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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

APRENDENDO A SENTAR EM ZAZEN (Zazen Parte I)




Eu vou falar sobre o zazen. O zazen, de certa maneira, é como morrer. Você senta em zazen e desliga, esquece memória e esquece imaginação sobre o futuro. É isso que você tem que descartar. Eu sei que é muito difícil. Então, o que acontece quando a gente senta em zazen, e deve ter acontecido com vocês, é que você senta e aí percebe que a sua cabeça não para e pensa: “minha cabeça não para, eu não consigo fazer zazen”. Esse é o problema de todo mundo. Todas as pessoas tem o mesmo problema. Você tem que usar a técnica e tentar, com o corpo, ancorar a mente. Então você para completamente, imóvel, e deixa que o corpo ancore o universo inteiro. É como se você fosse o centro de todas as coisas, de todo o universo. 

Mas a sua consciência está limitada a você na sua vida diária, só “eu, eu, eu”, “meus” pensamentos, “meus” problemas. Então você tem que esvaziar isso. Para isso, a primeira coisa é, sentar-se e relaxar todos os músculos do rosto. Então, os músculos da testa, todos os músculos que se contraem com a expressão, devem relaxar. Isso resulta num rosto muito tranquilo, e parece realmente que morreu ali, porque tudo parou, todas as reações pararam. Você tem que fazer isso, relaxar. 

Depois observe os músculos dos ombros. Às vezes eu passo atrás e tem pessoas que visivelmente estão tensas. Quando for dor, tente levantar os ombros e depois baixa-los. Às vezes é preocupação. Quando nós tocamos atrás, nos ombros das pessoas, quando tem preocupações de trabalho, financeiras, normalmente o lado direito está contraído. E quando é assunto emocional é o lado esquerdo que se contrai, afetivo. Então a gente pega a pessoa e diz, “ah, você está assim, tem um problema amoroso”, não tem nenhuma mágica, simplesmente é perceptível quando a tocamos.

Mas quando você se senta, o que tem que fazer? Conscientemente, todos os reflexos do corpo, você tem que relaxar, afrouxar. O mudra universal é como se ligasse você ao universo inteiro. Seus dedos estão se tocando levemente. Se você pensa, ou se preocupa, os dedos apertam, as unhas ficam brancas, e os dedos sobem. Se você se deixa tomar por um torpor ou uma sonolência, os dedos caem. Se você pensa muito, os dedos até se separam, vai um para um lado e outro para outro. O professor passa e olha o mudra e, “ah”. Ele está dizendo “isso”, o professor sabe. Então depois tem uma entrevista, ele pode dizer ao aluno: “está acontecendo isso com você”. Eu já vi alguém dizer: “ele lê pensamento”. Não. Ele lê mudras e corpo. As suas costas mostram o que está acontecendo com você, e o corpo é reflexo da mente. Quando uma pessoa não consegue parar, isso é a mente. Ontem sentou alguém aqui pela primeira vez e vi que era impossível para ele parar, coça nariz, ajeita a blusa, etc, é uma mente que não parava. Como a mente não para, o corpo não para. 

Então, no Zen, nós fazemos o contrário. Eu não vou conseguir parar a mente, então, eu vou parar o corpo, e assim eu vou atingir a mente, eu vou conseguir atingir a mente. Por isso, sem a prática do zazen fica muito difícil, porque você fica preso na teoria.
(continua)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Viver no presente



Um grupo de criminosos invadiu o templo de um mestre zen, e revoltados com sua religião que não falava em deuses nem almas nem espíritos ameaçaram decapitá-lo. O mestre lhes respondeu:
-  Está bem, mas por favor esperem até a manhã, tenho um trabalho a terminar.

Passada a noite,  tendo bebido chá e desfrutado dele escreveu o mestre um poema simples em que comparava sua decapitação com uma brisa de primavera e a oferecia aos fanáticos como um presente.
Em poucas palavras, o mestre compreende bem a prática do zen.

Nos custa entender esta história porque estamos muito apegados em manter nossa cabeça em cima dos ombros. Não nos interessa em absoluto que nos cortem a cabeça. Queremos que a vida vá como desejamos. Se ela não vai como queremos nos revoltamos e ficamos confusos. Experimentar estes sentimentos não é mau em si mesmo mas a quem interessa uma vida dominada por eles?

Quando deixamos de prestar atenção ao momento presente e caímos na versão de  "tenho que fazer do meu jeito" se cria uma brecha em nossa consciência da realidade neste exato instante. Por esta brecha entra todo o mal de nossa vida.  Criamos uma brecha assim atrás da outra durante todo o dia.
 O objetivo da prática do zen e fecha-las, reduzir a quantidade de tempo que passamos ausentes, amarrados a nosso sonho egocêntrico.


