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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Tempos de reconciliação


O final do ano, talvez porque nos lembre do final das coisas, de nossa própria mortalidade, é um tempo de reconciliação. Subitamente pessoas que se afastam devido a julgamentos, suposições, conversas críticas em que os maus sentimentos afloram, dão-se conta de seu erro, das tolices que disseram, tentam consertar o passado antes que tarde seja. Para os budistas há respostas quase prontas para as tentativas de reconciliação, as aberturas de sorrisos tímidos, pedidos de desculpas implícitos em mensagens belas. Basta abrir os braços e dizer que está sempre pronto, e que a melhor virtude para facilitar o perdão é o esquecimento, não dos fatos em si mas dos sentimentos de mágoa e injustiça. Se os sentimentos são olvidados, as histórias são meras memórias, sem carga de dor ou ressaibos.

Havendo oportunidade, olhe em volta, se fossem seus últimos dias que reconciliações seriam possíveis?
Que sentimentos tolos do passado poderiam ser removidos? Que cargas cármicas de cisão, de divisão, de desamor poderiam ser elididas? Que medos e temores vindos de nossas fantasias se mostraram apenas o que são, criações mentais sem base na realidade, ilusões? Onde nossos julgamentos apressados se mostraram falsas tempestades, boatos com a consistência das histórias de fim de mundo, destruidoras da harmonia, principal coisa a ser defendida nas comunidades?  Abra seus braços, e sem abandonar os princípios que escolheu para sua vida, os preceitos budistas, as regras de compaixão, tolerância, paciência, alegria, reverência,  deixe que a reconciliação impere e o perdão seja o mote para guiar as reconciliações humanas.