Mostrando postagens com marcador Bodhisattva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bodhisattva. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Budas e Bodhisattvas




Pergunta: Todo ser que se manifesta aqui é porque há um carma, e por isso se manifesta. A medida que ele desperta e abandona seu corpo e mente (atinge a iluminação), ele perde o seu corpo de vontade, de desejo. Como ele pode voltar como um bodhisattva se ele não tem mais esse corpo de vontade?

Monge Genshô: A teoria é que o bodhisattva retorna porque ele guarda uma iluminação com resíduos. Ele tem uma compaixão pelo sofrimento dos outros seres, ele quer cessar e ajudar os outros seres. E por isso ele retorna. Mas ele não precisaria retornar. Uma iluminação completa e perfeita, como uma iluminação de Buda, significa que não tem energia para retornar. Mas um Buda é "mais" do que um bodhisattva. Em alguns textos, Buda diz: “em uma vida passada, quando eu era um bodhisattva...”. Mas como Buda, isso significa que entro em nirvana e que não tenho mais energia para voltar. Até porque tem a solução de um problema, que Buda resolveu. É que não existem outros seres. Mas enquanto você sentir que existem outros seres, você tem energia para voltar como bodhisattva. Mas se você realmente perceber completamente que não existem outros seres, então você não tem por que voltar. Porque enquanto você tem compaixão, você tem compaixão pelo outro porque existe um outro pelo qual você se compadece, o que implica que você se vê como um eu distinto.

Pergunta: É um despertar parcial?

Monge Genshô: O despertar de um bodhisattva não é o despertar de um Buda, pois há nele ainda essa noção de separação. 

[Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

É porque existe vazio que tudo se manifesta



(Continuação) Ao despertar os seres veem o mundo tal como ele é, isto é a talidade das coisas, sem a distorção das nossas ilusões. Por isso o despertar produz tão grande felicidade, como promete o Sutra do Coração, que diz “quando o Bodhisattva vê que a forma é vazio e o vazio é forma, ele livra-se de toda agonia e sofrimento”. A imagem para nós entendermos “forma é vazio e vazio é forma” pode ser as ondas do mar. Imaginem que o vazio é o mar, vazio de um eu, e as ondas são as formas. O mar se manifesta em ondas, então a forma é o próprio vazio e o vazio é a própria forma. Toda as coisas são vazias de um eu separado, o eu é sempre uma construção ilusória. Não existem palavras que expressem exatamente o que estamos falando. Vazio não é o nada, no budismo é o vazio que faz surgir tudo. É porque existe vazio que tudo se manifesta. Todas as manifestações são irregularidades na superfície da vacuidade. (Continua)

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Amar é diferente de apegar-se

Na seção dez (do Vajracchedika Sutra), “a edificação das Terras Puras”, Buda continua: “então, Subhuti, todos os bodhisattvas, grandes e pequenos, deveriam desenvolver uma mente pura e lúcida, e não deveriam prender-se a som, sabor, toque, odor, ou qualquer qualidade. Um bodhisattva deveria desenvolver uma mente que não se apega a nada e nesta atitude seu caminho deve se estabelecer”. Ele dá uma grande instrução de como nós deveríamos tratar nossos pensamentos, deveríamos não nos apegar a nada. Isso não quer dizer não amar, porque existe uma diferença entre amar e apegar-se. Ao apegar-se, surge a vontade de querer para si. Eu estava fazendo uma entrevista e alguém brincou que tinha um filho e há um tempo atrás nós tínhamos falado sobre o medo de perder um filho, como isso o angustiava, eu perguntei “e agora?”, e ele respondeu: “está em casa e vai ficar até os 50 anos”. Essa brincadeira mostra bem como nós somos. O apego é isso: eu quero um filho, mas não quero que ele se realize, não quero que ele vá embora, que se case, que se mude, que ele corra algum perigo, queria conservá-lo dentro de uma redoma em casa, ele seria um não ser, mas seria meu. Isso não é amor. (continua)

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Um bodhisattva não alimenta a ilusão de separação




(Continuação) “Quando um de nós espirra, todos espirramos”, nesse tipo de ensinamento e treinamento, tudo isso está embutido. Com a sangha (conjunto de praticantes) a instrução é: não falte a nenhum evento, venham todos. Não saia da sala, não desista do zazen (meditação sentada), porque você e a sangha são uma coisa só, não existe um ser separado, só existe esse conjunto. Então esse conjunto não se olha, não conversa, não manifesta opiniões, come a mesma coisa, dorme na mesma hora, acorda na mesma hora, senta junto, faz kinhin (meditação andando) junto e todo o treinamento do sesshin (retiro) está indicando para este fato: a percepção de um ego separado, de uma entidade separada, é em si mesma uma ilusão. Um real bodhisattva não alimenta essa ilusão. (Continua)

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

OBSERVANDO PENSAMENTOS E AÇÕES



Aluno – Se pensarmos corretamente, sentirmos e agirmos corretamente, aí então estaremos no caminho de Buda?

Monge Genshô – O mais difícil é ser senhor do seu  pensar. Acontece uma coisa errada e você tem que observar o pensamento que surge, o sentimento que surge, e examinar esse pensamento e sentimento. O praticante budista tem que examinar o seu sentimento. “Ah, está surgindo a raiva agora”. “Ah, eu me senti assim, é orgulho”. “Ah, eu senti isso agora, está nascendo, estou perdendo a paciência agora”. Você observa os seus impulsos surgindo e você os examina, presta atenção neles. Se você prestar bastante atenção, com o tempo você consegue pegá-los antes que eles se manifestem. Quando ele pensa em surgir, você o pega.

Tem uma palavra em japonês pra isso: nen. Então nós podemos pensar em português assim: nen apareceu mas eu já o estou pegando. Vem aquele impulso que não se formou como pensamento ainda, mas eu o vejo, e  não deixo que ele tome conta de mim. Se você praticar  assim, esse treinamento da mente vai fazer com que você seja senhor de sua mente. Se você for senhor de sua mente, os sentimentos não são mais seus donos. Você não é mais como uma folha levada pelos ventos das paixões.

Tem um voto do Bodhisattva que diz: “Delusões são inexauríveis, eu faço voto de extingui-las todas”. Outra maneira é dizer: “ As paixões são inexauríveis, eu não consigo extingui-las, mas eu faço votos de extingui-las todas”. Todas essas coisas que me arrastam sem que eu queira, eu faço voto de extingui-las, para ser senhor de minha mente.