La vida tal como es-Enseñanzas zen
Charlotte Joko Beck con Steve Smith
Ed. Gaia-2008
(adaptado por Monge Genshô)

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Viver no mundo sem ser do mundo



Pergunta – Como é que a gente faz para viver num mundo e conviver com pessoas com as quais sabemos que não nos identificamos mais? Sei que isso é o ego que julga e separa tudo. Mas eu olho para essas pessoas e para a vida do passado e sei que não pertenço mais a isso mas, ao mesmo tempo, não possuo um esclarecimento não intelectual. Como fazer para viver exatamente no meio, entre a vida que não reconhecemos mais como nossa e aquilo que imaginamos ser nosso objetivo, uma clareza de espírito?

Monge Genshô – As identidades que temos ao longo da vida são criadas pela mente. Nós sustentamos situações que vamos criando, vamos codificando e criando. Mesmo quando falamos sobre o Zen em nossa vida, também sustentamos identidades. Criamos nomes, forma, amigos, roupas e começamos a ter um modo de vida. O que temos que perceber é que todas as circunstâncias são criadas nas nossas mentes, mesmo a de ser monge. Roupas, formas, identidades, nome e até a convicção das pessoas que os cercam, todo esse conjunto de coisas sustenta algo que, como todas as outras coisas da vida, é ilusório.

Todas as nossas identidades e relacionamentos são construídos. O que temos que pensar é: “construímos o que queremos ou fazemos apenas algo que nos é condicionado”. Muitas pessoas vêm me falar que estão num relacionamento e numa vida que não desejam. No entanto, foram elas que construíram todas as circunstâncias que sustentam suas vidas. Quando você troca para outra circunstância, essa também é uma construção. Deveríamos olhar lucidamente para nossa liberdade, que é capaz de manifestar tudo. Temos uma mente liberta que é capaz de manifestar qualquer coisa.

É você quem escolhe a condição que deseja manifestar, por exemplo, uma pessoa que deseja ser monge, que faz seus votos e que agora recebe a oportunidade de treinar no Japão, foi ela quem procurou essa vida. Isso pode ser fantástico, maravilhoso, pois quando ela estiver morrendo poderá olhar para trás e dizer que construiu uma vida ideal. Qual a vida que nos permite olhar para trás e dizer que não importam as formas ou pessoas, eu construí e sustentei a vida que eu realmente desejei? Essa liberdade fundamental é que é o nosso grande ganho. Quando estamos presos à uma forma, identidade ou profissão, não temos essa liberdade. Somos como água e podemos manifestar qualquer forma, mas todas as manifestações de nossa vida são de certa forma legítimas, pois são possíveis, mesmo as piores.

terça-feira, 11 de março de 2014

O tempo de viver é só o tempo de viver


2)  Nesse caso entra a filosofia, o pensamento, a mente e o “eu”. Então como fica a questão de como quebrar o “eu” e ao mesmo pensar filosoficamente, sendo que a filosofia tem o “eu” dentro?

Monge Genshô - Primeiro há raciocínios, é o que chamamos de “ensinamento provisório”. Primeiro raciocinamos. Basta observar para ver que você nem precisa morrer para perder seu “eu”, basta ficar doente, perder a memória, por exemplo, e não saber mais quem é, como tantas vezes já foi explicado. Mas depois, é a solução final de Buda, que não é uma solução baseada no raciocínio, mas em uma experiência mística. Ele senta para meditar e enxerga. Então, na prática, o que o budismo diz é que aquilo que Buda fez - sentar-se para meditar e perceber com clareza a verdade e dizer para o seu “eu” - “você não me enganará mais” - essa experiência é acessível por todos, todos têm a condição de Buda, todos somos Budas, só precisamos fazer a mesma coisa, sentar, meditar e acordar. Quando acordarem, subitamente grande felicidade e todos os problemas da vida parecerão bobagem, podem se evaporar como fumaça. Inclusive o grande problema da morte.

Para aquele que enxergou a unidade, a morte não existe. Posso falar isso para vocês: o medo da morte desaparece como mágica. Não tem mais importância. Por isso aquela história de um general que invade uma cidade, chega à um templo Budista, encontra um mestre e fica indignado porque o mestre não tem medo e com sua espada suja de sangue lhe diz – “Você não vê que posso lhe matar em um instante”? – e o mestre lhe diz – “E você não vê que eu posso morrer em um instante”? Existem tantas histórias de mestres budistas que simplesmente morrem – “Eu chamei vocês aqui hoje porque irei morrer” – então senta em zazen e morre.

