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quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Há natureza búdica dentro de cada ser
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Mais perto porque não sabe
P: De certo modo, uma ave que é simplesmente uma ave, está mais próxima de sua natureza búdica do que os seres humanos?
Monge Genshô – Por não saber de si mesma está. Por sabermos de nós mesmos, nos perdemos. Imaginem que fôssemos pássaros. Se eu fosse um pássaro, chegasse à beira do ninho e pensasse, “nunca voei, mas posso voar”, teria um grande medo. Pelo fato de pensar no vôo e na queda, teríamos medo. Uma águia na beira do ninho não pensa, e por isso alça vôo.
Estava ouvindo um concerto de “Rachmaninoff”, o concerto numero três, que é um dos concertos mais difíceis de ser executado, é uma espécie de terror dos pianistas. Extremamente complexo, com uma tempestade de notas. Quando prestamos atenção no terceiro movimento e vemos as mãos voando no teclado, logo entendemos que não pode haver um pensamento por trás. Se em algum momento o pianista pensar na próxima nota, é impossível tocar.
Há uma piada Zen em que alguém pergunta para uma centopeia: “Qual é a perna que você mexe primeiro”? Desde então ela não conseguiu mais andar. Isso está presente em nossas vidas o tempo todo. Mesmo que não prestemos atenção, pode aparecer alguém com uma crise de ansiedade e dizer que tem medo de esquecer-se de respirar, coisa que uma pessoa sadia não pensaria. A mesma coisa acontece com uma pessoa que, ao deitar-se, deseja ficar bem atento ao exato momento em que irá adormecer. Há este momento em que acontece uma mudança no cérebro e a pessoa adormece, se você prestar muita atenção não irá dormir, porque para dormir precisa esquecer. Em geral estamos perdidos e não conseguimos viver completamente, em razão desta questão. Então a resposta é sim, o pássaro está mais perto porque não sabe.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
O caminho do Zen
Em primeiro lugar nós temos que entender o que é o Zen e o que é o caminho do Zen. O caminho do Zen é o caminho direto. O caminho direto foi ensinado por Buda pessoalmente, segundo conta a historia, a partir do sermão da flor. Quando Mahakashyapa sorriu quando Buda levantou uma flor. A percepção do que é o caminho é a compreensão de que tudo esta na mente. Que na verdade esse mundo, que nós vemos como mundo sansárico, é o mesmo mundo nirvânico, é o mesmo nirvana. Nós trabalhamos, comemos, dormimos, encontramos pessoas e tendemos a separar o mundo como o mundo do dharma de um lado, o mundo da paz, da serenidade, como agora quando estávamos em meditação e o mundo das aquisições, das coisas, dos trabalhos, das pessoas. Mas esse mundo que nós olhamos não é o nirvana porque a nossa mente não o vê. Assim como não vemos nas pessoas a pura natureza de Buda. Porque a única coisa que existe nas pessoas, a única coisa sólida e verdadeira, é a pura natureza búdica. Dentro de qualquer pessoa, a única coisa que não pode ser removida é a natureza búdica.
Toda sua mente, todos seus pensamentos, todos os acontecimentos, toda sua cultura, toda sua memória e seu corpo são temporárias e sendo temporárias, evanescentes e impermanentes, essas coisas não são o que poderíamos chamar de real. A única coisa que poderíamos chamar de real é a pura natureza búdica. A nossa dificuldade é que não podemos enxergar, por que? Porque nós temos ego. Como temos ego, esse eu, que usamos para transitar no mundo, confundimos tudo com uma realidade eterna e queremos que ele seja permanente. Confundimos todas as outras coisas com realidade sólida. Quando elas não são mais que bolhas, fumaça, sonhos, que passam e desaparecem como essa nossa reunião, como nossos corpos, como tudo. Mesmo nosso eu pessoal desaparecerá completamente.
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