quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Guerreiam porque tem medo
Aluno: queria saber sobre a miséria, escassez de recursos materiais.
Monge Genshô: Nós nunca tivemos um tempo tão abundante na Terra. Nunca tanta gente se alimentou. No entanto, há um bilhão de pessoas passando fome, por exemplo. Agora, se a sua pergunta é por quê existe isso, a resposta é carma. Carma nosso, da humanidade, da nossa condição humana, etc. O budismo não existe para dar explicações sobre a ciência, economia e tudo mais. Os budistas têm que mudar por dentro e, agindo no mundo, o mundo tem condições de mudar. Se todas as pessoas pensassem no bem alheio, o mundo seria diferente. Agora, quando as pessoas pensam no seu eu e tentam obter coisas para si em detrimento dos outros, claro que vai dar errado. É da natureza do mundo que dê errado, da maneira como o mundo está constituído. Por esta razão queremos mudar o mundo mudando os homens.
Você poderia me perguntar "Por que no Oriente Médio os homens estão se matando?" Porque um tem uma religião, o outro tem outra. Por quê se matam uns aos outros? Porque têm medo. Um tem medo que o outro domine, então tem que matar o outro para não permitir que tenha poder. Como há grupos equivalentes, então eles vão se matar até um grupo conseguir dominar. Sorte sua que você não nasceu lá. Porem se você for uma pessoa que cultiva ódio, raiva etc., talvez na próxima manifestação, aonde seu carma se sentirá atraído para se manifestar? Em um mundo em guerra. Se você morre cheio de ódio, com vontade de matar os outros e tudo mais, quem sabe não nasce em uma família com um pai homem-bomba que ensinará a você ser mulher-bomba.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Mudar o carma
Pergunta – É possível mudar nosso carma?
Monge Genshô – Sim. Nos dois sentidos. Vamos supor que você seja uma pessoa maravilhosa, que tenha feito muitas coisas boas para muitas pessoas, mas faz o mal, comete um crime e sua vida começa a decair. Você tinha um bom carma e o transformou em mau carma. Por outro lado, você tinha feito coisas muito ruins, mas começa a mudar sua mente e realizar bons atos, isso vai gerar bom carma. Mas isso é muito difícil, a maioria das pessoas está metida numa espécie de enredamento com seu carma e acaba repetindo sempre as mesmas coisas. Se você não cuida de sua mente, quando morre, é com essa mente que se manifestará uma nova vida, seus impulsos, desejos e apegos é que serão seu carma para a próxima vida e para um novo eu, que não se lembrará do porque, embora sofra as consequências.
Pergunta – Como trazer o zazen para a vida prática?
Monge Genshô- Essa mente construída no Zazen, de não se preocupar com passado ou futuro, deve ser levada para a vida diária. O zazen é somente a base da prática, não é a prática em si. Quando estiver varrendo o chão, somente varra o chão, esteja ali presente. Quando for lavar a louça, mente do zazen. Uma excelente oportunidade é no seu trabalho, sempre que surgir uma discussão, observe e perceba seu ego presente na sua necessidade de manifestar opinião, na necessidade de estar certo, na necessidade de ser o melhor. Torne-se consciente de você mesmo. Essa é a verdadeira prática espiritual, não é acender velas, incensos ou fazer cerimônias. Esse tipo de coisa serve para exercitar uma mente atenta, que deverá ser transferida para o resto de sua vida, até o momento de sua morte. É muito importante ter uma boa mente no momento de sua morte. Uma mente tranquila, sem desespero, equânime, compassiva e uma mente capaz de perdoar, não somente aos outros, mas a si mesmo. Seus impulsos no momento da morte é que serão levados para a outra vida, por isso é muito importante saber morrer.
Pergunta – Sempre que o senhor fala de vaidade e ego, pega exemplo ruins. Falar sobre coisas boas, como por exemplo, estou me sentindo ótimo, estou apaixonado...
Monge Genshô – Isto também é ruim. Quando fazemos os votos do Bodhisattva, o que falamos? Delusões são inexauríveis, faço voto de extingui-las, todas.
terça-feira, 29 de abril de 2014
Uma xícara de café
7) O que exatamente faz um Bodhisattva, como é sua vida?