Esse mestre tibetano que morreu no Brasil, Chagdud Rinpoche a quem visitei várias vêzes, fez suas coisas de forma interessante também. Ele estava doente, isso foi há alguns anos, há uns dez anos. Ele chamou os alunos e disse: “Eu vou dar um curso sobre como morrer”. Foram então umas duzentas pessoas fazer o curso com ele. O curso estava marcado para terminar às 18:00 hs, mas ele continuou ensinando e falando sem parar até as 22:00 hs, então levantou-se e disse – “Bem, agora eu vou embora”. Foi para seu quarto, sentou em zazen e morreu. O corpo dele continuou sentado em zazen e os tibetanos acham que não se pode mexer em um mestre que morreu assim enquanto o corpo não cair. E quando veio a Secretaria da Saúde, eles tiveram que convencer os médicos que apesar dele estar morto, o corpo não poderia ser tocado, era um sinal de respeito. Os médicos compreenderam e ficaram todos esperando. Após seis dias o corpo empalideceu e caiu. Foi então retirado para cremação.

No Zen as histórias são a vezes anedóticas Vocês viram o filme sobre o Zen onde acontece a morte de Eihei Dogen. Tem uma história muito interessante sobre um mestre que era muito brincalhão, chamou seus discípulos e perguntou-lhes – “Vocês já viram alguém morrer deitado”? – e todos responderam que sim, e – “Já viram alguém morrer sentado”? – E a resposta foi a mesma, e – “Mas e de cabeça para baixo”? – e os monges responderam que nunca haviam visto alguém morrer nesta posição. Então ele fez uma postura de ioga de cabeça para baixo e morreu. E o corpo dele não caía, então como os discípulos não queriam mexer no corpo mandaram chamar uma irmã dele. Quando ela entrou disse – “Você a vida inteira fazendo palhaçada e agora ainda morre de cabeça para baixo, saia logo dessa posição” – só então ele caiu e puderam enterrá-lo.

Essas histórias têm algo de mítico evidentemente, mas elas têm uma intenção ao serem contadas. É que nós levamos tudo muito a sério, e parece na realidade, que no Zen nunca se levou muito a sério essa questão. Como dizia Dogen – “O tempo de viver é só o tempo de viver, o tempo de morrer é só o tempo de morrer”.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Por sabermos nos perdemos


1) De certo modo, uma ave que é simplesmente uma ave, está mais próxima de sua natureza búdica do que os seres humanos?

Monge Genshô – Por não saber de si mesma está.  Por sabermos de nós mesmos, nos perdemos. Imaginem que fôssemos pássaros. Se eu fosse um pássaro, chegasse à beira do ninho e pensasse, “nunca voei, mas posso voar”, teria um grande medo. Pelo fato de pensar no vôo e na queda, teríamos medo. Uma águia na beira do ninho não pensa, e por isso alça vôo.

Estava ouvindo um concerto de “Rachmaninof”, o concerto numero três, que é um dos concertos mais difíceis de ser executado, é uma espécie de terror dos pianistas. Extremamente complexo com uma tempestade de notas. Quando prestamos atenção no terceiro movimento e vemos as mãos voando no teclado, logo entendemos que não pode haver um pensamento por trás. Se em algum momento o pianista pensar na próxima nota, é impossível tocar.

Há uma piada Zen em que alguém pergunta para uma centopeia: “Qual é a perna que você mexe primeiro”? Desde então ela não conseguiu mais andar. Isso está presente em nossas vidas o tempo todo. Mesmo que não prestemos atenção, pode aparecer alguém com uma crise de ansiedade e dizer que tem medo de esquecer-se de respirar, coisa que uma pessoa sadia não pensaria. A mesma coisa acontece com uma pessoa que, ao deitar-se, deseja ficar bem atento ao exato momento em que irá adormecer. Há este momento em que acontece uma mudança no cérebro e a pessoa adormece, se você prestar muita atenção não irá dormir, porque para dormir precisa esquecer. Em geral estamos perdidos e não conseguimos viver completamente, em razão desta questão. Então a resposta é sim, o pássaro está mais perto porque não sabe.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Impermanência e os eruditos de bar


1) O senhor poderia falar sobre a  impermanência?

Monge Genshô – Impermanência em sânscrito é “Anitya”, que é uma das marcas da existência. Toda existência é impermanente, não existe nada permanente e sólido no mundo. Nós, seres humanos, colocamos nossa felicidade na permanência, desejamos que nossos amores durem para sempre, não é assim que terminam os contos de fadas? “E foram felizes para sempre...” Temos o desejo pela estabilidade, gostaríamos de um emprego público com salário excelente e zero possibilidade de demissão. Gostaríamos de viver em um país de contos de fadas onde uma pessoa que cometesse um grave erro fosse aposentada compulsoriamente com salário integral. O problema é que colocamos nossa felicidade na estabilidade, estabilidade de todas as coisas, inclusive, como acontece em alguns contos de fadas, uma fonte da juventude onde pudéssemos beber de sua água e jamais envelhecer. O sonho da vida eterna.

