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sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Eu sou vida, vida não nasce, só continua
(continuação)
Saikawa Roshi: - A parte do Sutra “Fu-sho Fu-metsu, Fu-ku Fu-jo, Fu-zo Fu-gen”, significa que nesse mundo do Dharma nada surge ou desaparece, nada é puro ou impuro, nada cresce ou diminui, como eu falei antes, o mundo é como é e vai além de nossas estimativas ou julgamentos. Todo o universo é assim, não surge nem desaparece, só se transforma, a energia fundamental é a mesma.
Na próxima parte do Sutra aparece algumas vezes a expressão “MU”, os cinco skandas são um, ou seja, não há sensação, percepção, conceituação etc., não existem também os sentidos, tato, visão, audição, paladar, olfato e também a mente, nem corpo, nem forma, nem conhecimento, nem cor, cheiro ou sabor. “MUMYO” é então o mundo da delusão, logo, na parte “MUMUMYO”, ele nega a existência da delusão. Na minha interpretação, esse “mu” é como se estivéssemos usando um espelho, tudo que aparece, mesmo esse som (bate na mesa) é refletido, sem preferência ou julgamento. Da mesma forma, não importa se você gosta ou não de todas essas sensações, elas surgem e desaparecem. Esse som (bate na mesa) agora existe, mas no segundo seguinte não existe mais, para onde foi? A atividade mental também é assim. Aquilo que pensamos ser real e que agarramos desaparece em instantes. Ao mesmo tempo que ele diz que não existe delusão, a delusão não tem fim, porque a existência dos seres humanos depende da delusão. Não há delusão mas não há como ficar além da delusão, porque nascemos como seres humanos e os seres humanos precisam de palavras e linguagens como uma ferramenta para pensar e resolver problemas.
A realidade é que não nascemos, mas usamos expressões como “eu nasci em tal dia e tal mês de determinado ano”. Mas eu sou vida e vida não nasce, vida só continua, então eu sou uma continuação de meus pais que são uma continuação de seus pais. Eu não nasci. Uma única molécula não possui vida, mas combinadas podem formar uma célula, porém não existe uma linha clara separando vida de não vida. Do ponto de vista de uma mente ampla, todo o universo tem vida, porque não podemos dividir, não há fronteiras, logo, um nada existir é o mesmo que tudo existir. Forma é vazio e vazio é forma, é o mesmo que dizer branco é preto e preto é branco, nada é tudo e tudo é nada.
(continua)
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sexta-feira, 1 de agosto de 2014
"Zazen não serve para nada"
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| Kesa monástico, quadro de Eduardo Salinas |
Pergunta: Porque usamos esse termo “meditação” quando o objetivo não é meditar?
Monge Genshô: É, a palavra em português não reflete bem. É melhor nós dizermos “fazer zazen”, porque quando você diz meditar, parece meditar “sobre” alguma coisa, porque o verbo é transitivo direto, e não é isso que nós fazemos, nós fazemos zazen. Zazen é sem objetivo, também.
Shunryu Suzuki, perguntado sobre “para que serve o zazen”, respondeu: “Para nada”. Aí, algum aluno, esses dias, me perguntou: “Mas por que Shunryu Suzuki disse que o zazen não serve para nada? Porque nós fazemos zazen?” Eu disse: “porque ele também poderia ter respondido, e estaria certo, “zazen serve para tudo”. As duas respostas estão certas.
Zazen serve pra quê? Para nada. Se você quer obter alguma coisa com o zazen está errado. Isso já não é mais zazen. Agora, zazen serve pra tudo? Também serve para tudo, porque você poderia empregar a mente que você treina no zazen para tudo. Mas se você sentar em zazen, pensando “estou treinando para usar em tal atividade”, então não é mais zazen. É uma forma de treinamento mental. Porque tem uma ambição, um objetivo, uma mente aquisitiva, em que você pretende ser melhor que os outros, isso tudo perturba o zazen. Por isso, Shunryu Suzuki respondeu: “Zazen não serve pra nada”.
Pergunta: Monge Genshô, e o termo shikantaza, apenas sentar?