Monge Genshô- Temos o Sutra de Vimalakirti que fala que os bodhisattvas são comerciantes, generais, soldados, imperadores, ou seja, qualquer pessoa que aja com mente compassiva. “Satva” quer dizer “Ser” e “Bodhi” “Mente Compassiva”. bodhisatva é aquele ser de mente compassiva que age no mundo para diminuir o sofrimento. Um bodhisattva pode viver uma vida inteira para um único ato. Há uma história de que gosto muito que se chama “Um café em Istambul”. Um bodhisattva nasceu, estudou, fez faculdade e tornou-se garçom de um Café em Istambul. Um dia um homem entra no café e dirigindo-se ao balcão e pede uma xícara. O nosso garçom então prepara o café, leva para ele e o olha profundamente nos olhos. Naquele momento o homem olhando nos olhos do bodhisattva percebe toda sua profundidade, o que lhe desperta um grande e bom sentimento que será transformador de sua vida. O olhar bondoso do garçom. O homem vai embora e o bodhisattva depois de alguns anos morre. Toda sua existência foi para dar aquele olhar.
Esse é o ato e a vida de um bodhisattva. Eu ouvi a história de um homem que foi conversar com uma prisioneira. Todos a tratavam com grande desprezo. Este homem preparou então dois cafés e foi conversar com ela. Ele era carcereiro. Ao receber o café, a prisioneira começou a chorar e disse: “Espere um pouco”, ela foi então ao canto de sua cela e trouxe os cacos de uma xícara que ela havia quebrado e com os quais iria cortar os pulsos. Uma simples xícara de café ou um olhar podem mudar uma vida. São exatamente o conteúdo do ato de um bodhisattva.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Carma, base do pensamento moral
Pergunta – Mas não existe alguma piora, como no caso da TV, por exemplo?
Monge Genshô – Isto é uma aparência, nós podemos analisar por outro ângulo também. Há apenas 100 anos atrás não existia eletricidade. Para ouvir música, você teria que ver um instrumentista tocar. A medida que nós criamos a eletricidade e os instrumentos eletrônicos, hoje podemos tocar e gravar música usando computadores, etc… Logo, muitos começaram a fazer música. Agora, o gosto geral não é bom, de modo que houve uma vulgarização, por ser um meio de acesso geral. Vou dar um exemplo mais flagrante. Antigamente você abria um jornal e lia as notícias. Uma agência de notícias, coloca a disposição de um jornal, por dia, centenas de notícias. Quantas notícias você vai publicar? Dez, doze, não muito mais que isso. De modo que o editor vai escolher as matérias que endossam a sua linha editorial. Ele não precisa mentir, apenas escolher. Publica-se aquilo que apóia o pensamento do editor. Agora temos a internet. Na internet, qualquer pessoa com um teclado pode escrever. Portanto, agora temos todo tipo de notícia, você abre a internet e vê o que está disponível. Sem editores, você não tem mais o filtro, ou seja, qualquer tolice ou mentira será publicada. Não era assim no passado? Era, mas não existia a disponibilidade de colocar isso na mão de todos. Hoje temos bilhões de novos textos todos os dias na internet. Conclusão: a humanidade sempre foi medíocre, o que acontece é que agora a mediocridade ganhou voz.
Hoje temos 200 a 300 canais de TV, mas com tudo isso temos a sensação de não ter nada para assistir. Temos que filtrar muito bem algo que não apele para os sentimentos médios, que são baixos. As pessoas dizem “a culpa é da mídia, que divulga apenas crimes”. Quando eu era diretor de um jornal do RS, nós fizemos uma pesquisa. Qual a página mais lida do jornal? Horóscopo. Quais as matérias mais demandadas? Polícia e Futebol. Qual a página menos lida? Editorial, com 4%. Porque você liga a televisão e não acha um concerto de alta qualidade para assistir? Os canais que disponibilizarem tal coisa não vão ter audiência. Por que os jornais e TV têm tantas matérias de criminalidade? Se você colocar algo deste tipo, várias pessoas vão ligar a TV para assistir e abrir o jornal para ler. Tendo sido um diretor na área, posso dizer que não é a mídia que dita o que as pessoas vão ler. Quem pauta o que as pessoas vão ler ou assistir algo é o público. Quando as pessoas assistem algo, dão ibope. Com ibope pode-se vender anúncios e isso dita o interesse da mídia.
Como os budistas devem agir? Os budistas devem mudar as próprias mentes. Se você mudar sua mente estará mudando o mundo. No dia que mudarmos nossas mentes teremos um povo diferente, com um comportamento diferente. Por acreditarmos no poder, no dinheiro como valores principais, nos tornarmos a sociedade que somos e nascemos aqui pois temos karma para isso. Há uma explicação para esta sociedade ser como é, a mania que temos de atribuir a outro (demônios, políticos, mídia, sistema econômico) é uma maneira fácil, como se o problema não fosse nosso. A culpa é sempre nossa. O que eu faço para que isso aconteça? Como geramos karma para nossos problemas acontecerem? Esta é a essência do nosso pensamento moral.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Dúvidas e certezas
3) Mesmo porque, não existem verdades absolutas.
