Mostrando postagens com marcador ganhar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ganhar. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Vencer os outros


Pergunta – Hoje está chovendo e muitas pessoas dizem que é um tempo feio. Isso simboliza mais ou menos o que o senhor estava dizendo, pois muitas vezes em nossas vidas as coisas não acontecem como se espera. Aceitar as coisas como realmente são é aceitar a imperfeição?

Monge Genshô – Essa noção de perfeito e imperfeito, bonito ou feio, certo ou errado, do ponto de vista do Zen não acontece. Só percebemos o bonito porque existe o feio. Eles são interdependentes e não estão separados. As coisas tais como são, são integradas. Dividir as coisas em certo e errado, bom e ruim, perfeito e imperfeito, implica em uma mente dualista.

Pergunta – Se tenho a intenção de fazer algo bem feito, mas não consigo realizar desta maneira, qual o julgamento disto?

Monge Genshô – O perfeito depende do imperfeito, não podemos pensar em perfeito, pois o perfeito tem dentro de si o imperfeito. É como o jardim bem varrido. A perfeição do jardim bem varrido está no fato de existirem algumas folhas caídas. É como alguém que não quer ter um gramado porque ele está sempre crescendo, tem que cortar a grama mensalmente, tem formigas, ervas daninhas, então para resolver esse problema ele manda cimentar o pátio, desta forma ele tem realmente um pátio perfeito. Horrível, mas perfeito.

Pergunta – Eu entendo que passa a ser totalmente mecânico, por exemplo, uma busca por marcas em nível de competições, como fica esse aspecto da imperfeição numa competição?

Monge Genshô – Esse aspecto de competição esconde algo muito ruim, que é um grande ego, um desejo de ser melhor e de destaque. Isso como temos visto, pode levar a uma grande doença. Vejam as olimpíadas que começando como atividade essencialmente amadora tornou-se uma competição de tal nível que os atletas desde crianças são preparados sob um treinamento rigoroso que beira uma verdadeira tortura para chegarem aos primeiros lugares. Drogas são ilegalmente usadas para melhorar desempenho. Então, o que começou como disputa totalmente amadora tornou-se uma disputa egóica entre países e pessoas. Muitas pessoas perderam suas vidas,  como acontecia na Alemanha Oriental onde as atletas eram submetidas a tratamento com hormônios masculinos, transformando totalmente e de forma definitiva seus organismos. O ganhar, o vencer os outros, tem dentro de si uma doença. É uma manifestação doentia do egoísmo. Esta não é uma busca de perfeição desejável, pois leva a uma loucura. Tudo tem um limite. O que todos deveriam estar fazendo é se perguntado o que é a felicidade? Como é ter uma vida feliz? Mas mesmo isso tem um limite. A busca da iluminação é algo desejável, mas sentar-se no zafu até que suas pernas percam as funções e você ficar paralítico é loucura. Desejar tornar-se uma pessoa perfeita também é loucura. Não estamos atrás de um jardim cimentado. Estamos atrás de algo belo, uma expressão da vida e isso inclui perfeição e imperfeição. Para o zazen é necessário uma postura firme e ereta, mas se alguém cansa e se curva, dorme ou troca de posição, não devemos falar nada. Somos seres humanos e desta forma devemos nos expressar, isso significa que somos imperfeitos e essa imperfeição é muito bonita.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ambição e realização


P: Monge, por que é que na vida todos querem ganhar, e ninguém quer perder?

R: Natural. Desde que temos ego queremos amplia-lo, ganhar é dar mais atributos e coisas a si mesmo.

P: Kodo Sawaki escreve que devemos viver sem ambição, que este é o melhor presente que podemos dar ao mundo. Isto é possível mesmo?
Como viver sem ambição?

R: Aceitando as coisas como vem, e sabendo exatamente qual nossa função no mundo e executando-a com não mente. Não há ambição assim, mas somos grandes realizadores desta forma. Aliás como foi Kodo, um grande realizador, estamos nós aqui falando em sua influência.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Quando morrer você vai entender


Kodo Sawaki Roshi
Para você: depoimentos Zen reunidos


"7. Para você que gostaria de deixar seus rivais na poeira.

