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terça-feira, 29 de abril de 2014

Uma xícara de café



7) O que exatamente faz um Bodhisattva, como é sua vida?

Monge Genshô- Temos o Sutra de Vimalakirti que fala que os bodhisattvas são comerciantes, generais, soldados, imperadores, ou seja, qualquer pessoa que aja com mente compassiva. “Satva” quer dizer “Ser” e “Bodhi” “Mente Compassiva”. bodhisatva é aquele ser de mente compassiva que age no mundo para diminuir o sofrimento. Um bodhisattva pode viver uma vida inteira para um único ato. Há uma história de que gosto muito que se chama “Um café em Istambul”. Um bodhisattva nasceu, estudou, fez faculdade e tornou-se garçom de um Café em Istambul. Um dia um homem entra no café e dirigindo-se ao balcão e pede uma xícara. O nosso garçom então prepara o café, leva para ele e o olha profundamente nos olhos. Naquele momento o homem olhando nos olhos do bodhisattva percebe toda sua profundidade, o que lhe desperta um grande e bom sentimento que será transformador de sua vida. O olhar bondoso do garçom. O homem vai embora e o bodhisattva depois de alguns anos morre. Toda sua existência foi para dar aquele olhar.

Esse é o ato e a vida de um bodhisattva. Eu ouvi a história de um homem que foi conversar com uma prisioneira. Todos a tratavam com grande desprezo. Este homem preparou então dois cafés e foi conversar com ela. Ele era carcereiro. Ao receber o café, a prisioneira começou a chorar e disse: “Espere um pouco”, ela foi então ao canto de sua cela e trouxe os cacos de uma xícara que ela havia quebrado e com os quais iria cortar os pulsos. Uma simples xícara de café ou um olhar podem mudar uma vida. São exatamente o conteúdo do ato de um bodhisattva.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Mente Bodhi


TEXTO
Após ter acordado para a mente Bodhi, mesmo vagabundear pelos seis planos da existência e pelas quatro formas de vida se torna uma oportunidade para praticar o voto altruísta. Logo, mesmo que até agora vocês tenham passado o tempo em vão, devem rapidamente fazer esses votos, enquanto é tempo. Embora vocês tenham adquirido mérito suficiente para realizar o Caminho de Buddha, vocês devem coloca-lo à disposição de todos os seres a fim de que eles realizem o Caminho. Há alguns que praticam durante eons incontáveis sacrificando sua própria iluminação a fim de eu todos os seres se beneficiem, ajudando-os primeiramente a cruzar para a outra margem. Há quatro espécies de sabedoria que beneficiam outros seres: doações, palavras amáveis, ações bondosas e identificação, todas sendo praticas do Voto de um Bodhisatva. Doação significa não cobiçar. Embora seja verdade que em essência nada pertença ao ser, isto não deve nos restringir de fazer ofertas. O tamanho da oferta não importa: é a sinceridade com qual é dada. Logo, a pessoa deve estar pronta a compartilhar até mesmo uma frase ou verso do Dharma, pois isto se torna a semente do bem, tanto nesta vida como na próxima. Este também é o caso ao dar de seus bens pessoais, seja uma só moeda ou uma folha de grama, pois a lei é o tesouro e o tesouro é a lei. Sem esperar recompensa ou agradecimentos, devemos compartilhar com os outros. Fornecer um barco transportador ou uma ponte também são atos de doação, assim como ganhar seu sustento e produzir bens.

Comentário
Aquele que se esforça e produz ou transporta bens, também está fazendo um ato de doação, assim como ganhar seu sustento e produzir bens. Por exemplo, um artesão como Stradivarius, há duzentos e cinquenta anos produziu instrumentos de grande beleza que são tocados até hoje, instrumentos de grande valor e que trazem bons sentimentos. O seu trabalho produziu uma riqueza inefável para o mundo.

TEXTO
O significado de “palavras amáveis” é o de que ao observar todos os seres, a pessoa deve se encher de compaixão por eles, dirigindo-se a eles afetuosamente. Isto quer dizer, falar com um sentimento de doçura e vê-los como seus próprios filhos. O virtuoso deve ser elogiado e o sem virtude apiedado.

Comentário
Devemos ter piedade daqueles que não têm virtude e cometem erros. Devemos esclarecê-los e ensiná-los, tentando ajudá-los. Recusar ajudar porque eles são desagradáveis é um erro. É claro que existem limites e quando não pudermos ajudar uma pessoa, o melhor que fazemos é nos afastar.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Bodhisatvas, Arahants, Budas


5) Já que o senhor falou em voltar, poderia falar sobre o Bodhisattva?

Monge Genshô – “Satva” significa “Ser” e “Bodhi’ é “Mente Compassiva”. Em todo o Budismo Mahayana o Bodhisattva é um ideal de prática, pois é aquele que renuncia sair desse mundo para ajudar todos os seres que aqui sofrem. A idéia de Bodhisattva se contrapõe a de “Arahant ou Arhat”, que é aquele que aprendendo o Budismo trata de iluminar-se e não mais retornar. A idéia do Bodhisattva torna-se predominante após o primeiro século depois de Cristo.

Aluno - Existe nessa idéia alguma mistura cultural, porque entre os gregos havia a cultura do herói.

Monge Genshô – A interligação cultural começa três séculos antes de Cristo, porém o herói não é alguém compassivo na mitologia grega. O herói mais conhecido, Hércules, era vingativo e cometeu vários crimes. O conceito de Bodhisattva é completamente o oposto, embora haja algo de heróico nesse comportamento de renunciar ao seu privilégio para ajudar outros a escapar do sofrimento. O Bodhisattva está mais para o santo Cristão do que para o herói grego, porém, o santo procura uma salvação para si mesmo, ele deseja sair desse mundo e entrar no paraíso. Outro aspecto muito importante no Zen é que não procuramos santos, não estamos empenhados em produzir santos. Você não faz coisas erradas não porque é um santo, mas porque sabe das conseqüências para todos.

Aluno - O Bodhisattva então renuncia a ser um Buda? Ou seja, se libertou de todos os sofrimentos e não mais será atingido pelo sofrimento dos outros e dele mesmo?

Monge Genshô – Não. O estado de Buda é um estado em que não há mais o retorno. Buda está extinto como ser humano, não mais se manifestará. O Bodhisatva retorna porque deseja, existe dentro dele um impulso para retornar e num Buda esse impulso foi perdido, pois ele entende que já cumpriu todas as tarefas que poderia realizar e não vê mais separação entre si e os outros seres.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Bodhisattvas


P: O senhor falou que todos podemos nos tornar Budas. Entre os votos do Bodhisattva há aquele em que ele se compromete a salvar todos os seres, mesmo que sejam incontáveis. Isso não é contraditório partindo do pressuposto que os seres são inumeráveis?

Monge Genshô – É uma bela contradição. É um paradoxo. Como o Bodhisattva fez esse voto, ele não torna-se Buda. Mas isso não significa que ele não tenha um grande grau de iluminação, que não consiga despertar e realizar-se. No último degrau, na extinção completa, o Bodhisattva abdica para retornar por compaixão. É um voto muito bonito. “Bodhi” significa “mente iluminada”. “Satva” é ser. Então Bodhisattvas são aqueles seres que alcançaram um grau de iluminação e se dedicam a salvar os outros seres. “Maha” significa “grande”, então “Mahasatvas” são grandes seres.


P: Foi Buda quem disse que em vidas anteriores ele era um Bodhisattva?

Monge Genshô – Sim.