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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

As Manifestações Budistas (2 de 2)


Mas mesmo que nós façamos um esforço para ensinar um zen puro, nós estamos carregando características que vieram do budismo através dos templos do budismo japonês, do budismo chinês. Até as roupas que eu estou vestindo são assim. O juban é japonês. O kimono é japonês. O koromo é chinês. E esse aqui é o único do tempo de Buda, o kesa, o manto, que é da Índia. Todos os outros são acréscimos posteriores porque era muito frio. Porque na China eles usavam koromo, mas os japoneses não colocavam o koromo sobre o corpo, então tem roupas embaixo. O kimono, uma roupa mais íntima, que é essa que a gente vê embaixo do koromo, esta colorida. E juban vem de uma palavra portuguesa, gibão, que era uma roupa que os portugueses usavam lá por 1600. Está vendo? Estou vestido de história, de cultura. E agora quando chegamos aqui no Brasil e quando chega no verão a gente diz o quê?

Aluna: Liga o ar-condicionado [risos].


Monge: Será que não dá para voltar para o sistema indiano e usar só o kesa por cima do corpo? Como os monges Theravada. Na Tailândia, no Sri Lanka, eles usam só o manto. Então nós estamos carregando história junto, mas nós não temos coragem de jogar fora as coisas apressadamente, porque corremos o risco de jogar fora a criança junto com a água do banho. Então nós temos de ser muito cuidadosos nas mudanças culturais. Nós já estamos fazendo grandes revoluções aqui. No Japão, isto ainda não aconteceu. O Centro de Dharma para os leigos com ensinamentos que só são dados para os monges. Isto aqui é uma manifestação do budismo ocidental. Nós não estamos enxergando, mas não é aquele budismo que você vai ver lá no oriente. Não é assim, de irmos para o oriente e ficarmos maravilhados. É o contrário. Eles que vêm aqui e dizem “Ah, que maravilha o budismo aqui”. 

[Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei]

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Vipassana e Zazen


Aluno: Posso fazer uma pergunta sobre meditação? Qual a diferença da vipassana?

Monge Genshô: Vipassana é uma meditação característica da escola Theravada. Nela você faz observações. Observa sua respiração, seu corpo, seu pé. Tem sempre o observador e o objeto a ser observado. No Zen, nós tentamos fazer com que o observador desapareça, entre você e o objeto observado não pode haver distância, vocês são um só. 

Essas técnicas do vipassana no Zen são olhadas como técnicas preparatórias. Pode chegar um aluno que tenha muitas dificuldades, e então a instrução é que ele conte as respirações. Essa é uma âncora a que ele pode se agarrar para não ficar viajando tanto, mas normalmente nós chamamos o caminho do Zen como "O Caminho Direto", justamente porque apresentamos diretamente ao aluno uma técnica que, na realidade, é difícil. A descrição da técnica é muito simples, mas a abordagem não é gradual, é entrar direto num estágio difícil. 

Então são questões de técnicas e existem mais de 40 tipos de meditações possíveis. Essa que vocês aprendem no Zen é chamada "Shikantaza", que significa "apenas sentar". Normalmente vipassana é, na abordagem gradual, muito efetiva. Há menos exigências nas escolas vipassanas com relação à postura e à disciplina. No Zen a disciplina é Buda. 

Nos mosteiros há um  cargo  de "jikido". O jikido passa por todos os alunos com um bastão na mão, o kyosaku, o bastão da compaixão, e se alguém está numa postura incorreta, dormindo ou cansado, ele bate o bastão. Se há um monge velho, já cansado, então o jikido bate no monge que está sentado ao lado dele. É muita compaixão apanhar pelo outro. O cargo do jikido tem bastante trabalho. Acordando às 4 da manhã muitos monges acabam dormindo e ele precisa fazer esse julgamento de bato ou não bato, podendo ser repreendido caso não bata. 



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Tudo é incomensurável



Venerável Dhammadipa continua: A abordagem do Abhidharma no contexto Mahayana é diferente. De acordo com o ensinamento Mahayana, há apenas uma realidade última, não podendo haver realidades alternativas, sendo que a realidade última é o vazio. Todos os fenômenos, sejam eles mundanos ou supramundanos, têm a mesma característica do vazio. De acordo com o Mahayana, o foco não está em uma dedução analítica do fenômeno experienciado e sim em uma experiência direta do vazio, isso não significa que a abordagem analítica não seja importante. É muito importante e é um complemento da experiência direta do vazio.

Eventualmente o Vipassana do Budismo do norte, que se identifica com o Mahayana, foi associado ao conhecimento direto da realidade. As coisas como elas realmente são e o vazio, são ao mesmo tempo impermanentes e além da impermanência. Há uma realidade última a ser experienciada, que é considerado o Vipassana mais elevado e está além do mundano e supramundano, é a verdade atravessando a dualidade. Entender essa realidade é a natureza do Vipassana e é a base do Samatha. No contexto do Zen, Samatha pode ser entendido como a observação direta do que é impermanente, uma vez que está relacionado, portanto, com tudo que está mudando e não é diferente dessa realidade impermanente.

