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sexta-feira, 17 de julho de 2015

UNICIDADE E DIVERSIDADE

Ilustração de Fernando Zenshô Figueiredo

Nós ouvimos frequentemente as pessoas dizerem que devemos ser “um com todos os seres”, no entanto, todo o tempo que andamos no mundo vemos coisas diferentes, pessoas diferentes, nossos sentimentos são diferentes e mudam, nossas experiências são diferentes, então nos perguntamos onde está essa tal “unicidade de todas as coisas”.

Na verdade a diversidade é a unicidade, ela apenas é a múltipla manifestação das coisas. Nós, os outros e todas as coisas apenas nos manifestamos de formas diferentes. Em toda unidade há diversidade e toda diversidade é a própria unidade, nós é que queremos separar uma coisa da outra, mas nossa vida diária é toda diversa. Quando pedimos as pessoas para que sejam "um com todos os seres" não implica que deixemos de ver a diversidade e não significa também que nossa vida não tenha diferentes aspectos como alegria e tristeza, pois ela tem.

Saikawa Roshi em uma de suas palestras falou sobre uma moeda que tem em seus lados nossa vida diária - 100% dualidade de um lado e, do outro, o absoluto, completa unidade, nada de bom ou ruim, certo ou errado. Tudo está na mesma moeda, mas quando você olha um dos lados não consegue enxergar o outro. Como podemos estar conscientes de que uma ou outra coisa é a mesma coisa, é a mesma moeda? Pois quando você anda, a vida diária é 100% dualidade. Você tem que ser capaz de virar a moeda a cada instante, quando você conseguir isso, será capaz de integrar os dois lados e saberá que um lado é fantasia e o outro é como as coisas realmente são. Isso pode parecer confuso porque as coisas são diversas e ao mesmo tempo unas. Ao mesmo tempo em que vida e morte existem, não existem, são apenas um pequeno aspecto das manifestações, do ponto de vista absoluto não existe vida e morte, tudo sempre esteve, está e de alguma forma sempre estará aqui. Universos surgem e desaparecem e tudo sempre está aqui.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Se estiver triste, chore, se feliz, sorria



Bia Gonzaga perde os cabelos e torna-se a noviça Jikihô San.

1) Na palestra o Roshi disse que mesmo depois de iluminado Buda ficava triste e feliz. Não consigo entender muito bem isso, uma vez iluminado ele não atinge uma serenidade tal que lhe permite não sentir mais esse tipo de coisa?

Monge Genshô – Isso é uma ilusão sobre a iluminação e sobre o próprio Zen. O que é a vida senão alegrias e tristezas? Com certeza não é somente serenidade e tranquilidade. Então se você morresse nós deveríamos dar de ombros e continuar com nosso encontro sob a alegação de que vida e morte são perfeitamente naturais? Você chega com a notícia de que sua namorada que você tanto amava acabou de morrer, então deveríamos dizer que tudo bem, afinal de contas sob o ponto de vista absoluto vida e morte não existem? É essa a atitude que você esperaria de nós ou você desejaria ser tratado de outra forma? Eu diria a você que sei o que é perder alguém que se ama, então você choraria e eu choraria junto com você.

Aluno – Ainda não compreendi muito bem, o ser que se iluminou por completo, como Buda, sente exatamente igual a nós?

Monge Genshô – Ele despertou, ele sabe. Sabe o que é fantasia, mesmo assim ele está vivo, fica doente, sofre, se entristece porque morreu Shariputra seu grande aluno.

Aluno – A diferença é que ele consegue ver o outro lado da moeda?

Monge Genshô – Ele consegue ver os dois lados da moeda. Se não visse um dos lados seria como se estivesse morto. Se você está vivo os dois lados existem. 

Aluno – Apesar de estar triste ou feliz ele consegue olhar também o outro lado. Estava conversando com meu marido e achei reconfortante o que o Roshi disse - “Se estiver triste, chore, se estiver feliz sorria”. Nós somos humanos e estamos nesse mundo cheio de emoções, então foi um alívio escutar isso, pois não preciso abrir mão dos meus sentimentos.

