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sexta-feira, 11 de abril de 2014

O céu azul não é perturbado pelas brancas nuvens que passam


 4) Às vezes quando estou mergulhada no zazen, um único fio de pensamento parece querer me tirar deste estado, não parece um pensamento, parece uma consciência conversando comigo, me apontando os defeitos e me criticando.  O que é isso?

Monge Genshô – É você mesma, mas você não deve tentar lutar com nada que surja em sua mente, não tente ficar sem pensar. Esse é um erro comum. Quando o pensamento surgir apenas o deixe ir da mesma forma que chegou. Não o agarre, não o siga e, principalmente, não faça encadeamento de idéias.

O céu azul não é perturbado pelas brancas nuvens que passam. Deixe as nuvens, pensamentos, passarem, surgirem e desaparecerem. Qualquer que seja o pensamento, de ódio, raiva, amor, paixão, você não deve se sentir culpada por tê-los. O pensamento é apenas um borbulhar de sua mente. Os pensamentos que surgem em nossa mente estão ali porque em algum momento foram alimentados com aquele tipo de idéia. No zazen você apenas senta, não tente ser ninguém, não tente ser uma boa pessoa, apenas sente.

Durante o zazen não estamos criando muito carma, estamos imóveis, porém, se você alimentar algum tipo de pensamento irá gerar carma, pois está construindo uma mente, não tente construir nada, apenas sente e tente ficar no aqui e no agora. Isso é extremamente desafiador. Sentado você está tentando criar condições na sua mente na qual podem aparecer as experiências místicas, ficando imóvel, calado e no momento presente. Essas experiências de clareza e lucidez são as coisas que desejamos enxergar, mas para isso precisamos de uma mente limpa e a maneira de limpar não é não pensando, pois não pensar é um pensamento. Apenas deixe acontecer. Tetsugen disse que quando você conseguir ficar 40% do tempo de seu zazen em samadhi, com a mente limpa, pensamentos vindo e indo sem que você os toque, o despertar se aproxima.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O céu não é perturbado pelas brancas nuvens que passam



Pergunta – Isso que é o não eu?

Monge Genshô – Se conseguir ouvir o sons como se eles se apresentassem e passassem sem nenhum julgamento, não haveria nenhum eu julgando. Isso é um treinamento para a plenitude, é o samadhi. É necessário transportar essa mente da meditação e levá-la para fora. Treinamos sentados primeiro porque é mais fácil, ficamos quietos, imóveis, nosso corpo não se move então não geramos carma de corpo, ficamos em silêncio, então não geramos carma de fala. Silenciamos nossa mente simplesmente aceitando até nossos próprios pensamentos, que eles se apresentem e que vão embora, não lutamos com eles, não os seguimos, não fazemos associações, não criamos histórias, ficamos aqui sentados e aceitamos os pensamentos da nossa mente como meras nuvens passando no céu. O céu não é perturbado pelas brancas nuvens que passam. Se apenas aceitarmos sem nenhuma reação, como estamos treinando aqui, nos levantarmos e levarmos essa mente para fora e aceitarmos as palavras das pessoas, os acontecimentos com a mesma equanimidade que treinamos sentados mas se quando sentados formos bons praticantes, mas ao levantarmos nos transformarmos em pessoas reativas, não aconteceu nada, não levamos a prática para a vida ainda.

Por isso é necessário que o praticante aja, que ele treine e lide com o mundo, senão o zen tornou-se inútil. Como a história do monge que foi para a montanha e meditou tranquilamente sozinho durante anos e sentiu-se perfeito em sua tranqüilidade e serenidade. Um dia ele desceu até a cidade e foi até a feira. Lá um homem pisou no seu pé, ele virou-se com raiva e nesse momento  entendeu que sua prática tinha sido falha,  é claro que podemos ver quando sentados em meditação, pelos pensamentos que se apresentam, qual o estado de nossa mente. Mas, testar de verdade tem que ser na vida. Não tem como dizer que um monge é superior a um leigo, isso não existe. A questão é como eles agem no mundo, como são suas mentes, suas ações, então podemos dizer e o mestre irá reconhecer essa superioridade de prática. Quando estivermos sentados poderemos olhar e dizer quem ele é, quando estiver andando, falando ou comendo, nós poderemos ver, então aparece a qualidade espiritual. Nas ações. Não existe melhor para ver quem é uma pessoa do que um sesshin (retiro). Levantar de madrugada, comer com tigelas, os oryoki, ficar cansado no zendo (sala de meditação), horas e horas meditando com a boca silenciosa. Ele não precisa falar nada, olhando as pessoas podemos ver qual é o estado de seu treinamento, ninguém consegue esconder.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Deixe o pensamento passar