O Bodhisatva é aquele que, com base na observação, desenvolve compaixão e com base na visão além da impermanência e do vazio, desenvolve sabedoria. A compaixão e a sabedoria são como as duas asas de um pássaro. Contemplando a impermanência, uma pessoa é capaz de compreender e penetrar na natureza da compaixão e desenvolver a mente de Bodhichita. Bodhichita é a forma de entender que não há nenhuma liberação individual, a natureza da realidade é não dualística. A busca da observação direta daquilo que realmente é e do vazio, são os meios hábeis do Bodhisatva para permanecer no ciclo do Samsara com o mínimo de sofrimento. Desenvolvendo o Vipassana, o Bodhisatva se compromete a permanecer no Samsara e através do Samatha ele desenvolve a sabedoria para continuar no Samsara sem sofrimento. É dessa forma que os dois se complementam para formar uma única realidade no Zen.

Quanto você pratica o Zen, combina Samatha e Vipassana. O objetivo do Zen é observar as coisas como elas são. Quando você compreender e realizar essa realidade, estará no caminho do Bodhisatva e não poderá voltar atrás. Os quatro tipos de Samadhi que mencionei anteriormente são os “Samadhi de Buda”. Esse é o objetivo do Zen. A mente se torna uma com o Dharmakaya, a manifestação de todos os fenômenos. O corpo do Dharma. No limite da realidade, todas essas denominações são similares e o Buda está sempre vivendo nessa realidade, ele se tornou um com a realidade verdadeira. Na tradição Theravada, Buda e o Dharma são sinônimos. No Mahayana é enfatizado que o verdadeiro Buda é o Dharmakaya e ele contém tudo sem distinção entre forma e não forma. No Sutra do Coração existe uma parte que diz “forma é vazio e vazio é forma”, isso conduz a compreensão da realidade última. Essa realidade é enfatizada no Zen diferentemente de outras tradições como no próprio Yogacara. Nessa realidade última, tudo é incomensurável. Forma é incomensurável. Sentimento é incomensurável. Percepções são incomensuráveis. Formações mentais são incomensuráveis. A própria consciência se torna incomensurável. Esse é o conteúdo da libertação.
 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Vipassana e Zazen



PERGUNTAS AO VENERÁVEL DHAMMADIPA


Pergunta:  - O senhor falou que o Vipassana está muito conectado com o Zen, então minha pergunta é: como os ensinamentos do Vipassana podem nos ajudar especificamente no zazen?

Venerável Dhammadipa – Há uma falta de compreensão quanto ao conteúdo do Vipassana. Vipassana no contexto do Abhidharma quer dizer “sabedoria”. Sabedoria no Budismo é enxergar as coisas como elas realmente são e ver as coisas como elas realmente são, está relacionado com dois aspectos, da mesma forma que Vipassana.

A prática do Zen, Dhyana, tem dois aspectos. O primeiro aspecto é conhecer a realidade mundana como ela realmente se apresenta e o segundo aspecto é compreender de fato a realidade última. Nas escrituras também se pode encontrar Vipassana como a compreensão do nirvana. Na tradição do Theravadha, Vipassana é conhecido como a penetração nas características dos objetos de nossa experiência. Apenas quando você tiver penetrado na natureza última dos objetos de sua experiência, você será capaz de experenciar a natureza comum de todos os fenômenos e, a natureza última de todos os fenômenos de nossa experiência, é a impermanência.

O quer que seja experenciado na impermanência, é dukka. A tradução mais comum para dukka é sofrimento, mas não é um sofrimento relacionado com algo que seja somente doloroso físico ou emocionalmente pois, para o homem sábio, o verdadeiro significado é a impermanência. Essa não é a compreensão do homem comum. Está relacionado com a compreensão de tudo que compõe os fenômenos e tudo que compõe os fenômenos é de fato sofrimento. Tudo que experienciamos no mundo é esse compor. Quando você compreender isso, será possível compreender a realidade última, que é a ausência do “eu”. O que não possui um “eu” não pertence a ninguém, é vazio.

Na tradição do Abhidharma a realidade última está relacionada com os fatores mentais e a própria mente em si. Na tradição Abhidharma do norte, há uma diferenciação entre as formações mentais e a mente em si, isso também é considerado como realidade última.
(continua)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

As coisas como elas são



Venerável Dhammadipa continua: Os sutras de Bodhidharma ensinam que há quatro tipos de Samadhi (concentração meditativa) - o primeiro seria o Samadhi do “não saber”. Esse tipo de Samadhi eu aprendi na Birmânia e no Sri Lanka e são muito enfatizados na Escola Theravada e na Yogacara. A Escola Yogacara se baseia no estudo do Samadhi dessa mesma forma. O segundo Samadhi seria o da “busca das coisas como elas são” e esse é o Samadhi que vocês estão praticando agora. Quando você realiza as coisas como elas realmente são você se torna nobre, ou seja, quando pode realmente compreender o objeto da liberação. Nos primórdios do Budismo, quando você realmente realizava o objeto da liberação, não podia continuar no Samsara (mundo da perambulação) por muito tempo. Como vocês sabem, a Escola Mahayana enfatiza a unidade do Samsara e do Nirvana. As escrituras do Mahayana ensinam que tanto o Samsara quanto o Nirvana não têm natureza própria, portanto não podem ser diferenciados. Por isso não é de costume usar o termo “Nirvana” mas sim “as coisas como elas são”. Nas “coisas como elas são”, de fato, bem e mal não têm qualquer diferença, ambos são como eles são. Esses são os meios hábeis para a prática do Bodhisattva e, sem entender isso, vocês não poderão entender a prática do Bodhisattva. Isso é também a base da experiência Zen - as coisas são como são e nesse âmbito todos os fenômenos são iguais.

