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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
O louvor a igualdade das mulheres por Dogen Zenji
Postado por Monge Komyô:
Nestes dias de conscientização sobre a cultura de misoginia e abuso contras as mulheres, apresento excertos de um belo ensaio do grande mestre zen Eihei Dogen, em seu tratado Shobogenzo.
Em um período (1240 C.E.) onde o desmerecimento às mulheres era galopante, Dogen Zenji escreve um maravilhoso ensinamento de respeito ao Feminino, e um louvor a igualdade.
A tradução destes poucos trechos é minha, adaptada para sintetizar alguma passagens. O texto original que usei é de tradução do Prof. Emeritus Stanley Weinstein Ph.D., especialista no Budismo Sino-japonês da universidade de Yale.
“Raihai Tokuzui” (Prestando homenagem e atingindo a Essência)
Eihei Dogen - Dezembro 1240 C.E.
Não há dúvida de que existem pessoas que não prestam homenagem a mulheres ou monjas, tendo estas obtido o Dharma e que o estejam transmitindo. Aquelas pessoas não entendem o Dharma, e desde que obviamente elas jamais o estudaram, são como bestas, completamente afastadas dos Buddhas e ancestrais.
O feminino não é diferente do masculino, portanto homens e mulheres podem obter o Dharma sem distinção entre os dois (...) Assim, não te percas em ideias de separação como a de que homens são diferentes das mulheres.
Do mesmo modo, hoje em dia, existem aqueles que são extremamente estúpidos e pensam, "Mulheres são nada mais do que objetos sexuais e provedoras de comida." Estas pessoas falham em considerar que esse tipo e pensamento resulta de visões distorcidas e erradas. As crianças de Buddha não deveriam ser assim.
Há monge tolos, na China, que fazem o seguinte voto, 'Eu não irei olhar para uma mulher por incontáveis renascimentos no porvir.' Em qual Dharma isto está fundamentado? Qual é o terrível demérito em ser uma mulher? Qual é o grande mérito em ser um homem? Há muitos homens maus, e muitas boas mulheres. Se tu desejas ouvir o Dharma e pôr um fim ao seu sofrimento e tumulto, esqueças de tais coisas como a ideia de distinção entre mulheres e homens.
Monges que tem aversão às mulheres estão profundamente inebriados com o vinho da arrogância, e suas palavras de desprezo são palavras de loucura induzida pela intoxicação. Seres humanos e deuses jamais deverão levar a sério estas atitudes.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Ligação e apego entre pais e filhos
Aluno: Sensei, eu sinto momentos de muita angústia pensando nos meus filhos (durante o sesshin). Existe solução para o apego entre pais e filhos?
Monge Genshô: Nós seres humanos queremos nos conectar com a eternidade e a nossa compreensão é que os filhos fazem essa ligação. No fundo o apego com os filhos vem de um amor ao eu. A ideia é: “eu quero permanecer, mas eu sei que este corpo vai morrer, então eu olho para o filho como minha ligação com a eternidade”. Disso surge uma diferença importante entre homens e mulheres. Através do tempo eu tenho notado que os homens são mais angustiados e as mulheres menos, porque por uma condição biológica as mulheres se sentem mais ligadas à vida. Na verdade, biologicamente acontece o contrário das lendas, não é a mulher que saiu da costela de Adão, nós homens é que viemos depois, porque a separação dos sexos acontece depois na biologia. Primeiro há um ser único e depois ocorre a separação para ter um ser que faça a fecundação, ou seja, um macho, mas ele sai da fêmea, então é ela quem representa a espécie. Além disso, como o filho nasce da fêmea, ela o sente como dela. O homem não sabe, ele foi informado, alguém diz “esse filho é seu” e você acredita. Então a realização do filho no homem é intelectual e na mulher é física. Vemos homens desesperados querendo escrever sinfonias, livros e realizar grandes obras porque tentam se eternizar de alguma forma, na verdade essa busca vem do medo do desaparecimento. As mulheres não sentem tanto isso, mesmo quando não têm filhos elas ainda se sentem mais ligadas à vida pela sua natureza.