Nós freqüentemente nos perguntamos quem é realmente melhor? Mas não somos todos nós feitos do mesmo amontoado de barro?

Todos deveriam sentar-se firmemente ancorados no lugar onde não há melhor ou pior.

Por toda sua vida você está completamente louco porque você acha ser óbvio que exista um ''eu'' e ''os outros''. Você representa um papel para sobressair-se em uma multidão, mas na realidade não há nem ''você'' nem ''os outros''.
Quando morrer, você vai entender.

Buddha-dharma significa ausência de costura. Que costura corre entre você e eu? Mais cedo ou mais tarde nós todos acabamos agindo como se uma costura separasse amigo e inimigo. Quando nos acostumamos muito com isso, nós acreditamos que essa costura realmente existe.

Pobre e rico, importante e não importante - nada disso existe. É somente brilho nas ondas. Ainda assim há alguns que amaldiçoam buddha porque eles estão presos na infelicidade ou porque alguém é mais feliz do que eles.

Felicidade e infelicidade, importante e não importante, amor e ódio - o mundo todo dá grande importância a essas coisas. O mundo onde nada disso existe: este é o mundo de hishiryô.

Não há nada no mundo com o que nós precisemos quebrar nossa cabeça já que está claro que nossos pensamentos deludidos e discriminações são absolutamente inúteis.

Quando o chefe de departamento estava doente, um subordinado passou por cima dele no plano de carreira. Ele estava se recuperando, mas com essa notícia sua febre surgiu novamente. Você realmente não precisa pegar uma febre por causa de algo assim.

Você diz, ''Eu vou te mostrar!'' Mas você nem sabe quanto tempo vai viver.
Você não tem alguma outra coisa para fazer?

No Oeste eles dizem, "O homem é o lobo do homem". O primeiro passo na religião deve ser que os lobos parem de morder uns aos outros.

O que nós temos aprendido desde nossos dias de infância é nada mais do que como fingir sermos importantes. O mundo chama isso de educação. E o que nós tentamos fazer mais tarde na vida? Nós lutamos como demônios, fazemos sexo como animais e nos alimentamos como os fantasmas famintos. É isso.

O mundo inteiro oscila em pernas cambaleantes: como empurrar os outros para o lado só para chegar na frente. No buddha-dharma você não deve ser tão injusto.
O buddha-dharma significa ter sucesso no fracasso. A mente do buddha-dharma é ''sentar-se em zazen por éons sem atingir o caminho de buddha.'' [Sutra do Lótus]

As pessoas fazem uma cara de sono se não há uma luta ou competição acontecendo. Elas estão sempre querendo galopar à linha de chegada. Mas isto é uma corrida de cavalos? Ou elas nadam como lontras, querendo estar um nariz a frente. No final, elas brigarão umas com as outras, como gatinhos por uma bola de lã.

Quando a questão não é ganhar ou perder, amor ou ódio, riqueza ou pobreza, as pessoas colocam uma cara de sono.

No buddha-dharma a questão não é ganhar ou perder, amor ou ódio.

Alguns querem exibir-se com seu "satori". Contudo está claro que algo que você pode usar para exibir-se não tem nada a ver com satori."

Kodo Sawaki Roshi
Para você: depoimentos Zen reunidos
Tradução de Flávio Gevieski

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Nem ganhar nem perder

Quem souber quem é pode entrar no cassino, jogar na roleta, perder e sair, sem estar preso ao jogo da roleta. Quem sabe quem realmente é pode ir ao jogo de futebol e vibrar com o gol e sair do campo nem triste nem alegre. Triste porque perdeu ou alegre porque ganhou. Simplesmente partilhou com amigos um bom tempo ali e torceu, mas depois não está triste nem alegre porque ele não é o time. Esta é a diferença. Isto é muito difícil. Porque você vai perguntar para a pessoa quem você é e ele é capaz de responder assim: eu sou flamengo. Não é mais ele. Ele é flamengo. Isto é que é importante. É claro que quando a pessoa pratica espiritualmente há uma tendência a se distanciar das situações aprisionantes. O budismo aponta para esta liberdade. Liberdade dos aprisionamentos e dos automatismos.
(Trecho de O Passaporte, palestra disponível em www.chalegre.com.br/zendo na secção Textos)