Monge Genshô: É, ele quer dizer isso, shikantaza – apenas sentar. Não tem nada mais do que isso. O que você está fazendo com o zazen? Estou sentado. É como, também, aquele mestre que perguntou para o aluno, que estava sentado: “O que você está fazendo”? E ele disse: “Eu observo minha mente”. E o mestre perguntou: “Qual mente observa e qual mente é observada”? E, com isso, o aluno pôde experimentar um despertar. Qual mente observa? Qual mente é observada? Nós não sentamos para observar nada, porque quando você senta para observar, tem sempre um observador e um objeto observado. Então, a separação está presente, o mundo está dividido. Eu estou aqui e o objeto observado está lá. Eu observo uma coisa. Quando você começa a contar, por exemplo, 1, 2, 3... , você está observando a contagem. Então, você usou uma âncora para parar de viajar, de pensar. É interessante. Pode conduzir a uma boa concentração. É uma técnica viável, mas não é shikantaza. Não é zazen. Na verdade, é aritmética (risos).
Isso é bem importante, porque em muitos lugares se ensina meditação de observação. Essa meditação de observação cinde o mundo, cria dualidade, pode ser preparatória para o zazen. Porque eu estou aqui, não há um abandono do eu. Nós estamos sentados, sentamos em zazen para nada. Volte pra cá, para o momento presente. Nem passado, nem futuro. Não cogite, não julgue, não fique elaborando, porque essas todas são as funções do eu. O eu é que faz isso.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Nada para se agarrar
Pergunta – Por e-mail recebo alguns trechos de textos budistas e gostei muito do último que dizia que “a infelicidade, depois que você começa a praticar o Dharma, é um indicador da evolução do seu caminho”. Gostaria que o senhor esclarecesse isto.
Monge Genshô – O Dharma, ao invés de dar algum consolo, retira da pessoa todos seus apoios, de tudo o que você pretende agarrar-se, deuses, anjos, etc.., tudo isso o Dharma tira. Muitas vezes as pessoas, ao viver esta desconstrução da fé, ficam muito perdidas e há um choque. Eu acho este choque muito bom, mas sei que carrega sofrimento. “Tudo que eu tinha o senhor tirou”. Esta é a tarefa do professor no Zen. Caso alguém não se sinta confortável com isso, deve talvez procurar um outro lugar mais confortável.
Sei que isto não é tranquilizador, mas sei que despertar e acordar das ilusões é muito feliz. Sei que isto não é fácil e exige grande esforço. Então, no início pode ser assim, infeliz. Mas pode não ser. Você pode chegar aqui, ouvir todas essas barbaridades que eu disse, e sentir uma sensação de grande alívio. Eu tive isso quando ouvi um Monge Zen a primeira vez.
Pergunta – Fui educada dentro de uma religião e o Zen para mim foi um grande alívio. Pensar em pecado, juízo final, purgatório, traz uma sensação de uma saga sem fim.
Monge Genshô – O conceito de pecado não interessa para o budismo. Na realidade nossas ações tem consequências. E nossa vida baseia-se nisso. Você tem que tentar fazer o bem, e isto vai automaticamente lhe trazer felicidade. Não há ninguém lá fora nos julgando não. Mas os resultados das nossas ações são muito mais implacáveis do que se houvesse alguém para nos perdoar. Se fizermos algo errado, teremos que consertar. É assim que o budismo pensa. Despertar das ilusões.
Temos um método, com raciocínios claros e não estamos dispostos a sermos enganados. Não estamos confiando em crenças. Um monge não tem a verdade para vender e ninguém precisa acreditar nele. Desejo que as pessoas tenham grande dúvida e nunca percam sua independência mental. Por isso, o trabalho do professor do Zen é difícil, pois os alunos sempre estão trazendo perguntas, dúvidas. E isto é muito bom, significa ter alunos de verdade. Quando alguém apenas tem fé e acredita sem questionar, acho que não passa de um tolo.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Só nós temos consciência?
1) Por que diferentemente de todos os outros seres da natureza nós temos consciência?
Monge Genshô – Mas eles têm consciência, apenas é mais fraca. Eles também sofrem, têm medo, amam e temem a morte. Quem pode afirmar que animais não sentem saudade e não sofrem a morte de seus companheiros ou donos? Acontece que o homem está degraus acima no exercício de sua consciência, mas essa consciência que lhe dá o conhecimento de sua finitude, lhe traz também uma angústia existencial que o animal não sente. Por isso o homem cria religiões e crenças, que são uma forma de escapar da angústia existencial. O budismo se recusa a dar ao homem uma solução fácil como eternidade ou um nada após a morte.
2) A gente sempre ouve falar da influência do Zen nas artes japonesas, até mesmo nas artes marciais, como é possível praticar o Zen dessa forma?