Esse esforço dos homens explica de certa forma a angústia criadora, que também é medo do desaparecimento. Então essa ligação com os filhos é a manifestação do nosso desejo de permanência, por isso às vezes é tão difícil abrir as mãos e deixar os filhos seguirem seus próprios caminhos. Muitas vezes os pais querem que os filhos sejam aquilo que eles são e isso é um grave erro. Só uma ampliação de consciência pode aliviar esse tipo de angústia. Se você se ilumina e desperta das desilusões do eu isso também desaparece. Mas por outro lado que bom que existe amor, que existe sexo, que existem filhos, porque são partes integrantes da vida. Se você perguntasse qual é o sentido da vida eu responderia que é justamente viver. E viver também é sofrer, se você dedica amor, tem que aceitar a perda, você só precisa se dar conta de que o preço é o sofrimento. É natural que existam as preocupações e os medos, mas tudo isso é o preço que se paga. Tem alguma maneira de viver sem isso? Não. Nós temos sangha e na medida em que você conhece, conversa e entrevista as pessoas, também vai criando amor por elas. De repente um fica doente, outro sofre uma tragédia e tudo isso vem para você também, mas esse é o preço. Se você não quiser nenhum sofrimento tem que se isolar numa montanha e não ter relação com nada.
Existe uma anedota Zen em que um Monge estava numa montanha e sentiu que estava iluminado. Então ele resolveu descer até a cidade e entrou no mercado. Nesse momento alguém pisou no pé dele, ele sentiu raiva e percebeu que a sua iluminação era pura ilusão. Então só é possível dentro da turbulência da vida você acordar. O que você prefere: ter amor e sofrimento ou não ter amor nenhum? É isso.
Monge Genshô: Nós seres humanos queremos nos conectar com a eternidade e a nossa compreensão é que os filhos fazem essa ligação. No fundo o apego com os filhos vem de um amor ao eu. A ideia é: “eu quero permanecer, mas eu sei que este corpo vai morrer, então eu olho para o filho como minha ligação com a eternidade”. Disso surge uma diferença importante entre homens e mulheres. Através do tempo eu tenho notado que os homens são mais angustiados e as mulheres menos, porque por uma condição biológica as mulheres se sentem mais ligadas à vida. Na verdade, biologicamente acontece o contrário das lendas, não é a mulher que saiu da costela de Adão, nós homens é que viemos depois, porque a separação dos sexos acontece depois na biologia. Primeiro há um ser único e depois ocorre a separação para ter um ser que faça a fecundação, ou seja, um macho, mas ele sai da fêmea, então é ela quem representa a espécie. Além disso, como o filho nasce da fêmea, ela o sente como dela. O homem não sabe, ele foi informado, alguém diz “esse filho é seu” e você acredita. Então a realização do filho no homem é intelectual e na mulher é física. Vemos homens desesperados querendo escrever sinfonias, livros e realizar grandes obras porque tentam se eternizar de alguma forma, na verdade essa busca vem do medo do desaparecimento. As mulheres não sentem tanto isso, mesmo quando não têm filhos elas ainda se sentem mais ligadas à vida pela sua natureza.
Esse esforço dos homens explica de certa forma a angústia criadora, que também é medo do desaparecimento. Então essa ligação com os filhos é a manifestação do nosso desejo de permanência, por isso às vezes é tão difícil abrir as mãos e deixar os filhos seguirem seus próprios caminhos. Muitas vezes os pais querem que os filhos sejam aquilo que eles são e isso é um grave erro. Só uma ampliação de consciência pode aliviar esse tipo de angústia. Se você se ilumina e desperta das desilusões do eu isso também desaparece. Mas por outro lado que bom que existe amor, que existe sexo, que existem filhos, porque são partes integrantes da vida. Se você perguntasse qual é o sentido da vida eu responderia que é justamente viver. E viver também é sofrer, se você dedica amor, tem que aceitar a perda, você só precisa se dar conta de que o preço é o sofrimento. É natural que existam as preocupações e os medos, mas tudo isso é o preço que se paga. Tem alguma maneira de viver sem isso? Não. Nós temos sangha e na medida em que você conhece, conversa e entrevista as pessoas, também vai criando amor por elas. De repente um fica doente, outro sofre uma tragédia e tudo isso vem para você também, mas esse é o preço. Se você não quiser nenhum sofrimento tem que se isolar numa montanha e não ter relação com nada.