Monge Genshô – Exato e todas as verdades que possamos declarar não passam de aproximações, são sempre relativas. Alunos do Zen não têm uma grande fé e sim uma grande dúvida. Ele vem para a Sangha porque tem uma grande dúvida. Se ele vem para a Sangha e diz que tem uma grande fé e certeza das coisas, este não é o lugar para ele. Aqui é o lugar para dúvidas e incertezas.
Aluno – Mas a pessoa vai viver sempre com dúvidas?
Monge Genshô – Bom isso, não é?
Aluno – Não, não penso que seja bom. É horrível.
Monge Genshô – Bom, isso é muito bom. A vida se mostra a cada passo e se você tiver certezas, estas irão conduzi-la a enganos. O melhor é não ter certezas e ir caminhando para ver como a vida se mostra. Aquilo que você planejou pode ou não dar certo, e se não der? Você poderá mudar? Esta capacidade de mudar com as circunstâncias é o que a água tem, a mais sabia das substâncias, nunca resiste, nunca enfrenta, tudo que ela faz é escorrer e sempre pelo caminho mais fácil. Não cria resistência nem para evaporar-se, vira nuvem, chove e novamente está de volta ao solo. Esta deveria ser nossa atitude na vida, pois os que são duros sofrem muito. A pessoa que fica presa a um relacionamento que acabou, por exemplo, acabará com sua vida. Perdeu um emprego, arrume outro. Está ruim em um país, tente uma migração. Se você olhar a vida com essa flexibilidade poderá fazer muitas coisas, mas se olhar com rigidez fica muito difícil. Você é pedagoga, me diga, as teorias da pedagogia são fixas? Não, estão sempre mudando.
4) Então qual o primeiro passo para uma pessoa que pensa que nada vai mudar?
Monge Genshô – Esse é na realidade um desejo dos seres humanos, que as coisas fiquem estáveis, é o que chamamos de pensamento linear. É muito comum isso nos investimentos, por exemplo, o preço dos imóveis sobe e as pessoas então compram imóveis. Acontece que todas as pessoas têm o mesmo pensamento, mas chega um determinado momento que surge uma desconfiança, porque subiu tanto? O valor então desaba. Quantas vezes isso acontece? Há séculos que isso vem acontecendo. Somente algumas pessoas ganham com investimentos, seja na bolsa de valores ou em imóveis. Por quê? Porque a maioria pensa linearmente, ou seja, o que está acontecendo vai continuar acontecendo sempre.
Aluno – Mas não é possível fazer nada por estas pessoas?
Monge Genshô – Sim. Podemos tentar explicar, mas este comportamento de manada é comum. Os homens costumam fazer coisas de determinada maneira e se prendem a elas. Pegando como exemplo a sua área, se entrarmos na sala de aula hoje e virmos as crianças sentadas e o professor na frente dando aula e andarmos cento e cinquenta anos para trás quando La Salle começou as classes dessa maneira, imitando o sistema de formação industrial, no qual todos tinham a mesma formação, as classes parecem as mesmas, embora tenhamos ferramentas maravilhosas para educar as pessoas de forma diferente. O pensamento humano costuma seguir em trilhos.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Apagar os condicionamentos mentais
Posso dizer com clareza, que todos nós temos dentro de nós de tudo. Dentro de mim há um assassino, pois, na época em que, jovem, eu treinava tiro, se viesse um assaltante, eu mataria. Tecnicamente.
Esta marca cármica fica lá. Os jogos eletrônicos são exemplo disso. Não são inocentes. Há a presença de marcas cármicas que são criadas na mente, ali. Jogar um jogo violento no computador não é inócuo. É criação de uma marca cármica na sua mente. Serão necessárias décadas de prática, pra ir amenizando.
A única vantagem é de que “eu sei” como é a mente. Eu sei o que faz uma pessoa com arma na mão e esse treinamento. E ele vai fazer isso. E nós seres humanos somos extremamente maleáveis. De acordo com o treinamento que você der, você faz outra mente, cria novas marcas e energias de hábito.
Então o que fazemos no ZEN? Levamos a pessoa para um primeiro treinamento: ZAZEN. Primeiro vamos limpar. Limpar todo o passado, parar de pensar no futuro.
Quando você faz isso, você corta duas coisas: o passado traz os remorsos, as culpas, etc. Então o passado é fonte da depressão. E o futuro é a fonte da ansiedade e da decepção. Cria expectativas, decepciona, desilude, etc. Por quê você se decepcionou com alguém? Porque você alimentou uma expectativa. Você pensou no futuro e as coisas não saíram como você esperava. Essa sua decepção é ruim pra você? Sim. Mas de onde ela vem? Da sua expectativa. Daquilo que você alimentou dentro de você, sobre o futuro.