Monge Genshô – Esse Zen que estamos falando você não vai praticar integralmente através das artes marciais. Realmente o Zen influenciou de forma intensa tanto as artes chinesas quanto as japonesas. Com a prática da arte marcial você pode ganhar disciplina, sensibilidade, auto-controle e pode mesmo desenvolver o “ki”, forma de energia, que o ajudará na pratica do Zen. Quando você desenvolve sua sensibilidade é natural que seja levado à prática espiritual. Porém as artes, mesmo as fortemente influenciadas pelo Zen, não o levarão sozinhas à iluminação. Não são práticas para a iluminação, são somente artes influenciadas filosófica e espiritualmente pelo Zen como um caminho. Os mestres marciais que desenvolveram grande qualidade espiritual não praticavam somente arte marcial. Temos exemplos de Mestres Zen que foram grandes artistas, como Monge Ryokan, um mestre da Escola Soto que era um grande calígrafo e poeta. O fundador da Escola Soto no Japão, Mestre Dogen, era um poeta maravilhoso. Monge Takuan escreveu e influenciou muito um grande mestre da espada.
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terça-feira, 2 de julho de 2013
Não pensar e o Vazio
P: Eu sei que não existe uma fórmula pra isso, mas como é complexo não pensar não é?
Monge Genshô: Não pense em não pensar. Quando se está fazendo zazen, não se trata de “não pensar”, mas sim de ficar prestando atenção completa a este momento presente, que é uma forma de pensar, não elaborando, não julgando, não conversando consigo mesmo, não usando palavras nem nada, apenas percebendo. Mas não é um “não pensar”. É pensando além do pensar e não pensar. Não se trata de não pensar, porque o cérebro continua funcionando. Ele está ali, vigilante e atento. Não é pra dormir. Quando você dorme, outra parte do cérebro toma conta e você começa a ter sonhos, que são uma atividade que não permite o zazen. O zazen precisa de vigília, de atenção.
P: A relação entre o vazio e a forma que os diferenciam do nada ou o vazio por si já é diferente do nada?
Monge Genshô: O Budismo não é niilista. Nem niilista nem eternalista, que é o seu oposto. Ele não disse “nada existe”. O vazio não é nada, porque o vazio é forma. O vazio é tudo, simultaneamente. Entao ele não é nada, certo? Não pode confundir. E não é eternalista o Budismo, porque ele não diz que as coisas duram para sempre, ou que há almas eternas. Não existe nada eterno. Absolutamente nada é eterno. Tudo está em constante mudança e mesmo o universo está em mudança e um dia desaparece e depois surge outro universo, porque essa é a característica das coisas. Outro dia universal surge.
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quarta-feira, 26 de junho de 2013
Criaturas de sonho
Tudo dentro do vazio é assim, “sem nada”.
Sem “mundo da visão”, ou “campo da visão”. Sem “mundo da consciência”, sem ignorância, sem fim da ignorância, sem velhice, sem morte e sem fim à velhice e morte, sem sofrimento, sem causa, sem extinção e sem caminho, sem sabedoria, sem ganho e sem nenhum ganho.
Como os fenômenos não são mais do que sonhos, e aparências, na verdade, nada neles é concreto, só tem a consistência de um sonho. Na realidade o Sutra está dizendo que cada um de vocês é um fenômeno sem uma consistência real, são só uma manifestação histórica aparente. Mas, nesta unidade, não existem.
É só borbulho. Surgem e desaparecem, mas eles não são reais. Na dimensão suprema não são reais. O Sutra está falando na dimensão suprema, não na dimensão histórica. Nesta, estamos aqui falando, existindo, etc. estamos aparentemente separados. Mas, na dimensão suprema, nós não somos separados, só parece que somos. Na realidade, é como se gotas do oceano achassem que são separadas mas estão todas juntas, misturadas, e fazem o oceano.
quinta-feira, 28 de março de 2013
O Vazio e o Nada
Eu gosto muito de uma pequena história que me foi contada no Viazen. Uma mulher havia se separado e foi falar com o Mestre. Contou sua história, um drama emocional. Ele ficou ouvindo atentamente e quando ela acabou ele disse – Tem que trabalhar agora, né? Ela recebeu aquilo como um choque, pois ao contar seu drama esperava outro tipo de resposta. Mas nesse momento, separada, antes não trabalhava, então – Agora, tem que trabalhar - foi sua resposta. Para resolver seu problema a atitude a ser tomada era essa. Todas as outras considerações sobre emoções, traições, traumas, eram inúteis. Eram somente agitações da mente, auto estima, ego, vaidade etc., coisas sem importância. Agora ela teria que conseguir emprego e trabalhar.