Esse sonho de vida eterna é recorrente nas fantasias religiosas, onde teremos uma vida eterna em um corpo perfeito. Outras religiões têm o sonho de um “eu” sobrevivente com uma alma eterna que igualmente não envelhece ou morre. Um paraíso que dure para sempre, imutável. Do ponto de vista do Zen, talvez fosse isso um castigo, estar eternamente na mesma situação sem nunca ela se alterar.

A experiência mostra que quando uma pessoa se vê nessa situação ela sente-se mal. Imaginem uma pessoa em uma prisão. Ninguém poderá incomodá-lo, lhe será fornecida comida duas ou três vezes ao dia, essa pessoa terá cama, banheiro e comida para sempre. Uma prisão perpétua em solitária. Para o Zen isso seria um castigo inumano. É a situação da estabilidade perfeita: a pessoa recebe tudo, não tem contas para pagar, ninguém para incomodar, nenhuma situação que comece e termine, tudo perfeito.

Parece que a impermanência tem dois lados: de um, é a fonte de todo o sofrimento humano, pois ele coloca a felicidade na estabilidade mas, por outro lado, se você propicia a uma pessoa a estabilidade perfeita, ela poderá encarar como um castigo, pois é a vida sem aventura. Nunca me esqueço de quando estive em Andorra, um Principado que fica entre a França e a Espanha. Não existe moeda local, eles usam o Euro; não tem exército, vivem do turismo; todos os habitantes possuem casa, habitação e tudo funciona perfeitamente bem. Em Andorra os jovens se queixam que não existe nada para fazer, nada acontece no país, eles já sabem onde irão morar, com quem se casarão, onde trabalharão, não existe serviço militar, vivem de receber os turistas, sabem que terão a vida igual a de seus pais. Aposto que o pensamento deles é - “como eu gostaria de morar em um lugar como o Brasil, onde as coisas mudam constantemente”.

“Anitya”, a marca da impermanência, é ao mesmo tempo benção e maldição. Que bom que a gente envelhece e morre. Se fôssemos todos eternamente jovens não poderíamos amar e ter filhos, pois não haveria lugar no mundo para tanta gente. Para que haja lugar para os filhos temos que ir embora. Esse é o fluxo da vida e a impermanência.

Na semana passada falamos sobre os três corpos, o “Tri Kaya”, que é uma construção, é conveniente para raciocinar e pensar, mas não nos ajuda necessariamente no caminho da iluminação. A teoria budista pode construir outro tipo de ilusão, do erudito budista que imagina que saiba muito sobre o budismo, conhece muitos termos, mas não sabe viver. Esse tipo é ótimo para sentar em mesas de bar para tomar uma cerveja e impressionar os amigos com seus conhecimentos profundos.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

O tempo de viver e o tempo de morrer


Pergunta - O budismo não deixa de ser também uma das religiões que buscam uma resposta para a morte, porque se alguma forma que seja, mesmo que sem as bengalas, ele busca uma resposta. O que seria não buscar resposta nenhuma?

Monge Genshô - Quando Buda sai na sua busca, ele sai na mesma angústia de todos. Por que nascemos, envelhecemos, adoecemos e morremos? Porque me sinto angustiado com isso? Ele quer a solução desse problema. Só que em vez de colocar a solução numa crença ele põe tudo em termos de raciocínio e treinamento. Então o budismo é treinamento da mente, libertação do homem e recusa as soluções fáceis, as crenças. E toda essa questão do eu é puramente lógica.

Pergunta - Nesse caso entra a filosofia e o pensamento e entra a mente e o eu. Então fica a questão de como quebrar o eu e ao mesmo tempo pensar filosoficamente, sendo que a filosofia tem o eu dentro...

Monge Genshô - Primeiro há raciocínios, é ensinamento provisório que se chama. Primeiro raciocinamos. Basta observar para ver que você nem precisa morrer para perder seu eu, basta ficar doente, perder a memória, por exemplo, e não saber mais quem é, como tantas vezes já foi explicado. A solução final de Buda não é baseada no raciocínio, mas em uma experiência mística. Então ele senta para meditar e enxerga. Na prática o que o budismo diz é que aquilo que Buda fez, sentar-se para meditar e perceber com clareza a verdade e dizer para o eu “você não me enganará mais”, essa experiência é acessível por todos, só precisam fazer a mesma coisa, sentar, meditar e acordar. Quando acordam, então subitamente, grande felicidade e todos os problemas da vida parecem bobagem, podem se evaporar como fumaça. Inclusive o grande problema, a morte. Para aquele que enxergou, a morte não existe. O medo da morte desaparece por mágica. Não tem mais importância. Por isso aquela história de um general que invade uma cidade, chega à um templo budista, encontra um mestre e fica indignado porque o mestre não tem medo e com sua espada suja de sangue lhe diz – Você não vê que posso lhe matar em um instante? – e o mestre lhe diz – E você não vê que eu posso morrer em um instante?

