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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A igualdade pregada por Buda


5) Mas, por exemplo, as regras sociais são ditadas por uma maioria, um grupo.

Monge Genshô – Você tem certeza? Moisés, por exemplo. Existiam as regras sociais da época e todos viviam de acordo com elas. O que ele fez? Desceu do Monte Sinai com os Dez Mandamentos e disse: “As regras agora são essas”. Foi a maioria de pessoas que decidiu ou foi somente ele? Quando Jesus Cristo surgiu, apresentou idéias muito revolucionárias para sua época e não foram idéias de um grupo, mas seu ensinamento. Em todos os lugares vemos isso, por exemplo, andando pelas ruas vemos as casas numeradas, mas antes de 1805 não eram assim. Quem mandou numerar as casas? Napoleão, mas essa não foi sua única contribuição, ele mudou todo um código civil que alterou o comportamento da sociedade. Antes dele somente os filhos mais velhos tinham direito a herança e essa mudança foi adotada por toda a Europa.  Se dependesse da maioria, as casas seriam numeradas por ordem de construção, como até hoje é no Japão, onde para encontrar uma casa tem que se ter um mapa. Por que os Estados Unidos e a Inglaterra têm um sistema de medidas diferente do resto do mundo? Porque o sistema métrico foi criado na revolução francesa por um pequeno grupo de sábios e como na Inglaterra não queriam usar o mesmo método, ficaram com medidas que representam um verdadeiro atraso como, por exemplo, um pé que era a medida do pé de Henrique VIII, uma polegada, uma jarda.

Buda também foi assim, ele disse que homens e mulheres são iguais espiritualmente, ambos podem  ser monges, oficiar cerimônias, ser mestres, castas são bobagens, os monges podem ser de qualquer casta, de qualquer sexo, a iluminação é igual para todos. Num mundo cheio de deuses deixou de falar neles, onde se falava em almas e espíritos os negou. Quantas religiões existem ainda hoje que dizem que homens e mulheres são diferentes para o sacerdócio? 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Não acredite, experimente


2) Seria correto fazer uma analogia com uma peça de teatro? Sabemos que não é real, mesmo assim nos emocionamos.

Monge Genshô – Você pode se permitir, sabe que é fantasia, mas pode se permitir. Você pode cortar a emoção partindo para um lado crítico e apenas analisar a atuação dos atores, mas pode resolver entrar na emoção. O importante é saber disso e ter a liberdade de escolher. A maioria das pessoas não têm nenhuma liberdade, são arrastadas pelas circunstâncias, acontecimentos e pelas emoções sem poder olhar para fora. Para alguns de nós o ciúme pode ser uma coisa tola, outras simplesmente não conseguem sair deste sentimento, não têm liberdade. 

Aluno – E como saber no dia a dia o que é ou não fantasia e realidade?

Monge Genshô – O que é real?

Aluno – Talvez o certo.

Monge Genshô – Existe algo que você possa chamar de certo?

Aluno – O que a maioria concorda.

Monge Genshô – Se a maioria concorda provavelmente é bobagem. A opinião da maioria por lógica é média e a opinião média é medíocre. Aquilo que a maioria das pessoas pensa sobre algo provavelmente não é verdadeiro, se todos concordam com alguma coisa você deve desconfiar. Este é um dos motivos da dificuldade de se governar um país com democracia, pois você depende da opinião da maioria. As opiniões mais geniais não estão nas mãos da maioria, por exemplo, perguntaram para Steve Jobs porque ele não fazia uma pesquisa de mercado para saber que tipo de produto lançar. “As pessoas não sabem o que querem”, ele respondeu. Se o inventor do automóvel fosse perguntar para as pessoas o que elas queriam, certamente a resposta seria um cavalo mais rápido. Elas não tinham idéia do que era ou viria a ser um automóvel.

A opinião da maioria das pessoas é assim, linear e localizada no tempo. A maioria dos ensinamentos de Buda é desconfortável e as pessoas não querem este tipo de opinião. É muito bom ter alguém a quem rezar para nos socorrer. Seria ótimo chegar como Monge, dizer-se conhecedor da verdade e indicar o caminho para as pessoas seguirem, mas no Budismo não é assim. A palavra “fé” no budismo, “Saddam”, significa uma espécie de confiança e não uma crença inabalável em alguma coisa. No budismo dizemos para as pessoas experimentarem, dizemos para não acreditarem nos professores, não estamos vendendo uma fé. Eu digo à vocês que existe um treinamento que leva à um caminho, se vocês confiam que leva, então pratiquem desta forma e testem para ver se obtém os mesmos resultados. Talvez vá funcionar para alguns e para outros não. Como monge budista não desejo adoradores e seguidores que digam que o que eu falo é a mais pura verdade.

Existe a história daquele monge que aceitava só a metade do que seu mestre dizia, a outra metade ele rejeitava. Quando perguntado do porque disso, ele dizia que se aceitasse tudo não seria digno de seu mestre. Se você pensa que a opinião da maioria é provavelmente correta, sem problemas, você pode pensar desta forma, mas veja no que daria: - A maioria das pessoas antigamente pensava que a terra era chata e quem declarou que a terra era redonda foi perseguido. Existem vários exemplos que comprovam isso e cada vez que alguém foi contra a maioria, foi perseguido. A maioria pensa que seja mais natural acreditar num deus criador, essas coisas são tão complexas que só podem ter sido criadas por uma entidade superior, elas dizem. O budismo não considera a idéia de um deus criador e isso vai contra o senso comum. É praticamente axiomático, se vocês me mostrarem algo que a maioria das pessoas acredita poderemos colocar alguma dúvida.