Existe uma anedota Zen em que um Monge estava numa montanha e sentiu que estava iluminado. Então ele resolveu descer até a cidade e entrou no mercado. Nesse momento alguém pisou no pé dele, ele sentiu raiva e percebeu que a sua iluminação era pura ilusão. Então só é possível dentro da turbulência da vida você acordar. O que você prefere: ter amor e sofrimento ou não ter amor nenhum? É isso.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
AS MULHERES NO BUDISMO
Aluno:
Sensei, já ouvi a história desse lado de Ananda que gostava das mulheres mas,
na hora que as mulheres quiseram entrar na Sangha, Buda se recusou. Parece que
foi Ananda que defendeu, ou algo assim? Como foi essa parte?
Monge Genshô: Quem defenderia melhor as
mulheres senão Ananda?
Conta-se que a mãe adotiva de Buda, Mahapajapati,
com um grupo de mulheres vai até ele. Não é entrar na Sangha em si com o
conceito Sangha que nós temos, mas elas pediram para serem ordenadas monjas. E
pertencer à Sangha naquele tempo, significava pertencer só à Sangha dos
iluminados. Os monges comuns não eram da sangha. Mahapajapati pede isso e Buda
pensa: “vai dar confusão. Nós aqui, esses monges todos aí, todos eles não são
tão diferentes de Ananda assim, aí colocamos essas mulheres todas juntas, vai
dar confusão”. Então Ananda cobra dele: “Mas o senhor ensinou que homens e
mulheres são iguais na sua capacidade de atingir a iluminação!”, e com isso
Buda concorda com Ananda.
Mas então eles providenciam uma
separação de modo que tenha uma sangha feminina separada, uma linhagem feminina
separada a partir de Mahapajapati e ela ordena, ela é a primeira grande mestra,
e a sangha masculina fica separada, Buda separa fisicamente as sanghas. Até
hoje esse problema permanece nos monastérios. Em sua maioria, os que tentaram
ter monges e as monjas juntos desistiu, porque é natural o amor, a paixão, é
natural que surja. E ai automaticamente criam-se problemas, estão apaixonados,
daqui a pouco vai nascer uma criança dentro do monastério, então não dá certo.
Então foram separados, monastério feminino num lugar, e masculina noutro, embora
os monges no Zen, hoje, quando saem do monastério, podem se casar. Os dois
podem administrar o monastério como um casal, por exemplo, caso ambos sejam
monges. Mas no local de formação, que é um monastério, devem ficar separados.
Mesmo no sesshin nós separamos os
casais. No sesshin não é permitido relações afetivas de nenhum tipo, não é
local para namorar. Mas acabou o sesshin, tudo bem. Inclusive, eu diria até que
é melhor quando tem casais que são praticantes. Os casais praticantes se apoiam mutuamente,
assim fica muito mais fácil.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Dilemas morais
Pergunta – Nós que temos então, que pesar entre o absoluto e o relativo, uma vez que não existe o certo e o errado?
Monge Genshô – Dependendo da circunstância as coisas mudam. Matar é errado, mas se para salvar cinquenta vidas você tiver que matar um terrorista, por exemplo, isso é certo ou errado? A princípio matar é errado, mas para produzir arroz há que matar, pois para cultivar o campo você vai matar alguns animais que estão na terra. Não é tão simples. Nos dilemas morais você pode aplicar um princípio que é: “qual o menor mal, para o maior numero de pessoas”? Sempre deverá haver um critério.
Por exemplo, estamos num barco e para que o barco não afunde e todos sobrevivam uma pessoa deve pular na água, quem será? Qual o critério? Pode ser, por exemplo, o mais velho. Esse tipo de problema existe há muito tempo, não é verdade? Normalmente salvam-se primeiro mulheres e crianças. Por quê? Porque crianças têm mais tempo de vida e mulheres são progenitoras, são as que geram a vida, homens sempre foram vistos como mais descartáveis pois bastava um para garantir a sobrevivência da tribo, até hoje quando morrem homens são contados como números enquanto a expressão “mulheres e crianças” parece se referir a inocentes, como se eventualmente os homens não o fossem e suas mortes em guerras também não devessem causar horror. Nessas decisões sempre pesa um valor que sirva para toda a sociedade e não apenas para um indivíduo é isto que está por trás destas tradições. Não há resposta fáceis e um budista tem que saber que tem que decidir e arrostar o carma correspondente sem regras “fechadas”.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Me dê suas próprias palavras
Pergunta: Essas descrições, que há em alguns sutras, elas no Zen são ou devem ser completamente ignoradas ou elas são estudadas como padrões mentais?