A medida que o tempo passa a mente vai se esvaziando. É claro que se você colocar continuamente mais alimento para sua mente dentro de um problema, ele poderá durar bastante. Conheço a história de um psiquiatra que recebeu um homem, e o homem falou também de uma separação. Estava magoado com traição. Começou a falar com ódio e raiva da ex-esposa. O psiquiatra considerou que a recente separação era a causa de tanto ódio, isso era normal. E perguntou – Há quanto tempo faz que você se separou? – e o homem respondeu – Quatorze anos! Isso significa que uma pessoa pode mergulhar num inferno e ficar lá por muito tempo, basta que ele continue com palavras, atos e pensamentos colocando lenha na fogueira.
Então, estávamos falando dessa não-mente, que se realiza em um espaço espiritual anterior a distinção sujeito-objeto. O que transcende?
(texto) “A mente estendida até os limites extremos de todo o universo. Não se trata da mente comum como lugar de nossa consciência empírica, é a realidade, o fundamento mesmo do ser eternamente presente ante si mesmo. Um fato insólito que concerne a essa mente é que não funciona, nem pode funcionar de modo concreto, enquanto não se identifica plenamente com nossa consciência empírica.”
(comentário) Primeiro é necessário que nossa consciência empírica tenha existido para que nossa mente, repetindo a frase ” Um fato insólito que concerne a essa mente é que não funciona, nem pode funcionar de modo concreto enquanto não se identifica plenamente com nossa consciência empírica.” Portanto é necessário uma consciência empírica para que essa mente posso funcionar.
(texto) “A mente é uma entidade noumênica.”
(comentário)Noumeno é um termo introduzido por Kant para indicar o objeto do conhecimento intelectual puro, a coisa em si, é o oposto de fenômeno que conhecemos através de nossa mente empírica.
(texto) “ A mente é uma entidade noumênica que unicamente funciona no fenomênico. Precisamente nesse sentido se chama, –mente comum.”
(comentário) Por isso as vezes as respostas dos mestres para a pergunta – O que é Buda?- Buda é a mente. Estamos falando da mente noumênica que está antes dos fenômenos ou em outras palavras, a própria vacuidade. Porque a vacuidade contem a potência de tudo, não é vazia neste sentido. As vezes as pessoas dizem vazio e pensam que o budismo é nihilista por causa dessa palavra. São problemas com as palavras. O vazio budista não é o nada, as vezes eu vejo pessoas escrevendo sobre budismo e confundindo o vazio com o nada. O vazio budista não é nada, pelo contrario, o vazio budista é tudo e se manifesta como fenômeno. Prestem atenção no sutra do coração.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Tudo está contido e nada se perde
As folhas caem...o jardim está perdido?
Pergunta:
Vou perder minha esposa, minha filha, meus pais. Tudo muda o tempo todo. Pelo que o Sr. fala, a iluminação é ficar admirando as coisas se desmontando. Como posso ser feliz no budismo?
Resposta:
Seria assim se nós fossemos isto, seres isolados com posses materiais e vínculos emocionais em um mundo impermanente, mas não somos isto, somos muito mais como sempre explico, somos unidade e o todo abrangente. Ver-se como indivíduo é este engano monumental que desemboca exatamente no que você falou, e o desespero fica grande o suficiente para corrermos atrás de alguma mentira consoladora.
Se você enxergar a eternidade e a unidade não existem surgimentos nem cessação. Leia de novo o sutra do coração da sabedoria, ao ver o vazio dos agregados o bodisatva livra-se instantâneamente de toda a dor e agonia, o budismo é para ser feliz e ver que não existe nenhum se desmontar das coisas, que estamos sempre juntos na unidade. No tempo tudo está contido e nada perdido pois neste universo nem a menor memória se apaga pois tudo está acessível aos olhos iluminados, nossos entes queridos estão aqui conosco para sempre, nossos ancestrais somos nós mesmos. Por não ver a unidade nos perdemos nesta fantasia de individualidades e assim sim não existe saída para o sofrimento das perdas em um mundo mutável.
Desta unidade falam os grandes místicos cristãos, sufistas, hassídicos, budistas, não podem os mais sábios de todos terem enxergado a mesma coisa em múltiplas doutrinas sem que houvesse algo atrás delas que indicasse a verdadeira sabedoria.
