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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Para escapar só com outra mente



P: O que permanece então do ser humano? A onda volta para o oceano, e o ser humano volta para onde?

Monge Genshô – O que você deseja que permaneça? Olhe sua mão. Você acredita que alguma coisa dela permanecerá?

Aluno - Não.

Monge Genshô – E do seu corpo todo algo irá permanecer?

Aluno - Também não.

Monge Genshô – Também acredito que não. O que você pensa que permanece de uma onda depois que ela quebra na praia?

Aluno - A onda ainda é mar.

Monge Genshô – Ela sempre foi mar, não passou de uma manifestação temporária. Você também é uma manifestação temporária. Você quer permanecer, não é? Por isso está perguntando e por isso os homens inventam religiões. Você não precisa acreditar no que estou dizendo, pode ir lá fora e se agarrar em qualquer crença, existem milhares.

 Qual é boa para você? Nascer de novo? Repetir tudo?

As ondas na realidade se repetem. Se você olhar, é natural que haja continuidade, se há impulsos, há nova manifestação, se há uma nova manifestação é outra vida. É isso mesmo que o Budismo pensa. Se você tem desejos e apegos, estes geram novo nascimento, mas esse novo nascimento não é esse você de hoje, porque você já esqueceu tudo quando nasceu. Você é capaz de lembrar-se de algo de sua vida passada? Mas desde a infância você tem determinados impulsos, personalidade e desejos. Se é verdade que todo efeito tem uma causa, então existe uma causa pregressa para isso, mas não é você.

Uma mangueira nasce e morre, ela produziu frutos com sementes. Se você plantar o que irá nascer? Outra mangueira, isso é natural. Não irá nascer uma figueira ou coqueiro, irá nascer outra mangueira igual, mas não é a mesma mangueira. Eu posso dizer para você como era sua vida passada. Você quer saber? Era igual. Mesmo tipo de pessoa. Se são os mesmos impulsos, mesmos desejos e apegos, nasce um ser igual. Tem memória? Não. Tem um “eu” que permaneceu? Não. Mas então o que permanece de você? Seus atos, seus impulsos, sua mente e seus desejos. É essa onda no universo que permanece. Energia não desaparece, só se transforma. Essa é primeira lei da termodinâmica. Sabemos também que todo efeito tem causa. Sendo assim, tenho uma má notícia para você: não há como escapar desse mundo. Você está preso pelos seus desejos e apegos a esse mundo e condenado a repetições infindáveis a menos que você mude sua mente. Por isso você deve mudar sua mente nessa vida, para poder ter, nessa vida, uma vida mais feliz.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O caminho do Zen





Em primeiro lugar nós temos que entender o que é o Zen e o que é o caminho do Zen. O caminho do Zen é o caminho direto. O caminho direto foi ensinado por Buda pessoalmente, segundo conta a historia, a partir do sermão da flor. Quando Mahakashyapa sorriu quando Buda levantou uma flor. A percepção do que é o caminho é a compreensão de que tudo esta na mente. Que na verdade esse mundo, que nós vemos como mundo sansárico, é o mesmo mundo nirvânico, é o mesmo nirvana. Nós trabalhamos, comemos, dormimos, encontramos pessoas e tendemos a separar o mundo como o mundo do dharma de um lado, o mundo da paz, da serenidade, como agora quando estávamos em meditação e o mundo das aquisições, das coisas, dos trabalhos, das pessoas. Mas esse mundo que nós olhamos não é o nirvana porque a nossa mente não o vê. Assim como não vemos nas pessoas a pura natureza de Buda. Porque a única coisa que existe nas pessoas, a única coisa sólida e verdadeira, é a pura natureza búdica. Dentro de qualquer pessoa, a única coisa que não pode ser removida é a natureza búdica.

Toda sua mente, todos seus pensamentos, todos os acontecimentos, toda sua cultura, toda sua memória e seu corpo são temporárias e sendo temporárias, evanescentes e impermanentes, essas coisas não são o que poderíamos chamar de real. A única coisa que poderíamos chamar de real é a pura natureza búdica. A nossa dificuldade é que não podemos enxergar, por que? Porque nós temos ego. Como temos ego, esse eu, que usamos para transitar no mundo, confundimos tudo com uma realidade eterna e queremos que ele seja permanente. Confundimos todas as outras coisas com realidade sólida. Quando elas não são mais que bolhas, fumaça, sonhos, que passam e desaparecem como essa nossa reunião, como nossos corpos, como tudo. Mesmo nosso eu pessoal desaparecerá completamente.