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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Só nós temos consciência?


1) Por que diferentemente de todos os outros seres da natureza nós temos consciência?

Monge Genshô – Mas eles têm consciência, apenas é mais fraca. Eles também sofrem, têm medo, amam e temem a morte. Quem pode afirmar que animais não sentem saudade e não sofrem a morte de seus companheiros ou donos? Acontece que o homem está degraus acima no exercício de sua consciência, mas essa consciência que lhe dá o conhecimento de sua finitude, lhe traz também uma angústia existencial que o animal não sente. Por isso o homem cria religiões e crenças, que são uma forma de escapar da angústia existencial. O budismo se recusa a dar ao homem uma solução fácil como eternidade ou um nada após a morte.

2) A gente sempre ouve falar da influência do Zen nas artes japonesas, até mesmo nas artes marciais, como é possível praticar o Zen dessa forma?

Monge Genshô – Esse Zen que estamos falando você não vai praticar integralmente através das artes marciais. Realmente o Zen influenciou de forma intensa tanto as artes chinesas quanto as japonesas. Com a prática da arte marcial você pode ganhar disciplina, sensibilidade, auto-controle e pode  mesmo desenvolver o “ki”, forma de energia, que o ajudará na pratica do Zen. Quando você desenvolve sua sensibilidade é natural que seja levado à prática espiritual. Porém as artes, mesmo as fortemente influenciadas pelo Zen, não o levarão sozinhas à iluminação. Não são práticas para a iluminação, são somente artes influenciadas filosófica e espiritualmente pelo Zen como um caminho. Os mestres marciais que desenvolveram grande qualidade espiritual não praticavam somente arte marcial. Temos exemplos de Mestres Zen que foram grandes artistas, como Monge Ryokan, um mestre da Escola Soto que era um grande calígrafo e poeta. O fundador da Escola Soto no Japão, Mestre Dogen, era um poeta maravilhoso. Monge Takuan escreveu e influenciou muito um grande mestre da espada.