Monge Genshô
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terça-feira, 21 de junho de 2011
Faça-se a luz !
Há muito tempo o budismo insiste que a vacuidade é idêntica aos fenômenos.
Energia
Luz é gerada é partir do nada
Redação do Site Inovação Tecnológica -
Faça-se a luz
A maior parte dessas explicações ainda está no reino das hipóteses e das teorias. Ou, pelo menos, estava.
Pela primeira vez, uma equipe de físicos afirma ter conseguido gerar coisas desse "nada" quântico. Mais especificamente, eles fizeram com que vácuo quântico gerasse fótons reais. Ainda mais claramente, tentando trazer isso para o senso comum, eles emitiram luz do nada.
Será necessário esperar que outros grupos refaçam o experimento; mas, se confirmado, esta certamente se transformará em uma das experiências científicas mais bizarras e famosas da história, e uma importante prova prática da validade da mecânica quântica.
O vácuo quântico é um estado com a menor energia possível, uma espécie de sopa de campos e ondas de todas as frequências, de onde partículas virtuais saltam continuamente entre a existência e a inexistência. [Imagem: Lee Brain]Realizando o virtual
Ora, se o vácuo quântico é uma sopa na qual pululam partículas virtuais, deve ser possível detectar ou mesmo capturar essas partículas. Foi isto o que motivou Per Delsing e seus colegas da Universidade Tecnologia de Chalmers, na Suécia.
Os cientistas já sabiam como detectar indiretamente as partículas virtuais "emitidas" pelo vácuo quântico usando dois espelhos, colocando-os muito próximos um do outro.
Essa proximidade limita a quantidade de partículas virtuais que podem vir à existência entre os dois espelhos. Como passam a existir mais partículas virtuais fora dos espelhos do que entre eles, cria-se uma força que empurra um espelho na direção do outro.
Esse empurrão, conhecido como Força de Casimir, é forte o suficiente para ser medido pelos instrumentos atuais.
Luz do nada
Mas os teóricos previam que as coisas poderiam ficar mais interessantes se fosse usado um espelho só, que poderia absorver energia das partículas virtuais e, sendo um espelho, reemití-las na forma de fótons reais.
O problema é que, para isso dar certo, o espelho teria que se mover a uma velocidade próxima à velocidade da luz, algo impraticável com a tecnologia atual.
Delsing e seus colegas deram um jeito de sair desse impasse usando um sensor extraordinariamente sensível a campos magnéticos, chamado SQUID (Superconducting Quantum Interference Device), e fazendo-o funcionar como um espelho.
Quando um campo magnético atravessa o SQUID, ele move-se ligeiramente. Alterando-se o sentido do campo magnético vários bilhões de vezes por segundo força-se o SQUID-espelho a sacudir velozmente - tão rápido que ele atinge cerca de 5% da velocidade da luz.
E essa velocidade parece ter sido suficiente.
Segundo os físicos, o espelho gera um chuveiro de fótons, que saem desse nada chamado vácuo quântico, refletem-se no espelho, e surgem para o mundo real, onde podem ser detectados por fotocélulas.
O espelho gera um chuveiro de fótons, que saem desse nada chamado vácuo quântico, refletem-se no espelho, e surgem para o mundo real, onde podem ser detectados por fotocélulas. [Imagem: Wilson et al.]
Os cientistas afirmam que, conforme previsto pela teoria quântica, os fótons têm cerca de metade da frequência das sacudidas do espelho.
Luz de Feynman
No estágio atual, com este experimento pioneiro, ainda não é possível prever alguma aplicação para o efeito, uma vez que a luz gerada é muito fraca para fins práticos.
Mas pode ser uma luz suficiente para clarear as esquisitices da mecânica quântica e, quem sabe, tirar a razão de Feynman: quem sabe dos cientistas já não estejam começando a entender "alguma coisa" de mecânica quântica?
Se este for o caso, logo poderá ser dada razão a um outro grupo de físicos que, em 2006, previu que será possível, no futuro, construir nanomáquinas alimentadas pela energia do "nada".