Monge Genshô: Os sutras foram escritos por quem?
Aluno: Pelos homens.
Monge Genshô: Por homens. O que os homens fazem? Os autores dos sutras pensaram: “Ah, isso aqui vai influenciar as pessoas! Então eu vou dizer que Buda surgiu num céu de ouro, etc e tal, em edifícios cravejados de pedras preciosas” etc... Aí escreveram essas coisas que eles acharam que seriam influentes. É natural, eram homens, embora os sutras possam ser profundos, difíceis, muito elaborados. Você pediu para ler o Lankavatara Sutra, né. Não achou difícil?
Aluno: Muito.
Monge Genshô: Então, são enlouquecidamente difíceis, como problemas filosóficos. O Lankavatara Sutra, o Surangama Sutra, são assim. Sequências de mais de uma centena de perguntas com respostas - todas respostas profundas. Então, realmente quem escreveu era um verdadeiro conhecedor do Dharma. São textos muito interessantes mas, como eu disse ontem, “não me dê as palavras dos sutras, me dê suas próprias palavras”. Não adianta ir lá na entrevista com o monge, chegar e perguntar: “como é que vai seu zazen?” e você citar um sutra. Isso não tem significado nenhum, isso seria completamente tolo. Então, nós temos nos sutras mapas, guias interessantes, mas também coisas que não servem mais para o mundo de hoje. Como servem os conselhos de Buda sobre subordinação das mulheres, deveres dos homens, que foram escritos 2600 anos atrás? Como servem para hoje? Parcialmente... Num mundo em que força física não é mais importante, por exemplo? Naquele tempo, um homem era diferente de uma mulher. Um homem podia fazer serviços que uma mulher não podia fazer. Qual é o serviço que uma mulher, hoje, não pode fazer? Que um homem não pode fazer? Num mundo de máquinas, instrumentos, computadores etc? Mudou tanto.
É como eu dei um exemplo lá em Goiânia. Em antigos textos bíblicos, está escrito: “os homens não podem cortar o cabelo das têmporas.” Aí vocês já viram aquelas seitas hassídicas, que deixam cachinhos caindo? É porque eles não podem cortar o cabelo das têmporas. Porque está escrito lá no livro. Podia ter sentido lá naquela época, que eu não sei qual é, mas hoje, que sentido tem? Então, nós temos que ter essa clareza. Sempre surgem os ortodoxos, que querem seguir os textos ao pé da letra. Estávamos falando ainda há pouco. Mas, a que isso leva?
Em Israel há elevadores que aos sábados são desligados, de modo que você entra no elevador e ele para em todos os andares, porque um judeu de uma dessas seitas ortodoxas não pode apertar um botão, pois se ele apertar um botão, está fazendo a máquina trabalhar para ele. Então, se criou isso. No domingo o mecanismo é desligado e para de andar em andar. Qual era o sentido antigo da guarda do sábado? O sábado era dia de descanso. Então, você não trabalhará, seu jumento não trabalhará, sua mulher não vai trabalhar. Ninguém vai trabalhar no sábado. Vamos dedicar esse dia, um dia de descanso. É um dia de oração. Era esse o sentido. E agora virou essa maluquice para elevadores. Então nós temos que tomar cuidado com a ortodoxia.
Pergunta: Com relação aos sutras, Monge, existem sutras que permitem, que trazem insights para as pessoas? Por exemplo, o Sutra do Diamante?
Monge Genshô: Com certeza. O Sutra do Diamante é o Vajracchedika Sutra. É um sutra que corta todas as ilusões. Por isso se chama Sutra do Diamante. Ele é como se fosse um controle de qualidade dos paramitas. Ele pega, por exemplo, a paramita da paciência e analisa. Claro, ele é muito útil, deve ser lido, mas você tem que ler pensando: “esse texto foi escrito por um Mestre e eu vou aproveitar o que me for útil nesse texto”. Não o tome como baixado do céu, como um texto sagrado, que nós temos que seguir ao pé da letra.
Vejam o que acontece hoje no Oriente Médio, onde existe uma religião com um texto que foi ditado pelo próprio Deus. Então, se foi ditado pelo próprio Deus, tem que ser seguido. Assim, tem os grupos que querem que as regras sejam seguidas como eram naquela época.