 Existem tantas histórias de mestres budistas que simplesmente morrem com simplicidade – Eu chamei vocês aqui hoje porque irei morrer – então senta em zazen e morre. Esse mestre tibetano que morreu no RGS, Chagdud Rinpoche, fez de forma interessante também. Ele estava doente, isso foi há alguns anos. Ele chamou os alunos e disse - Eu vou dar um curso sobre como morrer – foram então umas duzentas pessoas ter o curso com ele. O curso estava marcado para terminar as 18:00h, mas ele continuou ensinando e falando sem parar até as 22:00h, então levantou-se e disse – Bem, agora eu vou embora. Foi para seu quarto, sentou em zazen e morreu. O corpo dele continuou sentado em zazen e os tibetanos acham que não se pode mexer em um mestre que morreu assim enquanto o corpo não cair. E quando veio a secretaria da saúde brasileira eles tiveram que convencer os médicos que apesar de ele estar morto, o corpo não poderia ser tocado, era um sinal de respeito. Os médicos compreenderam e ficaram esperando. Após seis dias o corpo empalideceu e caiu. Foi então retirado para cremação.

 Há uma história Ch’an muito interessante sobre um mestre que era muito brincalhão, chamou seus discípulos e perguntou-lhes – Vocês já viram alguém morrer deitado? – e todos responderam que sim, e – Já viram alguém morrer sentado? – E a resposta foi a mesma, - Mas e de cabeça para baixo? – e os monges responderam que nunca haviam visto alguém morrer nesta posição. Então ele fez uma postura de ioga de cabeça para baixo e morreu. E o corpo dele não caia, então como os discípulos não queriam mexer no corpo mandaram chamar uma irmã dele. Quando ela entrou no quarto disse – Você a vida inteira fazendo palhaçada e agora ainda morre de cabeça para baixo, saia logo dessa posição! – só então ele caiu e puderam enterrá-lo. Essas histórias tem algo de mítico evidentemente, mas elas tem uma intenção ao serem contadas. É que nós levamos tudo muito a sério, e parece na realidade, que no zen, nunca se levou muito a sério essa questão. Como dizia Dogen – O tempo de viver é só o tempo de viver, o tempo de morrer é só o tempo de morrer.

Por favor, sentem-se em zazen, não se levem muito a sério, tentem se livrar de vocês mesmos, é nossa chance. Sesshin é uma grande oportunidade de ter uma experiência mais profunda. Por isso fazemos um zazen atrás do outro. Não desperdicem o zazen. Essa aventura de despertar é a aventura principal. Só ela pode nos livrar dessa prisão de eternos retornos, de manifestações humanas. Sempre começando. As vezes fico imaginando, não estou preparado para ser um Buda e penso que não estarei, de forma que sei que vou voltar. Fico imaginando, a gente vive e morre, depois, sem memória nenhuma do que aconteceu no passado, só guardando nossos impulsos, e meus impulsos não são lá essas coisas, tenho maus impulsos, então de repente, só carregando isso, me ver de novo como um bebê, tomando mamadeira sem nenhum guia, só meus impulsos. Então temos que trabalhar nossos impulsos, nossa maneira de ser, nosso caráter, porque nós só conservamos isso. O carma só leva impulsos, não leva o eu. De forma que pela tradição nos manifestamos de novo carregando impulsos, por isso cada pessoa que nasce é diferente, pois carrega seus impulsos, só temos eles e mais nada. Não dá para dizer, eu sei que isso não dá certo e vou tentar evitar. A gente tem os mesmo impulsos. E aqueles que tem egos, apegos, desejos, por causa disso, sofrem. Nós sofremos, nós desejamos coisas. Desejamos segurança, filhos, amores, uma boa família e quando as coisas não funcionam como desejaríamos, nós sofremos. Essa é a raiz do sofrimento, aquilo que desejamos e esperamos. Se não tivéssemos nenhum desejo ou esperança não existiria nenhuma expectativa para ser frustrada. Nós sofremos por expectativas frustradas.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Viver integralmente


