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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A experiência direta é o que importa

 
Zen quer dizer meditação, em última análise da palavra. Zen vem do sânscrito dhyāna, através de muitas transliterações. Dhyāna, Jhana em Pali, Ch'an e Zan em Chinês e Zen em japonês. Chegou ao Brasil como Zen, mas quer dizer meditação. A prática central do Zen é a meditação, porque é necessário calar esta mente, que se sente separada, para que ela tenha condições de ampliar sua visão e enxergar a dimensão Suprema. Não estamos falando de deuses, nem de salvadores, nem de profetas e nem de nada disso. Nem de promessas para futuros fantásticos. Estamos falando de uma percepção aqui e agora. E de uma felicidade aqui e agora. Porque se a visão mudar, se nós trocamos esses olhos pelos olhos de Buda e enxergamos como Buda, aí não vemos mais a árvore na floresta, a onda no mar etc. Vemos o mar, vemos a floresta e olhamos os homens e vemos a vida e não as pequenas vidas individuais. E olhamos para nós mesmos e não nos vemos como uma onda separada ou como uma árvore, mas sim como participante dessa grande dimensão Suprema. Esta é a descoberta de Buda. Só que compreender intelectualmente não funciona. Posso explicar, nós podemos entender o raciocínio. Mas cadê o verdadeiro sentimento, o sentimento real? O sentimento real não emerge e nós continuamos perdidos em ganância, aversão, apego, em todos esses defeitos mentais que faz com que soframos.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

SHIKANTAZA - O sentar-se por sentar


Então, temos o primeiro passo quando nós estamos no sesshin, o que nós fazemos? Dhyana. Dhyana é uma palavra que se transformou em Jana, depois em Ch´an, depois em Ch´an na, na China, como Zana, Zen. Então, na realidade, a palavra Dhyana veio através do tempo se transformando até chegar na palavra Zen, que chegou aqui no ocidente como uma herança japonesa, então usamos a palavra japonesa Zen. E Za quer dizer sentado. O que nós fazemos é Zazen: meditação sentada.

Livrar-se dos pensamentos perturbadores é a primeira grande tarefa. Você senta e deixa que os pensamentos perturbadores se esvaneçam. Mas eles não se esvanecerão se você lutar com eles. Por isso, cada vez que eu dou instrução, eu digo: não julgue, não lute, não se culpe, não faça nada com os seus pensamentos. Não tente transformá-los, não faça projetos para o futuro. Não tente fazer nada no Zazen. Não tente construir um projeto de vida, não tente resolver problemas no Zazen. Não é assim que nós resolveremos os problemas. Se nós sentarmos e raciocinarmos, pensarmos e planejarmos, melhor seria que pegássemos uma folha de papel e fizéssemos isso direitinho, numa mesa. Não precisaríamos fazer sentados em Zazen.

Nós sentamos em Zazen para fazer uma coisa mais difícil do que planejar, raciocinar. Nós sentamos em Zazen para esquecer de tudo, abandonar tudo e, abandonando tudo, retornarmos para nossa natureza original. A nossa natureza original está além desses pensamentos, elaborações, identidades, nosso próprio Eu.


Sentado em Zazen, se você simplesmente deixar que tudo seja parte de você e você seja parte de tudo, você dissolverá o engano do Eu. Não precisa se preocupar pensando: vou destruir meu Eu, quando eu morrer meu Eu desaparece ou qualquer coisa assim e transformar isso numa angústia de aniquilação qualquer, porque não é necessária essa angústia de aniquilação. Você simplesmente senta e seja um com o som do mar, um com os pássaros e com as borboletas. Você se sentindo participante de tudo, você já encontrará uma grande calma e felicidade. Isso é realização de shikantaza. Apenas sente-se e seja uno com tudo.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Vipassana e Zazen



PERGUNTAS AO VENERÁVEL DHAMMADIPA


Pergunta:  - O senhor falou que o Vipassana está muito conectado com o Zen, então minha pergunta é: como os ensinamentos do Vipassana podem nos ajudar especificamente no zazen?

Venerável Dhammadipa – Há uma falta de compreensão quanto ao conteúdo do Vipassana. Vipassana no contexto do Abhidharma quer dizer “sabedoria”. Sabedoria no Budismo é enxergar as coisas como elas realmente são e ver as coisas como elas realmente são, está relacionado com dois aspectos, da mesma forma que Vipassana.

