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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Símbolos e Rituais




Aluno: O zen mostra uma visão desiludida das coisas (desiludida de sem ilusões). Eu comprei isso aqui (um colar com símbolo), e gostaria na verdade de uma leitura sobre os símbolos ou signos.

Monge Genshô: Como você mesmo disse, não é relevante. Os símbolos e os rituais são linguagem para o inconsciente. Nós sonhamos com signos, e eles nos atingem de alguma forma. Nós montamos um altar, colocamos uma estátua, colocamos flores porque é bonito. Colocamos vela, que é o símbolo da iluminação. Acendemos incenso, etc. Nós fazemos essas coisas, mas elas não são o budismo. São o que nós chamamos de upaya, meios hábeis: são meios para criar um clima, para ajudar as pessoas que se sentem impactadas pelo ambiente, mas não são realidade alguma e não são essenciais. 

Por isso nós contamos a história do monge Zen que estava com frio, pegou a estátua de madeira de Buda, partiu em pedaços, fez lenha e fez uma fogueira. Daí os outros monges que apareceram de manhã disseram: “oh, você queimou o Buda!”, e ele retrucou: “é mesmo? Cadê os ossos? (sariras)". O que ele quis dizer é que era só madeira; naquele momento era madeira: eu estava precisando e pronto, acabou. 

Então, o símbolo ou qualquer coisa que você goste e use pode ser inspirador, mas se alguém me pergunta e diz: “ah, eu queria fazer uma tatuagem de Buda para mostrar que sou budista”, eu digo: “não faça isso! Você quer ser diferente das outras pessoas?”. Tudo o que fazemos para nos diferenciar, nos atrapalha. É um reforço egóico.

[N.E.: trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]