P. Se surge um pensamento não é meio agressivo mandar parar?

R. Em vez de empurrar o pensamento, em vez de mandar pará-lo apenas volte para aqui porque ele é só uma nuvem passando, volte para cá, só retorne para este momento porque neste momento o que tem é aquele som lá fora. Volte para cá e ouça os sons que estão lá fora. É fácil no zazen. Se estamos sentados aqui e ouvimos o som, está bem, se começamos a fantasiar perdemos então não empurre o pensamento nem mande pará-lo. No máximo se dê conta ah, este é um pensamento sobre o passado. Só isto. Este é um pensamento sobre o futuro. Só isto. E volte para cá. Apenas se dê conta porque depois na vida quando nós estamos vivendo e surgem os pensamentos nós temos que nos dar conta ah, é isto, ah, é ciúme, ah, é raiva, ah, é orgulho, é ambição, ah, é isto que está surgindo na minha mente e quando você se dá conta “é isto” eles perdem a força e quanto mais eles se apresentarem e você disser ah, é só isto, eles murcham e você volta para cá. Quando você ganhar esta habilidade na vida normal, onde é mais difícil do que no zazen, aí você começou a ser dono da vida. Se alguém agride você ou insulta, você olha para ele e se dá conta ah, é a raiva na mente dele, não sou eu. Não preciso entrar no jogo. Entrar no jogo dele é a mesma coisa que ver alguém se afogando num rio de forte correnteza e nós que não sabemos nadar ou estamos com botas pesadas ou qualquer coisa assim nos atirarmos atrás. É absolutamente tolo nós fazermos uma coisa destas. É ele que está com aquele problema, é a mente dele, a sua não precisa acompanhar. Não se jogue na fogueira junto com os outros e para isto é necessário que nós percebamos o que está acontecendo, vejam quanto a humanidade não percebe, porque multidões são facilmente arrastadas para um quebra-quebra ou para atitudes de ódio. É fácil, uma nação inteira pode ser galvanizada por uma coisa. Ah, aquela ilha lá é minha, é minha, aí começamos a correr, entramos numa guerra porque aquela ilha lá é minha, meu território. É uma fantasia, não é? Não aconteceu conosco aqui perto pouco tempo atrás? Décadas atrás? Uma nação inteira galvanizada por uma questão de esta ilha é minha? E morreram centenas e centenas de homens por causa desta fantasia? São só crenças, nós não precisamos nos atirar à elas então precisamos perceber como ela surge e isto se aprende neste treinamento ali sentado. Surgiu o pensamento ah, é isso. Voltamos para cá porque a única coisa real que existe neste momento são as cigarras lá fora.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O que fazer com as intrusões de pensamentos na meditação?


Em um retiro, em Florianópolis, uma praticante toca uma placa de metal em formato de nuvem, ela é usada no final de certos horários de meditação, e o ritmo usado no seu toque expressa a impermanência e o tempo limitado que temos para despertar.
Atrás o vasto céu deixa passar as nuvens sem ser alterado.

R: A intrusão de pensamento é o problema de todo mundo, a técnica é não lutar com isto, as sensações estão ali e são boa coisa, o julgamento sobre elas é que é o erro, basta sentar e sentir plenamente tudo em volta, mas sem fazer considerações, sem achar bom nem ruim, quanto aos pensamentos não segui-los, não elaborar, não fazer novas associações, deixar que venham e vão sozinhos, “o vasto céu azul não é perturbado pelas brancas nuvens que passam”, você deve se colocar como este céu.