Zen quer dizer meditação, em última análise da palavra. Zen vem do sânscrito dhyāna, através de muitas transliterações. Dhyāna, Jhana em Pali, Ch'an e Zan em Chinês e Zen em japonês. Chegou ao Brasil como Zen, mas quer dizer meditação. A prática central do Zen é a meditação, porque é necessário calar esta mente, que se sente separada, para que ela tenha condições de ampliar sua visão e enxergar a dimensão Suprema. Não estamos falando de deuses, nem de salvadores, nem de profetas e nem de nada disso. Nem de promessas para futuros fantásticos. Estamos falando de uma percepção aqui e agora. E de uma felicidade aqui e agora. Porque se a visão mudar, se nós trocamos esses olhos pelos olhos de Buda e enxergamos como Buda, aí não vemos mais a árvore na floresta, a onda no mar etc. Vemos o mar, vemos a floresta e olhamos os homens e vemos a vida e não as pequenas vidas individuais. E olhamos para nós mesmos e não nos vemos como uma onda separada ou como uma árvore, mas sim como participante dessa grande dimensão Suprema. Esta é a descoberta de Buda. Só que compreender intelectualmente não funciona. Posso explicar, nós podemos entender o raciocínio. Mas cadê o verdadeiro sentimento, o sentimento real? O sentimento real não emerge e nós continuamos perdidos em ganância, aversão, apego, em todos esses defeitos mentais que faz com que soframos.
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quarta-feira, 12 de outubro de 2016
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Basta ouvir ensinamentos?
Aluno – No vocabulário Zen, existe a palavra samadhi, que significa concentração. Existe algum foco especial no budismo a respeito da meditação/concentração, ou é apenas uma coincidência?
Monge Genshô – Não, não é coincidência. O Zen budismo se vê como budismo contemplativo, ele enfatiza, e a diferença entre os budismos, é essa, a ênfase. A escola Theravada enfatiza o estudo dos sutras. O budismo Zen enfatiza a prática da meditação, sempre digo que essa prática no Zen deve ser feita em quantidades industriais, mas a mesma coisa acontece na prática do Theravada, pois existe grande similaridade nessa ênfase.
Embora se diga frequentemente no zen, que as escrituras e os textos são o dedo que aponta para a lua, mas que não são a lua, são mapas para que se possa seguir um caminho. Não são o caminho. São indicações, você tem que trilhar o caminho por seus próprios pés para chegar lá. Não basta ler ou ouvir ensinamentos. Costuma-se dizer no Zen que enquanto nele se falar, ele não estará presente. Quando estávamos calados experimentando a prática da meditação, o Zen estava presente. Agora é só conversa a respeito.
A palavra chan vem do sânscrito dhyanna que significa meditação, então, o budismo Zen significa o budismo que enfatiza a prática da meditação. Na verdade, no Zen, embora diga-se frequentemente, como acabei de dizer, que os ensinamentos são apenas o mapa, dificilmente você encontrará tantos textos quanto existem sobre o Zen, e os professores estão sempre escrevendo. Aqui, por exemplo, tem um gravador para documentar a palestra. Por quê? Porque acabarão virando texto. Na realidade, existe estudo no Zen e Dogen ZenJi diz que o estudo dos sutras é a base do caminho. Não se chega à outra margem sem saber, e mesmo que Hui Neng seja declarado um patriarca analfabeto, leia seu o texto e você verá quantas citações nele há; ele parece um erudito. Mesmo que ele guardasse de memória por não saber ler, ele ouvia, guardava, sabia citar e raciocinar. Sem esse instrumento não vamos longe.
A ênfase do Zen é mais do tipo, “não me diga as palavras de Buda, me diga as suas”. É a verdade que você está praticando, e essa é a verdade do Zen, e não as indicações ou os textos. Como você está vivendo, como está sua mente agora, essa é a verdade. Mas existem três portas de acesso: emoção, estudo e ação. São três portas de acesso para o caminho. As pessoas são diferentes, existem pessoas que naturalmente estão preparadas para o caminho intelectual, outras para o caminho da emoção e outras para o caminho da ação. Cada uma deve praticar com a escola mais adequada para o seu coração, para o seu sentimento, devendo praticar naquele lugar com o qual ela sinta que tem conexão. Por isso, é tão importante escolher o seu mestre e sua escola. Nesse sentido, recomendo a vocês o texto de um famoso escritor, o professor Ricardo Sasaki, intitulado A que Escola pertenço. (um toque de humor, o Prof. Sasaki era o anfitrião nesta palestra ministrada em sua Sangha Theravada em BH)
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