Porque nesse âmbito todos os fenômenos são iguais? A Escola Yogacara enfatiza que a mente é esse âmbito de “as coisas como elas são”. A principal prática de meditação na Escola Yogacara é quanto à natureza da mente e ela não tem diferenciação, por isso que a mente tem a capacidade de captar todos os objetos, pois, se ela tivesse diferenciação, como poderia ser capaz de captar todos os objetos? A mente é para ser contemplada como o próprio espaço e, tal como o espaço tem lugar para tudo, com a natureza da mente é a mesma coisa. A transformação da mente é que será capaz de ver sujeito e objeto. Isso é muito importante de ser compreendido. A transformação ocorre de fato na mente em si e em nenhum outro lugar.

A mente no Yogacara pode ser compreendida em três aspectos: o primeiro é o sinal do objeto, por exemplo, supondo que alguém esteja lá fora, para que ele seja real, eu preciso de uma referência e, a partir dessa referência, eu passo a entender esse objeto como real. Nos apegarmos a essas referências dos objetos, é estar de fato no Samsara, é através desse apego que continuamos no Samsara. Isso implica de fato na base e na transformação da consciência em si. Quando experenciamos um objeto como real, temos essas referências de “sinal do objeto” e temos, então, o aspecto subjetivo da mente que entende essa realidade como essas referências do objeto. Após isso temos o aspecto do testemunho, esse aspecto do testemunho é denominado Alayavijnana (consciência depósito universal), que é onde se encontram todas as consciências. Esse conceito não é estranho à filosofia ocidental, Sócrates já dizia que para entender alguma coisa você precisa de suas experiências pregressas, ou seja, de suas lembranças.

Comentário de Genshô Sensei: a idéia de Alayavijnana é a de que não somente minhas lembranças ou consciência estão contidas nesse depósito, mas todas as experiências do universo inteiro, todo conhecimento, tudo que acontece no universo está contido em Alayavijnana, a questão é se posso ou não acessar esse depósito.
(continua)

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Incorporações culturais no budismo


P: Nesse sentido então, o Zen como conhecemos hoje, tão direto e não tão místico, mais cético, mais pé no chão, assumiu essa forma na China? Pois o Hinduísmo é mais místico, com deidades, é mais esotérico.

Monge Genshô – Sim, é verdade, o Zen sofreu uma grande influência chinesa. Ele chegou à China perto do ano 600 d.C. com Bodhidharma, muito provavelmente vindo de uma das escolas primitivas do Budismo.

Na época do segundo concílio, 300 anos após a morte de Buda, já se contavam dezoito escolas, a maioria desapareceu. Uma escola que ainda permanece descendendo de alguma daquela época é a Escola Theravada, mas que também é uma escola com incorporações de vários tipos. O Zen, não por acaso, se parece bastante com a Escola Theravada, mas se caracteriza por ter um grande numero de incorporações culturais dos vários lugres por onde passou. Da Índia para a China, depois para o Japão e agora para o ocidente. Nós já temos incorporações culturais ocidentais. Isso que fazemos aqui já é uma incorporação. Pessoas sentadas ouvindo palestra do Dharma já é uma incorporação cultural. Batizados Budistas e casamentos Budistas também são incorporações, pois no Budismo original não existiam. Havia festas de casamento no oriente onde os monges eram convidados, mas iam para comer. Já o batizado de crianças é um fenômeno dos últimos cem anos, totalmente ocidental. Como as famílias querem que haja uma cerimonia para o bebê, criou-se uma “cerimônia do nome” que funciona como se fosse um batizado. Não tem a função de limpar os pecados originais, salvar de uma possível condenação ou evitar que a criança seja pagã, mas satisfaz a todos e deixa todos felizes, que é o que o Budismo deve fazer.


P: Quando há essa adaptação para culturas diferentes, não se perde a essência do propósito para se adequar às pessoas? Não seriam as pessoas que deveriam se adequar ao ensinamento?

Monge Genshô – O ensinamento em si permanece. Estamos falando de adaptações cosméticas. Rituais e cerimônias que originalmente no Budismo não existiam. Foram cerimônias que cada escola foi criando com a função de treinamento. Não vamos sentar à mesa e simplesmente comer, vamos fazê-lo de forma ordenada, com certa delicadeza e profundo respeito, etc. As tradições foram criadas ao longo do tempo pelos mestres, que as vão modificando e adaptando. Mas isso não pode ser feito de forma rápida e pedindo opiniões. Se não cada um diz uma coisa que desejaria ver nas cerimônias.