Veja outras pesquisas sobre o vácuo quântico:
Matéria e antimatéria podem ser criadas do nada
Super laser poderá criar matéria do nada
Estrela de nêutrons pode acordar o vácuo quântico
Confirmado: a matéria é resultado de flutuações do vácuo quântico
Bibliografia:
Observation of the Dynamical Casimir Effect in a Superconducting Circuit
C.M. Wilson, G. Johansson, A. Pourkabirian, J.R. Johansson, T. Duty, F Nori, P. Delsing
arXiv
24 May 2011
http://arxiv.org/abs/1105.4714
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Meditar é pensar em nada? Ou não pensar?
R: A prática de meditação não é em absoluto de não pensar em nada, na verdade você permanece atento ao momento presente e deixa que os pensamentos passem sem se ater a eles ou segui-los, acrescentaria que pensar em nada é praticamente impossível porque o cérebro produz pensamentos por sua natureza, repito, no shikantaza, técnica principal do zen, a atitude é deixar que os pensamentos como nuvens passem pelo céu zul da mente sem perturba-lo. E retornar ao momento presente e estar atento a ele, sem considerações, é uma forma sutil de pensar, Dogen diz que é pensar além do pensar e não pensar, produz lucidez e clareza, no entanto tentar não pensar seria uma violência como tentar algo impossível, e isto , uma ordem paradoxal, um dilema insolúvel, capaz de causar dano.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Como algo pode surgir do Vazio?

Você está atribuindo ao vazio alguma entidade, uma existência, ora o vazio é uma qualidade das coisas, delas não terem um EU, apenas isto, não significa um "nada", tampouco pode ser reificado (transformado em algo) o resto é interdependência e interconexão, que o universo partilhe uma consciência ou consciências que provoquem complexidades é outro aspecto muito diferente e que o budismo sequer contempla, você acreditar em alguma coisa deste tipo em nada altera a impermanência do existir.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
O nada e o budismo

P: Vi que nada existe, tudo é uma ilusão do ego, eu acho. Como se tudo fosse um sonho, e que na verdade o que existe de real é o “nada”. Estou certo?
R: De um lado as coisas existem e são reais, o nihilismo é um extremo em que frequentemente caem os iniciantes no budismo, mas Buda não o ensinou, ele ensinou o caminho do meio, nem eternalismo nem nihilismo. Se você trocar as palavras do seu texto de nada para vazio ficará melhor, mas o vazio não é o nada e sim o vazio de um eu em tudo.
domingo, 5 de outubro de 2008
Será que o Nada que Eckart cita não é o nada?

O problema é este pensamento dual: existe – não existe, ele expressa a chamada mente dualista: em cima x embaixo, direita x esquerda, bom x ruim, pecado x virtude, esta mente que treinamos com a linguagem é falsa como instrumento para esta compreensão, funciona bem só até um certo ponto, como você está preso a esta mente não pode dar este salto. Grande parte do treinamento do zen é para explodir esta mente da linguagem. Curiosamente ela também é aplicada à linha do tempo: direita x esquerda, atrás x na frente, e isto aprisiona o homem em uma linha newtoniana de representação mental, assim acreditamos em passado e futuro como realidades.
(Amigos, estarei em retiro até sexta 10/10, não poderei postar no blog)
sábado, 4 de outubro de 2008
Meister Eckart

"A luz que Deus é brilha no escuro. Deus é que é a verdadeira luz. Para ver isto a pessoa deve estar cega e deve tirar para fora de Deus tudo o que é algo. Um mestre diz que aquele que falar de Deus através de qualquer semelhança, fala de modo impuro Dele. Mas falar de deus através do "nada", é falar de Deus corretamente. Quando a alma unificada entra na total auto-abnegação, encontra Deus como um Nada."
Meister Eckart
(Frade Dominicano do Sec XIII, muito considerado no meio zen budista , ele curiosamente, nasceu logo após à morte de Dogen Zengi, o monge que trouxe o zen para o Japão desde a China. Seus escritos tem grandes similaridades, tendo sido ambos grandes pregadores em suas próprias linhagens religiosas.)
sexta-feira, 7 de março de 2008
Como ficar no presente, meditando, "sem nada"? Devo rotular os pensamentos para enfraquecê-los?
Cada vez que surgir um pensamento e você se der conta disto, volte, volte para onde está, este momento e este lugar. Faça isto mil vezes sem desistir, sempre retornando, recusando-se a viajar junto com o pensamento, fazendo associações ou julgando, mesmo a si mesmo, como errado.
Este momento presente não é sem nada, está preenchido pelo presente, pelas percepções do agora. Se você o rotula, dizendo, penso nisto, pode ser que isto crie mais uma cogitação, simplesmente volte.
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