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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Perdendo o interesse pelo Samsara

 
 As dificuldades que surgem a partir da experimentação de eventos como o Kenshô é que as pessoas começam a achar que você tem algum parafuso que não está bem apertado, porque você não está interessado no mundo do samsara, você começa a se interessar no mundo do céu azul. Aquele mundo é que é o mundo real, só que as pessoas que estão no mundo do samsara acham que a realidade é o mundo do samsara, eles acham que a realidade é aquela, e por isso elas não conseguem entender muito bem o que está acontecendo com você.
Então você tem que saber ser suficientemente compassivo para entender o mundo do samsara, sem dizer 'você está enganado, é pura ilusão sua', etc, você tem que dizer que entende. Se alguém diz que está sentindo uma paixão, você diz 'ah, eu entendo, posso me recordar, já me senti assim, eu sei como é, o jeito que você pode lidar com essa paixão é assim'. Você pode ensinar alguma coisa do Dharma para essa pessoa. Você não pode dar a ela, toma aqui o kenshô, toma aqui o samadhi, porque é invisível, a pessoa não pode ver.
 É por isso que se cria a situação em que aquele indivíduo que experimenta e que conhece o kenshô e o satori, ele pode identificar outro indivíduo que também experimentou, porque quando os dois começam a falar  ele vê no outro, instantaneamente, que o outro está vendo, o que ele vê. Então só um Buda enxerga um Buda.
 Há uma história de um mestre que é convidado por um rei, e o rei está com raiva dele porque os súditos estão indo para mosteiros, e ele precisa de soldados, e estava perdendo soldados para os mosteiros. O imperador olhou para o mestre zen e disse: eu estou olhando para um porco. O mestre zen olhou para ele e disse 'eu olho para o senhor, majestade, e vejo um Buda'. E o imperador perguntou como isso. E o mestre zen respondeu que cada um só pode enxergar o seu mundo. É como o ditado coreano: olho de cachorro só vê poste. Se você tem olho de porco só enxerga porcos. Se tem olho de Buda, olha para o outro e enxerga Buda. (continua)

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Quando você vê cara não vê coroa


Pergunta – Existe uma sabedoria primordial? Se eu tirar essas personalidades, o que vou encontrar?

Monge Genshô – O vazio se manifesta como forma e a forma nada mais é que o próprio vazio. Estou falando sobre o movimento. Tirando o movimento do mar não há ondas, só um espelho.

Nossa vida é 100% dualidade, é como uma moeda, que tem dois lados - de um lado 100% problemas e dualidade, do outro lado há o absoluto e nada disso tem sentido. É a mesma moeda? Sim. Tem dois lados? Tem. Dá pra separá-los? Não. A moeda é cara e coroa, qualquer um dos dois que você tire, a moeda deixa de existir.

Pergunta – Isso é uma consciência? Um fluxo? Mesmo sendo um vazio...?

Monge Genshô – O vazio não é algo. O vazio é vazio de qualquer algo. Por isso é chamado vazio. Dizer que o vazio é algo, seria reificar a vacuidade. O vazio significa que todas as coisas são vazias de um “eu”, ele não é algo que se manifesta como forma, quando você tira a forma, não resta nenhum vazio. Vazio e forma são idênticos, relativo e absoluto são a mesma coisa, os dois estão aqui - aqui é Samsara e aqui é Nirvana. No exemplo da moeda existe cara e coroa, mas quando você vê cara não vê coroa e vice-e-versa. Porém, cara e coroa são a mesma coisa.

Pergunta – É a mesma moeda porém com faces distintas, depende o lado que estou olhando?

Monge Genshô – Exato, aqui é sansara, mas se você coloca olhos de Buddha o aqui se transforma em nirvana. Não se trata de um ponto geográfico.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Nirvana não é um lugar




"O Boddhisattva, devido à sabedoria completa – coração/mente – sem obstáculos, logo, sem medo, distante de todas as delusões, isto é nirvana."

Nirvana quer dizer “sem fogo”. “Fogo extinto” ou, “sem vento das paixões”. Nirvana é a mesma coisa que Samsara. Samsara é Nirvana. Samsara é o mundo da perambulação, onde andamos de lugar pra lugar, procurando a felicidade ou satisfação. Nós procuramos, andando sem fim, procurando e trocando. Uma casa nova, um carro novo, etc, procurando, procurando, sempre trocando, isso é samsara. É o mundo rodando e você procurando a solução e satisfação de problemas sempre novos. Vão sempre surgir, porque é característica desse mundo mutante.

O que faz essas sensações todas, são o “vento das paixões”. E nós somos como folhas tocadas pelo vento das paixões.

NIR é uma partícula negativa e VANA é o fogo das paixões. Então podemos traduzir como “Fogo extinto, ou sem ventos”, e, na analogia que estou fazendo, não tem vento para empurrar a folha de lado pra lado. Não tendo paixões mundanas, então de repente surge uma grande calma, porque não importa. Atrasou, atrasou, perdeu o avião, perdeu o avião, tem comida tem, não tem comida, não tem. Perdi tudo que tinha, perdi tudo que tinha. Ganhei bastante, ganhei bastante.

As paixões não estão empurrando, então o mesmo lugar que é Samsara, é Nirvana. O que mudou é a maneira de ver. Você tira os seus olhos, que vêm o Samsara, e troca pelos olhos de Buda, olha com uma mente iluminada e aí aquilo que era Samsara, virou Nirvana.

Então Samsara não é um lugar. E Nirvana também não. Não dá pra “ir” para o Nirvana. Você muda a si mesmo e aí, este lugar torna-se Nirvana.