Uma pessoa vem à Sangha pela primeira vez e diz que não gostou da recitação em língua arcaica. Ele não entendeu nada. Para ter condições de fazer esse tipo de crítica ele teria que ser um praticante de muitos anos. Ele ainda não sabe, não descobriu a essência, está criticando uma recitação que é feita a dois mil anos da mesma forma, passando por diferentes línguas. O ritual foi sendo codificado ao longo de séculos, não podemos jogar fora algo que está sendo feito a mil e duzentos anos da mesma forma. É preciso haver respeito. Por isso as adaptações têm que ser feitas com grande cuidado e muito lentamente.

Há que se separar o que é cultural, o que é útil, o que é meio útil, o que é um meio hábil de ensinamento e o que é simplesmente uma forma que pode ser modificada. Por isso essas modificações só podem ser feitas por mestres autorizados. O pior defeito seria a pressa, ou o julgamento instantâneo de opiniões. Muitas coisas já fazemos em português, esse talvez seja o ponto mais fácil para ser mudado. Agora, mudar roupas, reverências, tradições de muitos séculos como o Rakusu, isso não é simples.

Um dia uma pessoa me disse que não gostava da argola do Rakusu. Essa argola é uma lembrança de um antigo adereço com o qual se prendiam os mantos. Por isso ela foi preservada. Saikawa Roshi disse que tem que ter a argola e não discutimos o que o mestre diz. Quando formos mestres, poderemos dar nossa opinião.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Basta ouvir ensinamentos?



Aluno – No vocabulário Zen, existe a palavra samadhi, que significa concentração. Existe algum foco especial no budismo a respeito da meditação/concentração, ou é apenas uma coincidência?

Monge Genshô – Não, não é coincidência. O Zen budismo se vê como budismo contemplativo, ele enfatiza, e a diferença entre os budismos, é essa, a ênfase. A escola Theravada enfatiza o estudo dos sutras. O budismo Zen enfatiza a prática da meditação, sempre digo que essa prática no Zen deve ser feita em quantidades industriais, mas a mesma coisa acontece na prática do Theravada, pois existe grande similaridade nessa ênfase. 

Embora se diga frequentemente no zen, que as escrituras e os textos são o dedo que aponta para a lua, mas que não são a lua, são mapas para que se possa seguir um caminho. Não são o caminho. São indicações, você tem que trilhar o caminho por seus próprios pés para chegar lá. Não basta ler ou ouvir ensinamentos. Costuma-se dizer no Zen que enquanto nele se falar, ele não estará presente. Quando estávamos calados experimentando a prática da meditação, o Zen estava presente. Agora é só conversa a respeito. 

A palavra chan vem do sânscrito dhyanna que significa meditação, então, o budismo Zen significa o budismo que enfatiza a prática da meditação. Na verdade, no Zen, embora diga-se frequentemente, como acabei de dizer, que os ensinamentos são apenas o mapa, dificilmente você encontrará tantos textos quanto existem sobre o Zen, e os professores estão sempre escrevendo. Aqui, por exemplo, tem um gravador para documentar a palestra. Por quê? Porque acabarão virando texto. Na realidade, existe estudo no Zen e Dogen ZenJi diz que o estudo dos sutras é a base do caminho. Não se chega à outra margem sem saber, e mesmo que Hui Neng seja declarado um patriarca analfabeto, leia seu o texto e você verá quantas citações nele há; ele parece um erudito. Mesmo que ele guardasse de memória por não saber ler, ele ouvia, guardava, sabia citar e raciocinar. Sem esse instrumento não vamos longe. 

A ênfase do Zen é mais do tipo, “não me diga as palavras de Buda, me diga as suas”. É a verdade que você está praticando, e essa é a verdade do Zen, e não as indicações ou os textos. Como você está vivendo, como está sua mente agora, essa é a verdade. Mas existem três portas de acesso: emoção, estudo e ação. São três portas de acesso para o caminho. As pessoas são diferentes, existem pessoas que naturalmente estão preparadas para o caminho intelectual, outras para o caminho da emoção e outras para o caminho da ação. Cada uma deve praticar com a escola mais adequada para o seu coração, para o seu sentimento, devendo praticar naquele lugar com o qual ela sinta que tem conexão. Por isso, é tão importante escolher o seu mestre e sua escola. Nesse sentido, recomendo a vocês o texto de um famoso escritor, o professor Ricardo Sasaki, intitulado A que Escola pertenço. (um toque de humor, o Prof. Sasaki era o anfitrião nesta palestra ministrada em sua Sangha Theravada em BH)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Hinayana, Mahayana


"Pelo que sei através de mais de 50 anos de estudos de budismo, não existe nenhum termo alternativo para designar o Mahayana, a não ser, talvez, a expressão Bodhisattva-yana )Veículo dos Bodhisattvas) e a expressão Ekayana (Veículo Uno) que, entretanto, não são exatamente sinônimos de Mahayana, possuem um sentido ligeiramente diferente.Volto a isso mais adiante.
Quanto a questão do Hinayana/Theravada, a questão é bem mais complexa do que parece à primeira vista. Vejamos:

1.Realmente o termo Hinayana tem um sentido um tanto pejorativo e deve ser evitado.

