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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Marcas cármicas que nos movem



Pergunta: Uma onda cármica pode adquirir características pela interferência de outras ondas?
Monge Genshô: Sim, você vai sendo mudado. Você está assistindo a essa palestra, por exemplo, e ela muda você um pouquinho e isso é uma característica nova. Mas por que você está aqui? Você não está aqui por acaso, para vir para um sesshin e querer ouvir o Dharma tem que haver marcas cármicas que te atraem até aqui. Caso contrário você estaria fazendo outra coisa. De onde vem o impulso que te trouxe até aqui? Que marca cármica é essa que faz você se sentir estranho sentado numa mesa de bar tomando um chopp, mas te deixa à vontade num retiro?

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Bodhisatvas, Arahants, Budas


5) Já que o senhor falou em voltar, poderia falar sobre o Bodhisattva?

Monge Genshô – “Satva” significa “Ser” e “Bodhi’ é “Mente Compassiva”. Em todo o Budismo Mahayana o Bodhisattva é um ideal de prática, pois é aquele que renuncia sair desse mundo para ajudar todos os seres que aqui sofrem. A idéia de Bodhisattva se contrapõe a de “Arahant ou Arhat”, que é aquele que aprendendo o Budismo trata de iluminar-se e não mais retornar. A idéia do Bodhisattva torna-se predominante após o primeiro século depois de Cristo.

Aluno - Existe nessa idéia alguma mistura cultural, porque entre os gregos havia a cultura do herói.

Monge Genshô – A interligação cultural começa três séculos antes de Cristo, porém o herói não é alguém compassivo na mitologia grega. O herói mais conhecido, Hércules, era vingativo e cometeu vários crimes. O conceito de Bodhisattva é completamente o oposto, embora haja algo de heróico nesse comportamento de renunciar ao seu privilégio para ajudar outros a escapar do sofrimento. O Bodhisattva está mais para o santo Cristão do que para o herói grego, porém, o santo procura uma salvação para si mesmo, ele deseja sair desse mundo e entrar no paraíso. Outro aspecto muito importante no Zen é que não procuramos santos, não estamos empenhados em produzir santos. Você não faz coisas erradas não porque é um santo, mas porque sabe das conseqüências para todos.

Aluno - O Bodhisattva então renuncia a ser um Buda? Ou seja, se libertou de todos os sofrimentos e não mais será atingido pelo sofrimento dos outros e dele mesmo?

Monge Genshô – Não. O estado de Buda é um estado em que não há mais o retorno. Buda está extinto como ser humano, não mais se manifestará. O Bodhisatva retorna porque deseja, existe dentro dele um impulso para retornar e num Buda esse impulso foi perdido, pois ele entende que já cumpriu todas as tarefas que poderia realizar e não vê mais separação entre si e os outros seres.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Redemoinhos


P: Se o "eu" deixa de existir quando abandona os "agregados", como o carma pode "seguir" o que resta, se é que resta algo? O que resta não é, usando uma palavra neutra, o "um"?

R: Imagine um redemoinho dentro da água, ele tem um impulso próprio, uma manifestação que o destaca dentro da vacuidade (a água nesta analogia), é vacuidade sem tirar nem por, mas só tem uma individualidade porque tem movimento. Se este redemoinho se desfaz mas seu movimento desencadeia outro redemoinho mais tarde, ao sabor da corrente, o novo redemoinho tem uma nova identidade e características muito semelhantes pois detem a mesma energia cinética, porém não é o mesmo redemoinho, é outro. (Ou será que é o mesmo? é ou não é?)

P: Se sim, como o carma pode seguir nova manifestação (outro "eu") do "um"?
Se não, então o que resta quando, simplificando, morremos?

R: Resta o carma. (a energia que gera o redemoinho, e ela não consegue evitar se manifestar como redemoinho e com as mesmas marcas
(características)) ela não precisa um eu para se agarrar, assim como o redemoinho não precisa de um eixo em torno de que girar, ele gira e por isto imaginamos um eixo, e damos um nome a este eixo: EU)