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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Na visão iluminada não existe morte ou nascimento

 
Pergunta: A gente cresce ouvindo que os animais quando tem suas crias fazem de tudo para perpetuar a espécie e nós também temos muito forte essa noção de que o filho é a nossa forma de deixar nossa marca no mundo. O amor ao filho é muito baseado nisso. São visões distorcidas?
Monge Genshô:
Não, elas estão presentes num mundo relativo. Num mundo relativo você tem um filho e ele é continuidade do seu corpo, dos seus genes e parece sua ligação com a eternidade. Parece. Essa é uma visão pequena e ainda continua sendo egóica, porque você diz “é meu filho”, “é minha continuação”, por isso a morte de um filho é tão dolorosa, porque um homem sente que perdeu sua continuidade, sua eternidade, mas esta visão não é iluminada. Numa visão iluminada não existe morte ou nascimento e todos aqueles que morreram estão aqui conosco.

Muitos anos atrás eu não me lembro mais o ano, talvez Seikaku San lembre, Kanner San morreu. Ele era um Monge que foi praticamente nosso professor durante um certo tempo e quando saí do seu enterro do lado de fora bateu um vento que inclinou as árvores. Naquele momento eu estava olhando para as árvores e minha sensação foi: “aí está Kanner San, naquele vento”. Ele era aquilo. (continua)