2.Entretanto, Hinayana não é exatamente sinônimo de Theravada. A expressão Hinayana abrange, além do Theravada, uma série de escolas há muitos séculos desaparecidas, como Sarvastivada, Sautrantika e outras.

3.O que foi chamado de Hinayana é, na verdade, uma síntese de dois caminhos ou Veículos, o Veículo dos Pratyeka-buddhas (os que se iluminam sozinhos) e o Veículo dos Sravakas ou Auditores, isto é, os discípulos que se iluminam ouvindo as palavras do Buda. A esses dois Veículos se contrapõe um Terceiro Veículo, o dos Bodhisattvas, isto é, o caminho daqueles que por sua Sabedoria poderiam ingressar no Nirvana, mas que por sua Compaixão adiam indefinidamente esse ingresso para se dedicarem à salvação de todos os seres viventes. O Caminho dos Bodhisattvas é o alicerce do Mahayana, mas este último, evidentemente, é muito mais do que isso, pois compreende as Escolas filosóficas do Vazio e da Consciência e outros elementos. Já o Ekayana ou Veículo Uno, exposto no Sutra do Lótus da Lei Excelente (Saddharmapundarika, Hokkekyô) é uma síntese que engloba e transcende os três Veículos supracitados.

4.Uma solução para evitar o termo Hinayana seria, talvez, denominar os dois primeiros Veículos de Veículos Menores. Outra solução seria explicitar os nomes desse dois Veículos, sem adjetivá-los: Veículo dos Autoiluminados, Veículo dos Auditores.

5.Insisto ainda em lembrar que é historicamente errado considerar o Theravada uma forma arcaica de Budismo anterior ao Mahayana. Ainda que o Theravada conserve uma série de textos que remontam à fase mais antiga do Budismo, ele foi evoluindo através dos séculos e muitos dos textos hoje englobados no Cânone Pali são posteriores aos textos Mahayana mais antigos.

Como vê, a História do Budismo é bem mais complicada do que possa parecer à primeira vista.

Gasshô,

Shaku Riman"
(e mail do Prof. Ricardo M Gonçalves em resposta a indagação de um praticante)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O mito do Hinayana


Sarnath_Lion - Capital of Ashoka

O mito do Hinayana
por Kåre A. Lie
Nos séculos por volta do nascimento do Cristo, havia um desenvolvimento radical acontecendo no Buddhismo. Uma nova escola surgiu e seus adeptos a chamaram Mahayana [1]. Como essa nova escola se diferenciou das escolas mais antigas pode ser encontrado em qualquer história do Buddhismo. Aqui vamos nos concentrar em um dos resultados desse cisma: o termo Hinayana.

Os adeptos das escolas antigas criticaram os Mahayanistas, especialmente por criarem novos sutras, forjando a palavra do Buddha. Os Mahayanistas, por sua vez, reagiram a essa crítica acusando seus oponentes de não compreenderem completamente os ensinamentos do Buddha e de serem egoístas de mentalidade estreita. O debate esquentou e acusações fluíram de ambos os lados. Então algumas pessoas brilhantes do lado Mahayana do debate criaram o par de palavras Mahayana/Hinayana, e ele pegou. Eles chamaram seus oponentes de Hinayana, e essa palavra funcionou muito bem como um insulto - com uma simplicidade e paralelismo com o Mahayana que qualquer tolo poderia assimilar.

Hinayana, ou, mais corretamente, hiinayaana é um termo altamente depreciativo. Ele não significa simplesmente "o veículo menor" como geralmente é colocado. O segundo elemento de hina-yaana - que é yaana - significa veículo. Mas hiina raramente tem o simples significado de "menor"
ou "pequeno". Se fosse esse o caso, os textos páli (ou sânscrito) teriam usado-o em outras conexões como o oposto de mahaa - grande. Mas não o fizeram. O oposto de mahaa é cuu.la, assim essa é a palavra normal para "pequeno".

O termo Hinayana é o eco de um debate morto há muito tempo - ou ainda um debate onde um lado está morto e o outro está gritando aos ventos.

Quem eram os oponentes que foram rotulados como Hinayana? O Theravada? Provavelmente não. Na época em que o Mahayana surgiu, o Theravada havia "emigrado" principalmente para Sri Lanka, e dificilmente poderia ser contado entre as escolas dominantes nas terras continentais indianas - onde o debate Mahayana/Hinayana aconteceu. A mais influente das antigas escolas naquele tempo era a Sarvastivada, assim eles foram os mais prováveis - mas dificilmente os únicos - alvos das invectivas "Hinayana".

Agora a Sarvastivada e as outras escolas antigas da Índia estão mortas, exceto Theravada, mas o debate e os argumentos encontraram seu lugar nos sutras Mahayana, como, por exemplo, é aparente na propaganda anti-Hinayana do Sutra do Lótus - e continua ecoando nos ensinamentos Mahayana e Vajrayana.