Vamos sentar em Zazen (meditação). Como trabalhar tudo? Por exemplo na psicologia, o trabalho é imenso. As pessoas ficam décadas falando para o terapeuta, elaborando, mexendo, etc, e muitas vezes pouco resolve. O que fazemos no zazen? A abordagem é oposta. Sentar aqui. Seja o que for que venha, deixe, não importa. O que nós vamos fazer é “formatar” o disco preenchido. Apagar tudo e vamos começar com outros condicionamentos. E todos os rituais e regras pretendem criar condicionamentos mentais, porque a forma ou o ritual que fazemos no ZEN, que não têm tanta importância e que podem ser mudados, criam uma mente diferente.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Que assim seja
Somente depois de desistirmos de ter um eu próprio é que podemos estar libertos. Como usamos olhos de eu para olhar as coisas, é necessário tirar esses olhos e colocar os olhos de Buda para olhar o mundo como ele é. Esse mundo que é visível com os olhos de Buda é o nirvana, é este mesmo, não é outro lugar, é aqui. Então toda a infelicidade e insatisfação que temos no mundo e em tudo que fazemos, só tem um lugar de origem, nossa mente. É essa mente que gera tudo isso. E nós temos a capacidade, a habilidade de, mudando nossas qualidades mentais, mudar esse mundo inteiro completamente.
Por isso que dizemos no zen, “quando um homem se ilumina o universo inteiro se ilumina”, o universo dele, aquele que ele olha, não existe mais nada que não seja iluminado naquele universo, porque ele pode ver as coisas como realmente são e não as coisas como nós acalentamos. Então a pura felicidade já está presente e disponível, aqui e agora, nesse momento, nas próprias coisas que fazemos. Nos nossos trabalhos, nas nossas viagens, nos relacionamentos a pura felicidade já está aqui. Só não a percebemos porque temos um mente que não aceita com tranqüilidade absoluta.
Eu estava lendo um ensinamento de um famoso mestre chinês que morreu com 101 anos e ele recomendou à uma mulher apenas uma coisa, que dissesse para tudo que acontecesse, que assim seja. E ela então começou dizer “assim seja” para todas as coisas. Para a morte do marido, para a morte do filho, para cada coisa que aconteceu. E ao dizer “assim seja” aceitando tudo plenamente, sem nenhuma reação, sem nenhum sentimento de oposição, com perfeita equanimidade mental, ela atingiu a iluminação, atingiu a completa libertação. A libertação estava disponível, só era necessário mudar sua mente para uma mente de pura aceitação, que podia aceitar todas as coisas tais quais elas se apresentam. Aceitar as coisas tal como se apresentem é uma maneira de transformar o samsara em nirvana. Isso não significa, em absoluto, não agir no mundo, significa sim, agir no mundo, por que não? Agimos no mundo da maneira correta apenas, vendo o mundo como ele é e tentando agir no mundo tranquilamente, da melhor maneira. Vivenciando o mundo e reagindo ao mundo com a mente mais tranqüila possível, com a melhor aceitação possível, só então nós treinamos a nossa mente. Esse treinamento começa na meditação, por isso na meditação sentamos e podemos fazer muitas coisas. Simplesmente sentar e ouvir os sons do mundo, e aceitar os sons do mundo tais como eles se apresentam, sem nenhuma reação de bom, ruim, certo, errado, gosto, não gosto, aceitar completamente tudo que acontece enquanto estamos sentados respirando.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Descartando o karma

P. A mente dual é nosso grande desafio, na verdade nós estamos fazendo sempre escolhas e quando a gente está deixando de fazer uma coisa está fazendo outra e o caminho é aqui agora, mas sendo pessimista eu tenho impressão de que neste planeta que a gente vive esta mente dual é o limite na verdade para a grande maioria das pessoas e acredito que os iluminados sejam raros, entre milhões, um vai ser iluminado. Esta dualidade vai nos acompanhar sempre...
R. Mas de qualquer forma você está mudando o seu karma e a medida que você muda o seu karma sua próxima manifestação será diversa e posso dizer que vocês todos estão aqui no sesshin não é por acaso, tem karma para estar aqui porque uma pessoa normal mesmo não vem aqui.
P. Sobre a questão da escolha. Acho que há um desafio quando a gente faz escolha porque há uma bagagem, então não basta acordar é preciso dissolver toda essa bagagem...
R. A bagagem kármica talvez não seja tão fácil de perceber, mas ao sentar aqui para fazer zazen vocês estão descartando muito karma porque na medida que a gente muda a mente, os condicionamentos muda o karma. É ele que faz com que nós nos manifestemos, não somos nós que estamos carregando um karma, não é isto, este karma que nós temos é exatamente o nosso condicionamento mental, se você dissolve o seu condicionamento mental na prática da meditação o mundo muda em volta e o seu karma muda, zazen corta karma.