Então, entre o primeiro despertar e uma iluminação completa, vai uma distância bastante grande. Mas nós que viemos ao sesshin (retiro) e nos sentamos para fazer zazen, viemos com um propósito: nós nos sentamos em zazen para que nossa mente seja limpa. Sesshin quer dizer “consertar a mente” ou “reunir a mente que está dispersa”. Nós viemos para praticar de uma forma dura o suficiente para criar alguma experiência dentro de nós. Então essa prática está cheia de silêncio para que nós não sejamos arrastados por ventos, por isso é tão importante não falar, não conversar, porque tudo vai nos mobilizar. Nós podemos gostar de uma palavra que alguém diz e podemos não gostar de uma palavra, de uma atitude, de qualquer coisa, e isso vai atrapalhar nosso sesshin. Então o sesshin deve ser profundamente solitário e silencioso. Fazemos toda a prática, sentamos e, cada vez que estamos no zendo, tentamos nos livrar de todo passado e futuro, tentamos ficar ali, só tem uma coisa que realmente existe, esse vento movendo as árvores, ou o ruído do regato, ou pássaros que cantam, mas assim que isso acontece, deixa de acontecer e vamos avante, são sons com muito poucas marcas que nos mobilizam, diferente das palavras e das expressões dos outros que podem nos mobilizar.

A iluminação ou o despertar não significa nos desligarmos da vida, em absoluto. Significa mergulharmos mais profundamente na vida, na realidade da vida, não significa nos abandonarmos ou abandonarmos tudo que fazemos. Ontem alguém me disse que se abandonássemos nosso “eu” não realizaríamos coisas. Eu apontei o fato de que os mestres e monges trabalham e tentam fazer coisas no mundo e modificam o mundo, portanto estão muito empenhados, estão inseridos no mundo.

Uma das frases preferidas de Saikawa Roshi é “enjoy your life”, aproveite sua vida. Usufrua de sua vida, goste de sua vida. “Joy” em inglês, tem alegria dentro - usufrua de sua vida com alegria. O amor que você tem, os filhos, as pessoas a quem você ama. Quando sentar para comer coma com alegria e aproveite cada bocado completamente. Durma com prazer, sente no zazen com prazer. Aproveite cada pequeno som que você ouve. Essa vida é preciosa, insubstituível, é para ser aproveitada com intensidade. Na realidade o que o zen diz é que quando nós estamos sonhando, pensando, viajando, não conseguimos aproveitar a vida como ela é. Sentamos para comer e não conseguimos sentir o gosto da comida porque estamos pensando em outra coisa. Deveríamos fazer as coisas completa e dedicadamente, muito envolvidos naquilo que estamos fazendo. A vida é preciosa e maravilhosa, devemos saber vivê-la completamente.(continua..)

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Mais perto porque não sabe



P: De certo modo, uma ave que é simplesmente uma ave, está mais próxima de sua natureza búdica do que os seres humanos?

Monge Genshô – Por não saber de si mesma está. Por sabermos de nós mesmos, nos perdemos. Imaginem que fôssemos pássaros. Se eu fosse um pássaro, chegasse à beira do ninho e pensasse, “nunca voei, mas posso voar”, teria um grande medo. Pelo fato de pensar no vôo e na queda, teríamos medo. Uma águia na beira do ninho não pensa, e por isso alça vôo.

Estava ouvindo um concerto de “Rachmaninoff”, o concerto numero três, que é um dos concertos mais difíceis de ser executado, é uma espécie de terror dos pianistas. Extremamente complexo, com uma tempestade de notas. Quando prestamos atenção no terceiro movimento e vemos as mãos voando no teclado, logo entendemos que não pode haver um pensamento por trás. Se em algum momento o pianista pensar na próxima nota, é impossível tocar.

Há uma piada Zen em que alguém pergunta para uma centopeia: “Qual é a perna que você mexe primeiro”? Desde então ela não conseguiu mais andar. Isso está presente em nossas vidas o tempo todo. Mesmo que não prestemos atenção, pode aparecer alguém com uma crise de ansiedade e dizer que tem medo de esquecer-se de respirar, coisa que uma pessoa sadia não pensaria. A mesma coisa acontece com uma pessoa que, ao deitar-se, deseja ficar bem atento ao exato momento em que irá adormecer. Há este momento em que acontece uma mudança no cérebro e a pessoa adormece, se você prestar muita atenção não irá dormir, porque para dormir precisa esquecer. Em geral estamos perdidos e não conseguimos viver completamente, em razão desta questão. Então a resposta é sim, o pássaro está mais perto porque não sabe.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Seja aquele que canta lá fora



As experiências místicas muito provavelmente não acontecem no zazen, as melhores experiências acontecem fora, depois quando estamos caminhando, ou em outra situação e percebemos que nossos sentimentos estão mudando, se fizermos tempo suficiente de prática nossos próprios sonhos mudam, nosso sono muda, mas nossos sonhos melhoram, porque nosso inconsciente muda. Agora temos apenas um dia mais ou menos de sesshin, esses primeiros zazen do primeiro dia é como se fossem uma limpeza, muitos pensamentos já vieram e se foram, muitos pensamentos que surgiram nos primeiros zazen já não tem mais sentido. Talvez agora estejam retornando imagens ou pensamentos que não são dos últimos dias, mas sim coisas mais básicas e também elas se tornarão cinzas, mas não se importem, não mexam com elas, apenas retornem para cá, para essa imensa dificuldade que é viver o momento presente, a verdadeira vida.