Monge Genshô – Aquele que não sente é como se estivesse morto. Quando você conhece o Roshi percebe o quão emotivo ele é. Em minha experiência percebo que com o tempo de prática no Zen, as pessoas não vão ficando desligadas do mundo e sim muito mais emotivas.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A UNICIDADE DE TODAS AS COISAS



Nós ouvimos frequentemente as pessoas dizerem que devemos ser “um com todos os seres”, no entanto, todo o tempo que andamos no mundo vemos coisas diferentes, pessoas diferentes, nossos sentimentos são diferentes e mudam, nossas experiências são diferentes, então nos perguntamos onde está essa tal “unicidade de todas as coisas”.

Na verdade a diversidade é a unicidade, ela apenas é a múltipla manifestação das coisas. Nós, os outros e todas as coisas apenas nos manifestamos de formas diferentes. Em toda unidade há diversidade e toda diversidade é a própria unidade, nós é que queremos separar uma coisa da outra, mas nossa vida diária é toda diversa. Quando pedimos as pessoas para que sejam um com todos os seres não implica que deixemos de ver a diversidade e não significa também que nossa vida não tenha diferentes aspectos como alegria e tristeza, pois ela tem.

Saikawa Roshi em uma de suas palestras falou sobre uma moeda que tem em seus lados nossa vida diária - 100% dualidade de um lado e do outro o absoluto, completa unidade, nada de bom ou ruim, certo ou errado. Tudo está na mesma moeda, mas quando você olha um dos lados não consegue enxergar o outro. Como podemos estar conscientes de que uma ou outra coisa é a mesma coisa, é a mesma moeda? Pois quando você anda, a vida diária é 100% dualidade. Você tem que ser capaz de virar a moeda a cada instante, quando você conseguir isso, será capaz de integrar os dois lados e saberá que um lado é fantasia e o outro é como as coisas realmente são. Isso pode parecer confuso porque as coisas são diversas e ao mesmo tempo unas. Ao mesmo tempo em que vida e morte existem, não existem, são apenas um pequeno aspecto das manifestações, do ponto de vista absoluto não existe vida e morte, tudo sempre esteve, está e de alguma forma sempre estará aqui. Universos surgem e desaparecem e tudo sempre está aqui.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Quando você vê cara não vê coroa


Pergunta – Existe uma sabedoria primordial? Se eu tirar essas personalidades, o que vou encontrar?

Monge Genshô – O vazio se manifesta como forma e a forma nada mais é que o próprio vazio. Estou falando sobre o movimento. Tirando o movimento do mar não há ondas, só um espelho.

Nossa vida é 100% dualidade, é como uma moeda, que tem dois lados - de um lado 100% problemas e dualidade, do outro lado há o absoluto e nada disso tem sentido. É a mesma moeda? Sim. Tem dois lados? Tem. Dá pra separá-los? Não. A moeda é cara e coroa, qualquer um dos dois que você tire, a moeda deixa de existir.

Pergunta – Isso é uma consciência? Um fluxo? Mesmo sendo um vazio...?

Monge Genshô – O vazio não é algo. O vazio é vazio de qualquer algo. Por isso é chamado vazio. Dizer que o vazio é algo, seria reificar a vacuidade. O vazio significa que todas as coisas são vazias de um “eu”, ele não é algo que se manifesta como forma, quando você tira a forma, não resta nenhum vazio. Vazio e forma são idênticos, relativo e absoluto são a mesma coisa, os dois estão aqui - aqui é Samsara e aqui é Nirvana. No exemplo da moeda existe cara e coroa, mas quando você vê cara não vê coroa e vice-e-versa. Porém, cara e coroa são a mesma coisa.

Pergunta – É a mesma moeda porém com faces distintas, depende o lado que estou olhando?

Monge Genshô – Exato, aqui é sansara, mas se você coloca olhos de Buddha o aqui se transforma em nirvana. Não se trata de um ponto geográfico.