Esses dias li a declaração de um religioso de que uma mulher que for estuprada, tem que ser enforcada. Mas, por que ela tem que ser enforcada, se ela foi estuprada? Porque está no texto. Ela não foi só do seu marido, ela foi de um outro homem. Mas foi um estuprador! Não interessa. Ela não serve mais. Enforque. Esse é o grande perigo de olhar o texto dessa forma. O pior é que essa declaração foi feita por um ministro de governo de um país do oriente médio. Imagine a força institucional que tem uma crença desse tipo. E não é impossível que surjam grupos extremistas budistas, etc, que comecem a pensar “o outro é diferente” também. Nós temos que ser radicalmente contra esse tipo de pensamento. Nós temos que preservar nossa liberdade mental.
E, para encerrar, há uma história. Eu gosto muito de um mestre a quem um aluno perguntou: “Você foi aluno do Mestre fulano de tal?” Ele disse: “Sim, fui.” “Ah, que maravilha. Aluno do grande mestre fulano de tal. E o senhor aceita tudo o que seu mestre lhe dizia?” “Não, aceito metade e rejeito metade.” E o aluno continua: “Mas como o senhor rejeita metade do que o seu mestre dizia?” E ele responde: “Se eu aceitasse tudo o que ele me dizia, não seria digno do meu mestre, porque o meu mestre me ensinou a pensar, me ensinou a manter minha liberdade mental, meu senso crítico. Eu posso até estar errado, mas não preciso aceitar tudo o que ele disse”.
Então, vocês não precisam aceitar tudo o que eu digo. Simples assim.
(Final da terceira palestra no sesshin de inverno, decupada da gravação por Rachel San)
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
A igualdade pregada por Buda
5) Mas, por exemplo, as regras sociais são ditadas por uma maioria, um grupo.
Monge Genshô – Você tem certeza? Moisés, por exemplo. Existiam as regras sociais da época e todos viviam de acordo com elas. O que ele fez? Desceu do Monte Sinai com os Dez Mandamentos e disse: “As regras agora são essas”. Foi a maioria de pessoas que decidiu ou foi somente ele? Quando Jesus Cristo surgiu, apresentou idéias muito revolucionárias para sua época e não foram idéias de um grupo, mas seu ensinamento. Em todos os lugares vemos isso, por exemplo, andando pelas ruas vemos as casas numeradas, mas antes de 1805 não eram assim. Quem mandou numerar as casas? Napoleão, mas essa não foi sua única contribuição, ele mudou todo um código civil que alterou o comportamento da sociedade. Antes dele somente os filhos mais velhos tinham direito a herança e essa mudança foi adotada por toda a Europa. Se dependesse da maioria, as casas seriam numeradas por ordem de construção, como até hoje é no Japão, onde para encontrar uma casa tem que se ter um mapa. Por que os Estados Unidos e a Inglaterra têm um sistema de medidas diferente do resto do mundo? Porque o sistema métrico foi criado na revolução francesa por um pequeno grupo de sábios e como na Inglaterra não queriam usar o mesmo método, ficaram com medidas que representam um verdadeiro atraso como, por exemplo, um pé que era a medida do pé de Henrique VIII, uma polegada, uma jarda.
Buda também foi assim, ele disse que homens e mulheres são iguais espiritualmente, ambos podem ser monges, oficiar cerimônias, ser mestres, castas são bobagens, os monges podem ser de qualquer casta, de qualquer sexo, a iluminação é igual para todos. Num mundo cheio de deuses deixou de falar neles, onde se falava em almas e espíritos os negou. Quantas religiões existem ainda hoje que dizem que homens e mulheres são diferentes para o sacerdócio?
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
A outra margem e homens e mulheres
TEXTO (continuação de comentários sobre o texto clássico Shushogi)
Acordar a mente Bodhi significa fazer voto de não atravessar para a outra margem antes que todos os seres o tenham feito. Tanto leigo como monge, vivendo nesse mundo de seres celestiais ou humanos, sujeito à dor ou prazer, todos rapidamente devem fazer esse voto.