Hoje há confusão, pelos Mahayanistas/Vajrayanistas usarem o termo Hinayana de três maneiras diferentes:

1.. No sentido histórico: escolas pré-Mahayanistas são chamadas Hinayana.
2.. O Theravada moderno é confundido com Hinayana.
3.. O termo Hinayana é usado para uma parte interna do ensinamento Mahayana/Vajrayana.

Vamos dar uma olhada mais de perto nesses três usos:

1. Alguns afirmam que a palavra Hinayana como um termo para as escolas mais antigas é um uso que pertence a um passado distante somente.
Isso não é correto. Pode ser encontrado em vários trabalhos modernos de referência, e em literatura mais especializada ele pode, por exemplo, ser encontrado em Buddhist Philosophy In Theory and Practice, de H.V. Guenther, citando trabalhos tibetanos dos séculos XVIII e XX.

2. Como um exemplo de confusão de Hinayana com Theravada, irei citar Buddha for Beginners, da bibliografia de Jane Hope (Jane Hope estudou com Chogyam Trungpa Rinpoche), impresso em 1995 (eu tenho somente a versão norueguesa disponível, assim espero que a minha tradução para o inglês não seja muito inacurada): "Buddhismo Hinayana. Uma boa introdução ao tradicional Buddhismo Hinayana é What the Buddha Taught, de Walpola Rahula... Com um ponto de vista atual e escrito por dois ocidentais treinados na tradição Theravada, é... Seeking the Heart of Wisdom, por Joseph Goldstein e Jack Kornfield..."

3. Agora sobre uma constante confusão que tem base no Buddhismo tibetano. Alguns dizem que Hinayana e Mahayana há muito são dois termos usados para descrever duas diferentes atitudes espirituais, e citam o sétimo capítulo ("Loving Kindness and Compassion") do clássico tibetano The Jewel Ornament of Liberation, escrito no século X, onde o autor, Jé Gampopa se refere a Hinayana como "menor capacidade" ("theg pa dman pa"). O parágrafo se lê como segue: "'Apego ao bem-estar de mera paz(1)' significa a atitude de menor capacidade(2) onde o desejo de transcender o sofrimento é focado somente em si. Isso obstrui a consideração com os outros e dessa forma há pouco desenvolvimento de altruísmo [...] Quando a bondade e a compaixão se tornam parte do ser, há tanto cuidado pelos outros seres conscientes que ele não poderia almejar a liberação somente para si. [...] Mestre Manjushriikiirti disse: 'Um seguidor do Mahayana não deveria estar sem bondade e compaixão por um momento sequer', e 'Não é a raiva e o ódio mas a bondade e a compaixão que concedem o bem-estar aos outros'."

As notas de rodapé dessa passagem indicam o seguinte: (1) o tibetano zhi.ba significa "paz". É traduzido como "mera paz" nessa seção do livro, já que é usado por Gampopa para denotar a paz relativamente sem compaixão que resulta do desenvolvimento somente da meditação de concentração. (2) Hinayana: "menor capacidade", muitas vezes traduzido como "veículo menor". O termo implica na capacidade de carregar um fardo. Nesse caso o fardo é o próprio ser, já que seu comprometimento é conduzir a si mesmo à liberação, não a todos os seres (como é o caso no Mahayana, a "maior capacidade").

O problema e confusão aqui é que obviamente essa análise não se refere diretamente à palavra hiinayaana em páli/sânscrito, mas à sua tradução tibetana "theg pa dman pa". Esse é um aspecto chave, como será mostrado abaixo.

A palavra Hinayana não é tibetano, não é chinês, inglês ou bantu.
É páli e sânscrito. Dessa maneira a única abordagem sensata para determinar o significado da palavra é estudar como a palavra hiinayaana é usada nos textos páli e sânscrito.

O segundo elemento, -yaana, significa veículo. Não há dissensão sobre isso.

Como é então usada "hiina" nos textos canônicos páli?

Todo buddhista conhece o primeiro sermão do Buddha gravado, o Dhammacakkappavattanasutta falado aos cinco ascetas que se tornaram os primeiro cinco bhikkhus [2]. Nele o Buddha diz: "Esses dois extremos, monges, não são praticados por aquele que transcendeu o mundo. Quais são os dois? Aquele conjugado com as paixões e luxúria, baixo (hiina), grosseiro, vulgar, ignóbil e danoso..."

Sabendo que o estilo do sutta muitas vezes usa cadeias de sinônimos dessa maneira, assim eles fortalecem e definem-se um ao outro, pode-se considerar "grosseiro, vulgar, ignóbil e danoso" como definições auxiliares de "hiina" nesse caso.

Aqui o Buddha claramente denota o caminho a não ser praticado como hiina.

Em outros textos e comentários páli hinna muitas vezes ocorrem na combinação hiina-majjhima-pa.niita, que é: ruim - médio - bom. No contexto de hiina - majjhima - pa.niita (ou algumas vezes somente hiina - pa.niita) a palavra hiina é sempre usada como um termo para qualidades indesejadas, como por exemplo o ódio, avareza e ignorância. Ela obviamente significa "baixo, indesejável, desprezível" - e não "pequeno" ou "menor".