A prática do Zen, Dhyana, tem dois aspectos. O primeiro aspecto é conhecer a realidade mundana como ela realmente se apresenta e o segundo aspecto é compreender de fato a realidade última. Nas escrituras também se pode encontrar Vipassana como a compreensão do nirvana. Na tradição do Theravadha, Vipassana é conhecido como a penetração nas características dos objetos de nossa experiência. Apenas quando você tiver penetrado na natureza última dos objetos de sua experiência, você será capaz de experenciar a natureza comum de todos os fenômenos e, a natureza última de todos os fenômenos de nossa experiência, é a impermanência.

O quer que seja experenciado na impermanência, é dukka. A tradução mais comum para dukka é sofrimento, mas não é um sofrimento relacionado com algo que seja somente doloroso físico ou emocionalmente pois, para o homem sábio, o verdadeiro significado é a impermanência. Essa não é a compreensão do homem comum. Está relacionado com a compreensão de tudo que compõe os fenômenos e tudo que compõe os fenômenos é de fato sofrimento. Tudo que experienciamos no mundo é esse compor. Quando você compreender isso, será possível compreender a realidade última, que é a ausência do “eu”. O que não possui um “eu” não pertence a ninguém, é vazio.

Na tradição do Abhidharma a realidade última está relacionada com os fatores mentais e a própria mente em si. Na tradição Abhidharma do norte, há uma diferenciação entre as formações mentais e a mente em si, isso também é considerado como realidade última.
(continua)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Shiksha - Budismo, filosofia ou religião?


Monja Isshin comenta em seu blog (link ao lado)

"Encontro muitas discussões - e ninguém consegue chegar a uma conclusão definitiva - questionando se devemos considerar o Buddhism como uma religião ou uma filosofia. Mas isto é como tentar colocar uma peça redonda num buraco quadrado - não dá certo, pois os conceitos “religião” e “filosofia” são conceitos ocidentais e o Buddhismo não nasceu no ocidente.

Mesmo chamar a nossa prática de Zazen de “meditação” não é uma boa tradução, pois o termo original, “bhavana”, significa cultivo ou desenvolvimento. Assim, temos as práticas de metta-bhavana (cultivo de bondade amorosa), panna-bhavana (cultivo de sabedoria ou desenvolvimento de compreensão) e samadhi-bhavana (cultivo ou desenvolvimento de concentração), samatha-bhavana (cultivo da tranquilidade) e vipassana-bhavana (cultivo de “insight”), entre outros.

A palavra “meditação” pode induzir praticantes ao erro de pensar que a Iluminação é simplesmente o resultado do praticante ter alcançado um determinado nível de compreensão mental. Mas o Mestre Dogen é muito claro em nos instruir que precisamos “Aprender a Verdade com Corpo e Mente” (Shobogenzo, “Shinjin-gakudô”). Talvez seja por isso que a “forma” é tão importante no Zen japonês. Através do cultivo (”bhavana”), não somente a mente, mas também o corpo se ilumine e realizamos (tornamos real) o Caminho de Buddha.

Mesmo a palavra “zen”, que vem da palavra “ch’an” que foi a transliteração chinesa do termo dhyana (sânscrito) ou jhana (pali), frequentemente é mal-traduzida, como a meditação zen-budista. Mas, zen-ch’an-jhana-dhyana significa “absorção mental” e representa a base fundamental para o desenvolvimento da Concentração Correta."


Em seguida, compartilho um texto do Blog “Ox Herding“:

Hoje em dia, as pessoas se perguntam como devem chamar o Buddhismo. Muitas se referem ao Budismo como uma religião, outras o chamam uma filosofia, visão de mundo ou até mesmo um estilo de vida.

Estes conceitos teriam provocado estranheza nos Buddhistas antigos.

Os primeiros textos Buddhistas se referem aos ensinamentos de Buddha como um “sistema de treinamento” - shiksha, em Sânscrito. O treinamento Buddhista tem resultados específicos, tais como: generosidade, sabedoria, compaixão, bondade, e outras qualidades. E, obviamente, o despertar completo para a Natureza-Buddha inerente.

Os primeiros professores Buddhistas dividiram os praticantes em dois grupos: os que estavam ainda engajados no treinamento (shaiksha) e aqueles que haviam completado o treinamento (ashaksha).

Como comenta o tradutor Red Pine, “O Buddhismo é melhor compreendido como uma habilidade ou uma arte a ser treinada e aperfeiçoada e não como informação ou conhecimento a ser aprendido e acumulado.”