Comentário
Atravessar para a outra margem significa sair da margem de cá, que é o Samsara, o mundo do sofrimento, atravessar o rio e chegar à margem Prajna Paramitha, a margem da sabedoria e do despertar. Mente Bodhi significa a mente compassiva, é quando chegamos à outra margem ao olharmos para trás vemos todos os outros seres sofrendo. Em vez de abandonar o barco e ir embora, voltamos e ajudamos as pessoas a atravessar o rio. Essa é a mente Bodhi, a mente que deseja ajudar as pessoas a saírem do sofrimento. A pessoa faz o voto de só entrar no Nirvana quando todos os seres tiverem atravessado o rio, isso significa renunciar à felicidade perfeita e ficar nesse mundo de sofrimento. Nosso mestre, Saikawa Roshi, pediu que fizéssemos esse voto no final do zazen, “Seres são inumeráveis, faço votos de libertá-los”.
TEXTO
Embora de aparência humilde, uma pessoa que tenha acordado para a mente Bodhi já é um professor de toda a humanidade. Até mesmo uma menina de sete anos pode se tornar uma professora budista e ser mãe compadecida de todos os seres, pois homens e mulheres são completamente iguais. Esse é um dos mais altos princípios do Caminho.
Comentário
Isso é realmente impressionante sobre o budismo. Há dois mil e seiscentos anos Buda teve a coragem de dizer que homens e mulheres são completamente iguais. Em nossos dias, em muitos lugares, homens e mulheres não são considerados iguais. Em algumas sociedades, principalmente as patriarcais, os homens podem ser sacerdotes, as mulheres não. Em algumas seitas islâmicas homens podem ir para o paraíso, as mulheres não, pois não têm alma, “são como os cães”. Também existem sociedades onde as mulheres ocupam posições privilegiadas e os homens são subalternos do ponto de vista religioso.
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Mulheres no zen budismo
Dai-En Benage Roshi, conhecida mestra zen dos EUA.
1) Nos tempos de Buda, foram admitidas as mulheres na ordem e ordenadas monjas, sendo pacífico não haver distinção entre mulheres e homens na capacidade de alcançar a iluminação. Embora seja fácil achar passagens sexistas em textos, a tese budista da igualdade dos seres não encoraja esta posição.
ex:
"A primeira monja foi Prajāpati. Khemā era a monja com mais sabedoria. Entre as monjas com mais poderes sobrenaturais, Uppalavannā era a maior. Nas regras de disciplina, Patacāra era a maior. Dhammadinnā era a maior na exposição dos ensinamentos. Em poderes meditativos, Nandā Sāvikā era a maior. Sonā era a maior no esforço. Em clarividência, Sakulā era a maior. Bhaddā Kundalakesā foi a mais rápida a atingir a realização. Bhaddā Kapilāni era a maior na lembraça de vidas passadas. Nos grandes poderes sobrenaturais, Bhaddā Kaccāna era a maior. Entre as que atingiram o poder superior, Kisāgotamī era a maior. Sigālamāta era a maior em devoção." (Dharmanet)
2) Criou-se uma linhagem de ordenação feminina, sendo sua primeira matriarca a tia de Buda, sua mãe adotiva. Esta linhagem foi prosseguindo até o sec 13 quando a invasão muçulmana que praticamente extinguiu o budismo na Índia deixou a sucessão feminina interrompida. Não sobreviveram mulheres que pudessem prosseguir a linhagem. Muitas linhagens masculinas também se extinguiram com o tempo, mas sobreviveram suficientes para o prosseguimento do budismo de ordenação em linha contínua até Buda.
3) Dois comportamentos então sucederam: escolas que daí em diante só ordenaram homens nas linhagens masculinas, tais como as do sul da Ásia, ficando as mulheres sem esta possibilidade, e escolas que passaram a ordenar mulheres em linhagens e com mestres homens tal como sucede com o zen até hoje.
4) O motivo da predominância masculina no budismo deve ser encontrável nas mesmas origens do que sucede nas atividades humanas normais,.(composição musical, pintura, matemática, filosofia etc...)hoje já podemos encontrar no ocidente muitas mulheres mestras e líderes religiosas no budismo.
terça-feira, 25 de maio de 2010
Ordenação monástica feminina no budismo
P: Qual o motivo da predominância masculina no budismo?