É necessário esquecer de si mesmo. Esquecer de mim, este que sempre quer explicar tudo, que sempre quer ter sucesso, que sempre vai procurar culpas, ou para se martirizar ou nos outros, esqueçam este eu, joguem fora, ele também é uma construção, também é imaginário. Por isso fazemos tudo junto, nunca separem-se do grupo para fazer algo sozinhos. Nós fazemos tudo juntos. Porque não somos ”eus” separados, somos participantes de um grande ser. Esse eu separado que nós tanto prezamos e acreditamos, esse é que nasce e morre, se nos livrarmos dele, nos livramos também de nascimento e morte. Isso é iluminação. Por isso a iluminação é um acontecimento de grande alegria, felicidade imensa, porque morte e nascimento desparecem e de repente você ganhou vida eterna.

Não sentimos nossa eternidade porque somos indivíduos, porque acreditamos em nós mesmo como pessoas separadas e até criamos religiões que querem que nós continuemos existindo iguais para sempre. E não existe nada igual para sempre, só existe um imenso universo do qual nós somos ondas participantes. Estamos nesse imenso fluxo. Somos como as pedras ou árvores lá fora, somos fenômenos no universo. Nós temos que nos sentir como o universo e para isso é necessário esquecermos de nós mesmos. E isso é imensamente difícil, a prática começa com “esqueça passado e futuro, sente-se e mergulhe e seja um com todas as coisas em volta”. Se você conseguir ser um, nem que seja por algum lapso de tempo, se por alguns segundos você for aquele que canta lá fora, mesmo que por um pequeno instante você terá enxergado o que é iluminação. Iluminação é sentir-se assim sempre.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Viver profunda e completamente








P. O texto diz: até mesmo cortar as paixões é uma doença...

R. Este que está liberto deixou o lar mentalmente, não tem apego por nada, embora seja amoroso com a sua família, como a lua no céu e como uma pérola rolando numa tigela, vê aquele que está livre no meio de uma cidade agitada, entende além do tempo enquanto está no mundo, sabe que tudo é interligado que nada nasce, que nada morre, está enxergando a vacuidade, portanto as coisas não tem a importância que parecem, realizando isto, ele sabe que até mesmo cortar as paixões é uma doença porque quem está cortando as paixões está no primeiro caminho, porque não tem apego a nada então não tem que cortar nada e segue uma vida livre como uma pérola rolando dentro da tigela, não tem nenhuma aresta, ela rola livremente, essa é a imagem. Uma vez chegou um aluno para mim, me escreveu e disse: eu tenho muitos desejos, sou muito jovem, tenho muita saúde, mas eu quero dominá-los, eu não vou mais cuidar da minha aparência, eu não vou mais namorar e eu escrevi para ele de volta: pare com isto agora mesmo, vá, você é jovem, vá à frente do espelho e penteie os seus cabelos, se vista e saia e namore, porque se ele ficar nisto vai virar uma tortura tremenda e ele nunca vai conseguir escapar do problema de tentar conter uma coisa tão forte, se ele quiser esmagar isto vai passar a vida inteira controlando este desejo, não é assim, primeiro ele tem que experimentar, viver, aí então entender intimamente a paixão, poder cultivar um amor verdadeiro, profundo, dedicado por alguém que não dependa de um desejo doentio, que seja livre, que saiba amar alguém sem medo da morte desta pessoa, que saiba chorar ao lado do túmulo, isto é a nossa vida, é Zen, não é estou Zen e livre de todos os sentimentos e sofrimentos, não é assim, o Zen Budismo é viver completa e profundamente.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Viver como leigo ou como monge?


Temos uns amigos que estão tentando migrar para a Austrália, estamos observando o que pode acontecer; talvez eles consigam. A grande diferença será para seus filhos pequenos, eles sofrerão, não é fácil fazer isso. Nossos antepassados fizeram; gente muito corajosa.

Aluno – Mas fizeram por causa da situação...

Monge Gensho – Sim, a situação era horrível, estava insuportável. Eu conheci um monge Zen que era dentista no Brasil e foi para o Japão, depois de dez anos voltou ao Brasil e tentou se estabelecer novamente no país. Ele disse que quando era monge no Japão não precisava pensar em nada, porque a instituição estava toda organizada, não precisava se preocupar com a conta da luz, da água, com nada. No Brasil, tinha que arrumar dinheiro para morar, comer, pagar água, luz. “Não agüento mais, como vou viver no Brasil?” perguntou-se ele. O resultado é que retornou ao Japão. Era impossível para ele viver no Brasil, ele havia se tornado monge na instituição. Aqui é diferente, pois somos monges que temos que trabalhar, é muito mais difícil ser monge agora, nessa situação. Talvez em algumas décadas seja diferente, talvez tenhamos nossa instituição, o monastério. Talvez haja, no futuro, a possibilidade de morar no monastério, de só realizar algumas tarefas, como, por exemplo, quem for morar no templo irá trabalhar na cozinha. A pessoa terá onde comer e dormir, não será rico, mas também não será pobre; nem irá pensar nesse assunto.