O comentário Mahaniddesa-atthakatha, um dos textos onde a tríade ocorre, define a palavra assim: hiinattike hiinaati laamakaa (na tríade "hiina" é "laamakaa"). Agora laamaka é definida pelo PTS Dictionary dessa
maneira: "insignificante, pobre, inferior, mau, pecaminoso. O sinônimo comum é paapa". E paapa significa "ruim, mau". Assim parece que as definições vão de mal a pior. O comentário então dá exemplos e explica que os desejos que causam renascimento em niraya (inferno, purgatório) são hiina.

Agora para os textos em sânscrito. Em Lalitavistara encontramos uma versão do Dhammacakkappavattanasutta, onde a palavra "hiina" é usada exatamente como na citação acima da versão páli do sutta.

Em Mahayanasutralankara por Asanga, que é um texto Mahayana muito representativo, encontramos algo de interesse para nossa busca. Asanga diz:
"Há três grupos de pessoas: hiina-madhyama-vishishta... (ruins - médios - excelentes)." Essa expressão é paralela ao páli hiina-majjhima-pa.niita e vem mostrar que os Mahayanistas que cunharam o termo "hiinayaana"
consideraram "hiina" como um termo depreciativo, com o mesmo sentido dos textos páli.

Um texto muito interessante é uma edição do Catushparishatsutra onde o texto é apresentado em quatro colunas paralelas: sânscrito, páli (Mahavagga), tibetano e uma tradução alemã da versão chinesa. Aqui, novamente, encontramos o Dhammacakkappavattanasutta. Já observamos em páli e sânscrito. A versão alemã do chinês diz: "Erstens: Gefallen zu finden an und anzunehmen die niedrigen und üblen Sitten der gewöhnliche Personen..." É um tanto impreciso se aqui "niedrigen" (desprezível) ou "üblen" (mau, ruim) que corresponde a "hiina". Mas pelo menos é claro que a conotação fortemente negativa de "hiina" foi mantida na tradução chinesa. Nada mudou dos significados páli e sânscrito.

Na coluna tibetana, percebemos que a palavra "dman-pa" do tibetano toma o lugar correspondente ao sânscrito "hiina", coincidindo com a citação de Jé Gampopa acima. E aqui temos a causa de posteriores confusões e equívocos do termo hiinayaana. Vejamos o que dicionários tibetano-inglês dizem sobre "dman-pa": Sarat Chandra Das' Dictionary diz: "dman-pa: baixo, em referência a quantidade ou qualidade, pequeno". Jäschke's Dictionary é ainda mais esclarecedor: "dman-pa: 1. baixo, e referência a quantidade, pequeno. 2. em referência a qualidade: indiferente, inferior (sânscrito:
hiina)."

Dessa forma parece que a palavra do sânscrito hiina, que sem qualquer dúvida razoável significa "de baixa qualidade", foi traduzida pela palavra dman-pa do tibetano, que tem o duplo significado "baixa qualidade" e "baixa quantidade". E a citação acima de Jé Gampopa parece indicar que muitos tibetanos daí por diante lê somente o segundo dos dois significados, como "menor capacidade", "capacidade mais baixa", assim o significado foi distorcido de "baixa qualidade" para "baixa quantidade".

Assim vemos que a confusão se originou do fato que dman-pa tem dois significados em tibetano. Hinayana - originalmente significando "veículo de qualidade desprezível" - adquiriu o novo significado "veículo de menor capacidade". Mas isso é resultado de um método errado. É obviamente errado projetar o novo significado tibetano de volta à palavra sânscrito/páli e dizer que "esse é o significado de Hinayana, porque é assim que os mestres tibetanos explicam-na." O que os mestres tibetanos explicam é a palavra dman-pa do tibetano, não a palavra hiina do sânscrito.

Assim sendo é claro que não se pode afirmar que Hinayana tem o significado "brando" que a tradição tibetana lhe deu, através da palavra dman-pa do tibetano. Hinayana não é tibetano, é páli/sânscrito, e é ofensiva, o significado depreciativo permanece inalterado por quaisquer tentativas de suavização.

O que, então, é Hinayana? É o Buddhismo Theravada? Não, isso é tanto insultuoso quanto provavelmente é historicamente incorreto. É uma atitude espiritual dentro dos sistemas Mahayana e Vajrayana? Não, esse é o tibetano "theg pa dman pa", a atitude de menor capacidade, e não o sânscrito Hinayana, "o veículo inferior" [3]. Dessa forma, não há Hinayana. Hinayana não é nada além de um mito, ainda que confuso e destrutivo, e Buddhistas sábios deveriam deixar essa palavra repousar nas prateleiras do Museu dos Cismas, aonde ele certamente pertence, e encontrar outras palavras para denotar essas atitudes espirituais que eles desejam definir.

Traduzido e comentado por Flávio Costa.

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[1] Nesse ponto o texto não está muito claro, pois dá a impressão que Mahayana é uma escola, sendo que na verdade é um grupo de escolas, considerado um veículo do Buddhismo.
[2] Bhikkhu é a palavra páli que se refere a monge (masculino).
[3] Infelizmente essa tradução já se convencionou no Buddhismo tibetano, sendo pouco provável que ela deixe de ser empregada.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O refúgio na Sangha


P: Qual a diferença entre o significado do termo Sangha nas diferentes escolas?

