas quando voltar para casa não imagine que seu eu é você mesmo, ele, como uma roupa, é apenas uma identidade de que você necessita para operar no mundo.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Final de sesshin e novos monges noviços


Clique na imagem para ampliar.

Foto do final do sesshin de inverno, da Comunidade Zen Budista de Florianópolis, com a participação de Saikawa Roshi, autoridade geral do Zen para a América do Sul, no qual foram realizadas as primeiras ordenações de monges noviços alunos de Monge Genshô. Foram eles Shumaia Sodô San, Altair Tokushi San, e Rafael Jüshin San (lê-se Jiushin).
Também fizeram investiduras leigas mais três praticantes.

Mais fotos aqui

terça-feira, 6 de abril de 2010

As regras que evitam os conflitos



Dentro de um mosteiro zen um noviço, ou monge não graduado, tem três palavras que deve usar sempre: sim (hai), desculpe, e obrigado. São as coisas que ele deve dizer quando é corrigido por um superior, este basta ser um monge mais antigo, no caso dos leigos os monges, e os de graduação superior para os ordenados. Jamais pode discutir ou se justificar, ou mesmo apontar que outro comete a mesma falta, sua postura deve ser de silêncio e obediência. O monge noviço ou um zagen (graduado mas ainda não um osho) não pode alimentar opiniões, ele deve ser "sunae" ou seja, não resistente, obediente, silente.
Desta forma, em um bom mosteiro zen não se vêem discussões, ou respostas as observações dos veteranos, um ambiente de calma em que os egos se calam é a regra geral.
Na foto, Shinko San (Osho)de manto amarelo, é ladeado por monges alguns graduados outros noviços, mas todos com seus mantos negros que manifestam a humildade dos que optaram pelo silêncio da prática monástica, a postura em sashu (da foto) é obrigatória quando se ouve um mais antigo falar.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Felicidade, motivação e eficácia - Palestra em Jacareí



Na foto Seidô San, praticante de Florianópolis, passa um pano úmido na sala de meditação durante um retiro. Este método de limpeza é usado há séculos nos mosteiros zen pelos noviços. É um excelente exemplo de trabalho eficaz, rápido e entusiasmado.

Hoje, às 19h, em Jacareí SP, estarei fazendo uma palestra no Auditório do Ciesp,à rua Antonio Ferreira Rizzini, 450, Jardim Elza Maria, confirmação de presença 12 3952-1600 (Monge Genshô)