A essência do que estamos falando talvez seja, “nós temos a capacidade de mudar nosso carma?” Temos, mas não é fácil, precisa haver grande empenho e esforço. Ocorre, ao se tomar uma decisão, do carma mudar muito. Quando aceitei ser monge, isso mudou muito minha vida. Não mudou inteiramente, mas mudou um aspecto: me deu um ideal. Se não fosse isso, eu estaria simplesmente trabalhando e tentando ganhar dinheiro. Talvez sentisse que a vida fosse vazia, porque a gente precisa ter ideais para sentir a vida mais plena.

Pergunta – Existe um ditado que diz que o coração tem razões que a própria razão desconhece. Isso significa que a razão é mais forte do que o coração? Ou às vezes isso é invertido?

Monge Gesnho – Observando seres humanos ao longo da vida, tenho constatado que o coração é mais forte que a razão. É raro que a razão esteja acima.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

É a mesma coisa


SONHO E REALIDADE
Nida Chalegre

Do sonho resta a memória

Da realidade também

Quando passa

o momento real

como no sonho

fica apenas a

lembrança


Sonhar e viver

é a mesma coisa

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Significado


P: Muitas vezes no decorrer da vida me vi tentado a buscar significado para a minha vida e isto tem me trazido bastante sofrimento.

R: Não há um significado mais profundo que simplesmente viver.

P: Como sou iniciante no budismo, às vezes em algumas leituras tenho a sensação de que a iluminação seria um motivo a se alcançar, o objetivo máximo a se obter, como uma espécie de prêmio pela conduta de vida sugerida pelo budismo.

R: Não é bem assim. O despertar das ilusões permite viver plenamente, o que inclui morrer plenamente. Um outro método, como uma vida virtuosa, pode permitir uma estada num paraíso, por que não?
A iluminação plena permitiria extinguir as energias que forçam manifestações repetidas.

P: Penso que devo estar interpretando a iluminação de maneira equivocada e algo em
mim diz que o despertar é um começo, não um fim. Afinal, a iluminação é o começo de tudo?

R: Não, uma iluminação plena é escapar dos ciclos, estes sim um aprisionamento.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ambição e realização


P: Monge, por que é que na vida todos querem ganhar, e ninguém quer perder?

R: Natural. Desde que temos ego queremos amplia-lo, ganhar é dar mais atributos e coisas a si mesmo.

P: Kodo Sawaki escreve que devemos viver sem ambição, que este é o melhor presente que podemos dar ao mundo. Isto é possível mesmo?
Como viver sem ambição?

R: Aceitando as coisas como vem, e sabendo exatamente qual nossa função no mundo e executando-a com não mente. Não há ambição assim, mas somos grandes realizadores desta forma. Aliás como foi Kodo, um grande realizador, estamos nós aqui falando em sua influência.

domingo, 24 de maio de 2009

Modo de viver


De manhã, antes de vestir-se, acenda incenso e medite.
Coma a intervalos regulares e deite-se a uma hora regular.
Coma sempre com moderação e nunca até ficar plenamente satisfeito.
Receba as suas visitas com a mesma atitude que tem quando está só.
E, quando só, mantenha a mesma atitude que tem quando recebe visitas.
Preste atenção ao que diz e, o que quer que diga, pratique-o.
Quando uma oportunidade chegar, não a deixe passar,
mas pense sempre duas vezes antes de agir.
Não se deixe perturbar pelo passado. Olhe para o futuro.

A sua atitude deve ser a de um herói sem medo,
mas o coração deve ser como o de uma criança, cheio de amor.
Ao retirar-se, ao fim do dia, durma como se tivesse entrado no seu último sono.
E, ao acordar, deixe a cama para trás,
instantaneamente,
como se tivesse deitado fora um par de sapatos velhos.

Soyen Shaku (1859-1919) Mestre Zen da escola Rinzai

Contribuição de Zendo Virtual, você pode participar deste grupo de estudos escrevendo para zendo-virtual através dos recursos do site.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Sonho e Realidade


SONHO E REALIDADE
Nida Chalegre

Do sonho resta a memória

Da realidade também

Quando passa

o momento real

como no sonho

fica apenas a

lembrança


Sonhar e viver

é a mesma coisa