1) Nos tempos de Buda, foram admitidas as mulheres na ordem e ordenadas monjas, sendo pacífico não haver distinção entre mulheres e homens na capacidade de alcançar a iluminação. Embora seja fácil achar passagens sexistas em textos, a tese budista da igualdade dos seres não encoraja esta posição.
ex:
"A primeira monja foi Prajāpati. Khemā era a monja com mais sabedoria. Entre as monjas com mais poderes sobrenaturais, Uppalavannā era a maior. Nas regras de disciplina, Patacāra era a maior. Dhammadinnā era a maior na exposição dos ensinamentos. Em poderes meditativos, Nandā Sāvikā era a maior. Sonā era a maior no esforço. Em clarividência, Sakulā era a maior. Bhaddā Kundalakesā foi a mais rápida a atingir a realização. Bhaddā Kapilāni era a maior na lembraça de vidas passadas. Nos grandes poderes sobrenaturais, Bhaddā Kaccāna era a maior. Entre as que atingiram o poder superior, Kisāgotamī era a maior. Sigālamāta era a maior em devoção." (Dharmanet)
2) Criou-se uma linhagem de ordenação feminina, sendo sua primeira matriarca a tia de Buda, sua mãe adotiva. Esta linhagem foi prosseguindo até o sec 13 quando a invasão muçulmana que praticamente extinguiu o budismo na Índia deixou a sucessão feminina interrompida. Não sobreviveram mulheres que pudessem prosseguir a linhagem. Muitas linhagens masculinas também se extinguiram com o tempo, mas sobreviveram suficientes para o prosseguimento do budismo de ordenação em linha contínua até Buda.
3) Dois comportamentos então sucederam: escolas que daí em diante só ordenaram homens nas linhagens masculinas, tais como as do sul da Ásia, ficando as mulheres sem esta possibilidade, e escolas que passaram a ordenar mulheres em linhagens e com mestres homens tal como sucede com o zen até hoje.
4) O motivo da predominância masculina no budismo deve ser encontrável nas mesmas origens do que sucede nas atividades humanas normais,.(composição musical, pintura, matemática, filosofia etc...) sendo que no momento presente, no ocidente já encontramos mais mulheres ensinando o zen e famosas como mestras do que homens.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
O Zen ordena mulheres? Elas são iguais aos homens no budismo?

Monja Zen: Bhikshuni Nandabala
Bem, vamos comentar alguns fatos sobre a ordenação feminina:
1) Nos tempos de Buda, foram admitidas as mulheres na ordem e ordenadas monjas, sendo pacífico não haver distinção entre mulheres e homens na capacidade de alcançar a iluminação. Embora seja fácil achar passagens sexistas em textos, a tese budista da igualdade dos seres não encoraja esta posição.
ex:
"A primeira monja foi Prajāpati. Khemā era a monja com mais sabedoria. Entre as monjas com mais poderes sobrenaturais, Uppalavannā era a maior. Nas regras de disciplina, Patacāra era a maior. Dhammadinnā era a maior na exposição dos ensinamentos. Em poderes meditativos, Nandā Sāvikā era a maior. Sonā era a maior no esforço. Em clarividência, Sakulā era a maior. Bhaddā Kundalakesā foi a mais rápida a atingir a realização. Bhaddā Kapilāni era a maior na lembraça de vidas passadas. Nos grandes poderes sobrenaturais, Bhaddā Kaccāna era a maior. Entre as que atingiram o poder superior, Kisāgotamī era a maior. Sigālamāta era a maior em devoção." (Dharmanet)
2) Criou-se uma linhagem de ordenação feminina, sendo sua primeira matriarca a tia de Buda, sua mãe adotiva. Esta linhagem foi prosseguindo até o sec 13 quando a invasão muçulmana que praticamente extinguiu o budismo na Índia deixou a sucessão feminina interrompida. Não sobreviveram mulheres que pudessem prosseguir a linhagem. Muitas linhagens masculinas também se extinguiram com o tempo, mas sobreviveram suficientes para o prosseguimento do budismo de ordenação em linha contínua até Buda.
3) Dois comportamentos então sucederam: escolas que daí em diante só ordenaram homens nas linhagens masculinas, tais como as do sul da Ásia, ficando as mulheres sem esta possibilidade, e escolas que passaram a ordenar mulheres em linhagens e com mestres homens tal como sucede com o zen até hoje.
4) O motivo da predominância masculina no budismo deve ser encontrável nas mesmas origens do que sucede nas atividades humanas normais,.(composição musical, pintura, matemática, filosofia etc...) sendo que no momento presente, no ocidente já encontramos mais mulheres ensinando o zen e famosas como mestras do que homens.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Como o budismo trata as mulheres em termos clericais?