R: No Theravada a Sangha se refere aos Arahants, ou seja aos que se realizaram.
No Mahayana em geral a Sangha é a dos monges, (em japonês uma palavra para monge é "soryu" que significa "aquele que entrou na Sangha") mas por extensão assim nos referimos a toda a comunidade.

Quando se toma refúgio na Sangha não o fazemos em pessoas, isto teria o mesmo sentido que pensar que, sendo um motor constituído de pedaços de ferro, pudessemos chamar a estes pedaços de "motor", eles só o são dentro de determinado arranjo e aí tem grande força. Assim o conceito Sangha é muito mais que meramente pessoas, da mesma forma que no símile citado.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Final da Conferência Buddhista na Montanha Encantada


Foto de encerramento, o Prof Miklos já havia viajado, ao centro Lilian Le Page, nossa hospedeira e Profa. de Yoga.

O curioso nesta foto é o efeito que as partes reflexivas da roupa do Prof. Sasaki, o mais eminente teórico do budismo Theravada no Brasil, causam ao devolverem a luz do flash. Parece que a roupa está escondendo a luz interna que escapa sem querer...
As palestras do Prof. Sasaki foram marcadas pela sua erudição nos textos do cânone Páli, assim como as do Prof. Miklos por seu aspecto meditativo e compassivo, além de uma voz surpreendentemente bela ao cantar textos de cerimônias.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Venerável Uttaranyana Sayadaw em São Paulo



O Conselheiro do Colegiado Buddhista Brasileiro
Venerável Uttaranyana Sayadaw ensinará em São Paulo

Jan 24th, 2009 by salvarez

Palestra e Workshop Buddhista: Meditação Vipassana e o Caminho do Meio

No dia 13/02/2009 - Palestra das 20h às 21h30 - O que é o Buddhismo?

No dia 14 e 15/02/2009 - Workshop das 9h às 17h. - Instruções e práticas de Meditação Vipassana e ensinamentos sobre o Nobre Caminho Óctuplo.

* Contribuição Sugerida: sexta, sábado e domingo: R$120,00; Sábado e domingo R$ 110,00; apenas sábado ou domingo R$ 70,00.

* Contato: (11) 9309-6400 (Noriko) noriko@superig.com.br; ou (11) 8485-9458 (Fernando) emporio56@uol.com.br

*** O Evento será realizado no Espaço Projeto Oásis - Rua Michigan, 333 - Brooklin Paulista.

Sobre o Venerável:

O Venerável Uttaranyana Sayadaw é Conselheiro do Conselho Consultivo do Colegiado Buddhista Brasileiro e é o atual abade do Birmingham Buddhist Vihara. O Bhante nasceu em Myanmar em 1949, e desde sua infância é monge theravada. Além de sua formação monástica, dedicou-se ao estudo acadêmico, tendo recebido em 1998 seu PhD. Atualmente é professor da International Buddhist University, onde leciona Gramática Pali, Majjimanikaya, Abhidhamma e Meditação Vipassana.

sábado, 23 de agosto de 2008

Workshop do CBB em Florianópolis



O Prof. Ricardo Sasaki do Theravada, e o Monge Genshô do zen, ambos diretores do Colegiado Buddhista Brasileiro, falam no workshop promovido pelo CBB na Universidade Federal de Santa Catarina, na quinta feira passada.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O que é Sangha?


É comum que no zen se estenda a denominação Sangha à toda comunidade de praticantes, nas próprias recitações diárias há um trecho do refúgio em que se diz: "tomo refúgio na Sangha, o lugar da harmonia" e em outras cita-se explicitamente a comunidade como tal. Porém na antiga tradição Theravada não é assim, sendo o entendimento bem mais estrito, mais estrito ainda que a Sangha monástica. Como me explica meu amigo o Prof. Ricardo Sasaki em seu e-mail em PVT que editei abaixo:


"...............................no Theravada, Sangha é a comunidade dos Arias, ou Nobres, Sotapanna, Sakadagami, Anagami e Arahant, é a esta Sangha que prestamos homenagem e tomamos refúgio e não neste ou naquele grupo de buddhistas ou praticantes. Quando queremos dizer a comunidade de monges, dizemos bhikkhusangha, mas é explicito que não é a esta sangha que tomamos refúgio nem é ela que figura nas três jóias. Só uma informação sobre o Theravada :)"

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Eliane Brum

17 anos atrás fui entrevistado por uma reporter de Zero Hora, eu era diretor do jornal e um leigo budista, ela achou incongruente que fosse um executivo e ao mesmo tempo zen budista. Não soube responder no momento de forma adequada, demorei tempo para resolver esta questão e acabei me tornando um monge zen uma década mais tarde. Como profissional ela escrevia maravilhosamente, e ao ver seu relato de um retiro budista (Theravada, muito semelhante a um sesshin zen) , na revista Época, pude ver de novo seu talento e honestidade intelectual. Fiquei muito feliz, gostaria de encontrá-la novamente um dia Eliane Brum!

Leiam também:

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG80874-8055-503-1,00.html