1) Nos tempos de Buda, foram admitidas as mulheres na ordem e ordenadas monjas, sendo pacífico não haver distinção entre mulheres e homens na capacidade de alcançar a iluminação. Embora seja fácil achar passagens sexistas em textos, a tese budista da igualdade dos seres não encoraja esta posição doutrinariamente.
ex:
"A primeira monja foi Prajāpati. Khemā era a monja com mais sabedoria. Entre as monjas com mais poderes sobrenaturais, Uppalavannā era a maior. Nas regras de disciplina, Patacāra era a maior. Dhammadinnā era a maior na exposição dos ensinamentos. Em poderes meditativos, Nandā Sāvikā era a maior. Sonā era a maior no esforço. Em clarividência, Sakulā era a maior. Bhaddā Kundalakesā foi a mais rápida a atingir a realização. Bhaddā Kapilāni era a maior na lembraça de vidas passadas. Nos grandes poderes sobrenaturais, Bhaddā Kaccāna era a maior. Entre as que atingiram o poder superior, Kisāgotamī era a maior. Sigālamāta era a maior em devoção." (Dharmanet)
2) Criou-se uma linhagem de ordenação feminina, sendo sua primeira matriarca a tia de Buda, sua mãe adotiva. Esta linhagem foi prosseguindo até o sec 13 quando a invasão muçulmana que praticamente extinguiu o budismo na Índia deixou a sucessão feminina interrompida. Não sobreviveram mulheres que pudessem prosseguir a linhagem. Muitas linhagens masculinas também se extinguiram com o tempo, mas sobreviveram suficientes para o prosseguimento do budismo de ordenação em linha contínua até Buda.
3) Dois comportamentos então sucederam: escolas que daí em diante só ordenaram homens nas linhagens masculinas, tais como as do sul da Ásia, ficando as mulheres sem esta possibilidade, e escolas que passaram a ordenar mulheres em linhagens e com mestres homens tal como sucede com o zen até hoje.
4) O motivo da predominância masculina no budismo deve ser encontrável nas mesmas origens do que sucede nas atividades humanas normais,.(composição musical, pintura, matemática, filosofia etc...) sendo que no momento presente, no ocidente já encontramos mais mulheres ensinando o zen e famosas como mestras do que homens.
ex:
"A primeira monja foi Prajāpati. Khemā era a monja com mais sabedoria. Entre as monjas com mais poderes sobrenaturais, Uppalavannā era a maior. Nas regras de disciplina, Patacāra era a maior. Dhammadinnā era a maior na exposição dos ensinamentos. Em poderes meditativos, Nandā Sāvikā era a maior. Sonā era a maior no esforço. Em clarividência, Sakulā era a maior. Bhaddā Kundalakesā foi a mais rápida a atingir a realização. Bhaddā Kapilāni era a maior na lembraça de vidas passadas. Nos grandes poderes sobrenaturais, Bhaddā Kaccāna era a maior. Entre as que atingiram o poder superior, Kisāgotamī era a maior. Sigālamāta era a maior em devoção." (Dharmanet)
2) Criou-se uma linhagem de ordenação feminina, sendo sua primeira matriarca a tia de Buda, sua mãe adotiva. Esta linhagem foi prosseguindo até o sec 13 quando a invasão muçulmana que praticamente extinguiu o budismo na Índia deixou a sucessão feminina interrompida. Não sobreviveram mulheres que pudessem prosseguir a linhagem. Muitas linhagens masculinas também se extinguiram com o tempo, mas sobreviveram suficientes para o prosseguimento do budismo de ordenação em linha contínua até Buda.
3) Dois comportamentos então sucederam: escolas que daí em diante só ordenaram homens nas linhagens masculinas, tais como as do sul da Ásia, ficando as mulheres sem esta possibilidade, e escolas que passaram a ordenar mulheres em linhagens e com mestres homens tal como sucede com o zen até hoje.
4) O motivo da predominância masculina no budismo deve ser encontrável nas mesmas origens do que sucede nas atividades humanas normais,.(composição musical, pintura, matemática, filosofia etc...) sendo que no momento presente, no ocidente já encontramos mais mulheres ensinando o zen e famosas como mestras do que homens.
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